A Coffee Tale

10 Capítulo 10


Kurt inspirou levemente contra o peito de Blaine.

— Por que a gente sempre acaba na cama, Anderson? Desse jeito nunca mais terminamos o livro. — brincou.

— Falando desse jeito até parece que você se quer ver livre de mim logo, bonito — Blaine respondeu, manhoso — Sabe, eu estava até pensando que a gente poderia estender o nosso prazo. Você poderia ir para turnê comigo.

Aquilo pegou Kurt desprevenido. A possibilidade de passar mais tempo com Blaine era tentadora – mas o facto de ele sequer estar considerando isso só provava o quão autodestrutivo ele era. Aquilo, eles, parecia-lhe certo, mas, ao mesmo tempo, estar com Blaine era um desafio que não parecia saudável. Estava sendo bom enquanto durava e eles realmente estavam tentando, mas Kurt não sabia se estava disposto a abdicar de mais do que um mês da sua vida para livro.

Na verdade, o negócio nem era o livro. Ele o terminaria rápido – ele já tivera prazos menores. Na verdade, o negócio era Blaine. Ele não sabia se estava disposto a abdicar de mais do que um mês de sua vida para Blaine.

Ele tinha mais projetos… NDS e OPAE, e ele não sabia se estava disposto a atrasar mais a publicação dos livros que realmente importavam para passar mais tempo com Blaine – para ceder aos caprichos do cantor teen mimado que nunca tivera nada que lhe fosse negado. Exceto que Blaine não era esse cantor teen que Kurt sempre pensava. E talvez isso mudasse tudo.

A pergunta não era se Kurt estava disposto a abdicar de mais um ou dois meses de sua vida. A pergunta era se ele o estava disposto a fazer por Blaine Anderson – o bipolar, safado, gentil e quebrado Blaine Anderson.

— É, eu acho que isso é um não. — Blaine levantou-se e, imediatamente, Kurt percebeu que todo o clima estava cortado — Eu não devia sequer ter falado nisso. Acho que ficou clara desde o início a sua posição em relação a todo esse acordo.

Kurt encarou Blaine, confuso.

— O que você está querendo dizer? Qual é a minha posição em relação a todo esse acordo?

Naquele momento, ele encontrou-se de pé, frente a frente com Blaine. O cantor já vestira suas calças moletom e Kurt vestia apenas sua boxer, mas isso não os impediu de se encararem felinamente.

— A sua posição a posição de alguém que não quer fazer isso! — Blaine despejou — Admita, você está fazendo isso porque é útil, não é mesmo? Você precisa sair da Páginas e eu sou seu ticket. Admita! Admita que para você eu não passo de uma estrela mimada que não sabe lidar com os seus problemas, admita que para você eu não passo de uma foda garantida!

O queixo de Kurt caiu. O que, exatamente, estava acontecendo?

— Se acalma, psycho. — Kurt apontou um dedo para o Blaine, continuando: — O que te deu, cara? A gente estava bem. Só porque eu demorei a respondeu uma proposta séria você surta. Blaine, eu não sou cachorro para seguir você para todo canto, primeiro. Depois, — ele encarou Blaine seriamente — não ouse dizer que eu não quero isso. Porque eu quero, mais que tudo e você sabe. Eu desisti e um mês inteiro de minha vida para isso. Eu parei meus livros, me afastei de minha família. Por você e seu maldito livro! — ele soltou uma risada sem humor, virando costas ao mais novo que parecia estático — E, para além disso, se eu quisesse uma foda garantida eu não ia atrás de um garoto quebrado que vive com pena de si mesmo e culpa todo mundo exceto ele próprio.

— O quê, agora isso é minha culpa? — Blaine arregalou os olhos, a sua expressão estava carregada de sarcasmo.

Aquilo só podia ser uma piada, Kurt riu. Ele gargalhou, na verdade.

— Blaine — ele respirou fundo. Ele tinha que se acalmar para poder acalmar Blaine. Era que nem com Beth, ele descobriu — Eu não estava mentido sobre o que eu disse. Eu estou realmente disposto a tentar e eu acho que isso — ele pegou na mão do moreno, que o encarava desconfiado —, nós, pode dar certo. E é por isso que é tão difícil para mim aceitar a sua proposta.

— Eu não entendo.

— Eu quero mais do que uma foda garantida ou o que quer que a nossa relação seja para você — Kurt admitiu.

A resposta não foi menor do que a que Kurt esperava, no entanto: — Oh.

O escritor deixou a mão de Blaine cair até finalmente estar pendente ao lado do corpo do cantor, abandonando o contato com o castanho. Ele sabia que Blaine dissera que ia tentar, mas Kurt estava forçando a barra e sabia disso.

Blaine deu um passo em direção a Kurt e pegou a mão do mais velho, segurando-a fortemente. Então, ele disse:

— Me desculpe. De verdade, eu surtei e-… Eu não devia esta tentando forçar você a nada, você tem sua carreira e sua vida. Eu não te posso pedir para abandonar elas.

Kurt fechou os olhos levemente. Durante alguns segundos, nenhum dos dois se moveu, até que os seus lábios se encontraram. Eles não sabiam dizer quem tinha avançado, mas não importava.

O beijo era lento e desesperado. Blaine beija Kurt como se estivesse à beira de um ataque de pânico e Kurt fosse a única coisa a impedi-lo de atingir a insanidade, através daquele beijo. E talvez fosse – talvez Blaine estivesse à beira de um ataque de pânico e talvez o beijo de Kurt fosse a única pessoa a impedi-lo de colapsar.

— E-eu não s-sei se posso… se posso te dar tudo o que você quer. Não agora — Blaine respirou fundo. — Mas eu falei que tentaria. E eu estou, de verdade. Me desculpe pelos surtos, eu não tinha intensão de dizer nenhuma daquelas coisas para você.

— Ainda bem que esclarecemos isso.

Kurt tinha um alerta piscante em sua mente – e ele piscava o mesmo aviso constante, aviso este que continha o nome de Blaine e palavra “perigo” na mesma frase. Mas Kurt decidiu que, por ora, ele mandaria o alerta se foder. Blaine depositou um selinho nos lábios do parceiro e ambos podiam dizer, com toda a certeza, que aquele fora o gesto mais puro que ambos já trocaram. Talvez houvesse esperança para eles, no final de contas.

O mais novo virou-se para terminar de se vestir e deu a Kurt uma ótima visão de sua bunda – ora, que se fodessem as esperanças. Kurt soube naquele momento que se ficasse ali por muito mais tempo, não aguentaria. Então, voltou costas também e vestiu-se. Quando deu por si, porém, mal acabara de vestir sua blusa e Blaine estava o puxando para o escritório.

— Vamos trabalhar — Kurt foi pego de surpresa; era, com toda a certeza, a primeira vez que Blaine tomava a iniciativa para que eles fossem trabalhar no livro. — ainda assim, Blaine não precisou repetir. Kurt pegou seu laptop que ficara ali desde a última vez. Eles sentaram-se. Kurt respirou fundo. Em certo ponto, ele perdeu o fio todo à meada e não sabia o que fazer. Não sabia o que dizer e isso frustrava-o.

— Er… Me conta sobre o dia em que Sebastian morreu — a ideia surgiu. Ele pôde ver que Blaine hesitou, mas isso não o impediu de fazer o que Kurt pedira.

Blaine segurou o brinquedo em sua mão direita, fazendo um barulho típico de uma criança que está imitando um avião, flutuando-o pelo ar. Ele tentava distrair-se. No andar de baixo, seus pais conversavam com alguém que Blaine não conhecia. Parecia sério – ele fora mandado para o seu quarto imediatamente.

Ele ouviu passos, mas descobriu que era somente Rachel. A irmã entrava no quarto, o seu rosto impassível como na maioria das vezes.

— Bee — ela chamou — O que está acontecendo?

— Eu não sei, Rach — ele murmurou. Ele não sabia o que estava acontecendo, mas o que quer que fosse, ele estava odiando por estar deixando sua irmã naquele estado.

Ele apontou para a garota e chamou-a para a sua beira. Eles brincaram durante mais meia hora – silenciosamente. Blaine não podia deixar de notar que algo estava errado – e, de facto, estava. Quinze minutos depois, sua mãe subiu as escadas e encontrou-os. Ela carregava, em seu rosto, uma carranca. Blaine, no entanto, não se importou – aquela não era muito diferente da expressão normal da mulher. Ainda assim, ele não pode deixar de notar que o bolo em seu peito aumentou quando ele se apercebeu que algo não estava bem com a mulher, tampouco.

— A senhora que veio cá, hoje mais cedo, ela trouxe uma notícia. Uma má notícia — a mulher tentou. Aquela foi, com toda a certeza, a primeira vez que Blaine a viu ser cuidadosa acerca de algo — Sebastian passou mal.

Blaine não conseguiu processar a notícia tão rápido quanto devia. Rachel não pareceu entender, tampouco, mas Blaine fez questão de segurar a irmã fortemente contra seus braços. Algo estava muito errado. Ele sabia o que implicava e o que podia acontecer quando Sebastian passava mal.

— Sebastian morreu — a mulher foi direta. Blaine apercebeu-se que mesmo com a origem cruel da matriarca, aquilo era algo difícil de dizer. Ainda assim, ele não pode deixar de odiá-la mais um pouquinho perante a sua frieza.

Mas ele esqueceu qualquer rancor, pelo menos naquele momento. Por segundos, pareceu que a mulher falara uma linguagem completamente estranha ao garoto – e, então, ele entendeu. E, deus, ele esperava não ter entendido. Ele, noutra altura, podia ter se sentido egoísta por afrouxado seu aperto na irmã e a ter deixado desprotegida, sofrendo a morte de um dos seus únicos amigos. Mas seu melhor amigo morrera – ele se permitiu ser egoísta.

Rachel chorava desesperadamente ao seu lado. Ele nunca a vira daquele jeito – e talvez devesse se sentir culpado por não estar chorando.

Mas ele não era capaz. Era mentira. Sebastian estaria batendo na sua porta no dia seguinte, o apressando para ir para a escola porque Blaine, como sempre, estaria atrasado. Eles jogariam futebol o recreio todo e conversariam a aula toda – almoçariam juntos e iriam para casa de Sebastian juntos. Fariam os deveres juntos. Sebastian estaria lá no dia seguinte. E no dia depois desse – e no dia depois de todos esses.

Blaine levantou-se sem nem mesmo perceber. Quando deu por si, estava correndo. Passou direto por Rachel e sua mãe. Desceu as escadas correndo e se encontrou na rua. Alguns minutos e ele estaria na frente da casa de Sebastian – eles jogariam videogames e comeriam besteiras o resto da tarde toda.

Quando deu por si, estava de joelhos na calçada. Não podia ser. Queria chorar até não poder mais, queria que suas lágrimas levassem todo o mal – mas ele tinha medo que elas levassem a memória de Sebastian também. Ele tinha que se agarrar a essa memória, a memória do garoto sorridente que por anos foi o seu melhor amigo e que sempre o protegeu.

Sentiu vontade de socar algo. Talvez de se socar ou de socar aquilo que levara Sebastian para longe dele. Mas ele não podia socar o câncer.

Por mais tempo do que devia, ele desejou poder ir ter com Sebastian. Ele não tinha muito mais ali, de facto. Mas ele sabia que o amigo chutaria sua bunda apenas por ele pensar nisso. Ele não fez.

Sentiu uma mão em seu ombro. Não olhou – não importava quem era. A mão era grande demais e pesada demais para ser a de Sebastian. Então não importava. A única coisa que importava era Sebastian e agora ele não estava mais com Blaine.

Quando deu por si, lágrimas deslizavam por seu rosto. Quis engoli-las. Quis poder agarrá-las e mandá-las para de onde raios elas tivessem vindo. Não podia ser. Não era verdade, Sebastian estaria lá nos setenta anos seguintes.

Mas Sebastian não esteve lá no dia seguinte.”

— É a primeira vez em doze anos que eu revivo aquele dia. Caralho, eu só queria poder apaga-lo da minha memória — Blaine murmurou. Kurt não falou, não adiantava. Nada do que ele pudesse dizer traria Sebastian de volta, então nada do que ele pudesse dizer realmente faria bem a Blaine.

Kurt abraçou Blaine – era a única coisa que ele podia fazer. Apercebeu-se, então, que Blaine era ainda mais machucado do que demonstrava e do que Kurt pensava. No final de toda aquela merda, talvez não houvesse esperanças para eles. Mas Kurt estava disposto a mandar as esperanças se foderem.

E, então, Kurt começou a digitar.

Isso não é um conto de ficção.

Onde eu estava? O lugar parecia familiar. Certamente era. A rua era a mesma e as casas permaneciam intocáveis. No entanto, a dor que nos últimos meses fora constante em meu peito, não era mais presente. Inconscientemente, a minha mão subiu até à minha nuca e, na altura, eu arfei. Não era possível.

Localizou a casa do melhor amigo a dois metros de distância e correu para lá. Blaine tinha que ouvir a notícia! Lembro-me que corri como nunca correra e tudo parecia mais leve.

Blaine estava em seu quarto, ele brincava com Rachel até a mãe deles subir. Eu nunca gostara daquela mulher – ela não era boa para Blaine. Mas a notícia que ela trouxe não era boa para Blaine, tampouco.

Qual é a sua noção de morte? O que acontece depois dela? Por que nós morremos?

Lembro-me que arfei. Ou não. Eu existia, sequer? Eu poderia arfar ou sentir? Como aquilo era possível? Eu só me lembro que doeu. Doeu ouvir os soluços de Rachel que para mim eram como gritos de dor. Doeu ainda mais ver o rosto incrédulo daquele que um dia fora meu melhor amigo… De facto, sempre seria. O melhor amigo de quem quer que eu fosse no momento sempre seria Blaine.

Aquilo era real? A dor era, pelo menos. O choro de Rachel também e o desespero de Blaine também. Eu era real? O que estava acontecendo? Não era possível. Na noite anterior o médico fora ao meu quarto e dissera que os tratamentos estavam indo bem. Não era possível! Doeu em meu peito ver a dor no peito de Blaine que parecia quase palpável. Não era possível. Eu não estava deixando meu melhor amigo.

A dor inflou em meu peito, a culpa também. Mas já não era mesmo dor ou culpa. Onde eu estava?

Pude observar Blaine. Ele chorava, ajoelhado na calçada. O pior não foi saber que morrera. Foi saber que o deixara. E, no final de contas, esta história não é sobre mim. Esta história é sobre ele.

Notas finais
É, ISSO TÁ ACONTECENDO. CHOREMOS. Cara, esse capítulo destruiu meus feelings. E sim, gente, Kurt começou o livro. Bala para quem adivinhar qual vai ser o nome do livro ASHUEASHUE Confesso que eu amei essa frase "Isso não é um conto de ficção". Eu tinha que botar essa frase, eu simplesmente tinha. E aí, o que acharam do começo do livro? Kurt está mandando bem? Eu sei que o capítulo devia ter saído domingo, mas simplesmente não rolou, porque eu comecei uma fanfic nova e... WELL, YOU KNOW. Vocês podem ler ela no meu perfil, indeed. GENTE, SÓ EU QUE PERCEBI QUE PROUD OF YOUR BOY COMBINA DEMAIS COM BLAINE NESSA FANFIC? Sorry de novo nsksnksns Eu escrevi esse capítulo escutando essa música (https://www.youtube.com/watch?v=5u9tub0zleg) Enfim, obrigada por todos os comentários. Eu li todos e vou responder todos (vocês já conhecem essa história ASHUEASHUE MAS EU VOU MESMO). Então, não esqueçam de comentar, favoritar, recomendar e divulgar. SO GO AHEAD. Até ao próximo, meus anjos. Beijinhos e abraços e muito brigadeiro, Angel Black.