A Culpa É De Uma Estrela

10 Com ou Sem Você, Amor!


Notas iniciais
Bom, vou usar esse espaço para falar um pouquinho mais hoje! Por favor, leiam! Antes de mais nada, estou muito feliz pela repercussão que a fic está tendo, adoro ler os comentários de vocês, isso me motiva de verdade! Muito obrigada!! ;)

Em segundo lugar, eu provavelmente deveria ter dito isso antes, mas sobre o capítulo anterior, a verdade é que ele aconteceu naturalmente! Eu não tinha planejado que aquilo acontecesse. Imaginei o beijo completamente de outra forma, a iniciativa nem seria da Rachel, mas acabou saindo. Hehehehe Fiquei muito feliz por vocês terem gostado!!
Quanto a esse, espero que gostem!

*With Or Without You - U2

“My hands are tied, my body bruised
She got me with nothing to win
And nothing left to lose...”



Quinn ia quebrando o beijo com vários selinhos delicados. Seu peito estava prestes a explodir de felicidade. Ela se deixara levar completamente pelo momento. Era tudo muito intenso e incrível. Ainda estava tentando assimilar o que acontecera. Jamais imaginaria que Rachel tomaria qualquer inciativa. As coisas são sempre melhores do que esperamos. Ela ainda segurava o rosto da morena com as duas mãos, as testas coladas. Rachel segurou em seus pulsos e foi se afastando delicadamente. Quinn abriu os olhos e encarou a garota a sua frente. Não conseguiu decifrar exatamente o que viu. Rachel estava sem expressão.

– Me desculpa! – A morena disse, inclinando levemente a cabeça e franzindo a sobrancelha, como se tivesse feito alguma coisa errada. Antes que Quinn pudesse dizer qualquer coisa, ela continuou. – Me desculpa, eu não deveria ter feito isso...

O sorriso de Quinn ia morrendo aos poucos em seu rosto. Ela passou a língua pelos lábios, quase que de forma defensiva, antes de dizer:

– Você não fez sozinha Rachel...

– Eu sei, mas eu não deveria ter começado. Eu não sei o que aconteceu... Por favor, me desculpa! E-eu... Não estava pensando, estávamos tão próximas e acabei me deixando levar... E o Finn! Meu Deus, o Finn... – Ela parecia um pouco transtornada, passava a mão pelos cabelos, quase não olhava para a loira e falava tudo de forma extremamente rápida.

– Isso não é problema meu! Você não parecia se lembrar da existência dele enquanto enfiava a língua na minha boca! – Ela disse ríspida. A menção de Finn, pela primeira vez e no melhor momento daquele final de semana, fez com que ela enxergasse vermelho. Rachel ergueu seus olhos e pôde ver um vestígio da antiga cheerio. Isso lhe entristeceu. As palavras que a loira usara lhe machucaram. Era como se ela estivesse banalizando o momento. Mal ela sabia que Quinn estava devastada. Para esta, não havia menção de arrependimento propriamente dito nas palavras de Rachel, mas estava tão implícito que era quase como se houvesse. E a loira não podia lidar com isso, não conseguia. Ela queria chorar novamente, seus olhos ardiam insuportavelmente. A única coisa que fazia com que segurasse as lágrimas era seu orgulho, ainda que estivesse ferido.

– Por que você ta tão nervosa? Eu só...

– Não, ta legal Rachel! Eu... Me leva pra casa da Santana, por favor!

– Quinn! – A morena, triste e um pouco envergonhada, tentou começar com a voz suplicante.

– NÃO! Eu não quero conversar! Você pode me levar pra casa da Santana ou não? – Foi grossa mais uma vez. Ela não queria, aquilo doía também! Deus, tudo que estava acontecendo ali era insuportavelmente doloroso. Não era o que ela havia imaginado. Em um segundo estava tudo bem, as duas se beijavam apaixonadamente no lugar mais íntimo do mundo para Quinn. No outro, Rachel estava pedindo desculpas como se tudo aquilo não passasse de um erro, de um momento de fraqueza dela. Uma experiência que ela talvez quisesse por pura curiosidade. Ou apenas tinha se deixado levar por um desejo momentâneo, mas não passara disso. Quinn não conseguia decifrar a atitude dela, mas uma hipótese era pior do que a outra e transformava Rachel na vilã daquilo tudo.

Ela não sabe o que você sente...

Não interessa! Ela não pode brincar comigo desse jeito!

Rachel não sabia o que fazer. Não conseguia se decidir se Quinn estaria com ciúmes pela menção de Finn (e essa hipótese parecia ridícula para ela), se a loira estaria arrependida ou com raiva pelo que tinha acontecido, com raiva de Rachel. A morena se assustou com as palavras dela. Ela não podia acreditar que o fim de semana terminaria daquele jeito. Apenas respondeu com a voz carregada de tristeza:

– É claro que eu te levo Quinn! Vamos...

~~*****~~

O caminho até a casa de Santana foi feito em completo silêncio. Um silêncio pesado, contrastando com a leveza que havia preenchido o final de semana. Não tinham o que dizer uma para a outra. Ambas estavam tristes, confusas. Novamente, cada uma com seus motivos. Quinn engolia o choro o tempo inteiro. Xingava-se mentalmente e além da tristeza, a raiva também se fazia presente em seu coração. Era angustiante.

Quando Rachel estacionou em frente à casa da latina, nenhuma das duas sabia o que dizer. Quinn suspirou fundo e finalmente quebrou o silêncio.

– Você, com todo seu drama e essa mania irritante de achar que a vida é um palco, magoa todo mundo! Não estamos aqui para atuar Rachel... – Doía dizer todas aquelas coisas, mas ela estava triste e com um coração partido batendo no peito. Era sua forma de se defender. Quinn não se orgulhava dela, mas era a que sabia usar melhor.

A morena não sabia como responder aquilo, sentia que se tentasse dizer qualquer coisa, sua voz falharia e seria impossível se conter. Não queria chorar na frente de Quinn. Era estranho que, dramática do jeito que era, não quisesse se mostrar vulnerável. Mas ela não queria. Mesmo que soubesse o que dizer, não teve chance. Tão logo acabou de falar, Quinn saiu do carro batendo a porta e indo em direção à casa da amiga. Rachel ligou o carro e saiu dali rapidamente. Ela precisava pensar. E chorar. Foi exatamente o que fez. Estacionou a umas quatro quadras da casa de Santana e chorou desesperadamente, como uma criança chora de dor. Tampou os olhos com as duas mãos, mas o choro só aumentava. Ela não conseguia lidar com tudo o que estava sentindo. Era muita coisa ao mesmo tempo, demais até para ela. Saiu do carro, andou de um lado para o outro. Tentava enxugar as lágrimas e cobrir os olhos novamente. Escorava-se ao carro. Estava completamente transtornada. Se alguém passasse ali, certamente perguntaria se ela precisava de ajuda. Entrou novamente no veículo e ficou ali por bastante tempo. Fechou os olhos e quando os abriu, eles automaticamente se voltaram ao console, onde encontravam-se inúmeros papeizinhos de bala. As balas de menta que Leroy vivia deixando nos carros da família e que Quinn naquela manhã não conseguia parar de comer. Suas lágrimas voltaram a cair. Ainda sentia o gosto dos lábios da loira em sua boca. Doía, como doía.

Não muito longe dali, Quinn chorava sentada na porta de Santana. Seu choro começara no momento em que escutou o barulho do carro de Rachel indo embora. Colocou os braços ao redor do corpo e se dirigiu até a porta chorando. Quando foi bater, não conseguiu. Virou-se de costas e sentou. Encolheu-se. Abraçou os joelhos, grudando-os ao corpo. Lembrava muito a garotinha Lucy Quinn Fabray quando pequena. Era assim que ela costumava chorar. Quando alguma criança lhe maltratava ou quando se machucava durante uma brincadeira. Quando ficava de castigo ou quando sentia muito medo de alguma coisa. Quinn cresceu e seus medos também. E ela descobriu que na vida, há sempre um sofrimento maior que o anterior. Às vezes apenas diferente. Mas dentre todas as coisas que lhe faziam sofrer, o amor era a maior delas. O amor reprimido e incomensurável que ela guardava há tanto tempo dentro de si. Naquele dia, ela percebeu que às vezes o amor guardado por muito tempo pode se tornar uma bomba, que quando explode, machuca as pessoas em volta.

O dela explodira com um gesto que nem sequer foi seu. Milhares de pensamentos inundavam sua mente. Pensamentos de como tudo poderia ter sido diferente se ela tivesse tido a coragem de fazer alguma coisa quando tinha chance, se tivesse tido a coragem de lutar pelo que queria. Ciente das dificuldades, porque a vida não é um conto de fadas, mas sem se preocupar, sem se deixar abater pelo que os outros poderiam pensar ou dizer. A maioria desses “outros” não estava realmente preocupada com sua felicidade. Quinn culpava Rachel porque a tristeza não lhe deixava pensar com clareza. Assim como a morena não sabia de seus sentimentos, ela não sabia o que a outra estava sentindo quando fez o que fez. Então não havia realmente uma culpa ali. Mas Quinn queria culpa-la.

Se ela não tivesse feito com que eu me apaixonasse...

A verdade é que ela estava fragilizada demais para assumir a culpa de qualquer coisa. Mas sabia, sabia a ponto de aumentar o choro intensamente, que sua covardia tinha permitido que as coisas que já poderiam ser dela, escapassem de suas mãos. E agora, sentada em frente à casa de uma amiga, sofria por tudo que havia deixado de cometer. Sofria porque apenas a hipótese de passar o resto da vida se arrependendo da mesma escolha, fazia com que ela quisesse morrer.

Mas amor faz isso mesmo. Ele te derruba, te mata aos poucos, deixa você agonizando no chão, esperando e implorando pelo último suspiro, que nunca chega. O amor retira suas forças por puro capricho. Ele faz questão de ser maior do que você. Como se te desafiasse a desistir dele. Quantas vezes Quinn tinha tentado se livrar do amor... Quantas vezes pensava que poderia renunciar facilmente. Que poderia viver sem. Mas a ausência dele seria um nada. E é como dizem: Entre a dor e o nada, o que você escolhe? Por dor, lê-se amor. E assim como a maioria das pessoas, por mais estúpido que parecesse, Quinn escolhera a dor. E por isso, mesmo com toda a raiva e mágoa que sentia naquele momento, sua escolha ainda falava mais alto. Não se enganem, em momentos como estes, ela sentia vontade de desistir. Mas não tinha forças. Não queria o nada. Queria o que doía mais.


“With or without you
With or without you.
I can't live with or without you...”


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Notas finais
Ok, preciso pedir novamente: Não me matem!! O.o
Gente, às vezes sinto que coloco vocês numa montanha-russa com essa fic! Hehehehe Mas lembrem-se: Sem drama, não haveria história! É sempre necessário... Se tudo der certo o tempo inteiro, basta colocar um final feliz e ponto! Não se precipitem, ok? Os sentimentos de Rachel ainda não estão claros. Mas veremos isso melhor nos próximos capítulos! E além do mais, Finn não sumiu simplesmente. Ele ainda existe e sua importância na vida de Rachel, é inegável, infelizmente! Existem coisas que precisam ser resolvidas antes que elas se envolvam! É isso... Se não for pedir demais, apenas confiem em mim, ta?

Beijos e uma boa semana para todos! ;)