Notas iniciais
Não vou falar muita coisa aqui, deixarei para o final!! Espero que gostem do capítulo! Senti falta daqui, gostaria de poder vir todos os dias... Mas a saudade é importante também! Irônico, não? Enfim... Aproveitem!

*Honey And The Moon - Joseph Arthur

“But right now

Everything is turning blue,

And right now

The sun is trying to kill the moon,

And right now

I wish I could follow you...

To the shores...

Of freedom...

Where no one lives.”


(Flashback On):

Segunda-Feira.

Ele andava pelos corredores do McKinley pensativo. Mesmo assim, cumprimentava os amigos com sorrisos e acenos, sempre retribuídos. Era um cara legal, querido. Era bondoso, gentil, além de um bom líder e um bom amigo. Mas alguma coisa estava errada. Há um bom tempo alguma coisa estava errada e ele não conseguia consertar. Como os monstros internos que ao invés de combater, nós alimentamos. Até o momento em que eles se tornam maiores do que você e quase impossíveis de se vencer. Pegou o celular de dentro do bolso e escreveu uma mensagem:

Alguma novidade? Já estou no McKinley, procurando o pessoal. Como ela está? E você? Não me respondeu ontem à noite... :( Mande notícias Eu amo você!

Quando a resposta chegou, ele já estava dentro da classe. No primeiro horário dividia a aula com Santana, Brittany, Mercedes, Artie e Mike. Conversaram bastante antes do professor chegar e todos estavam preocupados.

Nada ainda! Espero poder mandar notícias boas o mais rápido possível, mas não temos tudo que queremos, não é? :/

Eu estou preocupado com você, Rach! Podemos nos ver mais tarde? Passo aí para te pegar depois do treino...

Tudo bem! Eu ligo pra você...

Mas ela não ligou. Santana, Brittany e alguns amigos do Glee Club passaram no hospital. Outros ligaram. Quinn ainda dormia profundamente. Finn não deu notícias. Talvez ele realmente a conhecesse melhor do que qualquer outra pessoa. Talvez soubesse que ela queria ficar sozinha. E se estivesse pensando assim, estaria certo. Mesmo ele sendo sua melhor companhia, ela não o queria naquele momento. Machucava. Doía bastante nela... E doía nele também.

~~*****~~

Terça-Feira.

Ela acordou! Está tudo bem! :)

Ele leu a mensagem e sabia que ela não fazia jus à alegria e ao alívio que sua noiva estava sentindo naquele momento. Sorriu. Finalmente! Todos já sabiam que nada de grave tinha acontecido com Quinn. Mas era muito bom tê-la de volta.

Discou o número tão conhecido e esperou. Chamou uma vez. Ela atendeu.

– Hey...

– Hey Rach! Recebi sua mensagem, estou tão feliz! Posso passar aí?

– Claro que sim, mas ela está dormindo!

– Ué, mas...

– É uma longa história, vem pra cá, eu te explico melhor!

– Tudo bem, to indo! Tchau.

– Tchau!

Chegou ao hospital cerca de vinte minutos depois. Ele dirigira rápido porque queria ver Rachel logo. Mandou uma mensagem e foi espera-la na frente do prédio. Ela não demorou. Olharam-se com cumplicidade. Os olhos dela eram puros como sempre, mas tristes. O sorriso dele também era o mesmo de sempre, mas triste. Era complicado. Difícil para ela... E difícil para ele também.

– Oi! – O rapaz falou baixinho.

– Oi! – Respondeu, lembrando-se do momento em que Quinn acordara.

Olharam-se como se o mundo todo pudesse esperar. Da mesma forma, Rachel se dirigiu a ele e colocou seus braços ao redor da cintura do noivo. Ele era tão grande perto dela. Rachel gostava disso, da sensação de proteção. Era como se nada pudesse atingi-la enquanto Finn estivesse ali. Mas seus sentimentos estavam confusos e a culpa que ela sentia era demais para suportar. E foi por isso que naquele momento ela se agarrou a ele, desesperada para sentir qualquer coisa que lhe tirasse daquele buraco que ela mesma cavara.

– Ela acordou, mas dormiu de novo... Foi isso? – Finn perguntou suavemente. Rachel apenas balançou a cabeça. – Isso foi um sim ou um não?

– Sim!

– Desde quando Quinn Fabray é uma dorminhoca? E desde quando Rachel Berry se expressa com poucas palavras? Dias estranhos esses!

Ela riu baixinho. Riu tanto quanto seu humor permitia. Em outras palavras, pouco. Ainda assim, não riu porque aquilo era a coisa mais engraçada do mundo, mas porque Finn usara aquela entonação que usava quando brincava com alguma coisa. Ela sabia que a intenção do rapaz era fazê-la sorrir. E isso era adorável nele.

– Eu estou com forme, você quer comer alguma coisa? – O rapaz perguntou.

– Vamos lá... – Ela se afastou e abriu um sorriso ainda triste. Finn lhe deu um selinho. Andaram até o carro de mãos dadas.

O silêncio era completamente diferente de qualquer outro silêncio que os dois já tinham compartilhado. Era pesado e cheio de dúvidas e medos. Finn sabia disso. Rachel sabia também.

– E então... Como foi? Ela está bem? Você avisou todo mundo?

– Ela acordou, nos falamos muito rápido. Me pediu desculpas por tudo e pediu que eu ficasse ali. Então eu fiquei e caí no sono, ela também... De novo! Eu acordei com a Judy lá. Ela obviamente já sabia que Quinn tinha acordado. Então eu mandei a mensagem pra você e para o resto do pessoal. Mas a verdade é que o horário de visitas por hoje já acabou e eles são bem rigorosos com isso...

– É... Até agora, além de você, apenas Brittany, Santana, Sam, Puck e Mercedes conseguiram vê-la... Não foi? – Ele disse contando os amigos nos dedos.

– É, foi! Mas isso é bom, é complicado e perigoso ficar deixando todo mundo entrar.

– Como você disse, eles são bem rigorosos... Ela está em boas mãos, deve ter sido observada o tempo todo!

– Isso também, eles foram muito atenciosos!

– Agora ela vai ter que fazer mais alguns exames, né? É normal sentir muito sono? Você disse que ela acordou e logo depois dormiu de novo...

– Bem, nós conversamos com o médico, ele disse que o sono era natural. Quinn passou por um trauma muito grande, emocionalmente falando também. Ele nos disse que ela não demoraria pra acordar de novo e sim, mostrou interesse em fazer alguns exames o mais rápido possível.

– Essas coisas de medicina são um pouco difíceis de entender... Quer dizer, cada pessoa é tão diferente e cada caso é muito específico, pelo menos é o que parece. – Finn comentou usando a expressão confusa que Rachel tanto adorava. Mesmo com tantos sentimentos contraditórios, a morena sorriu.

– Não, você tem razão... É assim mesmo que funciona, deve ser bem complicado às vezes!

– É...

E então o silêncio voltou. Durou por algum tempo. Finn se concentrava na estrada enquanto Rachel olhava pelo vidro distraidamente. A atmosfera entre eles era um pouco esquisita, vulnerável. Como se alguma coisa estivesse por um fio. Rachel percebia isso. Finn percebia também. Nenhum deles se arriscava a dizer qualquer coisa, com medo de que fosse a coisa errada. Mas... Isso não durou.

– Eu ajudei o Puck hoje. – Olhou de esguelha para Rachel.

– Com o que?

– Com o negócio dele de piscinas. Fomos a umas três casas, foi bem legal. Quer dizer, ele estava bem preocupado com a Quinn também, então pudemos conversar sobre isso... E sobre outras coisas.

Finn tinha um jeito adorável de falar algumas vezes. Um jeito que Rachel conhecia bem. Às vezes tombava a cabeça levemente para um lado, unia os lábios num biquinho ao final de algumas frases, ao mesmo tempo em que arregalava os olhos, como se estivesse surpreso, confuso ou assustado. Rachel sempre sentia vontade de beijá-lo quando ele fazia isso. Ele de fato, tinha um jeito de menino ingênuo, despretensioso. A morena sempre achara que era impossível não se apaixonar por todas essas coisas. Quando ele explicava alguma coisa e parecia apreensivo com o que aquilo significaria para ela, era simplesmente adorável. Quando sorria de lado e seus olhos, já pequenos, se fechavam levemente. A morena simplesmente pensava em todas essas coisas e se lembrava dos momentos deles enquanto o noivo falava. Havia um aperto no peito dela e uma sensação ruim no estômago, era angústia, culpa, dúvida.

– Você está aqui? – Ele perguntou.

– Sim... Sim, é claro! Me desculpa, eu só... – Ela balançou a cabeça. – Sobre o que vocês conversaram?

O rapaz estacionou perto de um restaurante.

– Bem, eu sei que faz pouco tempo e tudo mais... Mas o que você acha da Califórnia?

Rachel franziu as sobrancelhas e perguntou:

– O que você quer dizer?

– Bem, é só que o Puck me convidou para ir com ele para L.A., quer dizer... Lá tem muitas oportunidades também e o negócio de piscinas dele pode crescer muito, então ele me chamou para ser sócio. – Rachel ouvia tudo com uma expressão confusa e começava a ficar irritada internamente. – Eu só pensei que se nós vamos nos casar, deveríamos conversar sobre as possibilidades que agradam os dois e...

– Finn, do que você está falando? – A morena interrompeu.

– Você não me escutou?

– Eu preferia não ter escutado!

– O que há de errado?

– O que há de errado? É sério? Você acabou de me perguntar isso? Além do óbvio, eu não quero falar sobre isso!

Rachel saiu do carro e bateu a porta. Encostou-se no veículo, suspirando e cruzando os braços. Finn também saiu do carro, confuso. Dirigiu-se a namorada:

– O que aconteceu?

– O que você acha?

– Olha Rach, eu sinto muito, eu só queria conversar sobre...

– Eu já disse que não quero conversar, tudo bem? – Tentava manter a calma, mas gesticulava nervosamente.

– Mas você sempre quer conversar!

– Não agora! – Foi grossa. Ela estava incrivelmente impaciente. Finn se irritou, e como costumava acontecer quando ele se irritava, foi impulsivo. Coçou a nuca antes de dizer:

– Aposto que se fosse sobre a Quinn, você já estaria falando sem parar. – Rachel ergueu os olhos, incrédula. A irritação de Finn era palpável. Mas ele tinha atingido um nervo. E a reação dela foi pior ainda. Ergueu a mão direita e com um movimento rápido, atingiu o rosto do rapaz. Ele olhou para ela novamente e sua expressão era de um garotinho assustado. Rachel levou a mesma mão à boca, tampando-a, e arregalou os olhos, surpresa com sua própria atitude.

– Eu... – Ela começou com a voz trêmula. Algumas lágrimas caíram de seus olhos quando ela percebeu que ele lacrimejava.

Finn olhou para ela de forma inconsolável. Ele respirou fundo e a morena percebeu que parecia um pouco desnorteado. Aproximou-se do carro, onde Rachel já não se encostava mais, e chutou uma das rodas traseiras. Era o que ele fazia, chutava o que estivesse pela frente para descarregar a raiva de alguma coisa. Rachel pensou que fosse dela. Começou a chorar. Ele se virou e também chorava quando disse:

– Nem parece que há dois dias nós íamos nos casar. Eu olho pra trás e fico pensando o que foi que aconteceu pra tudo desmoronar desse jeito. É como se você estivesse me punindo por alguma coisa que eu nem sei o que é... – Ele falou tudo com lágrimas nos olhos e sua voz era trêmula. Rachel não conseguia parar de chorar também, mas ela não tinha forças.

Rachel Berry estava sem forças. Para conversar, para lutar. Ela não conseguia, não suportava mais aquele furacão de emoções provocado pelos recentes acontecimentos.

– Me leva pra casa... – Pediu com dificuldade.

Finn olhou para ela durante algum tempo. Com a maior calma do mundo, contrastando completamente com o momento, abriu a porta do carona e contornou o carro, abrindo sua porta e sentando em seguida. Rachel entrou. Os dois choravam. Finn também estava sem forças.

O caminho até a casa da morena foi feito num silêncio sepulcral. Quando ele estacionou, nenhum dos dois sabia o que fazer. Mais uma vez, Finn decidiu quebrar o silêncio:

– Você faz alguma ideia do quanto eu te amo? Eu queria entender o que foi que eu fiz...

Os dois ainda choravam. Rachel tirou o cinto e se sentou de frente para ele. O rapaz ainda segurava no volante com as duas mãos. Ela puxou seu rosto com a mão direita e ele a olhou.

– Você não fez nada Finn... Você é maravilhoso! É uma das pessoas mais lindas que eu conheço, em todos os sentidos! Eu espero que você saiba disso... E que saiba que eu te amo também.

Ele fechou os olhos com força, não conseguindo esconder a dor. Rachel o imitou e se aproximou dele vagarosamente. Repousou um selinho naqueles lábios que ela conhecia tão bem. Finn correspondeu. Ela segurava em seu rosto com as duas mãos quando ele levou uma das suas até a face dela, acariciando sua bochecha com os dedos. Era um beijo apenas labial. Não era doce como costumava ser. Tinha um gosto salgado de lágrimas e um gosto amargo de despedida. Talvez fosse uma despedida. Ela sentia... Ele sentia também.

(Flashback Off)


###

Notas finais
Essa frase já está virando meu slogan: Não me matem! Hahahahahahaha Bom gente, espero que entendam os motivos para que algumas coisas demorem um pouco a acontecer aqui. Na vida, nem tudo acontece de uma hora pra outra e não quero que nessa história seja assim, não acredito que seria realista! Estamos lidando com pessoas e com sentimentos, e relacionamentos são complicados!! Só peço que confiem em mim e deixem acontecer... Tudo vai dar certo! Encarem esse capítulo como o início do fim! ;)

Muito obrigada por lerem, significa muito pra mim!
Os comentários ajudam muito e motivam incrivelmente, mas sintam-se a vontade para deixar ou não a opinião de vocês! Essa história de fic movida a reviews não tem nada a ver cmgo! Fico feliz só de saber que tanta gente tem lido!
Beijos ;)