A Coffee Tale
9 Capítulo 9
— O que você acha de vermos um filme? — Blaine perguntou, traçando desenhos imaginários no peito de Kurt.
— Eu acho que a gente tem que voltar ao trabalho, Blaine. A gente só tem um mês para terminar o livro — o escritor resmungou. Blaine gemeu em desgosto e Kurt levantou-se, dando a Blaine um ótima visão de sua bunda, onde ele deu um tapa forte. Kurt soltou um gritinho abafado e lançou um sorriso safado ao cantor.
— O que acha de um banho? — o sorriso de Blaine era puramente sacana. Kurt, por sua vez, negou com a cabeça e respondeu:
— Vai na frente. Você me cansou.
Blaine soltou uma gargalhada sonora e obedeceu. Kurt permitiu-se deitar novamente na cama, sentindo os lençóis quentes deslizarem em sua pele nua. Agarrou fortemente o travesseiro, inalando o cheiro de Blaine, não se preocupando se parecia um adolescente desesperado ou não. Ele não estava totalmente feliz com o acordo deles.
Kurt queria mais.
Mas até Blaine estar pronto para lhe dar mais, Kurt não forçaria a barra. Kurt sabia que entrar num relacionamento sério seria difícil para Blaine, não importava o quanto ele alegasse que estava apenas procurando a pessoa certa. Ele estava quebrado demais.
Kurt permitiu-se cochilar por um pouquinho. Desejava não o ter feito.
“Ele sentiu seu rosto doer por causa do tapa. Burt estava bêbado, de novo. Era a quarta vez naquela semana e ele sempre acabava descontando em Kurt – que sempre insistia em garantir que Quinn estivesse no quarto na hora de Burt chegar. Não era seguro, não era antes, não seria agora, com a garota grávida.
— Some do meu caminho, viado. — a voz do homem estava enrolada e claramente alterada pela bebida.
— Seu nível de criatividade me surpreende — Kurt ironizou. Burt tentou entender o insulto, mas parecia chapado demais para tal.
— Por que a vadiazinha está se escondendo? Como está meu neto? — o tom de Burt era zombeteiro. Kurt fechou as mãos fortemente, ele estava tentando atingi-lo.
— Sabe, papai — Burt encarou Kurt com o olhar mais desafiador que conseguia e o garoto sabia que ele estava apenas tentando provoca-lo. Mas ele não se deixaria ficar — Vadias são aquelas putas mal comidas com quem você se enrola. Você é uma merda, como pai, como homem e aposto que nem bom de cama você é, visto que você praticamente tem que correr atrás delas que nem um cachorrinho. Se você fosse um pouquinho, só um pouquinho, decente, você teria morto o cara que estuprou sua filha no momento em que ele o fez. Mas você prefere insultar ela e descontar seus fracassos na bebida. Eu tenho pena de você — Kurt cuspiu — E para sua informação, seu neto é uma neta.
Kurt esperou pelo tapa que não chegou. Na sua vez, veio um cruzado e um chute direto em seu estômago. Kurt sentiu um gosto metálico em sua boca e moveu a sua mão até ao nariz, que sangrava. Kurt, no entanto, não lhe daria o prazer de o ver fraquejar.
Levantou-se, a custo, mas não gemeu. Burt estava com um ar ligeiramente selvagem, mas Kurt sabia que ele estava cansado demais e bêbado demais para atacar novamente. Ele cairia duro assim que Kurt deixasse a sala.
Cuspiu no chão. Havia sangue à mistura, mas a mensagem era explícita e direta. Kurt mancou até ao seu quarto, mas ouviu o barulho de passos atrás de si. Algo estava errado.
Era Burt, ele ainda não havia desistido. Ele sentiu uma mão forte em seu ombro quando estava no meio das escadas e sentiu seu corpo ser jogado para trás com toda a força. Não pode evitar soltar um grito dolorido quando suas costas embateram as escadas e ele desceu até ao chão.
Mas, naquele momento, isso não importava. Burt estava indo atrás de Quinn.
Ele viu o homem socar a porta fortemente, forçando a fechadura que se encontrava trancada. Kurt tentou subir as escadas, sentindo todos os seus músculos doendo ainda mais. Pelo menos, ele não teria que se explicar para ninguém no dia seguinte – porque ninguém se importava.
Burt tentava forçar a porta a abrir, quando pareceu ter uma ideia melhor. Kurt já podia ouvir os gritos por socorre de Quinn, e foi quando conseguiu correr escada a cima. Ele tentou impedir o homem de arrombar a porta, mas não conseguiu.
A barriga de sete meses de Quinn era notável no meio de seu pijama do Mickey. Ela parecia terrificada, de facto. Ela estava encolhida, no recanto mais distante do quarto, empunhando uma tesoura. Kurt podia ter certeza que ela a tinha pegado às pressas da sua secretária, carregada de esboços de desenhos de artistas que ele sabia que a irmã amava.
O sorriso de Burt era demoníaco. Ele caminhou durante até Quinn, com Kurt em seus flancos. O garoto pousou sua mão no ombro do homem e foi rapidamente enxotado, mas não cederia. Era sua irmãzinha e sua sobrinha, ali.
Quinn direccionou a ponta da tesoura de encontro ao rosto de Burt, ameaçando:
— Não chegue perto!
A voz da loira estava rouca e indiciava um choro que não começara ainda. O primeiro chute de Burt foi na perna de Quinn, que urrou de dor. Kurt gritou um “Não!” sonoro e jogou-se sobre Burt, tentando derrubá-lo. O homem acertou um soco no ombro de Kurt e rapidamente ambos estavam no chão.
Kurt teve sua cabeça entre os braços de Burt, que parecia cego de raiva. Quinn não sabia o que fazer, mas deixou a tesoura deslizar pelo chão até ao encontro da mão de Kurt. O garoto esbracejou.
E foi quando conseguiu fincar a tesoura na coxa de Burt, que urrou de dor. E, quando deu por si, a tesoura estava cravada em seu ombro. Mas isso não foi o que mais lhe doeu, nem o facto de Quinn estar vergada no chão. O que mais lhe doeu foi o sangue que escorria por suas pernas.”
— NÃO! — Kurt suava frio. Os pesadelos começavam a tornar-se vívidos demais. Ele até podia sentir o seu ombro doer como doera naquela noite. Pôde ver que Blaine o encarava com ar preocupado e conseguiu até ignorar o facto de o homem estar somente de toalha.
— Kurt, você está bem? — o tom de Blaine era de preocupação. Kurt, no entanto, limitou-se a assentir. — Você está mentindo. — Blaine observou. Kurt sentou-se na cama, pousando seus cotovelos em seus joelhos e segurando seus cabelos fortemente, como se quisesse expulsar as imagens da sua cabeça. — Fale comigo, bonito — Blaine praticamente implorou.
Kurt não conseguiu se conter. Seus braços percorreram os ombros de Blaine, abraçando-o fortemente e permitindo-se chorar contra seu peito. Blaine não precisou de nenhuma explicação, segurou Kurt em seus braços e confortou-o.
O escritor chorou durante quase uma hora. Blaine não sabia do que o parceiro chorava mas, em certo ponto, ele sentiu vontade de chorar junto com Kurt – mas não o faria.
Kurt não deveria estar deixando suas paredes caírem daquele jeito. Não deveria deixar que Blaine o visse assim; ele sabia que horas antes dissera a Blaine que era okay chorar. Mas talvez fosse mais fácil dizer do que falar.
Ele nunca realmente pudera desabafar sobre aquilo sobre alguém. Ele tinha que se manter forte na frente de Quinn e Beth e não tinha mais ninguém que pudesse o segurar. Mas talvez Blaine pudesse.
— Fale comigo, Kurt — Blaine implorou.
— Foi há sete anos. — Kurt fungou — Minha irmã, Quinn, ela engravidou. Foi pouco tempo depois de eu sair do armário, ela tinha apenas 16 anos e foi estuprada. — contava. A sua voz estava abafada pelo choro. A sua cabeça estava repousada no peito de Blaine e os braços do cantor ainda estava à volta do escritor — O nosso pai sempre foi um monstro. Ele chegava a casa de madrugada, pode de bêbado, e me batia. A mim e a Quinn, todo o tempo. Mais a mim, eu sempre me botava na frente dela para a proteger, mais ainda depois de ela engravidar de Beth.
Blaine respirou fundo. Uma grande raiva surgiu em seu peito e ele não sabia de onde ela vinha; mas ele queria socar o pai de Kurt, de verdade.
— Uma noite, a noite de meu pesadelo, ele chegou a casa bêbado e ele me bateu. Eu acabei falando mais do que devia e ele foi atrás de Quinn, no primeiro andar. A porta estava trancada e eu tentei parar ele… Ele me jogou das escadas e arrombou a porta — Kurt murmurava — Quinn tentou defender-se com uma tesoura. Eu e ele lutámos e a tesoura acabou parando em meu ombro.
O cantor ofegou. Os seus dedos percorreram o torço Kurt, afastando-o levemente. Lá estava ela – a marca era pequena e quase imperceptível; Blaine nunca a tinha notado antes. Dedilhou a pequena cicatriz, acariciando levemente e sentindo Kurt se retesar e arrepiar.
Ele já não queria socar Burt – ele queria matá-lo.
— Quinn acabou passando mal. Ela conseguiu chamar as emergências, mas ela teve que fazer uma cesariana imediatamente. Beth nasceu com sete meses. —a voz de Kurt era levemente chorosa. Ele fungou levemente e Blaine acariciou seus cabelos — Só eu sei o quanto eu quis matar aquele homem. Ele podia ter morto minha sobrinha.
— E onde ele está agora? — a voz de Blaine era dura. Ele parecia verdadeiramente enraivecido.
— Morto — Kurt disse sem emoção — Câncer o levou alguns anos depois. Ele morreu sozinho, num quarto de hospital pobre. E, sinceramente, eu não consigo sentir pena dele. Não consigo, não quero e não vou sentir pena do homem que fez minha vida um inferno durante 18 anos. Há quem pense que isso me faz uma má pessoa…
— Mas que se fodam eles também — Blaine sentenciou. Ele abraçou Kurt fortemente e prometeu a si mesmo que nunca o largaria.
Kurt limpou as lágrimas em seu rosto e sentiu uma ânsia enorme de beijar Blaine. E fê-lo. Eles ainda têm que escrever o livro e têm muito que percorrer, mas nenhum dos dois se importava mais com isso.
O beijo era desesperado. Kurt beijou Blaine como se quisesse esquecer tudo e Blaine beijou Kurt como se o quisesse fazer esquecer de tudo. As mãos de Kurt percorreram o corpo de Blaine sofregamente. Ele queria esquecer o pesadelo, queria esquecer o homem que atormentava suas noites.
Mas a imagem de Quinn parou em sua mente. Ele precisava saber se estava tudo bem com Beth e ela, ele precisava. Afastou Blaine levemente; os lábios do cantor estavam vermelhos e inchados devido à pressão do beijo. Uma expressão confusa estava estampada em seu rosto, mas Kurt não conseguia pensar nisso agora.
— Kurt? O que aconteceu? Está tudo bem? — Blaine estava preocupado. A atitude de Kurt estava assustando-o. O escritor buscava desesperadamente por sua boxer e, quando a achou, saiu do quarto sem falar nada. Blaine correu atrás dele, sem se preocupar com a nudez.
Kurt digitava rapidamente o nome da irmã. Quinn não atendeu de primeira, nem de segunda. À terceira vez que ligava, Kurt já temia o pior. Alguma coisa tinha acontecido, elas estavam machucadas.
— Alô? — era a voz de sua irmã. Kurt suspirou aliviado.
— Quinn, você está bem?! Está tudo certo com Beth? — o escritor despejou. Blaine observava tudo.
— Ah, não — do outro lado, a garota gemeu — Está tudo ótimo comigo e com Beth, Kurtie. Você teve outro pesadelo? Eu estou trabalhando, meu anjo. Está tudo bem, okay?
— Tem certeza? — Blaine caminhou até Kurt e abraçou-o por trás, depositando beijos leves no pescoço do garoto. O cantor já se apercebera da pequena crise de pânico do escritor, ele as tivera todo o tempo até finalmente conseguir superar seu trauma. Kurt não tivera ninguém para o ajudar a superar.
— Eu tenho, meu amor. Olha, eu terei que ir gravar, okay? Mais tarde você, eu e Beth fazemos um skype, o que acha? Você pode até me apresentar seu colega de trabalho lindão. — Blaine soltou uma gargalhada. Ele conseguia ouvir baixinho o que a irmã de Kurt dizia e, sabendo isso, Kurt sentiu-se corar — OH MEU DEUS, KURT. Ele está aí? Por que não me falou?!
— Quinn, menos, por favor. — Kurt pediu — Tem certeza que está tudo bem…? Manda meu beijo para Beth, okay? Fique bem.
Eles se despediram rapidamente. Kurt já se recuperara de seu surto, após ouvir a voz de sua irmã, tudo parecia bem. Ele desligou levemente e moveu-se nos braços de Blaine, abraçando-o de volta. Então, Blaine disse:
— Mal posso esperar para conhecer sua irmã e sua sobrinha.
Aquela fora uma mera brincadeira, mas Kurt sentiu um arrepio em seu peito que não deveria sentir. Pensar em Blaine conhecendo sua família não deveria afetá-lo daquele jeito.
— O que acha de continuarmos onde paramos? — Kurt sugeriu. A sua voz estava ligeiramente rouca e isso enlouqueceu Blaine. Ele não precisou falar a segunda vez.
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