A Beautiful Lie

9 Cap. 8 - Arrependimentos?


Notas iniciais
Oi, Oi, Oiiiiii, demorei pra caramba, admito. Mas meu tempo esses dias foi muito curto. Entrava no pc pra resolver problemas e surgiam vários outros no lugar :/
Leitoras novas, sejam bem-vindas: imy e Loire Caroline
Entãooo, espero que gostem desse cap. O começo vai parecer confuso, mas vcs vão entender ;) e esse cap se passa 3 meses dps ok?
Bem, eu sou muito ruim escrevendo na terceira pessoa, então, espero que não tenha ficado muito ruim dessa vez D:
Enjoy ^^

A menina se abaixou mais dentro do grande baú, enquanto via a mãe entrar no quarto a procurando.

-Mione, vamos, apareça. –a mãe colocou uma mão na cintura e outra em seu avental enquanto a menina levava uma mão a boca e a cobria para abafar seus risos. –Sua garota danada, não pense que só porque não estou a encontrando vou esquecer-me de lhe dar um banho!

A mulher se abaixou perto da cama e ergueu o lençol que a cobria, fazendo um som engraçado com a boca como se esperasse encontrar a criança lá. Ela se sentou na cama, parecendo cansada enquanto passava as mãos no rosto.

-Hermione, por Deus, apareça. Seja uma boa menina e venha para que eu possa lhe dar um banho...

A menina queria brincar mais um pouco, no entanto, a mãe não parecia tão feliz com a ideia. Lentamente, ela abriu completamente o baú velho e abriu os braços, enquanto gritava como se fosse um fantasma e fosse assustar a mãe.

Jean sorriu assim que a viu e foi até a filha, a tirando completamente do baú e a pegando em seus braços. Balançou seus cabelos desarrumados.

-Vamos arrumar você sua porquinha.

Enquanto a mãe dava banho na menina, Mione olhava para a janela que mostrava um céu nublado. Sua cabeça ia para frente e para trás enquanto a mãe lutava para desembaraçar todo o seu cabelo.

-Deus Mione, por acaso passou cola em seu cabelo?! – a mãe perguntou, enquanto continuava tentando desembaraçar os fios castanhos.

A menina riu enquanto deixava o senhor Eliot— seu boneco feito de borracha — flutuar na água.

- Rony me disse que iria sair mamãe. – respondeu se lembrando do irmão mais novo do jardineiro que havia ido embora aquela tarde. Ele havia ido apenas passar a temporada de féria, haviam lhe contado. De qualquer forma, Hermione ansiava para as próximas férias em que poderia vê-lo novamente.

-Você e Rony são dois porcalhões! Onde já se viu fazerem tal coisa? São dois maluquinhos mesmo!

A menina riu novamente, mas parou dando um gemido de dor quando a mãe passou o pente com demasiada força entre seus cabelos.

Depois de mais alguns minutos de trabalho duro, o cabelo de Hermione ficou preso em duas tranças de lado, com fitas coloridas nas pontas. Ela não gostava, mas a mãe disse que a deixava como Rapunzel, e, como em todas as vezes que isso acontecia, a menina pediu para a mãe novamente ler o livro para ela dormir.

-É só um pouquinho mamãe. – ela disse quando a mãe se negou. – E eu prometo que durmo rapidinho assim.

-Tudo bem, mas prometa que está será a ultima vez. Está grande demais para dormir ouvindo histórias. – ela disse puxando uma cadeira e já com o livro em mãos

A verdade era que mesmo ela já sabendo ler, adorava quando a mãe o fazia. Principalmente quando ela mudava sua voz e fazia todos os seus sons preferidos. A primeira página mal havia sido virada quando um homem entrou no quarto de decoração rosa, não que essa fosse a cor preferida de Mione, mas era a que a mãe mais gostava.

-Jean, pode vir aqui um momento?

Mione moveu a cabeça para onde vinha o som da voz e rapidamente voltou seu olhar para a mãe que parecia estar um pouco incomodada. Ela não gostava do homem parado a porta. Odiava seu longo cabelo branco. Ela e Rony costumavam compará-lo a crina de um cavalo.

-Desculpe. –Jane disse gaguejando e dando um leve aperto na mão da filha. -, mas eu estou com a Mione e meu horário de trabalho-

-Estou lhe esperando em meu escritório. –falou já se virando.

Jean soltou um suspiro pesado e olhou para a filha, que a encarava com interesse.

-Eu volto já e termino de ler. –falou se levantando e dando um beijo na testa da filha. –Não saia daqui! –alertou.

Mione assentiu, olhando para a gravura do livro, no entanto, assim que notou que a mãe estava demorando um bocado para voltar, saiu de sua cama e calçou os chinelos. Ela saiu do quarto e desceu às escadas a procura da mãe. Suzann que estava sentada ao sofá não notou quando a menina saiu da casa e se dirigiu para a mansão.

O vento chicoteava seu rosto, e congelava o corpo de Mione. Somente quando ela chegou ao lado de fora pensou que deveria ter colocado um casaco antes. Os pés calçados afundavam na grama molhada e dava uma sensação estranha nela, como se tudo fosse agarrar seu pé. Quando finalmente chegou às escadas e abriu as pesadas portas duplas, um calor a atingiu. Viu a lareira acesa e um garotinho de cabelos brancos como os do pai deitado perto dela, de barriga para cima e com um livro em mãos.

Hermione sorriu para ele, mas Draco apenas ignorou, lhe dando um olhar arrogante. Hermione olhou pela enorme sala, procurando pela mãe ou alguém mais educado que Draco.

Quando começou a caminhar em direção a escada que levava ao segundo andar da enorme casa, parou, ao ouvir resquícios de conversa. Parecia a voz de sua mãe. Ela seguiu o som, temendo que a mãe brigasse com ela por desobedecê-la.

-Eu não faria isso, se fosse você. – Draco disse atrás dela, fazendo Hermione quase pular de susto.

Ela olhou para o garoto, o rosto ficando tão vermelho quanto um tomate.

-Volte para o seu quarto! Não há nada para ver.

No mesmo instante em que as palavras de Draco saíram de sua boca, barulhos estranhos vieram do corredor que Hermione queria seguir. Ela já os havia ouvido antes, alguns dias atrás, quando Lúcius havia chamado sua mãe para uma reunião na conzinha, a qual Hermione foi proibida de entrar.

Draco segurou seu braço assim que a menina fez menção de continuar andando.

-Disse para voltar ao seu quarto, Granger.

Ela puxou seu braço em um solavanco e ignorou as palavras do menino, seguindo pelo longo corredor.

Parou em frente à porta da dispensa, de onde vinha o som. Ela olhou para onde Draco permanecia parado, este tinha as mãos dentro dos bolsos da calça do pijama azul. Ele olhou para Hermione, estava com medo de que o pai lhe castigasse por não seguir suas ordens. Ele disse para o filho manter qualquer um longe dali. Mas até mesmo ele sabia o que acontecia ali e estava farto daquilo.

Erguendo a mão, Mione girou a maçaneta com força e abriu a porta. Fora então que tudo mudou.

~*~POV – Hermione Granger~*~

Eu ofeguei enquanto me curvava em minha cama. Puxava o ar com força tentando me acalmar e mostrar para mim mesma que havia sido apenas um sonho. Não iria acontecer novamente, não iria...

Eu olhei para o relógio no criado mudo. Marcavam exatamente seis horas. Eu ainda tinha algum tempo até ter que ir trabalhar, mas sabia que em breve Gina passaria aqui, como havia prometido. Apesar de ter dormindo um bom tempo, eu não me sentia descansada. Mais uma noite mal dormida, atormentada por pesadelos. Tudo começara quando me lembrei do que havia acontecido anos atrás. Mas algo estava diferente. Quando eu abri a porta, eu não encontrei aquele monstro machucando minha mãe enquanto ela lhe implorava para que parasse. Eu vi... Eu mesma! A sensação foi a mais estranha possível. Ver o Malfoy e eu ali, subjugada, era como reviver tudo novamente.

Eu caminhei até o banheiro, jogando um pouco de água no rosto. Encarei meu reflexo no espelho. Meu cabelo estava uma total bagunça. Eu ouvi tocarem a campainha e sequei meu rosto com uma toalha enquanto ia até a porta.

Gina estava em minha frente completamente vestida com seu conjunto composto por uma saia social de risca preta e uma blusa branca com um blazer preto por cima. Ela sorriu.

-Achei que você já estaria pronta.

-Desculpa Gina, eu vou apenas tomar um banho rápido e então vamos, tudo bem? – perguntei.

Ela assentiu e eu dei espaço para ela entrar.

-Gostei do que fez com as fotos. –ela disse parando no meio da sala e vendo os porta-retratos arrumados em ordem crescente. Todas elas estampavam o rosto meu e da minha mãe. Foi uma das poucas formas que eu achei de me ver sempre perto dela enquanto não podia visitá-la sempre, mesmo a tendo visto ontem, quando consegui pegar alguns dias de folga.

Deixei Gina na sala e fui tomar um banho. Gina Weasley era alguns anos mais nova do que eu e filha de uma amiga da minha mãe e ela havia nos ajudado quando começamos uma nova vida. Eu peguei todo o dinheiro que havia economizado enquanto morava naquele lugar e comprei uma casa, que coincidentemente acabou sendo no mesmo bairro que os Weasleys. Eu conhecia Molly, a mãe de Gina, desde a época em que Rony havia ido passar as férias com seu irmão, que também trabalhava para os Malfoys. Eles eram boas pessoas e eu confiava neles. Realmente. Tanto que eles eram os únicos a saber da minha atual situação. Eles não sabiam do que havia acontecido meses atrás ou do porquê de subitamente eu ter saído daquela casa junto com a minha mãe. Mas eles sabiam sobre a vida que crescia dentro de mim há três meses. Um filho que eu certamente não queria.

Eu descobri sobre isso apenas um mês atrás, quando inexplicavelmente tudo o que entrava pela minha boca rapidamente fazia o caminho de volta. Não posso dizer que me senti feliz. Queria ter filhos — não que tivesse pensado muitas vezes sobre isso —, mas certamente não daquela forma. Certamente não dele. Eu havia dito a todos eles que era de um ex-namorado, tendo vergonha de admitir o que realmente havia acontecido. Ainda não sabia o que faria com aquela criança quando ela nascesse. Mesmo sendo indesejada, ainda era uma vida. Queria que minha mãe estivesse aqui e me dissesse que tudo iria ficar bem. Isso não iria acontecer. Não enquanto ela continuasse internada em um hospital lutando pela vida.

Eu terminei meu banho e coloquei um vestido preto soltinho, que não marcava muito meu corpo. Meu ventre estava levemente arredondado, e qualquer um que passasse a mão em minha barriga iria perceber no mesmo instante o que estava acontecendo. Eu suspirei, pensando no que faria quando todos descobrissem e as perguntas começassem.

Eu prendi meu cabelo em um coque alto. Simples e útil. Calcei um par de sandálias não muito altas e peguei minha bolsa junto com todas as pastas e manuscritos que eu sabia que precisaria. Encontrei Gina na sala e saímos de casa. Fomos em seu carro até a editora, já que trabalhávamos no mesmo local. Assim que chegamos, eu me despedi de Gina e cada uma foi para seu setor. Ela estava fazendo um estágio para a faculdade e eu secretária do Sr. Potter, dono da editora. Ele havia assumido o comando quando seu tio teve alguns problemas pessoais e não pode mais fazê-lo, Gina me disse uma vez.

Eu não o conhecia muito bem, já que nosso contato era apenas profissional, mas ele realmente me pareceu ser uma pessoa legal, Principalmente depois de como eu escutei Gina falar dele durante boas horas.

Antes de ir falar com o senhor Potter passei em meu gabinete e deixei minhas coisas lá. Assim que eu pus meus pés em sua sala, ele ergueu seus olhos da pilha de papeis a sua frente. Ele pareceu aliviado e se levantou no mesmo instante, arrumando os óculos que já estavam até mesmo um pouco embaçados.

-Senhorita Granger. – falou como se não me visse há anos. – Não sabe como eu senti sua falta. O telefone não para de tocar. Os leitores não param de mandar e-mails perguntando sobre quando vamos lançar outro livro de Jane Leroy e eu...

-Entendi. –falei o interrompendo antes que ele realmente pirasse. – Pode deixar comigo. Eu mando publicarem alguma coisa no site oficial. Tem uma reunião agendada amanhã para vermos alguns esboços dela, nada oficial. E você também tem uma reunião em meia hora com um escritor interessado em... Eu vou remarcar. –falei quando vi sua cara de cansado.

-Obrigado. – agradeceu voltando para trás da pilha de papeis. Eu comecei a recolhe-los rapidamente, sabendo que metade daquilo não era nada com o que ele deveria lidar. – O que está fazendo?

-Meu trabalho, — falei equilibrando os papeis nos braços. O senhor Potter agradeceu e eu continuei seguindo meu caminho até a porta. Quando cheguei ao meu gabinete comecei a arrumar tudo por ordem de prioridade.

Eu havia tirado somente um final de semana de folga para poder visitar minha mãe que estava no hospital e quando eu volto parece que se passaram anos.

-Como está sua mãe?

Eu quase pulei de susto quando escutei uma voz atrás de mim falar.

-Desculpe se te assustei. – Rony falou aparecendo em meu campo de visão e sorrindo para mim. Eu sorri de volta e voltei minha atenção para os papeis a minha frente.

-Melhor, mais alguns dias de tratamento e ela poderá ir pra casa.

-Bom. –ele falou e eu ergui meu olhar para ele. – Vai fazer algo hoje à noite?

-Não, eu vou apena... – eu me calei, pensando bem no que eu diria. Não iria encorajar Rony sabendo o que ele esperava de um encontro. – Desculpe, na verdade eu marquei com alguns amigos de irmos a um barzinho. –falei e logo me arrependi do que eu disse, a nota de mentira em minha voz estava explícita até mesmo para mim.

Não que eu não gostasse de Rony, ele era um amigo de infância e somente. Ele era o garoto que jogava lama em meu já bagunçado cabelo enquanto corríamos na floresta fingindo que havia monstros atrás de nós. O único sentimento que nutria por ele era de uma amizade, mas recentemente ele andou tendo certas ações que não condiziam com o que eu queria. Então, nada mais justo, simples e melhor — para ambos — do que eu mesma não lhe dar esperanças agora. Eu fiquei um pouco surpresa quando ele disse a alguns dias que eu precisaria de alguém para me ajudar a criar meu filho e foi isso o que me fez tentar afastá-lo. Talvez isso também tivesse a ver com o fato de eu não ter certeza se estava pronta para me envolver com alguém depois do que houve, mas eu também não queria pensar sobre isso no momento.

-Quais amigos? – Rony perguntou desconfiado, me trazendo de volta para minha desculpa medíocre, como se estivesse incrédulo

-Amigos, Ronald! –falei ficando irritada. – Você não tem que conversar com o senhor Potter agora? –perguntei querendo logo me ver sozinha. Tanto pelas investidas de Ron quanto pelo trabalho que eu teria pela frente, e eu preferia fazê-lo sozinha.

-Claro, claro. –falou ainda me lançado aquele olhar desconfiado. – Até o almoço Mione. –falou fazendo um sinal com a mão enquanto entrava na sala que eu tinha saído há pouco tempo.

Eu olhei para a minha mesa e soltei um suspiro pesado. Nada de almoço para mim enquanto eu não colocasse o serviço em dia. E eu realmente me neguei a sair quando Gina veio me chamar para descer até o restaurante com ela. Quando eu aleguei ter muito que fazer ela disse que eu não deveria trabalhar daquela forma na minha "situação", mas ficou calada assim que o senhor Potter — que mais uma vez me disse para chamá-lo de Harry — disse que queria lhe mostrar algo e ela o seguiu, dizendo para mim que me veria depois.

Quando meu estomago roncou e eu em uma tentativa para iludir meu estomago tomei um pouco de café. Eu me odiei por nunca conseguir fazer algo antes de terminar o que quer que tenha que ser feito.

Mas eu não tinha do que reclamar no momento. Eu estava bem e minha mãe melhorando cada vez mais. Trabalhar me fazia esquecer as coisas. Esquecer ele e o que havia acontecido. Somente havia uma coisa em que eu passava praticamente todo o meu tempo pensando: a vida que crescia a cada dia dentro de mim. Isso consumia noites e dias meus. Todos os pensamentos direcionados para o que eu faria quando todos descobrissem. Eu sabia que vivíamos em pleno século 21, mas mesmo assim somente o pensamento de alguém me olhar diferente por estar grávida sem ter um marido me assombrava. E consequentemente, quando eu pensava nisso, eu me lembrava dele.

Eu balancei a cabeça, tentando me forçar a parar de pensar naquilo.

- É passado Hermione, — eu disse para mim mesma. – Pare de pensar nisso, não voltará a acontecer.

Eu voltei para o trabalho, sabendo que essa era minha vida, não a que eu tinha naquele lugar com a minha mãe. Apenas o agora importava. Mas mesmo assim, alguma coisa dentro de mim se agitava sempre que eu me lembrava daquilo. Talvez arrependimento por saber que eu havia me vendido daquela forma. Arrependida por não ser corajosa por mim mesma.

Notas finais
Vou responder os reviews daqui a pouco ;)
Muito, muito obrigada msm por eles.
Ahhh, e quero tods os leitores comentando nesse, nem q seja com um "to aqui". Nada de fantasminhas u_u
Bjs e té a proxima ^^