A Borboleta Do Vale
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Minha mãe vai casar. Até ai tudo bem, mas no dia em que o John foi á minha casa para um jantar do pessoal da Base Aérea de Kass eles disseram bem assim: "Vamos nos casar!" Nem preciso dizer como o minha cara ficou depois disso.
Meu irmão gêmeo, Liam, nem se fala. Está namorando uma guria da sala dele, Rebecca Grey ou Gray... Sei lá. Ficam pra lá e pra cá com carinhos e beijinhos e "Ah, como eu te amo" ou "Eu te amo,sabia?". É simplesmente nojento.
A minha meio irmã, Katrinn, estava tentando se aproximar de mim com um papinho de "que tal nós fazermos um almoço em família?" com aquele cabelo loiro claríssimo e oxigenado e aquele salto meia pata verde vômito. Ela tinha sido despachada do grupo de patys.
'Bem feito', penso.
Adam, para finalizar, também está namorando, mas não é uma Rebecca da vida e, sim, Lucinda White, a garota mais fofa que eu já vi. Ele sim está namorando serio, não precisa repetir inúmeras vezes que ama ela e nem ela a ele. Sinceramente, do fundo do meu coração de pedra, eu acho que eles vão se casar. Do jeito como ele se falam, sem medo ou timidez, acho que vai dar em casamento. E eu quero ser a madrinha.
Mas também tem uma coisa que torna este dia o pior de todos: estou fazendo dezessete! Eu estou quase na crise da meia idade! Dá pra entender o desespero?
Meu telefone começa a vibrar e tocar a musica do AC/DC, Highway to Hell.
Tiro o telefone do bolso e olho a tela. Clico em Ler.
Oie, meu bem. Onde você está? Venha logo pra casa, tá? Precisamos conversar! Amo você. Beijos, mamãe.
Estava obvio que não foi ela que escreveu. Ninguém pode ser tão falso como ela ao escrever uma mensagem de texto.
Eu estava no pico da montanha do Grande Parque De Kass. Ia demorar um pouco para descer, pois o caminho era meio estreito cheio de pedras. E eu estava de moto.
Caminho até a minha XJ6 F, coloco o capacete e monto-a. Lá na montanha ventava muito, então eu fui de casaco. Liguei a moto e abaixei a proteção do capacete.
Desço a montanha lentamente, não me importando com o assunto que minha mãe queria falar comigo. Ela podia me esperar... Olhei no relógio... Uns 30 minutos.
Ri. Ela ia ficar muito brava.
Ao descer a montanha sigo pela rodovia sul rumo ao norte. Quase esqueço que tinha que pegar meu presente de aniversário na casa da Eliza, minha parceira de biologia. Ficava na Daisy Street, perto do lago verde no fim da cidade.
Elizabeth Green, minha colega do colégio. Somos parceiras na aula de biologia, que por sinal eu odeio. Não somos próximas uma da outra, mas temos uma comunicação eficiente.
Estaciono no meio fio e vou até a porta, bato e espero.
Ouço vozes femininas e resolvo colar meu ouvido na porta. E quando eu ia fazê-lo, alguém abre a porta. É Eliza que abre a porta.
— Ah... Oi, Ari! — ela diz feliz. Seu cabelo vermelho está solto e seus olhos verdes brilhando muito. Ela parecia estar correndo.
— Oi, Liz. Vim aqui pelo presente. — eu digo cautelosamente, não quero que ela pense que sou extremamente mal educada.
— Oh, sim. Venha, entre. — ela convidou.
Eu entro e sussurro baixinho um obrigado.
— Minha mãe não está em casa. — ela diz.
Olho em volta. A sala parece organizada. Tem um sofá laranja, uma TV grande (que está passando How I Met Your Mother) e vários quadros pendurados nas paredes.
— Espere aqui. Vou pegar os presentes. — ela diz e corre por um corredor totalmente iluminado. Segundo depois, ela volta com duas caixas pequenas, uma verde e uma vermelha.
— Pronto aqui está. A vermelha — ela levanta a caixa. — é sua, abra quando quiser. A verde é do Lee.
— Obrigada, Eliza. Fico muito feliz. Acho que o Lee vai adorar.
— De nada.
Ela entrega- as para mim. Começo a me virar quando ela me chama.
— Ariana?
Viro.
— Sim? — ergo as sobrancelhas.
— Posso fazer um pergunta? — ela pergunta.
— Faça.
— Você, por acaso, sabe se o seu irmão está namorando? — ela encara o chão. — Quero dizer, se ele está namorando sério?
— Bem, se você considera namorar Rebecca Grey um relacionamento verdadeiro e sério, bem, então sim. Mas se não, que bom. Estou começando a gostar mais de você.
Ela ainda encarava o chão. Penso que talvez eu tenha formulado uma resposta que feriu o sentimento dela.
— Olha Liz. Eu conheço meu irmão e conheço você também. Você gosta daquele infeliz, eu entendo e até prefiro você como minha cunhada a monstra nojenta da Jéssica. — ela sorri e sussurra um 'brigada'. — Meu irmão é muito tolo para ver além das aparências. Eu vi que esse ano você mudou seu estilo e, para falar a verdade, ficou lindo. E você está mais feliz. Não quero que fique triste só porque ele não presta atenção em você. Viva, Liz, por que a vida é curta demais para você passar o tempo todo pra baixo.
— Uau, Ariana Snow falou bonito. — ela diz e bate palmas sorrindo.
— Obrigada, tenho experiência com isso desde o ano retrasado.
Ela ri.
— Bem, eu tenho que ir. Minha mãe vai me matar se não chegar lá rápido.
— Ah, sim. Então, tchau?
— Tchau, Liz. Até segunda.
Ela me abraça e dá um beijo na minha bochecha. Ela abre a porta e eu saio.
— Tchau. — eu digo pela ultima vez e caminho até a moto.
'Vish, essa noite está bem maluca. '
Volto para casa. As luzes estão apagadas.
'Mas... '
Oh, droga.
— Festa surpresa.
Como eles podem achar que eu sou burra? Eles não se lembram de quando eu tinha dez anos e disse que odiava de corpo, alma e mente festas surpresa?
Mesmo que não fosse pra mim, eu odiava. Eu tinha até escrito um bilhete no quarto da minha mãe para ela se lembrar disso.
Bem eu não tinha para onde ir. Provavelmente Adam está lá, junto com a minha mãe. Mas... E o meu irmão? Quando citei mentalmente seu nome ele apareceu no começo da rua de moto.
Coloquei minhas mãos na cintura.
— Então, pronta pra entrar e encarar a "surpresa" que não é mais surpresa?
— Humpf, como você sabe disso? Eu só descobri agora! — eu perguntei indignada. Como só fui descobrir agora?
— Ah, minha mana. Eu sou demais, coisa que você não é.
— Cala boca, idiota! Vamos acabar com isso logo.
Comecei a puxar Liam em direção à porta de casa.
— Eu percebi os sinais que mamãe deixava passar. Tipo, aquela pergunta de se eu preferia Chocolate preto ou chocolate branco, foi fácil demais. Ela deveria ter perguntado para a Beck.
— Ugh, Beck. — fingi estar vomitando.
— Cabeçona. — ele soltou no meu ouvido. — Haha, baby!
Vish, "Becky" havia tornado meu irmão num debimental.
Peguei a chave da minha bolsa e encaixei na fechadura, torci e, respirando fundo, abri a porta.
Um enorme "SURPRESA" me fez pular para trás.
Fale com o autor