A Busca Continua

12 Com O Inimigo À Porta


Primeiro ele correu dali, deixando a recepção e voltando ao saguão de entrada da delegacia. Lá, estava tão vazio quanto estivera assim que eles entraram, e também tão escuro. A fonte continuava como sempre estivera, assim como todos os demais objetos e portas fechadas. Ainda assim, Ricardo sentia que devia estar com medo, mesmo que tudo estivesse nos conformes. Era impossível não ficar paranóico depois de passar pelo que acabara de passar.

Não muito distante da porta por onde ele saíra, seus olhos – agora acostumados com a escuridão – encontraram outra porta, que muito provavelmente levaria a novas salas que em algum momento desembocariam no novo local onde Carlos estaria. Sem hesitar, Ricardo correu até essa porta e girou a maçaneta. O trinco não cedeu, a porta estava trancada. Sentiu-se decepcionado e de certa forma enraivecido, pensando que o destino estava tentando pegar uma peça nele, e até murmurou alguns palavrões por isso. Em seguida, refletiu sobre a possibilidade de arrebentar a porta, assim como fizera Kevin para que pudessem entrar na delegacia.

- Não seja idiota, Ricardo! – Ricardo disse para si. – Você está velho e mesmo assim nunca teve preparação física suficiente para isso!

Decidiu optar por outro caminho.

Na parede oposta a que ele estava mais próximo, havia mais duas portas. Alguma delas certamente que estaria destrancada, Ricardo sabia, mas nem por isso ele achou uma boa ideia entrar por elas. Tinha a impressão de que tais passagens o levariam por caminhos ainda mais distantes da companhia de Carlos, que era policial e que sabia como se virar bem em situações de perigo, então percebeu que não estaria fazendo uma boa escolha se seguisse naquela direção.

Olhou para a esquerda e notou as escadarias que levavam para os andares superiores.

Ricardo não estava tão certo de que houvesse algum caminho pelo primeiro andar que pudesse levá-lo ao encontro de Carlos, mas aquela hipótese era melhor do que nenhuma. Passar pelos zumbis e correr o risco de se tornar um deles não era uma opção, então ele devia fazer o caminho que fosse mais seguro, e certamente que o primeiro andar era bem mais seguro do que qualquer corredor preenchido de janelas do andar térreo.

Ricardo acordou de seu devaneio assim que batidas secas e fortes foram ouvidas, vindas de uma das portas pelas quais ele decidira não seguir. A julgar por como eram constantes e de certa forma inumanas – se pertencessem a um humano, seriam seguidas de gritos “Socorro!”, Ricardo imaginava -, só podia significar que pertenciam a alguma outra criatura. Um zumbi, ele pensou de início, mas sacudiu a cabeça em negativa. Se fosse um zumbi, não estaria fazendo tanto barulho, foi o que imaginou. Fosse o que fosse atrás daquela porta, não devia ser algo amistoso, o que significava que ele devia fugir dali.

Mas Ricardo só fugiu mesmo quando ouviu a porta ser estraçalhada como se tivesse sido explodida. Num segundo, ele estava diante da fonte, atônito, observando a escuridão. No outro, corria com desespero pelos corredores que encontrara no primeiro andar, à esquerda, próximos de onde Carlos provavelmente estava. Se não tivesse ouvido passadas pesadas assim que decidiu seguir por aquele caminho, talvez tivesse corrido com menos empenho, mas a situação parecia exigir uma ação mais rápida e urgente, e Ricardo não se poupou de todos os esforços.

Abriu a primeira porta que encontrou e jogou-se para dentro da sala. Fechou-a e girou a chave na fechadura, mesmo sabendo que não estaria de todo seguro numa sala onde a porta era de madeira. Há uma janela aqui, ele pensou ao esquadrinhar a sala. Um salto do primeiro andar não deve ser tão nocivo.

Ele parou no centro da sala, que parecia um escritório, todo feito de madeira, com tapeçarias pelo chão e cabeças de animais presas às paredes, e tentou prestar atenção em qualquer sinal de que seu mais novo inimigo pudesse estar próximo. Por um momento, tudo o que conseguiu ouvir foi a própria respiração, mas então houve um novo som.

Ricardo franziu as sobrancelhas assim que descobriu que o que ouvia eram risadas.

Há mais alguém aqui?

Havia outra porta naquele escritório, e ela estava semi-aberta. Ricardo teria prestado atenção nela antes se não estivesse tão nervoso ao entrar. Havia luz lá dentro, mesmo que fraca. Ricardo passou os olhos ao redor, tentando achar qualquer sinal de quem pudesse estar lá dentro, e logo encontrou um par de armas em cima da única escrivaninha que havia ali e alguns suprimentos espalhados pelas demais mesas. Ele podia ter pensado que, antes mesmo de entrar na delegacia, pudesse haver mais policiais no prédio, diferente daqueles que o estavam acompanhando, mas Ricardo era esperto e não demorou a reparar que as circunstâncias em que aquele ambiente se encontrava só apontavam para uma coisa.

Jill e Kevin estavam “brincando” do outro lado da porta.

Os lábios de Ricardo formaram a palavra “vadia”, mas jamais a pronunciaram. Com discrição, ele caminhou pela sala até chegar à fresta aberta na porta. De longe, já conseguiu perceber que aquilo era um banheiro. Quando chegou perto o bastante para poder ouvir os sussurros e gemidos que aconteciam lá dentro, como se lá estivesse, conseguiu enxergar tudo o que estava acontecendo.

Jill estava nua, de costas para a perspectiva de Ricardo, e seu corpo, branco, definido, era lindo. Suas nádegas eram grandes, do jeito que homens como Ricardo sempre esperavam que suas mulheres tivessem, e seus seios, que só podiam ser vistos de relance, eram perfeitos e pontiagudos. Os cabelos louros estavam soltos, fora do comum, e ela rebolava como se dançasse para alguém que logo Ricardo conseguiu enxergar: Kevin.

Esse, também nu, estava, por sua vez, sentado e apoiado na pia. Tinha o corpo definido, marcado por músculos bem trabalhados, e quase nenhum pelo onde a vista alcançava. Seu pênis estava ereto e balançava conforme ele ria dos movimentos sensuais de Jill. Não demorou muito e começou a acariciá-lo, masturbando-se, não conseguindo conter-se diante de tamanho monumento que era Jill e seu corpo.

Eles se aproximaram e se beijaram. As mãos de Kevin não demoraram a descer para a bunda de Jill, para apertá-la. Ricardo teria feito o mesmo se estivesse lá, foi o que pensou. Depois, suas mãos se voltaram para os seios da mulher e os apertaram, alisaram, modelaram com o polegar e o indicador os mamilos rosados e pequenos. Jill não conseguia evitar os gemidos de prazer e, enquanto isso, masturbava com uma mão o pênis insistente de Kevin.

Eles se beijaram mais uma vez e então Kevin e agarrou pelas pernas, levantando-a e sentando-se na privada, deixando-a sentada em seu colo, melhorando em muita coisa a vista de Ricardo do ato sexual. Com uma mão, Kevin acariciava um seio de Jill e, com a outra, começava a abrir os lábios da vagina de Jill, que, a Ricardo, parecia frágil, delicada, mas também perfeita. Quando Kevin introduziu um dedo pela abertura, Jill gemeu de maneira estranha, falhada, porque muito provavelmente o rapaz conseguira tocá-la onde uma mulher mais desejava ser tocada. Cansada de continuar apenas naquela preliminar, ela se levantou do colo de Kevin e, quando retornou, permitiu que ele introduzisse seu pênis em sua vagina.

Ela gritou ao mesmo tempo em que Kevin gemeu. Ele, agarrado à sua cintura, e ela, segurando-o nos ombros, vez e outra alisando seu peitoral, tinham um ritmo perfeito para aquela transa. Ricardo, mordendo o lábio inferior, desejou que pudesse ser Kevin naquele momento, e seu desejo foi tanto que ele começou a acariciar o próprio pênis, colocando-o para fora da calça. Masturbou-se quase que no mesmo ritmo em que Jill subia e descia sobre Kevin.

Os seios de Jill também dançavam a dança que ela fazia, subindo e descendo. Kevin os agarrava vez e outra e só voltava a segurar o quadril da mulher quando percebia que ela podia estar saindo da posição que era confortável para ele.

Quando ela começou a fazer os movimentos mais devagar, preferindo apenas mexer-se de um lado para o outro no colo de Kevin, Ricardo percebeu que ela tinha gozado. Como Kevin não insistiu e até pareceu ficar mais relaxado, dobrando as pernas que antes estavam esticadas, era possível perceber que ele também tinha terminado por ali. Notar tudo isso fez com que Ricardo também gozasse na própria mão, o que, de um instante para outro, fez com que ele olhasse para aquilo com certa repulsa. De repente, não queria mais estar ali e continuar olhando aquilo como se fosse um profissional do voyeurismo.

Ricardo vestiu a calça e limpou as mãos nas próprias vestes antes de se dirigir à saída. Depois disso, disse um único palavrão que definia bem o que ele pensava sobre Jill depois de tê-la assistido transar com Kevin.

E foi no corredor que então ele viu o que o estivera perseguindo desde o saguão de entrada, o que fez com que percebesse que ver Jill e Kevin transarem nunca foi um problema realmente.