A Beautiful Lie
52 Cap. 51 – Nova Perspectiva
Notas iniciais
Parando de palhaçada... Espero que gostem do cap, pq honestamente, há muito tempo eu não gostava tanto de algo que escrevi *--*
Draco estava me tocando com o mínimo de cuidado possível, mas a culpa não era dele se junto com esse cuidado todo vinha uma enorme vontade de rir.
Não era culpa dele, tampouco era culpa dos outros casais que nos olhavam estranho.
– Hermione – Draco murmurou ao meu ouvido, em uma visível tentativa de me fazer perceber o quanto estávamos chamando atenção.
Eu levei uma mão a boca e a cobri, na esperança de que aquilo me ajudasse a parar. Honestamente, eu já ria a tanto tempo que começava a esquecer o motivo daquilo.
– Isso pode acontecer durante o parto? – Draco perguntou a mulher que conduzia nosso grupo.
– Sempre muda de mulher para mulher, mas eu nunca vi nenhuma delas reagir dessa forma – ela respondeu, com o cenho franzido e me encarando seriamente.
Eu tomei uma respiração profunda, fazendo o meu melhor para parar de rir.
– Desculpe – murmurei, soltando logo em seguida uma breve risada e então me controlando novamente.
A mulher me olhou por mais um tempo, como se ela esperasse que eu voltasse a rir a qualquer momento, mas voltou a falar quando percebeu que eu já estava controlada.
– Muito bem! Agora, eu quero que os papais se sentem de frente as mamães – Draco fez o que ela mandou e ficou a minha frente, assim como os outros homens da sala, que ficaram em frente as suas esposas – Isso! Agora, eu quero que vocês segurem nas mãos de suas esposas. Garotas, quero que vocês fechem os olhos e pensem em como será o grande dia e que passem toda a dor, toda a felicidade esperada para esse dia através das mãos. Vamos ver como os papais reagem a isso.
Eu olhei para Draco e ele parecia compartilhar do mesmo pensamento que eu: não ver fundamentos naquilo.
Enquanto todos os outros casais faziam isso com expressões compenetradas, eu me virei para a mulher.
– E isso vai ajudar em quê, exatamente?
– Ah, bem, é mais para fortalecer a parte psicológica do pai na hora do parto, entende? Para que ele perceba o que estará acontecendo com a sua esposa durante esse momento e possa ser um pouco mais compreensível.
Draco olhou para ela, levando aquilo como uma ofensa.
– Acho que sou compreensivo o suficiente e eu sei o que vai acontecer – falou, mas a mulher apenas ignorou, indo orientar outro casal que parecia não estar fazendo aquilo direito.
– Tudo bem – eu limpei a garganta – Dê-me suas mãos, Draco, vamos fazer isso.
Ele me olhou cético, mas ainda sim fez o que eu disse. Fechei os olhos, tentando pensar em como seria, mas toda a minha visão era baseada no que eu havia lido em revistas e visto em alguns vídeos na internet. Honestamente, não pensava que sentiria dor na hora do parto já que seria cesárea. Também não pensava que fosse ficar muito nervosa, quer dizer, eu já estava preparada para aquilo. Eu me preocupava um pouco com Draco e se ele ficaria bem comigo e começava a repensar a ideia de deixá-lo assistir a tudo. Também me preocupava com o fato da saúde de Alicia depois e se eu estaria bem ou não para cuidar dela. Pensar em Alicia quando ela nascesse me lembrava um pouco de Bela. Mesmo que Draco tenha dito "não se preocupe", eu ainda me preocupava. Quando uma pessoa te odeia, ela não poupa esforços para-
– Hermione – Draco soltou um gemido de dor e eu abri os olhos, soltando suas mãos. Ele as olhou criticamente e só então vi que estavam vermelhas e com marcas de unhas.
– Desculpe – murmurei.
– Tudo bem, só espero não doer tanto quanto você imagina – falou, voltando a segurar minhas mãos.
Eu dei um pequeno sorriso e logo passamos para outro exercício. A maioria deles envolvia basicamente o esforço e paciência do pai e alguns movimentos que ele poderia me ajudar a fazer quando minhas costas doessem já que minha barriga limitava as posições em que eu poderia dormir.
A ideia de aulas para à hora do parto e as semanas seguintes a ele não foi ideia minha. Draco havia chegado em casa com isso na cabeça, dizendo que ele não queria ser pego de surpresa quando chegasse a hora. A maioria das coisas eu já sabia. Eram coisas que minha obstetra havia feito questão de me colocar a par. Mas as aulas estavam sendo de alguma utilidade para mim e para Draco. Ele havia aprendido mil e uma maneiras de me acalmar quando a hora chegasse — não que eu tenha achado isso realmente necessário. Eu estaria calma a controlada o suficiente naquele momento.
Quanto mais o tempo passava, mais ocupados com a chegada de Alicia ficávamos. Draco tentava resolver o máximo de coisas possível na empresa para ficar ao meu lado nas primeiras semanas depois do nascimento dela e eu tentava não me preocupar muito com qualquer coisa. Era vigiada vinte e quatro horas por dia por Susann e por minha mãe, para saber se estava me alimentando e dormindo bem. Verônica também me ligava para saber se eu havia sentido algo diferente e saber se estava tudo ok. Mas não havia nada para se preocupar, estávamos bem. Eu, Draco e nossa filha, que em breve estaria em nossos braços.
[...]
– Esse é o mais fofo de todos! – Hanna comentou excitada, me mostrando um casaquinho vermelho feito de um material parecido com veludo.
– Foi o primeiro que Draco comprou para ela – respondi, lembrando do dia. Eu realmente achara que ele e Gina fossem discutir durante todo o tempo, mas eles concordaram bastante naquele dia, para a minha total surpresa.
Hanna me entregou o casaquinho e eu o dobrei cuidadosamente antes de colocar na mala.
– Dá para acreditar que marcaram o parto para a semana que vem? – perguntou e eu sorri. Não, não dava para acreditar que estava tão perto assim.
Verônica havia decidido não esperar muito, já que nos últimos dias minha pressão subia e descia com uma velocidade impressionante. Ela disse que era comum que aquilo acontecesse, mas não queria arriscar muito, ainda mais depois que eu desmaiei na tarde de ontem. Não houve um motivo aparente e não durou muito, mas foi o suficiente para nos deixar preocupados e deixar Draco ainda mais atencioso comigo.
– Ah, você não faz ideia de como esperei por isso – Draco disse e eu olhei em sua direção. Ele estava parado na porta e tinha um sorriso torno nos lábios quando caminhou até onde eu estava – Bom dia – murmurou antes de me beijar.
Quando nos soltamos, percebi que Hanna já havia saído e nos deixado a sós.
Terminei de fechar a pequena mala e Draco a pegou, colocando dentro do berço e então se sentou na poltrona felpuda branca que havia sido colocada estrategicamente perto da varanda. Eu me sentei sobre suas pernas e ele me abraçou.
– Você realmente está animado com isso? – perguntei, escorregando meus dedos pelos seus fios loiros, pensando se os de Alicia teriam a mesma cor – Digo, eu também que ela chegue, mas... Eu não sei... Parece mais fácil enquanto ela está dentro de mim.
Draco espalmou uma mão sobre a minha barriga e eu esperei que Alicia começasse a se mexer, como ela sempre fazia quando Draco tocava a minha barriga ou simplesmente quando ouvia nossas conversas, mas, ela continuou quietinha, sem fazer nenhum movimento.
– Isso porque você é a mãe, mas eu realmente quero vê-la. E falta apenas uma semana. Jane está sabendo?
Assenti, pegando a mão que estava sobre a minha barriga e entrelaçando nossos dedos. Eu havia retirado minha aliança quando percebi que meus dedos estavam inchando e começava a sentir falta dela. Já havia me acostumado a tê-la ali...
– Minha mãe deu o discurso sobre parto normal ser o mais saudável, mas ela entendeu quando disse que foi o que a médica indicou. Ah, e ela também disse algo sobre você desmaiar assim que entrar na sala de cirurgia – falei, sem conseguir conter a risada que escapou entre meus lábios quando tentei imaginar a cena.
Draco me olhou cético.
– Eu não vou desmaiar!
– Sei que não – segurei seu pescoço e juntei nossas bocas – Acredito em você.
Draco ficou comigo durante todo o dia. Estávamos aproveitando a calmaria do momento. Não tocamos no nome de Bela e assumimos que não devíamos nos preocupar com ela. Aquela era apenas mais uma de suas loucuras e ela também me odiava.
Eu esperei que aquela fosse uma noite de sábado comum, tal como havia sido durante todo o dia, mas eu me surpreendi ao descer as escadas lentamente naquele dia, depois de tomar banho.
Draco estava me esperando na sala de jantar, perfeitamente vestido. Olhei para meu macacão nude que não era em nada parecido com a sua formal vestimenta e então de volta para ele.
– Vamos sair? – em minha mente eu rezava para que Draco dissesse que não.
Ele caminhou em minha direção e quando parou a minha frente, pegou minha mão direita e se abaixou um pouco, depositando um longo beijo sobre ela.
– Não, vamos ficar apenas em casa. Nós dois – ele ficou ao meu lado e me ofereceu seu braço, que eu aceitei prontamente e me perguntei o que ele estaria aprontando.
– Onde estão os outros? – perguntei quando vi que a mesa de jantar já estava servida para nós dois. Algumas velas estavam sobre ela, deixando a sala toda pouco iluminada e deixando o clima calmo e romântico no ambiente.
– Estava pensando no que você disse, – comentou casualmente, puxando uma cadeira para que eu pudesse me sentar – sobre ser mais fácil agora e resolvi que realmente devíamos aproveitar um pouco mais esse tempo. E, respondendo sua pergunta: eu espero que eles tenham seguido minha sugestão e estejam bem longe.
O olhei boquiaberta.
– Você deu folga a eles?
– Quase isso – falou, sentando-se ao meu lado e segurando minha mão por cima da mesa. Não costumávamos nos sentar tão próximos assim durante as refeições...
Inclinei-me um pouco para mais perto dele e abaixei minha voz.
– Sei que vai parecer idiota, mas fez algo de errado? – perguntei e ele ergueu uma sobrancelha – Bem, isso meio que me deixa desconfiada, entende? Nunca fez isso antes.
– Não gostou?
– Draco... – insisti e ele soltou um longo suspiro.
– Não fiz nada de errado, eu só realmente pensei que você fosse gostar. Lembra-se do nosso jantar de noivado? – perguntou e eu balancei levemente a cabeça. Não tinha realmente boas recordações daquela noite. Toda aquela gente... Olhando-me daquela forma tão julgadora. Mas houve algo que realmente me marcara naquele dia: foi a primeira vez que eu o beijei, sem ter qualquer sentimento ruim durante aquele momento. Não havia sido de todo ruim e agora eu sabia disso – Bem, eu estive pensando naquela noite e me lembrei do quanto você queria um jantar menor e... Aqui estamos nós.
Eu olhei para a mesa e para as rosas vermelhas que haviam sido colocadas próximas aos quadros. Não era como se estivéssemos noivando novamente, mas era como se Draco estivesse querendo substituir as lembranças ruins daquela noite por algo real e completamente bom.
– Eu gostei – falei e ele sorriu – Está tudo lindo.
Eu esperei um comentário espertinho, dizendo que realmente deveria estar ou então isso seria culpa dos empregados, mas Draco apenas concordou, logo em seguida começando a falar sobre um de seus amigos que estava prestes a se casar. Nosso jantar correu da melhor forma possível. Aliás, foi além das minhas expectativas. Éramos um casal normal, falando de coisas normais. Quando terminamos, Draco me fez levantar e colocou um braço em volta da minha cintura, enquanto com a outra erguia meu braço, nos deixando em posição de valsa.
– Não tem música... – apontei.
– Finja que tem. – respondeu – Lembra-se do que dançamos em nosso casamento?
Eu assenti e Draco deu um passo para o lado, me puxando junto com ele. Eu sorri. Sentia-me como se estivéssemos fazendo tudo outra vez, mas agora da forma correta. E eu adorei aquela sensação.
.
Eu me assustei quando ouvi o estrondo de um trovão e então seguido de outro. O som de chuva veio logo em seguida. Draco e eu fomos nos deitar depois disso. Eu realmente não gostava de trovões. Não era nenhum medo, mas eu odiava pelo estrago que eles deixavam depois que acabavam. Demorei um pouco para dormir naquela noite, mesmo com Draco dizendo que estava tudo bem. Mas não durou muito, de qualquer forma.
Eu fiquei ainda mais assustada quando acordei e me sentei rapidamente na cama. Draco não deu o menor sinal de que tivesse se assustado com minha movimentação repentina. A chuva ainda caia forte lá fora e os trovões haviam aumentado de intensidade, mas não foi por aquele motivo que eu acordei assustada. Eu novamente senti a dor, não era forte, mas foi o suficiente para me despertar para o que poderia estar acontecendo.
Empurrei um pouco Draco, tentando fazer com que ele acordasse.
– Hey, Draco, acorde – eu o chacoalhei com um pouco mais de força e ele apenas resmungava que estava tarde e que eu devia voltar a dormir, não deveria temer os trovões – Draco, anda logo. Levanta. Temos que ir para o hospital.
Foi o mesmo que tê-lo jogado da cama, já que no instante seguinte ele estava de pé e me olhando atordoado.
– Tudo bem, eu sei o que fazer – ele murmurou, como se dissesse aquilo para si mesmo, mas ainda me olhava sem se mover — Temos que ligar para a Verônica e temos que ir para o hospital e também temos que ligar para a – Onde pensa que está indo?
Draco me segurou quando eu empurrei as cobertas para o lado e tentei me levantar.
– Preciso trocar de roupa – respondi, sentindo as pontadas no meu ventre e respirando fundo. Mordi o lábio inferior, me lembrando de tudo o que sabia sobre aquilo e sabendo que deveria manter a calma.
Eu coloquei uma mão sobre a barriga, esperando que aquilo me fosse me acalmar, mas tudo o que eu sentia era uma dor em minhas costas, como se eu tivesse permanecido na mesma posição por tempo demais.
No instante seguinte Draco tinha me pego em seus braços. Eu podia ouvir sua respiração completamente irregular, enquanto ele parecia dizer algo a si mesmo tão baixo que eu só ouvia o final das frases e avançava para fora do quarto. Mas logo que eu senti outra pontada eu deixei de me preocupar com o que ele poderia estar dizendo.
– Draco – choraminguei, como se ele pudesse fazer aquilo parar.
– Eu sei, eu sei. Já estamos indo, querida – ele murmurou, descendo as escadas com cuidado.
Quando chegamos ao primeiro andar, Draco me colocou sentada sobre o sofá, com algumas almofadas em minhas costas e acendeu as luzes iluminando ainda mais a sala que estava parcialmente clara pelos trovões.
– Não se mexa, tudo bem?
– E onde mais eu poderia ir? – eu perguntei de volta com raiva, mas ele já estava longe demais para ouvir.
Eu me curvei um pouco mais, pressionando minha barriga quando senti uma dor forte passar pelo meu corpo, me fazendo gritar.
Sentia o suor frio percorrer todo meu corpo, juntamente com a dor.
Tentava manter a calma, exatamente como Verônica havia dito, mas não era a coisa mais fácil do mundo. Onde Molly e minha mãe estavam para que eu pudesse dizer que elas mentiram para mim? Aquela não era a coisa mais fácil do mundo!
De repente, como se para provar que as coisas poderiam ficar piores, as luzes da casa se apagaram e ela voltou a ser iluminada pelos raios.
– Draco! – eu gritei. Não por medo, mas porque realmente não queria que ele demorasse. Senti uma mão segurar a minha no escuro e a apertei.
– Está tudo bem – falou, me ajudando a levantar
Só então notei que ele havia vestido uma roupa e que segurava o celular em uma das mãos. Ele sustentava quase todo o meu peso enquanto caminhávamos em direção a porta e falava com alguém ao telefone.
Lá fora parecia estar mais iluminado do que dentro da casa, mas eu não pude andar muito já que chovia mais forte do que realmente parecia. Fiquei esperando na proteção da casa enquanto Draco ia buscar o carro. Aquele foi um péssimo dia para resolvermos ficar sozinhos.
Eu sentei no banco da frente, sem me preocupar com o cinto de segurança quando Alicia parecia determinada a nascer a qualquer custo.
Minhas costas incomodavam quando senti outra contração, percebendo que elas estavam aumentando gradativamente de intensidade e duração. Minha barriga estava dura e eu estava com medo, muito medo.
Não percebi que estava chorando até sentir meu rosto molhado.
A mão que estava sobre meu joelho, o apertando firmemente, foi segurada pela mão de Draco.
– Vai ficar tudo bem com a nossa princesa – Draco murmurou apertando levemente a minha mão. Ele manobrou o carro para fora dos portões e eu mantive meus olhos em qualquer coisa que me fizesse esquecer a dor e me acalmar. Olhei em sua direção no momento em que ele soltou um palavrão.
– O quê? O que foi?
Draco manteve seus olhos fixos à frente e percebi que ele desacelerava o carro. Segui a direção de seus olhos e vi que uma árvore havia tombado, bloqueando totalmente o caminho. Eu sabia que tinha um atalho, mas também sabia que aquele era o jeito mais rápido de chegarmos ao hospital. Draco não falou nada enquanto dava a volta.
– Draco, pelo amor de Deus...
Ele pisou no acelerador com mais força, aumentando consideravelmente a velocidade do carro.
– Calma, Hermione – ele disse desesperado, tirando seus olhos da direção e os lançando sobre mim — Você tem que se acalmar, tudo bem? – perguntou – Tem que fazer isso por mim. Eu não vou conseguir ficar calmo se você continuar me olhando dessa forma.
Imediatamente eu me lembrei de todas as aulas que havíamos assistido juntos e de como a voz de Draco havia soado aveludada, tentando me deixar calma. Não haviam sido uma perda de tempo.
Eu assenti com a cabeça. Minhas mãos estavam no pé da minha barriga e aquela era a pior dor da minha vida. Senti sangue tocar a minha língua quando mordi meus lábios com força, reprimindo outro grito de dor.
Onde estava a tal anestesia que me prometeram? Onde estava Verônica para que eu pudesse gritar na cara dela que aquilo não era "suportável"?
Senti quando o carro parou e minha porta foi aberta por dois enfermeiros que me tiraram de lá. Rezava pedindo a Deus que protegesse a minha filha e que nada de ruim acontecesse com ela.
Draco Malfoy – POV
Eu não podia deixá-la sozinha naquele momento. Era da minha mulher e da minha filha que estávamos falando e eu estava pronto para invadir a merda daquela sala se alguém não aparecesse com uma notícia!
Não queria me sentar e esperar, não queria parecer calmo quando eu estava quase enlouquecendo ali e eu mataria o próximo que me lançasse um olhar enviesado.
– Draco, eu vim no mesmo instante em que me ligou!
Eu me virei assim que ouvi aquelas palavras, vendo Verônica caminhar em minha direção e fui ao seu encontro.
– Como elas estão?
– Estão bem. A bolsa rompeu e o intervalo entre as contrações diminuem cada vez mais. Vamos fazer a cesárea essa madrugada mesmo, não podemos esperar mais.
Eu suspirei, tentando manter a calma a partir daquele momento. Sentia minhas mãos trêmulas.
– Tudo aconteceu tão rápido...
– Alicia é um bebê saudável e isso ajuda a diminuir os riscos de um parto prematuro. Vai dar certo, Hermione é uma mulher forte.
Seu tom calmo e controlado parecia ter a intenção de me acalmar, mas não estava surtindo muito efeito.
– Elas vão ficar bem – Verônica garantiu, colocando uma mão em meu ombro e o apertando – Vai assistir ao parto?
Arregalei os olhos e Verônica sorriu. Já havia conversado sobre aquilo com Hermione e havia garantido que estaria ao seu lado naquele momento, mas, a ideia de recusar era tentadora. Não era medo era só... Insegurança.
– Você não vai assistir a cirurgia, Draco, mas sua presença lá será importante para Hermione.
Eu assenti, engolindo em seco e sentindo que de repente a sala de espera havia ficado mais quente. Liguei para Jane avisando onde estávamos e o quê estava acontecendo e então segui uma enfermeira que me levou até uma sala onde eu coloquei a roupa de centro cirúrgico.
Quando entrei na sala de parto, Hermione estava com a cabeça virada em minha direção e os fios de cabelo que escapavam pela touca estavam grudados em seu rosto. Seus lábios pareciam secos enquanto seu rosto estava manchado por lágrimas.
– Draco.
Eu segurei sua mão e não olhei para qualquer outro lugar que não fosse seu rosto. Mesmo tendo um tipo de campo a nossa frente, que cobria o que acontecia lá na frente, eu não quis arriscar.
– Vai ficar tudo bem, okay?
Ela assentiu e estava com os olhos fixos nos meus, como se procurasse apoio. E eu estava li por ela. O medo que ela sentia era evidente em seus olhos e eu me sentia da mesma forma, mas tentava não demonstrar por ela. Hermione precisava de um apoio naquele momento.
Eu olhei uma vez para Verônica. Tinha confiança nela. Ela havia acompanhando todo o pré-natal de Hermione e eu sabia que faria de tudo para que as duas ficassem bem.
– Eu não sinto nada – Hermione murmurou parecendo contrariada e eu beijei sua testa. Sabia o quanto ela queria um parto normal e todos os seus argumentos defendendo isso, mas ela também sabia que não podíamos arriscar.
– Em breve vamos ter nossa pequena – garanti.
Ela não pareceu sentir dor durante nenhum instante e eu fiquei agradecido por aquilo. Só Deus sabe o quanto seus gritos e gemidos de dor me assustaram quando estávamos vindo para o hospital. Ela havia soltado alguns bons palavrões no caminho, xingando pessoas que eu nem sabia que ela conhecia.
Definitivamente ela estava mais calma com a anestesia.
Eu segurava sua mão e vez ou outra meus olhos iam para o monitor que indicava sua pressão arterial. Outras vezes, meus olhos me traíam e eu olhava para o campo, mas não conseguia ver nada, apenas a movimentação dos médicos. Dava graças por aquilo. Não estava preparado para ver algo que muito provavelmente iria ficar gravado para sempre em minha memória.
Algum tempo depois, eu já me sentia cansado daquela espera toda. E foi justamente quando eu iria perguntar se estava tudo bem que um choro fininho e engasgado chegou aos meus ouvidos e os meus olhos arderam, mas eu não deixei que nenhuma lágrimas caísse, diferente de Hermione que chorou ainda mais naquele instante. Eu ergui meu olhar a tempo de ver uma enfermeira me chamar.
Hesitante, eu cortei o cordão umbilical enquanto a minha pequena esperneava. Minhas mãos tremiam tanto quando era possível quando eu voltei para o lado de Hermione, sem tirar os olhos da minha filha que continuava chorando e era enrolada em um pano de tom azul claro.
– Ela nasceu, Hermione – eu disse, depositando um beijo em sua testa, me sentindo agradecido pela filha que ela havia me dado. De repente, experimentando um sentimento de que eu não era merecedor, mas ao mesmo tempo sentindo que eu precisava daquilo.
– Olha como ela é linda! – Hermione murmurou com a voz abafada quando uma enfermeira a colocou ao seu lado e Hermione beijou sua cabecinha.
Ela era tão pequena e no mesmo instante eu senti a necessidade de protegê-la. Era a minha filha! Sangue do meu sangue e eu finalmente podia vê-la. Ela ainda estava um pouco sujinha de sangue e placenta e abria a boca sem parar, ainda se acostumando com o ambiente. Eu toquei seu rostinho e ela abriu os olhos, mas os fechou rapidamente. Suas mãozinhas estavam fechadas e um pouco enrugadas pelo frio que sentia. Era impossível dizer com quem ela se parecia, mas era a coisa mais bela que eu já tinha visto. Naquele momento, não me importei em sentir meu rosto molhado ou com o que as pessoas iriam pensar se me vissem chorando, eu só pensava na minha família que agora estava completa e que eu deveria proteger.
A mesma enfermeira que a havia colocado ao lado de Hermione a levou. Foi cedo demais para mim, que estava encantado como nunca pensei que ficaria.
Eu estava experimentando uma sensação totalmente nova para mim. Eu era pai. E agora, era como se eu visse tudo por uma nova perspectiva, como se tudo o que eu enxergasse fosse o futuro ao lado das duas mulheres que eu mais amava no mundo.
Notas finais
Bem, geralmente cenas de nascimento de bebês são escritas pelo ponto de vista da mãe, mas... Sei lá, quis fazer diferente desta, vez, sabem? Pelo ponto de vista do pai. Reuni informações q meus parentes deram e... Ficou assim D:
Bem, espero que tenham gostado, mesmo.
E, respondendo a todas as perguntas sobre:
Faltam mais 3 capítulos para o fim. Vou sentir falta, é a única fic q estou escrevendo no momento, mas... Oks, vou deixar o drama para o final uahsuahsuahs
Bjs mi amores, até domingo ^^ #Ou antes, tenho q falar com a Lays o/
.
Me pediram pra recomendar uma fic... Bem, essa daqui me foi muito indicada: http://fanfiction.com.br/historia/44975/Barriga_de_Aluguel/ Tenho certeza de q vcs vão amar :*
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