A Beautiful Lie

53 Cap. 52 – Reencontro Atroz


Notas iniciais
*0* Co-autora aqui, primeira vez que posto como eu mesma (avá?)Como vocês estão?? #semvácuo
Esse capitulo está cheio de surpresas vocês vão amar, pq bem Wys é uma excelente autora né u.u (eu acho u.u)
Enfim, espero que gostem mesmo u.u

POV DRACO MALFOY

Eu sequei meu rosto antes de seguir para a sala de espera, tirando dali todos os resquícios de lágrimas, mas eu sabia que meus olhos estavam vermelhos, denunciando que eu havia chorado.

Quando cheguei lá, Jane veio ao meu encontro.

- Elas estão bem? – perguntou preocupada.

- Alicia nasceu? – Gina também estava ali e, infelizmente, seu irmão também.

Ao canto, Susann estava segurando duas bolsas, uma de Hermione e outra de Alicia. Na pressa que saímos de casa eu havia me esquecido totalmente daquilo, e depois havia ligado para que ela levasse.

- Levaram Hermione para o quarto, mas ainda não pode receber visitas. Ela foi sedada. Alicia nasceu um pouco abaixo do peso, com 2, 800 Kg e tem 42 centímetros, mas está tudo bem – eu disse sem conseguir conter meu sorriso orgulhoso e as lembranças que vieram. Costumava pensar sobre como seria quando eu visse a minha filha, mas na realidade não chegou nem perto de como eu havia imaginado.

- Parabéns, Draco – Gina disse, sorrindo e abraçando Jane que começava a chorar.

O Weasley me surpreendeu quando me estendeu a mão, me cumprimentando como sua irmã havia feito. Ainda não havia esquecido quando ele agarrou a minha mulher, e nunca esqueceria também, mas ainda sim apertei a sua mão. De qualquer forma, eu estava com ela, não ele.

[...]

POV HERMIONE GRANGER

As vozes ao meu redor eram contidas. Até mesmo as respirações pareciam estar sendo controladas. Meu foco estava todo em Alicia, que agora estava em meus braços, dormindo.

Era a primeira vez que eu tinha algum contato com ela depois que a enfermeira a levou logo que nasceu, e nos dois dias que se passaram após isso, eu só pude vê-la através do vidro da incubadora. Verônica disse que não havia nada para me preocupar, que ela estava bem e só um pouco abaixo do peso por ter nascido antes do tempo, mas eu só acreditei quando a levaram para o meu quarto e eu pude finalmente segurá-la em meus braços.

- Não é a bebê mais linda do mundo? – Gina perguntou, ao meu lado. Ela olhava para Alicia absorta, como eu deveria estar olhando naquele momento, contemplando a minha filha. Ela estava com um macacão branco, com detalhes em lilás e uma toquinha da mesma cor, cobrindo sua cabecinha e deixando de fora apenas alguns de seus fios loirinhos e ralos. Um cobertor branco a enrolava e em seu pulso estava uma pulseirinha fina de ouro que Draco e eu havíamos comprado, no outro pulso a pulseira do hospital, com meu nome completo e o dela.

- O que mais você queria? – Draco perguntou, passando uma mão pelo rostinho de Alicia, parecendo vidrado – Eu sou o pai.

Gina bufou e minha mãe riu. Ela ainda não havia parado de chorar desde o momento que entrara no quarto e viu a neta. Eu, que não estava chorando até aquele momento, havia sucumbido às lágrimas quando ela começou a dizer que por um momento pensou que não estaria viva para ser avó.

Alguém bateu levemente na porta, antes de abri-la. Uma enfermeira entrou e me lançou um sorriso agradável.

- Está na hora da amamentação – ela disse, caminhando para perto de mim.

Eu mordi o lábio inferior, insegura.

- Vamos esperar lá fora – Gina disse, e me abraçou com cuidado por causa de Alicia que estava entre nós. Minha mãe também saiu depois de me dar um beijo na testa e dizer que estava feliz por mim.

Draco ajeitou o travesseiro que estava em minhas costas, para que eu ficasse com a postura mais ereta e se sentou em uma poltrona um pouco distante quando a enfermeira começou a falar comigo, me dando as orientações. Tive que acordar Alicia a contragosto e logo que ela pareceu desperta começou a chorar, eu a acalentei um pouco e esperei que ela parasse de chorar. Olhando para Draco, eu o vi fazendo careta com seu choro e tive que conter minha risada.

Quando Alicia se acalmou, abaixei a minha blusa, expondo meu seio. Mentiria se dissesse que não senti vergonha, porque senti e muita. Arrumei Alicia em meu colo, deixando a cabeça e o corpo alinhados, como a enfermeira tinha dito.

- Você não pode forçá-la – ela disse, segurando minha mão – Alicia tem que querer isso.

A boca dela era um pouco pequenininha, e ela demorou um pouco para pegar o bico do meu seio e quando o fez eu senti uma leve dor no local e desconforto, só então a enfermeira disse que ela devia ficar apenas com a aureola para dentro da boca e eu puxei um pouco meu seio. Senti uma sensação de alívio quando a vi mamando como uma faminta. Não foi tão difícil como eu pensei que seria.

A enfermeira saiu, dizendo que voltava em alguns minutos, e Draco continuou afastado, olhando fixamente para nós duas.

- O que foi? – eu perguntei a ele, que balançou a cabeça.

- Não é nada.

Ainda sim ele se levantou, indo até a cama e se escorando contra ela ao meu lado. Alicia continuava sugando o leite com vivacidade e eu a olhei, vendo que uma das suas mãozinhas estava sobre meu seio.

- Nunca pensei que seria possível amar outra pessoa como amo você – Draco sussurrou e eu o olhei, sorrindo.

- Mesmo?

- Uhum – ele fez, e tocou a cabecinha de Alicia, passando por seu cabelo louro claro exatamente como o dele – Está com ciúmes?

Eu ri, logo em seguida me controlando, lembrando que eu deveria estar totalmente calma naquele momento.

- Não, desta vez não – eu me inclinei um pouco, selando nossos lábios.

- Parabéns, mamãe – murmurou contra minha boca.

- Parabéns, papai.

A enfermeira voltou logo depois, me ajudando a colocar Alicia para arrotar. Draco continuava me observando daquela forma, mas não falava o que estava havendo.

- Quer pegá-la agora? – para minha surpresa, a enfermeira perguntou isso a Draco.

Ele olhou para Alicia por um bom tempo antes de responder.

- Mais tarde, talvez.

Eu franzi o cenho, confusa. Ele ainda não havia segurado a própria filha? Aquela havia sido a primeira coisa que eu quis fazer quando a vi.

- Está com medo? – eu perguntei e ele me olhou no mesmo instante.

- Claro que não! – respondeu – É só que ela é muito pequena e mole-

- Você não vai deixá-la cair, Draco – o encorajei. Ele ainda parecia hesitante, mais ainda sim estendeu os braços para pegá-la. Quando a entreguei, Draco pareceu congelado por um momento, sem saber o que fazer enquanto apenas olhava para ela – Não vai deixá-la cair – repeti.

Segundos depois, ele havia arrumado seus braços ao redor dela, segurando-a com mais cuidado. Ela se mexeu um pouco, se acomodando ali como se o espaço fosse familiar. Eu sorri. Desde quando estava na minha barriga ela gostava do toque de Draco. A primeira vez que ela havia se mexido foi por causa dele.

O seu celular começou a tocar e a expressão de Alicia se contorceu em uma careta. Ele me olhou, pedindo desculpas por aquilo e eu só balancei a mão, pegando Alicia de volta enquanto ele saia do quarto para atender a ligação.

Eu mal podia esperar para voltar para casa e levar Alicia comigo. Ela era tão quietinha e perfeita. Gostaria de dizer que ela se parecia muito comigo, mas não. Tudo lembrava muito Draco e poucas feições eram minhas. Eu me lembrei de uma vez em que estávamos abraçados no sofá e conversávamos sobre nossas expectativas. Draco sempre dizia que ela seria tão linda quanto ele. Tirando-se a parte do seu convencimento, eu tinha que admitir: era a mais pura verdade.

[..]

Quando eu estava grávida, no final, reclamava das poucas horas de sono que tinha já que ficava me remexendo na cama, sem encontrar uma boa posição ou então quando Alicia começava a chutar a noite. Aquele parecia ser seu horário predileto para fazer isso. Agora, que tudo está mais palpável, eu não tinha poucas horas de sono porque simplesmente essas horas não existiam.

Não é que eu queria fugir da minha responsabilidade como mãe, mas eu me perguntava onde estava Gina, Molly, minha mãe e todas aquelas enfermeiras que se encantaram com Alicia no hospital. Não reclamaria se uma delas resolvesse me fazer uma visita por algumas horas e então eu poderia dormir.

Eu bocejei, olhando para a minha filha que já estava dormindo e me levantei com cuidado da poltrona, a colocando em seu berço e arrumando o mosqueteiro. Fechei a porta da sacada e desliguei a caixinha de música que tocava uma melodia calma ao som de um piano. Diminuí as luzes do quarto também antes de calmamente sair dali. Escorei a porta e me encostei contra a parede ao lado, sentindo que poderia começar a dormir ali mesmo.

- Ela dormiu? – Draco perguntou parado à porta do nosso quarto e apenas de samba canção.

Eu balancei a cabeça, assentindo, andando para dentro do nosso quarto e deitando na cama. O sol já havia nascido há tempos e eu sabia que agora sim Alicia dormiria por um bom tempo.

- Talvez devêssemos colocar o berço dela aqui. Você sabe, para que você não tenha que levantar e ir até lá todas as madrugadas – me virando, eu estreitei meus olhos para ele, esperando ter um olhar mortal – Que? Ela pode se engasgar até que você chegue lá.

Eu abri a boca para discutir e dizer que eu não era a única que deveria levantar de madrugada para socorrer a nossa filha e evitar que ela se engasgasse com seu próprio choro, mas até mesmo para isso me sentia cansada. Também não era como se ele pudesse fazer isso agora. Ele estava tendo um pequeno problema com os advogados da sua tia que queriam impedi-lo de tomar posse do resto de sua herança, mesmo que Alicia já tivesse sido registrada, Draco ainda teria que entrar com um processo na justiça. Eu não podia forçá-lo a acordar de madrugada com tudo aquilo que estava acontecendo. Logo, eu também era poupada daqueles problemas já que Draco não gostava de falar sobre nada referente a aquilo comigo. Acho que isso nunca mudaria...

Talvez não fosse má ideia colocar o berço de Alicia em nosso quarto.

Soltei um suspiro, fechando meus olhos por um momento, querendo aproveitar o máximo de silêncio que eu estava tendo há quase uma semana quando me lembrei de algo.

- Vai buscar Blaise no aeroporto? – perguntei abrindo meus olhos e o procurando pelo quarto. Logo ele saiu do closet.

- Só depois do almoço – ele me lançou um olhar por cima do seu ombro – Quer ir comigo?

Eu neguei, bocejando em seguida. Nem ao menos parecia que eu estava acordada há horas.

- Esqueça. Tenho que ir a editora essa tarde e pedir minha demissão formal. Harry meio que já sabe disso, mas eu não assinei nada. Também não é justo que ele tenha que me pagar licença maternidade quando eu mal trabalhei lá.

- Você fala como se fosse muito dinheiro – Draco respondeu e então caminhou até a cama, onde eu estava, se debruçando sobre meu corpo e me beijando – Boa sorte lá – ele disse, com nossos lábios se roçando – E você sabe a quem me refiro.

Eu lhe dei um fraco tapa no ombro, de brincadeira. Eu sabia exatamente a quem ele se referia. Bem, talvez aquela implicância também não mudasse com o tempo.

Draco foi tomar banho e eu resolvi me levantar. Não adiantaria muito voltar a dormir aquela hora.

Susann já havia posto a mesa do café-da-manhã e estava conversando com um homem vestido de forma extravagante quando cheguei. Eu o reconheci de imediato, me lembrando de que havia marcado com ele naquela manhã. Quando ele me olhou, lançando um brilhante sorriso eu minha direção, eu entendi que talvez ele não me odiasse. Ou ele apenas agora era obrigado a fingir gostar de mim pela pesada mudança em meu sobrenome. Eu não era mais a noiva e Isís Maleto sabia onde estava pisando.

- Sra. Malfoy! – ele disse, se afastando de Susann e indo até onde eu estava, me dando um abraço – Está formidável com essa... – ele olhou para o meu conjunto azul, dando um sorriso que mostrava claramente que ele não havia gostado. Eu merecia um desconto por aquilo – Está formidável.

- Obrigada. – eu pensei em elogiar o seu terno completo roxo, mas achei melhor não fazê-lo – Por que não se senta e toma café-da-manhã?

- Ah, não. Eu quem vim cedo demais, desculpe por isso – falou sem tirar o grande sorriso do rosto.

De qualquer forma, ele ficou e esperamos Draco juntos, com ele me fazendo elogios a todo o momento. Eu já estava corada e sem respostas para tudo o que ele dizia quando Draco chegou e se sentou a mesa. Ele não ficou muito tempo, de qualquer forma. Quando saiu, depois de mandar Susann ir buscar sua maleta, ele me abraçou e falou ao meu ouvido:

- Não deixe que ele te engane com roupas estranhas – sussurrou e eu ri, o abraçando mais forte. Parecia fazer décadas que eu não o tocava. Mesmo que eu não quisesse, havíamos nos afastado desde que eu saíra do hospital com Alicia. Não em nos vermos ou nos falarmos, porque isso sempre acontecia, mas as carícias haviam diminuído. Draco sempre parecia estar querendo dar espaço para mim quando estava com Alicia — o que já havia se tornado frente. Eu não sabia se devia apreciar aquilo, ou me sentir rejeitada. No momento, eu estava começando a caminhar para a segunda opção.

- Eu não vou – sussurrei de volta – Ele é um bom estilista, você sabe.

Ele assentiu e depositou um beijo em minha testa antes de pegar a sua maleta que Susann segurava.

Eu dediquei aquela manhã a falar com Isís e olhar todos os desenhos que ele havia feito. Em todos eles ele tinha algum comentário importantíssimo a fazer e dizer o que realçaria em mim. Meu corpo ainda não havia voltado completamente ao normal, mas eu estava tendo uma alimentação balanceada já que eu mal tinha tempo para me exercitar.

- Esse! Esse é divino! – Isís disso, apontando para o desenho que eu segurava – Ele tem uma camada de verde mais escuro por cima e é feito de seda pura. Você pode colocar um broche aqui – ele apontou para a alça única do vestido – Realmente ficará divino em você!

Se eu fosse uma pessoa consumista, teria encomendado todos os outros quinze vestidos que ele disse que ficariam divinos em mim, mas gostei especialmente de quatro e foi os que encomendei. Em seguida, ele começou com uma nova seção sobre roupas que ele disse ficarem lindas em Alicia — sem ao menos tê-la visto.

A essas foi um pouco mais difícil de resistir, principalmente porque a cada peça que ele me mostrava eu podia ver a minha filha ali, as usando.

Em algum momento no meio de nossa conversa, eu ouvi o choro dela e fui buscá-la. As frases e o olhar de Isís ao ver minha filha encheu meu peito de orgulho. Desde a maternidade ouvia comentários sobre ela ser perfeita e linda. Era impossível não me sentir orgulhosa com aquilo, mesmo que ela se parecesse mais com o pai e a cada dia que passava essas características ficarem mais fortes, eu quem havia gerado ela.

Isís foi embora com uma expressão feliz, dizendo que ligaria em alguns dias para tirar novas medidas. Eu não gostava tanto de comprar roupas, mas precisava repor o meu guarda-roupa. As que usei enquanto gestante não eram uma opção, poucas eu ainda podia usar, e Draco também disse que eu deveria falar com Isís.

Eu tomei um banho rápido para que Alicia não tivesse que ficar muito tempo com os empregados. Eu teria uma babá, mas não tão no início. Queria aproveitar o máximo possível aquele tempo com a minha filha. Também não me sentia pronta para ver uma estranha cuidando dela.

Dei banho nela logo em seguida, escutando seu choro enquanto isso sem poder fazer nada. Ela detestava àquela hora, ao menos quando era eu quem o fazia. Com Draco era completamente diferente. Ela ficava quietinha, sem chorar nem nada, apenas olhando o pai que conversava com ela como se a mesma entendesse.

Eu arrumei sua bolsa, com fraudas e trocas de roupas e deixei Alicia com Hanna em seu quarto enquanto terminava de me arrumar. Eu estava prendendo uma gargantilha em meu pescoço quando ouvi uma voz diferente vindo do quarto de Alicia.

- Não estou lhe perguntando nada! – eu ouvi a voz feminina soar ríspida, irritada e alta o suficiente para que eu ouvisse.

Eu encontrei o fecho da gargantilha rapidamente e rumei para o quarto da minha filha, parando na porta com o pequeno susto que levei.

Bellatrix estava lá. Segurando Alicia de forma desajeitada e parecendo mantê-la longe do seu corpo. O susto durou pouco e eu logo reagi. Tinha vontade de arrancar minha filha dos seus braços, mesmo naquele momento que ela não parecia representar perigo algum, eu sentia meu peito fechado e odiei vê-la tão perto da minha filha. A expressão de repúdio em seu rosto dizia claramente que ela não estava gostando daquela situação.

- Bellatrix? – eu chamei e ela me olhou, olhando em seguida para Alicia com uma expressão surpresa e então piscando os olhos e a entregando para Hanna de volta. Eu fui até elas e peguei minha filha, sabendo que ali ela estava protegida de tudo, menos dos olhares ameaçadores que Bela sempre tinha a me ver – Draco não está aqui – disse tentando ser educada, presumindo que aquele era o assunto.

- Não vim falar com ele – disse em tom afiado e então olhou para Alicia – Queria apenas ver a garota que está carregando o nome da família Malfoy.

Eu senti vontade de recuar até que ela não pudesse mais olhar para a minha filha. Engoli em seco.

- Hm, claro. Você qu-

Ela me interrompeu.

- Não é necessário, já estou de saída – respondeu em um tom curto e grosso — Diga a Draco para que não se atrase amanhã para a sessão.

E sem dizer mais nada, ela passou por mim, saindo do quarto. Eu olhei para trás, tendo o vislumbre do seu corpo. Quem ela pensava que era para falar comigo naquele tom e em minha própria casa? Eu sabia o que ela pensava sobre mim, mas ainda sim ela devia o mínimo de respeito!

- O que ela queria? – perguntei a Hanna, que me olhava apreensiva.

- Eu não sei, senhora. Estava com Alicia quando ela chegou ao quarto e pediu para pegá-la. Não queria deixar, mas ela disse que era a filha do seu único sobrinho e eu não tinha que deixar nada – ela parecia nervosa, como se eu fosse começar a surtar a qualquer momento. Eu estava bem perto de fazer aquilo – Desculpe.

Eu soltei um suspiro, pensando que eu deveria ter uma expressão raivosa em meu rosto para Hanna me olhar nervosa. Era daquela forma que eu me sentia.

- Ela disse mais alguma coisa? Perguntou algo? – insisti. Por que ela iria querer ver Alicia? Era ela quem havia dito a Draco para que não a assumisse, dizendo que ela era ilegítima.

Hanna negou, mas então ela pareceu considerar.

- Ela disse algo sobre a senhora Malfoy, mãe de Draco, mas não entendi o que era – respondeu.

Eu assenti confusa. Hanna pediu desculpas novamente e então saiu dali. Eu peguei a bolsa de Alicia, a arrumando em meu ombro junto com a minha e desci as escadas com ela no colo.

Susann foi ao meu encontro quando me viu, aflita.

- Sobre a senhor-

- Não precisa se explicar, Susann – eu disse – Apenas não a quero aqui novamente. Não deixe que ela suba ou vá para qualquer canto da mansão se eu e Draco não estivermos presentes nessa hora.

Ela assentiu rapidamente. Eu suspirei, pensando que talvez estivesse tomando uma atitude radical demais, mas quando se tratava de Bellatrix, sempre tinha um alerta piscando acima de sua cabeça. Seus olhos em cima de mim sempre gritavam perigo, como se ela estivesse pronta para me ferir a qualquer momento. E eu sabia que estava.

Não consegui esquecer aquilo até chegar à editora para falar com Harry. Sentia-me rígida e olhando a todo o momento para o lado, como se esperasse ver Bela ali. Não havia digerido aquela visita repentina.

Alicia passou de braço em braço quando eu cheguei e eu tentei relaxar um pouco, recebendo as felicitações e respondendo as perguntas que me faziam. Ouvia todos dizendo como ela era quieta e eu me lembrava que foi assim que eu pensei quando a vi pela primeira vez... Até descobrir o quão fácil ela era de se aborrecer. Gina fez vários comentários, frisando sempre o fato de ela ser a madrinha. O batizado de Alicia seria no domingo de manhã e por isso Blás chegaria ainda naquele dia. Ela parecia já ter aceitado o fato de que eu não mudaria de ideia quanto à escolha. Draco também não insistia mais para excluir a Gina, o que não o limitava de fazer comentários maldosos.

Naquele dia almocei com Gina e Harry depois que passei no RH, assinando todos os papéis necessários. Como já esperado, Harry já havia deixado tudo pronto para que não demorasse mais do que o necessário e eu o agradeci por isso. Eu voltei para casa logo em seguida, me lembrando que tinha que recepcionar Blaise quando ele chegasse, mas quando eu cheguei, ele já estava lá, falando com Draco no escritório e de portas fechadas, segundo Susann.

Entreguei a bolsa de Alicia para ela antes de seguir para lá, batendo na porta e ouvindo um entre abafado.

Quando abri a porta, Draco estava com um charuto preso entre os dedos e o apagou logo que me viu com Alicia, abrindo as janelas atrás dele para que o ar puro entrasse.

- Estavam fumando? – eu perguntei, cética quanto aquilo.

Blás também apagou o seu charuto, embora parecesse relutante quanto a isso.

- Você sabe como é, Mione. É a legítima comemoração de quando Alicia nasceu. Era para ter sido há mais tempo, mas só agora pude vir – ele explicou, se levantando e somente quando estava pronto para me abraçar pareceu perceber que Alicia estava ali – Wow – ele fez e então me olhou, parecendo na dúvida. Eu sorri, entendendo seu pedido mudo.

- Cuidado com a minha filha – Draco disse quando eu a passei para ele, como se Blás fosse realmente deixá-la cair ou algo do tipo.

- Caramba! – ele disse abaixando o volume da voz, como se temesse assustá-la- Tem certeza que é filha de Draco? – ele disse, recebendo um tapa na cabeça por isso e eu ri – É sério, cara! Ela é adorável e você é... Você.

Eu reprimi outra risada e Draco o olhou feio e me abraçou, colocando um braço ao redor da minha cintura e me puxando mais contra ele.

Não havia como negar que Alicia era filha dele. A cor dos olhos era a mesma agora que já haviam clareado um pouco mais. O seu cabelo era fino e tinha o mesmo tom loiro bem claro. O formato da boquinha, sobrancelhas, nariz... Exatamente como ele. Até mesmo o formato dos dedinhos.

- É claro que é minha! – Draco rebateu – Hermione e eu a fizemos juntos.

Ele pareceu perceber o que havia dito no segundo seguinte a sua frase. Blás me olhou, parecendo sem graça e então abaixou o olhar para Alicia, a balançando um pouco, ainda sem jeito. Draco parecia ter congelado ao meu lado. Aquele parecia ser sempre um assunto delicado. A forma como Alicia foi concebida, eu digo. Ainda me afetava, mas não como antes. Na verdade, eu nem ao menos pensava mais naquilo. Não pensava desde o dia que havia o perdoado por tudo o que havia feito.

- Claro, mas ainda sim ela se parece mais com você do que comigo – eu disse, olhando para ele e sorrindo, esperando confortá-lo.

Draco sorriu de volta minimamente.

- E então, a ruiva com olhar assassino desistiu? – Blás perguntou e eu neguei, rindo de sua cara miserável em seguida.

- Não se importe Blás, todos sabem que os melhores presentes virão de você-Ai! – ele gemeu quando eu belisquei seu braço.

- Draco!- eu o adverti, ou ao menos tentei. Não daria em nada e eu sabia disso.

- Eu quase sinto como se quisesse ter um filho – Blás murmurou, chamando nossa atenção. Draco ergueu uma sobrancelha, parecendo divertido – Eu disse quase. – frisou.

Draco pegou Alicia depois disso, adquirindo aquele mesmo olhar bobão que tinha quando a viu pela primeira vez. Na verdade, sempre que ele a olhava parecia ser a primeira vez de tão admirado que ficava.

Eu estava sentada no braço da poltrona com Draco ao meu lado e Blás na frente, me contando sobre uma viagem que havia feito nas últimas semanas. Certa hora ele fez uma referência a uma viagem que os dois haviam feito juntos no passado e nessa hora eu pensei que Draco fosse matá-lo pela forma como ele o olhou quando Blaise começou a contar. E eu confesso que teria sido melhor que eu não tivesse tido conhecimento sobre aquilo. Mesmo que eu não o amasse naquela época e nem sonhasse que a minha vida iria dar um enorme giro, não foi legal e agradável saber das outras mulheres que Draco teve. Já era ruim o suficiente eu saber das que haviam visitado a mansão... Eu não queria saber das outras.

Blaise não ficou muito mais tempo depois de jantar com a gente. Ele disse que já havia pagado um hotel e declinou nosso convite para que ficasse na mansão e eu o entendia. Ele provavelmente já havia sido avisado do barulho que um bebê faminto na madrugada pode fazer.

[...]

Eu estava em frente ao berço de Alicia a observando dormir. Draco estava trás de mim, me abraçando e com o queixo apoiado em meu ombro. Havia acabado de amamentá-la e ela dormiu logo em seguida, nos braços de Draco enquanto ele murmurava alguma canção de ninar. Quando perguntei para ele onde havia a escutado, Draco disse que era algo que a mãe dele cantava quando ele não queria dormir. Funcionou. Alicia o olhava, segurando o dedo mindinho de Draco e parecendo prestar toda a atenção em sua voz.

- Ela vai dar trabalho quando crescer – murmurou em meu ouvido – Irei torcer para que ela seja exatamente igual a você com relação a garotos.

Eu sorri. Draco sabia exatamente que eu não era nada boa com o sexo oposto. Virei levemente minha cabeça para o lado e o olhei. Draco me beijou e eu levei minha mão para o seu cabelo, deixando que ele escorregasse entre meus dedos. Eu adorava o misto de emoções que sentia sempre que ele me tocava ou me beijava, por menor e mais rápido que fosse o gesto. Eu sempre me sentia calma e inebriada pelo momento. Sempre parecia ser uma coisa nova para mim, sempre as borboletas no estômago, aquela sensação que me fazia tremer por dentro.

Ele me virou até que eu estivesse de frente para ele e subiu uma mão pela blusa que eu usava. Alicia fez um som que nos assustou e no mesmo instante eu o soltei, olhando para ela que parecia apenas ter espirrado. Suspirei, passando uma mão pelo meu cabelo.

- Se ela chorar essa madrugada pode me chamar – ele disse, voltando a me abraçar.

Draco não levantaria de madrugada nem que um meteoro estivesse caindo em cima de nós e eu acho que meu olhar expressava exatamente isso.

- Eu vou acordar – reforçou.

Apenas assenti e então saímos dali, deixando a porta do quarto dela aberta e a do nosso também. Eu não achava a babá eletrônica assim tão confiável, sempre pensava a bateria fosse acabar durante a noite.

Deitei-me na cama, me aconchegando ao peito de Draco enquanto ele lia um livro que eu não consegui ver o título.

- Deu tudo certo hoje? – ele perguntou, mexendo em meus cabelos e sem tirar a atenção do seu livro.

Eu mordi o lábio inferior, sem saber se falava sobre a visita de Bellatrix ou não. Ele disse que não havia nada para me preocupar, não disse? Mas, de alguma forma, eu sentia meu peito pesado desde a hora que havia a visto... Como se algo de ruim fosse acontecer. Era uma sensação estranha, que estava quase me sufocando.

Demorei demais para responder e Draco percebeu que havia algo errado.

- O que foi?

Balancei a cabeça, colocando um sorriso em meu rosto.

- Nada. Deu tudo certo eu só estou... Cansada – respondi, deitando minha cabeça em seu peito e respirando fundo, inspirando seu cheiro, tentando esquecer aquilo. Não funcionou, mas Draco também não insistiu para saber.

Resolvi que não diria nada, não naquele momento. Não valia a pena enchê-lo com minhas suposições sobre algo que eu nem tinha uma base. O que eu diria? "Bellatrix é louca e sinto que ela quer fazer algo de ruim!" Aquilo era estúpido demais para todos os padrões.

Eu fechei os olhos, como se aquilo facilitasse para que eu dormisse, mas não parecia estar funcionando muito. No entanto, eu percebi que em algum momento durante minha inquietação mental, eu havia dormido, pois quando abri os olhos novamente, tudo estava escuro. Eu estava deitada de lado e sentia a respiração regular de Draco em meu pescoço. Seus dois braços estavam ao meu redor e nossas pernas entrelaçadas.

Foi então que eu ouvi um ruído vindo da babá eletrônica, baixinho, mas eu o reconheceria em qualquer lugar. Percebi que foi aquilo que me acordou.

- Draco – eu o cutuquei, mas ele nem ao menos se mexeu. Suspirei, quem disse mesmo que acordaria? Saí de seus braços e me levantei, quase caindo quando meus pés se embolaram na coberta. Praguejando baixinho eu saí dali, tateando no escuro até encontrar a porta. Graças a Deus ela estava aberta, senão bateria nela pela... O quê? Quinta vez na semana?

Caminhei até o quarto de Alicia e liguei a luz, não me sentindo acostumada o suficiente para mais uma madrugada em claro. Mas, quando eu me virei, olhando em direção ao berço, eu me senti totalmente desperta. Por que, você sabe, o pânico faz isso com você. Ele te deixa acordado e pronto para qualquer coisa. Minha respiração acelerou no compasso em que meu coração parecia querer sair pela boca e minhas pernas falharam.

- Olha só quem está aqui, Alicia – Pansy disse da sacada, olhando para mim com um sorriso infernal em sua boca manchada de batom vermelho. A escuridão da noite a rodeava de forma sobrenatural, como se ela fosse uma coisa que não deveria estar ali. E realmente não deveria – Sua mãe resolveu se juntar a nossa brincadeira.

Eu abri a boca, me sentindo incapaz de dizer qualquer coisa. Aquilo não era um sonho ou uma miragem, aquilo era meu pior pesadelo se tornando realidade bem diante dos meus olhos. Aquilo era Pansy segurando minha filha, parecendo tão cruel como eu nunca pensei que ela pudesse parecer.

Notas finais
O que será que a Pansy vai fazer??? O.o
Não perca as emoções dos últimos capítulos de "A Beautiful Lie" -qn kkkkkkk #nass