A Cerejeira da Estrada de Ballete
1 Cap I: A Cerejeira em minha Viagem
O sol sequer havia nascido e a rua quase estava vazia pois como nas calçadas, os poucos que passavam ali por essas horas ou iam trabalhar ou voltavam para o lar, a maioria que acordava a essas horas não dormia muito e como zumbis marchavam. Thomas não era muito diferente, encostado na alta placa de ponto de ônibus com uma mão no bolso, outra segurando a alça da mochila pendurada em um só braço e pernas cruzadas, provava que mesmo sonolento sua paranóia com estilo não dormia, sempre o fazendo ficar na pose que achasse mais legal, e isso afetava quase todas suas ações, fazer sinal para o ônibus, subir os poucos degraus, pagar a passagem, até a caminhada até os bancos altos que ficavam acima das rodas traseiras e sem exceção de sentar em uma pose que viu em um filme estrangeiro olhando através da janela como se pudesse ver o fantasma de seu amor perdido a distância.
Suas longas viagens até o trabalho eram entediantes e como não conseguia dormir no ônibus ele passava as horas ou lendo ou distraindo a cabeça com algum jogo na ausência do livro, e para seu azar havia esquecido o livro em casa. E pela metade da viagem ele contava carros, distraindo a cabeça a espera de sua Vênus em toda sua beleza sonolenta toda segunda, quarta, e sexta pontualmente sentada no banco do ponto e para sua "sorte" o engarrafamento lhe dava alguns minutos para admirá-la. Esfregando os olhos de vez em quando com a manga do suéter com uma variação de trocadilho bordado, a mochila que parecia a cabeça de um coelho de pelúcia azul marinho, e o cabelo castanho preso em um elástico, ele sequer gostava de franjas mas nela realçava suas feições delicadas, ela não parecia ser muito mais nova que ele que beirava os vinte e cinco. Ela coça o olho e repara no jovem que a admirava detrás da janela do ônibus, algo naqueles olhos à atraiu e fez-la acenar e gargalhar da reação do rapaz que se escondeu como uma criança envergonhada .
—Conhece o rapaz? — perguntou uma senhora sentada ao lado da jovem
—Não, mas gostaria .
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