A Candidata do Meu Coração
2 A primeira Candidata - Kagura
Tiri-ri-ri. Tiri-ri-ri.
Tiri-ri-ri. Tiri-ri-ri.
- Oh, não. — Disse Sesshoumaru, pegando no telemóvel — Quem fala?
- Sou eu, a Kagome!
- Porque me estás a ligar a esta hora, não estás com o Inuyasha? São 9h45 da manhã...
- Sim, eu sei que são 9h45 da manhã, mas tu não o deves saber, pois não?
- O que queres dizer com isso?
- Não devias ter aberto o escritório às 8h30?
- O escritório... Kami-sama...E agora?
- Está aqui uma cliente à espera há muito tempo. A outra que cá estava já desistiu. — Disse Kagome que tinha passado pelo escritório dele e, vendo que ele não estava e que se tinha atrasado (de novo >.<), decidiu ligar-lhe.
- Pede-lhe desculpas e que eu vou já. A Rin hoje não me acordou, ela é que me costuma ligar para eu não chegar atrasado. — Mas o que é que lhe deu? Porque é que não ligou? Ela nunca se esquece. O que é que eu lhe fiz?
- O que é que lhe fizeste desta vez, Sesshoumaru? Tu e o Inuyasha são mesmo iguais, merecem-se. — Disse Kagome e desligou.
O que é que a Kagome quer dizer com isso? Eu não sou nada parecido com o Inuyasha, ele é rude e infantil com as pessoas, enquanto eu trato-as o melhor possível, mantendo a distância. Nem sequer sei porque é que a Rin está chateada comigo! Não cabe na cabeça de ninguém comparar-nos, não temos nada a ver um com o outro.
Kagome sabia muito bem que Rin o amava. Via-se pelos olhares que ela lhe dirigia, mas ele nunca percebeu. Para ela, Rin era a sua irmã mais nova e não lhe desejava mal nenhum. Só não compreendia como é que ele não tinha reparado nos sentimentos dela… Ele e o Inuyasha eram mesmo parecidos!
Sesshoumaru já estava no meio da rua mas infelizmente, era o dia em que todas as senhoras idosas da rua se reuniam para irem às compras e por isso estava uma grande fila e não o deixavam passar. Ele que já estava nervoso teve de tomar medidas drásticas. Pedindo licença, empurrou levemente as senhoras para passar-lhes à frente.
Quando viu a cara delas e deu-se conta daquilo que tinha acabado de fazer, já era tarde demais.
- Que mal-educado.
- Temos idade para ser tua avó!
- Nem um pedido de desculpas.
- Tenho um ombro aleijado e tu pioraste-o.
- Ai que hoje em dia não há educação.
- Pois é, temos de ser nós a dar-lha...
-... para o mundo não ficar perdido com esta juventude.
Todas muito sincronizadas, puxaram das malas ao mesmo tempo e bateram com elas na cara de Sesshoumaru, que ficou com marcas profundas não só na face mas no tronco e nas pernas (não provoquem as velhotas xD). E elas só pararam porque Sesshoumaru conseguiu escapar-se daquela situação.
Com tudo isto, já eram 10h33 e Sesshoumaru estava-se a achar um desnaturado, não se fazia esperar ninguém duas horas, e muito menos uma senhora.
Ao longe, viu a cabeleira negra de Kagome e apressou-se.
- Ai, já cheguei. Nem sabes o que me aconteceu, Kagome!
- Foste atropelado?
- Antes fosse, deixava menos marcas que isto. Foi um exército de velhotas.
- Um exército de velhotas? ¬¬ Isso é uma óptima desculpa para eu dar à minha professora hoje. Por tua causa cheguei atrasada.
- Desculpa… Mas não foi uma desculpa, foi verdade!
- Sim, sim. Acredito mesmo. – Disse Kagome, virando-se para a senhora a seu lado. – Este é o dono do escritório, chama-se Sesshoumaru. E esta é a senhora que fizeste esperar duas horas, e chama-se Kagura.
- Peço imensas desculpas. – Disse ele, quando Kagome correu para apanhar o autocarro. – Faça o favor.
Ele estava assombrado com a beleza dela. Andando pela sua idade, deveria ter vinte anos ou assim, ela tinha cabelos pretos e olhos quase da mesma cor. A sua silhueta era magra, ela era muito bonita e os seus lábios mexiam-se de uma maneira única e sensual.
Ele encaminhou-a para o seu gabinete e Sesshoumaru começou a entrevista.
- O que a fez aceitar este emprego?
- Preciso de dinheiro, e de alguém com quem… ano… conversar.
- Acha que tem capacidades para este trabalho? Acha que é uma pessoa muito trabalhadora?
- Acho sim. E sou capaz de te levar à lua. – Disse ela, atrevidamente.
- Ano… Ano… Continuemos… Já alguma vez trabalhou num emprego que envolvia contas?
- Empreguei-me num bar de prostituição, mas não pagavam bem.
- E o que é que isso tem a ver com um escritório de contas? Ô.Ô
- Escritório de contas?! O.o Não era isso que o anúncio dizia.
- Dizia que queria uma nova secretária!
- Não. Dizia que queria uma nova namorada. Eu até tenho aqui o anúncio. – Disse Kagura, desembrulhando o jornal e mostrando-lhe.
- Ah, se calhar foi um erro de escrita. Vou resolver isso o mais rapidamente possível. Peço imensas desculpas por a ter feito vir aqui sem propósito, pelos vistos.
- Deixe estar. Podemos aproveitar bem o tempo.
- Honto?
Kagura nem o deixou falar mais. Tirando-lhe o casaco que ele tinha vestido, começou a beijar a parte lateral do seu pescoço e, tirando-lhe a camisa, começou a acariciá-lo.
Noutra parte da cidade estava Rin, felicíssima pela nota de matemática que tinha tirado e ao mesmo tempo triste por causa da maneira como tinha saído de ao pé de Sesshoumaru no dia anterior. Ele não tinha culpa de não conseguir gostar dela e ela já o tinha percebido. Ela tinha-lhe escrito uma carta com um pedido de desculpas e a explicar-se. Ela estava com esperança que ele a compreendesse e perdoasse.
Confiante, já estava na porta do escritório do amigo. Vendo-a aberta, decidiu entrar e, poisando a mochila ao pé da porta e vendo que o gabinete dele estava vazio, ela calculou que ele devia estar no seu quarto-cave, que era o sítio em que ele dormia quando ficava a trabalhar até tarde, e era onde ele lhe ajudava nos trabalhos.
Quando abriu a porta, qual não foi o seu espanto quando viu Sesshoumaru, todo nu, na cama com uma desconhecida. Com as lágrimas a correrem pelas faces correu para a rua e até se esqueceu da mochila. Ela dirigiu-se para a rua, pronta para ir para a universidade de Kagome, porque queria falar com a amiga.
- Sai daqui. – Gritou Sesshoumaru.
- Porquê?
- Sai daqui, não te volto a avisar! – Disse ele, raivoso e pegou-lhe no braço com força. – Ou vais a bem ou vais a mal.
- Estás apaixonado por aquela rapariguinha?
- O que é que estás para aí a dizer?
- Nota-se à distância. E ela por ti.
- A Rin apaixonada por mim?! Impossível!
- Porque é que achas que ela ficou tão incomodada? Porque tu não lhe contaste que gostavas de alguém?
- Cala-te, não quero nada de ti. Isto foi um erro.
- O que é que aquela tua amiga terá nesta mochila? – Perguntou Kagura, ignorando os comentários de Sesshoumaru. – Deve ser algo de pessoal…
Dito isto, espalhou os pertencentes de Rin pelo chão e numa bolsa tirou uma carta perfumada e um teste que deitou ao chão.
- O que é isto? Uma carta de amor? – Gozou ela, olhando-o. Ele estava com uma expressão de puro ódio estampado no rosto, que a fez desejar não ter dito isso.
- Devolve.
- Não, vamos ver o que diz… Querido Sesshy, escrevi-te esta carta porque quero di…
Rsssht. Sesshoumaru pegou na carta e arrancou-a da mão dela. Seguidamente, empurrou-a para fora do seu escritório e fechou-a na cara dela.
Guardou todos os pertences de Rin na mochila dela, com muito carinho e antes de ir para casa ligou para o jornal para comunicar o erro. Analisaram a situação e pediram imensas desculpas, o jornal tinha impresso uma versão correcta e outra errada, e não era o único anúncio a estar aldrabado. Por isso, eles prometeram republicá-lo e Sesshoumaru só tinha de explicar o ocorrido às suas candidatas.
Eram quase 15h e ele tinha de ir para casa. Quando chegou, a primeira coisa que fez foi sentar-se no sofá e ler a carta dela.
Querido Sesshy:
Escrevi-te esta carta porque te quero dizer uma coisa que não sei como é que vais reagir. Neste momento, devo estar à tua frente, muito corada e hesitante.
Quero dizer-te aquilo que escondi durante tantos anos, e que já todos sabiam menos tu. Sempre te tentei dar a entender isso, mas tu nunca o percebeste.
Eu gosto de ti. Não gosto de ti como irmão, tal como tu gostas de mim (disseste-me isso ontem e eu fiquei furiosa). Gosto de ti a sério. Amo-te, Sesshoumaru. Como nunca amei ninguém.
Compreendo que não gostes de mim desse modo, mas eu não me importo porque continuaremos amigos na mesma. Foi por isso que eu te escrevi, para te pedir desculpas pelo meu comportamento de ontem. Foi inaceitável e eu entendo que não me consigas perdoar. A sério.
Nunca te esquecerei,
Rin
P.S. Junto desta carta está o meu teste de matemática o qual me ficaste a ajudar até às duas e tal da manhã (e dormimos no teu quarto-cave – nunca me tinham dito que tu ressonavas;P).
“Kami-sama.
O que é que eu fui fazer? E como é que nunca reparei em nada?
Eu também a amo. Mas o que é que hei-de fazer para lhe demonstrar que gosto dela a sério?”
Era tudo o que passava pela cabeça de Sesshoumaru. Tinha cometido um grande erro e sabia-o.
Só tinha uma resolução: ir falar com Kagome.
Mas isso só depois de atender a seguinte candidata, que chegaria ao escritório dentro de… 10 MINUTOS?
Lá foi o Sesshoumaru a correr outra vez e desta vez não encontrou um grupo de senhoras idosas que lhe deram com a mala, mas sim um grupo de senhores idosos que lhe deram com a bengala.
A vida estava dura para Sesshoumaru. Chegava sempre atrasado e ainda levava com malas e bengalas… x_x
Notas finais
Quando escrevi o capítulo, o meu avô estava no terraço a arranjar a luz com um berbequim e de repente a luz foi-se abaixo, entao o computador desligou-se e eu pronto, perdi o capítulo. :/ O que mais me irritou foi que tinha ficado MUITO giro. É que, quando tinha terminado o capítulo colei no word (tinha 6 paginas) por causa dos espaços desnecessários e não gravei, fui colando e compondo a fic, quando de repente ouviu um spaaaash e o computador e as luzes desligaram-se. O quadro eléctrico desligou-se completamente, e quando ligámos o word só recuperou a primeira parte, que eu tive de terminar hoje. Estou com tanta raiva, porque é que isto só me acontece a mim? ¬¬
Pequeno dicionário:
Kami-sama: Ai meu Deus
Ano: hum, hã
Honto?: o quê?
Alguma dúvida é só contactar. Obrigada aqueles que estão a seguir a história. Estou muito agradecida.
Beijinhos
Fale com o autor