A Caçadora E O Vampiro

11 O Lugar pelo qual sempre busquei...


Notas iniciais
Oiee... Primeiro eu queria agradecer a todos que estão me mandando reviews e me motivando a continuar escrevendo... Leitores fantasmas se pronunciem, mandem reviews...
Agora sobre o capítulo, a partir deste capítulo algumas dicas sobre o mistério que existe na vida do Dean vão começar a aparecer, quero ver se vocês conseguem descobrir qual é (se já não souberem, né?)
Espero que gostem...

Me sentia bem por ter sido completamente honesta com Mark no dia anterior, mas ter contado a ele sobre a missão fora um imenso erro, eu o colocara em perigo. Se Dean chegasse a descobrir, algo que suspeitava que ele já sabia, poderia machucá-lo e não sei se poderia suportar vê-lo ferir Mark por minha causa.

Mike estava bravo comigo por causa disso, não era apenas Mark que corria perigo, todos nós estávamos sujeitos as maldades de D por causa de um momento honesto. Ele não se preocupava tanto por ele, mas por Alice, a quem ele amava e que também fazia parte dos planos obscuros e misteriosos de Dean. O que mais me machucava nessa história era que D parecia gostar de mim e ainda assim estava me ameaçando constantemente, colocando em perigo aqueles que amo. Isso fazia meu peito doer, saber que era eu quem estava colocando todos em perigo era muito doloroso para mim.

“Onde você está me levando?” perguntei a Mike, que estava dirigindo velozmente pela estrada escura e sem sinal de vida.

“Vou te levar para conhecer alguém” respondeu sem tirar os olhos da estrada.

A luz emitida pelo painel do carro velho que havíamos alugado não me possibilitava ver sua expressão e sua voz estava distante. Isso me deixava assustada, ele era sempre animado e espontâneo, totalmente diferente do homem frio que estava sentado ao meu lado, parecia que ele estava fazendo algo do qual se arrependeria mais tarde, mas decidi não pressioná-lo, mais cedo ou mais tarde tudo seria esclarecido.

A estrada não tinha iluminação e era cercada por montanhas que deixavam o lugar ainda mais escuro. Os faróis do carro estavam emitindo uma luz forte que iluminava tudo à nossa frente. Mike pegou uma entrada na estrada que nos levou a uma estreita rua de terra cercada por mato alto e poucas árvores.

Conforme o carro prosseguia, ainda em alta velocidade, os buracos faziam com que tudo pulasse em seu interior. Mike não parecia se importar, continuava olhando fixamente para frente, prestando atenção no caminho que seguíamos. Meu cérebro tentava inutilmente descobrir para onde íamos, mas não conhecia aquele lugar, não me lembrava de já ter ido por aquele caminho antes.

O silêncio perdurou até chegarmos em um pequeno vilarejo, duas horas depois. Por ser quase meia noite, o vilarejo estava vazio, poucas casas ainda estavam iluminadas e nenhuma criança brincava nas ruas. Um bar ainda estava funcionando, mas a clientela era pouca. Mike estacionou em frente a uma praça onde uma imponente igreja se erguia. Ele saiu do carro e esperou para que fizesse o mesmo.

“Onde estamos? Por que não me conta tudo de uma vez?” perguntei, indo me juntar a ele na calçada, observando o lugar atentamente.

“Vila de Bourberige. Não posso dizer mais do que isso”

“Como assim não pode?”

“Vai entender depois” e após ter dito isso, ele voltou a ficar quieto e começou a me guiar em direção à um pequeno chalé não muito longe de onde estávamos.

O chalé era todo feito de madeira, pintado de branco, com amplas janelas empoeiradas e uma chaminé que lançava fumaça para o céu noturno. Mike bateu na porta e ficamos esperando. Não demorou muito para que uma senhora de cabelos grisalhos e bondosos olhos azuis viesse nos receber. Ela nos levou para uma sala aconchegante onde uma lareira ardia e crepitava intensamente. Uma mesa de madeira escura e quatro cadeiras ocupavam o ambiente, não deixando muito espaço para que pudéssemos andar pelo cômodo.

Me sentei em uma das cadeiras junto à mesa de frente para a lareira. Fiquei observando as chamas dançarem em seu interior, hipnotizada. Não sabia onde estava ou o por que de estar ali, mas sabia que Mike não faria nada que pudesse me machucar, ele era meu irmão, nos conhecíamos a mais de dois anos e desde então ele se tornara meu protetor, mas não podia parar de imaginar o motivo de estarmos ali e quem iria conhecer.

A mulher voltou trazendo dois pratos com pão e panquecas com manteiga derretida e dois copos de suco, coloco-os na nossa frente e saiu novamente. Mike começou a comer despreocupado. Imitei seus atos, sentia-me fatigada por causa da viagem e do treino que tivera mais cedo e meu estômago já estava começando a protestar de fome. A comida estava muito boa, principalmente se comparada ao que estava comendo ultimamente.

“Quando é que vou conhecer essa pessoa da qual você me falou?” perguntei, dando uma mordida no pão caseiro que estava no meu prato.

“Não sei, achei que ele já estivesse aqui” ele deu de ombros ainda prestando atenção em sua comida.

“Quem ele é? Por favor, Mike, você sabe que eu não gosto de surpresas” supliquei, estava muito curiosa para saber quem era essa pessoa misteriosa.

“Tudo que posso dizer é que o nome dele é Dean Hilberg. Por favor não me pergunte mais nada, realmente não posso te contar sobre isso. D geralmente gosta de explicar as coisas do jeito dele, não quero atrapalhar os planos dele” se explicou, desviando do meu olhar, fingindo estar concentrado nas panquecas intocadas em seu prato.

“Você parece triste” afirmei.

“Não queria que você tivesse a mesma vida que eu, mas agora não tem mais como voltar atrás. Você vai se dar bem nessa vida de caçadora, mas ainda assim me sinto mal por ter sido eu que te transformei no que é... Se algo acontecer com você vai ser minha culpa” vê-lo naquele estado era de partir o coração.

“Não pense assim” falei, esticando a mão para a sua que estava em cima da mesa. Queria poder mostrar que tudo o que ele sentia era desnecessário, mas era muito difícil fazê-lo mudar de ideia “Você me ensinou muito bem, nada vai me acontecer. E a decisão foi minha, você não tem que se sentir assim, Mike”

“Isso não muda nada, sabe disso.” ele retirou sua mão da minha e cruzou os braços sobre o peito, emburrado.

“Às vezes você pode ser bem cabeça dura...” suspirei “Eu quis me tornar uma caçadora, a escolha foi minha, você não tem que se sentir triste por causa disso” coloquei os talheres dentro do prato vazio e me levantei, saindo da sala, deixando-o sozinho com seus pensamentos pessimistas.

No corredor, a senhora simpática que nos acomodou surgiu. Não a vi chegar e isso me sobressaltou.

“Vocês já comeram?” perguntou ela, com um sorriso bonito e sincero enfeitando-lhe o rosto enrugado pelo tempo

“Sim, estava delicioso” respondeu Mike atrás de mim, não o ouvira chegar.

“Bem, acho que estão prontos para a cama então. O sr Hilberg pediu para avisar que ele vai chegar de manhã” sua expressão era amável, do jeito que se esperava que as avós fossem “Vou levá-los até o quarto. Vocês vão ter que dividir o quarto se não houver problemas, só tenho um quarto de hóspedes na casa, não costumo receber visitas” se desculpou. Queria perguntar sobre a família dela, mas me contive, provavelmente estaria me intrometendo em um assunto particular e não queria ofender aquela mulher tão bondosa e amável.

Ela nos guiou pelo corredor até uma escada que levava para o andar superior. Saímos em um corredor pequeno com duas portas. A mulher abriu a porta da direita e nos deu espaço para que entrássemos.

“Espero que se sintam confortáveis, qualquer coisa estou no quarto ao lado. Boa noite” ela fechou a porta, nos deixando a sós.

O quarto era pequeno, uma cama de casal com dois travesseiros de aparência macia e um cobertor grosso tomava quase o cômodo inteiro. Uma cômoda de mogno ficava na parede lateral do quarto ao lado de uma porta que levava ao banheiro. Logo atrás da cama ficava uma janela da onde podia avistar o céu estrelado. Era uma noite linda, as nuvens escassas davam espaço para que as estrelas brilhassem juntamente com a lua. Só então reparei que era noite de lua cheia, um uivo alto fez meu corpo estremecer.

“O que você acha que tem lá fora?” perguntei a Mike ainda olhando através da janela, dessa vez observando a densa floresta que dominava a cidade.

“Um pouco de tudo” respondeu, vindo se juntar a mim na janela.

“Acho melhor irmos pra cama” bocejei “Estou cansada da viagem”

Peguei minha mochila e fui para o banheiro me arrumar. Olhei meu rosto no espelho, a pele pálida, os cabelos longos desarrumados, os olhos cansados e os lábios rosados. Estava cansada e meu rosto transparecia isso perfeitamente. Era incrível como meu rosto sempre me deletava, era como se não conseguisse controlar minhas expressões.

Voltei para o quarto, me enfiei embaixo das cobertas e adormeci rápida e profundamente em um sono sem sonhos.

Acordei no outro dia com Mike me chamando. Me sentia totalmente descansada e fui despertando aos poucos conforme me arrumava para ir tomar café da manhã. Ainda era estranho acordar em uma casa que não me era familiar, mas pelo menos conseguira repor as energias. Desci para a sala de jantar onde Mike e a velha senhora – era estranho mas ainda não sabia seu nome – estavam me esperando antes de começar a se servir.

A mesa estava cheia de comidas que exalavam cheiros maravilhosos, fazendo meu estômago roncar alto.

“Bom dia, querida. Dormiu bem?” perguntou a mulher sorrindo amigavelmente.

“Bom dia. Dormi sim, obrigada” puxei uma cadeira ao lado de Mike e me servi um pouco de suco no copo a minha frente.

Fazia muito tempo que não via uma mesa tão farta quanto aquela. Bolos de vários sabores, pães caseiros, geleias, manteiga, panquecas, bacon e ovos mexidos, sem contar as três opções de suco. Isso me fez lembrar de minha mãe, ela sempre fazia um café da manhã farto e maravilhoso como aquele.

“Podem se servir” falou docemente a senhora, me olhando estudar a mesa faminta.

Ao terminarmos de comer, ajudamos a tirar a coisas da mesa e levar tudo até a cozinha. A campainha tocou e a senhora – que descobri se chamar Elizabeth – foi abrir a porta, nos mandando esperar na sala de jantar novamente.

Não demorou muito para que a senhora aparecesse, seguida por um homem alto. Seus cabelos castanhos estavam desalinhados, seus olhos chocolate pareciam cansados e um sorriso encantador enfeitava seu rosto envolto por uma barba por fazer, suas roupa estavam amarrotadas por causa da viagem. Não pude me impedir de estudá-lo atentamente, ele era bonito e chamara minha atenção. Nossos olhares se encontraram, mas logo desviei o olhar, sentindo minhas bochechas corarem.

“Mike, quanto tempo” falou, indo até Mike para cumprimentá-lo com tapinhas nas costas. “E essa deve ser a Camille de quem você tanto me falou” ele caminhou até mim, pegou minha mão e a beijou como um perfeito cavalheiro do século passado. Isso me fez corar ainda mais, não sabia como reagir a esse tipo de comportamento.

“Como foi a viagem?” Mike perguntou tentando puxar assunto.

“Cansativa, mas já estou acostumado à isso” ele sorriu e me olhou “Como vocês dois estão? Mike me contou dos acontecimentos sobre seu pai... eu sinto muito” seus olhos queimavam por dentro, ambiciosos. Não soube o que responder, apenas assenti. “E os treinos, como foram? Aposto que Mike não pegou leve com você” riu baixinho.

“Foi bom, cansativo, mas vai valer a pena” ao ouvir sua pergunta soube quem ele era: o contato de Mike com o mundo sobrenatural, era ele quem arranjava novas missões e realizava os pagamentos por seus serviços. Mike parecia não ter gostado de minha resposta.

“Com certeza vai” o jeito que ele me olhava me deixada envergonhada, ele me avaliava como caçadora fisicamente e ao mesmo tempo me olhava malicioso. “Mike, poderia nos deixar a sós?” perguntou, sem tirar os olhos de mim.

Assisti Mike se levantar calmamente e sair, fechando a porta atrás de si. Não queria ficar sozinha com Dean, ele me fazia sentir insegura e desconfortável. O olhei rapidamente só para achá-lo me olhando ainda sorrindo lindamente. Ficamos um tempo em silêncio, o qual nenhum de nós ousava quebrar, mas logo essa situação se tornou incômoda. Queria desesperadamente que alguém entrasse na sala e me tirasse dali, mas sabia que isso não iria acontecer, parecia que as vontades de Dean nunca eram questionadas. Mimado, pensei, olhando-o com o canto do olho.

“Você não tem perfil de caçadora” falou ele, finalmente quebrando o silêncio constrangedor que se apossara do ambiente.

“O Mike falou isso quando começou a me treinar” falei a primeira coisa que me veio à cabeça, tentando evitar o silêncio.

“Ele também me falou que você é muito boa no que faz. Ele me contou da pequena experiência que tiveram alguns dias atrás, com o seu primeiro vampiro” comentou, não pude deixar de me sentir lisonjeada, não esperava que Mike tivesse se gabado da minha primeira excursão no mundo sobrenatural “Pelo que ele me contou você se saiu muito bem, ele nem ao menos precisou intervir. Caçadores que se saem tão bem quanto você na primeira caçada são raros de se achar” ouvir estas palavras saírem de sua boca me fez sentir confiante e orgulhosa.

“Fico feliz em saber disso” tentei parecer educada e esconder o quão orgulhosa me sentia.

“Bem, Mike é um dos melhores caçadores que tenho, se ele disse que você é muito boa caçando, me sinto na obrigação de acreditar. Estou aqui para te dar uma chance nesta vida nova que você escolheu. Se deixar, providenciarei tudo para você, só precisará se preocupar em realizar seu trabalho, não vai precisar procurar por um vampiro para exercer sua profissão. E ainda receberá uma boa quantia em dinheiro pelos seus serviços.”

“De quanto exatamente estamos falando?” não pude conter a curiosidade que se apoderava de mim, poderia fazer algo que gostava – matar vampiros – e ainda receber dinheiro por isso. Poderia ajudar Mike com as despesas da casa e com tudo mais que precisássemos.

Dean retirou uma folha de papel do bolso interior de sua jaqueta e colocou em cima da mesa, de modo que pudesse ler o que estava escrito no papel.

“Está tudo esclarecido aqui” ele indicou o papel e continuou “Tudo que precisa saber para poder trabalhar comigo está escrito aqui, assim como o que pode acontecer caso o contrato seja quebrado. Vou te deixar sozinha para que possa analisar minha proposta, quando se sentir segura quanto sua decisão me chame” ele se levantou e deixou o cômodo.

Estava finalmente sozinha com meus pensamentos. Tudo o que aquele homem dissera havia me impressionado. Decidi que era melhor analisar a proposta o quanto antes, queria ir para casa o mais rápido possível.

O salário era bom, mais do que estava esperando, mas algumas partes do contrato me deixaram um pouco nervosa. Viver em cidades diferentes era uma grande possibilidade que vinha junto com a minha nova profissão, Mike me avisara disso, e D iria pagar todas as despesas da missão, o que era bom, mas não sabia se me mudar frequentemente seria algo interessante, não poderia ver meu irmão e não queria que isso acontecesse.

Mas era a quebra do contrato me preocupava. O contrato apenas dizia que se isso acontecesse haveriam consequências que seriam escolhidas pelo Dean. Não sabia o que essas consequências poderiam significar, não o conhecia para tentar imaginar essas supostas consequências, mas não me importava, não quebraria o contrato, adorava a ideia de poder vingar a morte de meu pai matando diversos vampiros de formas diferentes. Estava começando a gostar de matá-los, ver o sofrimento em seus olhos, a dor e a surpresa ao perceberem que não era apenas mais uma garota ingênua que eles matariam para saciar a fome.

Dei mais uma lida no contrato antes de assiná-lo. D não demorou muito para voltar. Ao ver o contrato assinado sorriu lindamente, ele tinha o tipo de sorriso que faria qualquer garota hiperventilar, mas eu não era uma garota normal, seu sorriso não exercia o mesmo efeito sobre mim.

“Fico feliz em dizer que tenho você no meu time de caçadores” sorriu, guardando o papel em seu bolso.

“Você não devia andar na floresta sozinha” sua voz me fez voltar à realidade. Meu coração acelerou ao ouvir sua voz sedosa e melodiosa, não precisava olhar para trás para saber quem era, sua voz era única. “Eu sou a criatura mais amigável que habita essas florestas, tem que tomar cuidado”

“Precisava pensar um pouco” respondi, ainda deitada na relva macia da campina observando as nuvens brancas e fofas que ilustravam o céu azul.

“Aqui é um ótimo lugar para pensar, não é?” percebi que ele se deitava ao meu lado, estudando minha expressão.

“É calmo, o tipo de lugar que precisava para pensar. Eu não devia ter te contado tudo aquilo ontem” falei sem pensar, era algo que não podia evitar quando estava perto dele.

“Tenho que admitir que fiquei um pouco magoado ao saber o que você era e por que estava na cidade, mas depois que você falou o que sente por mim, tudo isso se esvaiu. Você não imagina como eu fiquei feliz ao ouvir você dizer o que sente por mim ontem”

“Ter te contado tudo isso te põem em perigo. Não é certo” sentia meu coração apertar ao falar estas palavras, eu o colocara em perigo, não podia negar isso, mas ouvi-las em minha voz era ainda mais doloroso do que o pensamento.

“Não se preocupe, sei me cuidar” sorriu, virando de lado para poder me olhar melhor. Sua proximidade fez meu coração disparar. Ainda não estava acostumada com sua beleza.

Suspirei, não sabia o que dizer, me sentia péssima por causa disso. Ficamos em silêncio por alguns segundos, mas não era algo incômodo, só o fato de ele estar ali suprimia a necessidade de palavras. Ele ainda me olhava com uma expressão que entendi como desejo, isso me fez sorrir. Tinha lutado muito com o fato de ele ser um vampiro, mas sabia que o amor que sentia por ele era muito maior que o ódio que sentia pela espécie. Ouvi-lo contar como se sentia sendo o que era, a luta que ele teve que enfrentar vendo pessoas inocentes morrendo em seus braços para que ele se mantivesse vivo me fez mudar de opinião quanto a ele. Ele até podia ser um vampiro, mas ele lutava para não ser um monstro como tantos outros que eu havia conhecido eram e isso me fazia amá-lo ainda mais.

Tinha finalmente me decidido que viveria esse amor se ele me aceitasse mesmo sendo uma caçadora. Tinha algo naquela campina e no som da cachoeira que me fazia pensar mais claramente e foi assim que consegui abrir meus olhos para todas as possibilidades. Deixar Mark por ele ser o que era seria uma das opções, mas não conseguia ficar longe dele por muito tempo. A outra opção seria aceitar o que ele era e dar uma chance ao amor que sentíamos um pelo outro, a única opção que aceitaria no momento.

“Sabe, eu tava pensando” falei, chamando sua atenção novamente.

“Sim...” me encorajou. Desviei o olhar, sentindo meu rosto quente, podia jurar que estava corando.

“Eu não me importo mais com o que você é” tentei falar sem olhá-lo, mas não consegui impedir meus olhos de procurem por seu olhar “Não me importa que você seja um vampiro, meu inimigo natural, eu sei que não vai machucar ninguém, sei que você luta para não ser o monstro que acha que é” ele me olhava boquiaberto, o peguei de surpresa com minhas palavras. Sorri ao vê-lo assim tão vulnerável “O que eu sinto por você é maior do que o que eu sinto pelo que você é, não me importo que você seja um vampiro.”

Ele não falou nada, apenas continuou me olhando impressionado. Os segundos passaram e sua expressão não mudara. Estava começando a ficar preocupada, talvez ele mudara de ideia quanto a mim durante o tempo que passara indecisa, mesmo tendo sindo um curto período de tempo.

“Fala alguma coisa” supliquei.

“Eu não sei o que dizer, estou impressionado que você tenha chego a uma conclusão tão rápido”

“Esse lugar é mágico” falei, dando a entender que fora aquele lugar que me fez decidir tão rapidamente. Ele riu.

“Você sabe que eu te amo, não importa o que você seja” falou, olhando-me intensamente, sua expressão mostrava o desejo que sentia. Isso me fez sorrir, me sentia extremamente bem. O amava e era igualmente correspondida.

Vi seu olhar deixar meus olhos, em direção aos meus lábios enquanto passava um braço pela minha cintura. Ele aproximava seu rosto do meu cauteloso, me dando uma chance de fugir dele caso quisesse. Coloquei minhas mãos em seu pescoço e puxei seu rosto para mais perto do meu, fazendo com que nossos lábio finalmente se tocassem. Esperara por esse momento durante um longo tempo e finalmente estávamos ali, juntos, deitados na relva macia da campina com o som da cachoeira deixando a atmosfera do momento romântica e confortável.

Logo nossos beijos se tornaram ardentes e famintos, ambos ansiando por mais. O peso de seu corpo sobre o meu era confortável, o calor de nossos corpos entrelaçados nos tornando um só. Sua língua explorava minha boca enquanto sua mão acariciava meu corpo, explorando-o e desarrumando meu vestido branco. Passei a mão por debaixo de sua camiseta, sentindo os músculos definidos de sua barriga. Seus lábios se distanciaram dos meus e começaram a fazer uma trilha de beijos pelo meu pescoço, mas logo voltaram a se juntar aos meus em um beijo abrasador.

Ele rolou para o lado, estávamos ambos ofegantes.

“Rápido demais” falou ele, de olhos fechados sorrindo.

Não podia reprimir o sorriso que se formava em meus lábios. Estava me sentindo feliz e tinha algo a mais nisso tudo, mas não entendia o que era, um sentimento que nunca sentira em toda a minha vida.

Mark me puxou para mais perto de seu corpo, fazendo-me recostar a cabeça em seu peito. Seus braços envolviam minha cintura dominadores, me prendendo ali ao seu lado. Ficamos em silêncio, esperando nossos corações voltarem ao ritmo normal.

Nessa hora entendi o que sentia, entendi o que era aquele sentimento que estava tomando conta de meu corpo. Além de toda a felicidade que me consumia, existia um sentimento de conforto, como se eu pertencesse àquele lugar.

Ali, abraçada a ele era meu lugar, o lugar no qual me sentia completa, no qual me sentia realmente bem e feliz.

Perceber isso me fez sorrir, sentia que meu coração estava prestes a explodir de felicidade.

Era ali, seus braços eram o lugar que tanto queria achar, o lugar no qual me encaixava, no qual me sentia amada, o lugar que pelo qual sempre busquei.

Notas finais
O que acharam? Já sabem qual é o mistério do qual falei na introdução?
Reviews são bem vindas...
Beijinhos e até o próximo capítulo...