A Borboleta Do Vale
2 Capítulo 2
Notas iniciais
É incrível saber que você é muito tola e ocupada para não perceber as coisas. Coisas como uma festa surpresa. Já disse que odeio festas surpresa? Sim? Pois bem, eu repito: EU ODEIO FESTAS SURPRESA!
— Então, como foi sua tarde, querida colega? — pergunta Adam.
— Humpf, não me venha com essa. Você ajudou a fazer isso, seu filho da mãe. Como pode? — pergunto alto demais. Algumas pessoas olham para mim. Fiz cara de 'o que?'. Adam me puxou para a cozinha. Não tinha ninguém importante lá para nos ouvir. Então ele começa:
— Olha a culpa não é minha. Eu até tentei fazer com que eles desistissem disso, mas o Leon colocou na cabeça da sua mãe que, talvez você gostasse de ganhar uma festa. Não fica brava, tá? Ela se esforçou muito pra arrumar esse lugar. E, alias você gosta de ganhar presente, não é?
Eu assinto.
— Ótimo, por que você ganhou vários presentes.
Agora eu sorrio. Todo mundo gosta de ganhar presente, não é? Eu sou uma delas!
— Agora, larga de ser chata e aproveita. Todo mundo sabe que você não é tímida.
— Sou sim. Odeio ser o centro das atenções, você sabe disso.
— Sei. Mas só dessa vez, anjo. Por favor. — ele me chama pelo meu segundo apelido. Seus olhos verdes claros me fitam esperando meu assentimento.
Não, não mesmo. Fico ótima quando só. Não gosto e não serei o centro das atenções.
— Ah, qual é, anjo? Faz isso por mim!? — e me olha de novo do mesmo jeito.
— Droga, como você faz isso? — eu pergunto colocando meus braços ao redor dele e abraçando-o.
— Bem sou especialista desde os cinco anos. Então... — ele arrasta a palavra. — vamos?
Assinto.
Ele pega minha mão e me leva para a festa que acontece na sala. A primeira pessoa que vejo é Liam, que está beijando a monstra.
"Ugh, que nojo, Liam." falo mentalmente para ele.
"Cale a boca, mal educada" ele devolve.
A próxima pessoa é Luce que está encostada na parede falando com as amigas, mas seus olhos fixos em alguma coisa. Segui seu olhar e acabei olhando a minha mão entrelaçada com a de Adam.
"Ad, solta minha mão."
"Por quê?" ele pergunta e olha para mim.
"Luce."
Quando falo seu nome, ele olha para ela e solta minha mão.
Ciúmes, conheço bem esse sentimento.
Viro as costas para eles, estou muito encabulada. Sinto meu rosto queimar. Vejo Miles, meu primo trazendo uma Coca para mim.
Ele me entrega.
— Valeu cara. Preciso de algo para me refrescar.
— De nada, garota. Às vezes não te entendo. Este lugar está congelando e, minha nossa, você está parecendo um pimentão ambulante.
— Droga, Miles, valeu por me dizer isso.
— Vem, vamos andar. Tem que conhecer a namorada do meu pai. Ela é linda.
E é mesmo. Mas eu não me importava. Queria saber sobre Luce e Adam. E rápido. Eles desapareceram de dentro da casa.
Eu e a namorada do meu tio estamos conversando.
— Desculpe interromper, mas — Markos, meu tio, aparece depois de ter recebido um telefonema. Ele olha para Camille, sua namorada. — Cam, nós temos que ir. Temos uma reunião agora.
— E eu? — Miles pergunta apontado para si mesmo.
— Pode dormir aqui, se quiser. Agora vamos, Cam.
— Tchau, Ariana. Foi um prazer conhecer minha futura sobrinha.
Eu rio.
— O prazer é meu. Tchau.
Despediram-se de minha mãe e outros convidados.
Quando eu vejo minha mãe quase engasgo.
— Miles, oi. — ela diz se aproximando. — Preciso falar com minha filha. A sós.
— Ah, sim, senhora. Já vou. — ele diz e se aproxima do meu ouvido. — Boa sorte, prima. — sussurra.
"Valeu. Ajudou muito, hein?" solto mentalmente.
Observo ele sair em direção à cozinha.
— Então — ela começou chamando minha atenção. — está se divertindo?
— Huhum, estou.
— Que bom. Você já falou com Kate?
— Kate? Não. Nem vi.
— Bem, ela está bem ali com Leon. — ela aponta para perto dos sofás.
— Hum, valeu. Mas tenho tempo suficiente para fazer isso amanhã.
Ficamos alguns minutos em silêncio olhando em volta até Leon vir até nós.
— Ariana, — a voz grossa e autoritária soa perto de mim. — está gostando da festa?
— Sim, estou.
— Que bom. Falou com sua irmã? — ele pergunta naturalmente. Eu sei do que ele está falando, mas prefiro ignorar.
— Quem? Não tenho irmã. — eu digo.
— Olha, Ariana -
Eu o interrompi.
— Não, capitão, olhe aqui você. Você não é meu parente, não conheço você. Não sei o que faz. Problema seu se sabe o que faço, mas não me venha com essa de irmã, está bem? Não obedeço a suas ordens.
— Obedece, sim. Sou seu pai.
— Não ouse falar que é meu pai, entendeu? E Lauren — olho para ela. Esta me fita perplexa. — não ouse falar que é minha mãe.
Viro as costas para ambos não acreditando ter dito aquilo. Ambos tentam me chamar, mas finjo que não estou ouvindo. Vou para a cozinha e começo a procurar algo para comer. Acho um cupcake bem no fundo da geladeira e resolvo devora-lo não me importando de quem era. Tem gosto de cereja.
Eu estou encostada na pia olhando pela janela e pensando em nada quando ouço Adam me chamando.
— Ariana?
Viro-me. Vejo Adam na porta da cozinha me olhando.
— O que? — pergunto grosseiramente.
— Nada. Você está bem? Vi você saindo bufando de lá...
— Ah, eu estou bem. É só que — pauso, fecho os olhos e respiro fundo. — droga, merda, filho da puta. Ah, eu me odeio e odeio a minha vida.
— Hey, fica calma. — ele diz.
Encaro-o.
— Calma? Você está brincando, né? — levanto as sobrancelhas para ele. — Acabo de gritar com os meus "pais" e você diz "hey, Ariana, fica calma enquanto eu engulo a minha namorada ali no canto". Ah, por favor.
Termino de falar e olho em seus olhos. Penso que ele vai gritar comigo e me mandar ir para o meu quarto, mas o que ele faz é rir. Não tipo risinho de lado, mas uma enorme gargalhada.
— "Enquanto eu engulo minha namorada ali no canto"? De onde tirou isso?
— Sei lá. — dou de ombros. — Do que você está rindo?
— De você e da sua cara.
— Nossa que reconfortante, Adam. Sério. O melhor amigo que eu já tive. — bufo, e lavo minhas mãos na torneira. — Vocês que se divirtam na sua festinha ai, eu vou dormir por que amanhã é domingo e eu não quero fazer mais nada.
Passo por Adam que me olha estático. Caminho entre a multidão de pessoas desconhecidas (a maioria deve ser colega de Leon) que insistem em tentar derramar cerveja na minha roupa. Subo as escadas e vou para o meu quarto, o ultimo do corredor. Entro e tranco a porta. Olho para os lados procurando algo para me apoiar antes de cair no chão com meus olhos jorrando lágrimas.
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