Notas iniciais
As visualizações estão meio fracas... Enfim, esse capítulo é um pouco mais... hm... não sei explicar... é mais voltado pra parte quente, tá ligado? E tem ceninhas lésbicas, então se alguém tiver algum problema, sinto muito~~ Não é nada pesado não, é bem simples na verdade... Eu acabei de terminar o capítulo 13, tem vários prontos pra serem publicados, então se esse chegar a 5 visualizações em menos de 10 dias, eu posto~~ Boa leitura!

POV Ana Luiza MG

Eu ainda estava tentando evitar meu ex na escola. Ele não estava na mesma sala que eu, os príncipes e os cavalheiros não ficavam na mesma sala, assim como as princesas e as damas de honra. Laura, uma das minhas damas de honra, era da sala dele, e agia como uma espiã pra mim. Ela tinha feito amizade com ele, para descobrir mais. Ele nem fazia ideia de que ela era minha dama de honra, porque só nos falávamos quando ela ia pro meu quarto, contar os segredinhos do Caio. Não tinha nada demais, na verdade, Caio não escondia nada. Eu que estava paranóica. Ele provavelmente nem se importava com minha presença como princesa ali. Talvez estivesse interessado em outra princesa. Segundo Laura, não tinha nenhuma garota na qual ele mostrava interesse. Mas eu desconfiava bastante.

Eu queria conhecer a biblioteca do castelo. Quando entrei, me maravilhei com o tamanho e a quantidade de livros nas estantes. E eram muitas estantes. Saí correndo em um corredor escondido, deslizando os dedos sobre os livros e parei em um que me fez um machucado. Ele estava velho e sua capa áspera aparentava ser perigosa. Eu olhei pro meu dedo e tinha apenas um arranhão. Peguei o livro interessada, como se com o arranhão ele tivesse me escolhido. A capa era detalhada com letras em dourado e o nome do livro era A Corça de Cerineia. Era sobre um animal lendário da mitologia grega. Nunca tinha ouvido falar sobre esse livro, muito menos sobre esse animal lendário. Eu nunca me interessei por mitologia grega, mas decidi que aquela era uma boa hora para me interessar. Peguei o livro e fui até a mesa. Estava chovendo lá fora, então eu não podia ir para o bosque ler, infelizmente. Eu estava sentada numa mesa num canto isolado da biblioteca, ao lado de uma grande janela de vidro, que dava para ver o bosque. Assim já estava bom.

POV Lívia SP

Assim que a chuva passou, paramos de dançar e voltamos para dentro. Eu estava ainda mais encharcada. Tive que ouvir sermões das criadas, dizendo que eu era uma princesa e não podia agir dessa maneira. Enquanto a mais velha, Adriana, me dava sermão, Aline e Patrícia preparavam meu banho.

—- Está tudo pronto, princesa. Do jeito que você gosta. -- Aline disse e me conduziu ao banheiro.

—- Que isso não se repita mais. -- terminou, Adriana.

—- Deixe ela ser livre. -- Patrícia me defendeu.

Elas começaram uma discussão, calma, com bons argumentos de ambos os lados, mas eu não pude ouvir, já que Aline fechou a porta do banheiro para que eu não me incomodasse.

—- Pelo menos elas não estão brigando. -- eu disse para Aline.

—- Adriana está preocupada com o que a governanta vai falar se ver você na chuva. Patrícia está preocupada com você. Ela quer que você tenha uma ótima juventude.

—- Isso é um pouco engraçado. Ninguém nunca se importou comigo na chuva, nem quando eu pegava gripe.

—- Ah sim, vamos cuidar para que você não acorde gripada de manhã.

Era legal vê-las se importando, e ao mesmo tempo, um pouco estranho. Elas eram completamente estranhas pra mim, mas se preocupavam com meu bem estar, como um bom professor faz com seus alunos. Eu disse bom professor.

O banho me relaxou. Eu tinha quase certeza que não teria como evitar que eu acordasse gripada no outro dia, mas Aline continuava dizendo que ia dar um jeito. Aline era a mais jovem entre as criadas. Tinha apenas 23 anos.

—- Em que ano a Adriana nasceu, Aline?

—- Acho que em 2005. Ela vai fazer 42 esse ano. -- Aline era boa com cálculos rápidos. Me pergunto como ela acabou virando criada.

—- Eu já sabia que ela era a mais velha, mas eu jurava que ela beirava os 30. -- Aline riu.

Depois que eu saí do banho, decidi perguntar mais sobre o começo do século, para Adriana. Todo mundo tinha curiosidade sobre, afinal, tinhámos muitos registros online, mas não entendíamos muito bem. Não era como a Idade Média, por exemplo, que os únicos registros eram quadros para serem interpretados, ou textos antigos em papéis rasgados. Tinhámos redes sociais antigas e contas de pessoas que já haviam morrido. Tinhámos imagens do fim do século passado e começo desse. Tinhámos a nova Deep Web, que era onde ficavam guardados os registros de até 2025. "Antigamente a Deep Web era um lugar onde as pessoas iam quando não queriam seguir regras. Tinha de tudo lá", minha avó dizia, "desde venda de drogas ilegais, até venda de escravos sexuais". Minha avó tinha nascido no século 20, mas passou seus 20 e 30 anos no século 21. Ela conhecia muito bem computadores, era expert em informática. Disse que já entrou na Deep Web várias vezes e não era tão assustadora quanto diziam, mas era verdade que haviam coisas horríveis por lá.

—- Adriana. Você nasceu em 2005, né?

—- Sim.

—- Que ano era, quando você tinha minha idade?

—- 2021.

—- Você se lembra de 2014? -- era, com certeza, um ano em que todos falavam. Foi a Copa do Mundo no nosso país, Brasil.

—- Ah, se me lembro. Eu tinha 9 aninhos e tive a oportunidade de ver o grande estádio de futebol.

—- Você viu de perto a Copa?

—- Na verdade não. Eu morava na favela do Rio de Janeiro. Eu só vi de longe mesmo.

Passei um bom tempo conversando com ela. Eu não era a única adolescente que gostava de ouvir histórias do começo do século. Muita gente gostava de saber também a origem dos memes. Era algo engraçado que tinha crescido com a gente e existia desde a época de nossos avós. Mas os avós não entendiam direito, porque já eram adultos e era mais comum entre os adolescentes. Os nossos pais sim, sabem explicar direitinho a Primeira Guerra de Memes que teve entre Brasil e Portugal em 2016. Uma guerra um tanto peculiar e bastante interessante.

POV Esther RO

Uma de minhas criadas, a mais jovem, preparava o banho pra mim, enquanto outra me ajudava a decidir o que eu iria vestir à tarde.

—- Logo você se acostuma e decide sozinha. -- ela disse, pegando um vestido verde curto.

—- Mas eu sempre vou precisar da opinião sua e da Laura. Vocês sabem o que uma princesa deve vestir.

—- A gente teve que aprender antes de vir pra cá, querida. Você vai se acostumar, não se preocupe. -- Helena disse, num tom suave e carinhoso, como sempre.

Ela era provavelmente uns 30 anos mais velha que eu, já tinha até umas rulgas, inclusive. Seu rosto era redondo e seus olhos se fechavam quando ela sorria. Era muito fofa. Laura tinha 30 anos e tinha um filho de 8, que sempre estava correndo pelo castelo, o Pietro. Ele era a cara dela, tinha um cabelo meio tigela castanho escuro e tinha um sorriso com dois dentes faltando.

Sophia terminou de preparar meu banho e me chamou. Eu já não me sentia constrangida de entrar na banheira com ela olhando, mas agora ela se sentia. Na segunda vez que eu entrei na banheira, ela me perguntou por que eu estava tão constrangida e eu respondi: "é porque estou nua na frente de uma mulher linda". Depois disso, ela provavelmente se sente constrangida até hoje. Sophia é loura e seu cabelo vai até o final das costas. Ela sempre está com ele preso, num rabo de cavalo. Seus lábios sempre estão rosados, na verdade, eu nunca vi ela sem gloss. Durante o banho, ou eu to relaxada, ou eu estou devorando ela com os olhos. Eu tenho que parar, daqui a pouco ela desiste de mim e manda a Laura ou a Helena prepararem meu banho. Mas ela não entende nada de moda, então ia acabar ficando na parte de arrumar meu quarto mesmo.

Eu estava pensando em coisas bem aleatórias, bem aleatórias mesmo. Tipo unicórnios voando e tals. Eu abri os olhos e me deparei com ela me encarando. Ela tinha a pele bem branca, por isso ficava vermelha fácil e era bem notável. Ela abriu a boca, mas não falou, apenas moveu a boca como se dissesse "desculpa".

—- Quer entrar? -- eu perguntei, descarada.

—- Não querida, eu não posso. -- ela respondeu baixinho.

Eu sabia que ela era a mais nova, mas se Laura tinha 30 anos, isso significava que mesmo com 29 anos, ela seria a mais nova. Eu não queria saber quantos anos ela tinha, não queria pensar que ela era muito velha pra mim. Ficava desejando que ela tivesse no máximo 22 anos e isso ainda era muito. Sete anos de diferença.

—- Tudo bem. -- voltei a fechar os olhos.

Imaginei ela na minha cama. Eu não devia estar imaginando essa cena com ela na minha frente, mas eu não conseguia me controlar. Mordi o lábio inferior, com o pensamento. Ouvi um barulho e abri os olhos assustada. Ela tinha entrado e estava pelada, há menos de 1 metro de distância de mim. Meu coração estava acelerado, mas eu aparentava estar calma. Não desviei meu olhar do dela, nem ela desviou do meu. Coloquei minha mão na sua cintura e a puxei pra mais perto. A gente começou a se beijar e eu desci minha mão até sua bunda. A mão dela estava nos meus seios. O seu beijo era delicado e quente ao mesmo tempo e seus toques me excitavam cada vez mais. Eu sentia que devia pará-la, já que ela não respondia por si. Mas se nem ela estava preocupada com isso, eu me deixei levar, sem preocupações.

POV Pedro SP

Eu estava encharcado por conta da chuva, então subi pro meu quarto e fui direto pro banho. Não esperei que os criados fossem preparar meu banho, achava aquilo tudo besteira, eu mesmo podia me preparar e tomar banho sozinho. Todo mundo tinha três criados do mesmo sexo, eu pedi para que tirassem dois e deixasse apenas um que poderia me ajudar com tudo. E eu deixei bem claro que não precisava de muita ajuda.

Minha coroa estava jogada na cama antes de eu sair, agora ela estava em cima da escrivaninha com um recado, "Não saia sem sua coroa". Tenho certeza que foi o José que deixou o recado. Ele era meu único criado e tinha idade pra ser meu irmão mais velho. Eu até gostava da presença dele, mas eu não queria ficar ouvindo sermão. O bom era que ele não estava ali pra me dar sermão por estar molhado.
No banho fiquei pensando na Lívia. Eu não contei pra ela quem eu era porque ela me reconheceria pelo nome e pela cidade como o príncipe. Eu faltei todas as aulas, mas tinha certeza que tinham citado na sala de aula algo como "o príncipe de São Paulo, Pedro, não compareceu hoje" e eu não queria que ela pensasse que eu era esse Pedro vagabundo. Eu não costumo me importar com a opinião das pessoas e eu estava odiando estar ali, mas eu não podia faltar mais. Como era fim de semana ainda, pensei em vê-la domingo, antes de eu ter que me encontrar com ela na sala e dizer quem eu sou. Quero mostrar pra ela que eu não sou um vagabundo que não está nem aí com nada. Ela provavelmente nem suspeita que eu sou príncipe, porque nem coroa eu uso.

Alguém bateu na porta, interrompendo meu momento de reflexão. Era José.

—- Pedro, hoje à noite terá um evento especial. Um jantar real com os príncipes e princesas. Você vai comparecer?
Se eu fosse, estragaria tudo com a Lívia. Eu sabia que ela iria me odiar. Eu não poderia comparecer num evento de príncipes e me apresentar sem coroa.

—- Não, hoje à noite eu quero paz.

Depois do banho decidi sair pra caminhar. Provavelmente alguém viria me chamar no meu quarto pra comparecer no evento. Era 17h15 e o evento começava às 19h. Coloquei qualquer roupa confortável e nada social e fui andar pelo bosque.

Havia uma estrela no céu. Apenas uma, solitária, depois de um dia chuvoso. Isso significava que não choveria de novo. Pelo menos não essa noite. Mesmo que eu fosse próximo do meu irmão, eu nunca brinquei com ele na chuva. Eu via ele brincar, mas tinha medo de me molhar. Eu era um covarde que não sabia aproveitar a vida. Nunca soube. Como eu sempre estava longe de chuva, eu também nunca tinha visto um arco-íris, e hoje, graças à Lívia, eu vi o meu primeiro arco-íris. É realmente mais bonito vê-lo de verdade do que em fotos. Eu me perdi olhando pra estrela e não notei a presença de uma garota.

—- Ei. Eu também gosto de observar o céu.

Eu fiquei em silêncio. Olhei com o canto dos olhos e seus olhos estavam fixos na estrela. Ela usava uma coroa.

—- Que horas são?

—- 19h30.

—- Você não devia estar no jantar real?

—- Você não devia estar lá também? -- ela se virou pra mim e sorriu. -- Eu sei que você é um príncipe. Um muito rebelde por sinal, pra faltar todas as aulas da semana, o jantar e não usar coroa.

—- Como sabe que sou príncipe?

—- Você é o Pedro, né? Você não me engana. Nem um pouco. -- ela riu baixo. -- Eu vi você ontem, no coreto com a Lívia.

Eu fiquei quieto. Quem era? Bom, eu saberia se não tivesse faltado às aulas.

—- Ela é um doce. Muito simpática. -- ela continuou falando, ainda com um sorriso no rosto.

—- Quem é você?

—- Ana Luiza, de Minas Gerais. -- eu não tinha notado o sotaque.

Ana Luiza era alta, quase do meu tamanho. Tinha cabelos longos, castanhos e ondulados. Eu segui até onde o cabelo ia e parei nos seios. "Mas que peitão".

—- Para onde pensa que está olhando? -- ela falou, mas não num tom bravo. Ela estava brincando.

—- Seu cabelo. -- menti.

—- É claro. E eu adoro olhar para os bolsos traseiros das calças masculinas.

Ela não estava com um vestido, muito menos com salto. Estava com um short bem curto e um tênis. E uma regata decotada. Ela era gostosa.

—- Já que nenhum de nós vamos para o jantar... quer passear pelo bosque? -- ela cortou o silêncio.

—- Claro.

Notas finais
Lembrando que esse capítulo já estava disponível há 3 dias no Social Spirit (lá é mais movimentado, creio eu), entao se você quer algo mais adiantado, pode dar uma olhadinha por lá... se não der, compartilhe e faça as visualizações crescerem~~ Não se esqueçam de comentar, bjuss