A Beautiful Lie

51 Cap. 50 - Preocupações e Confiança


Notas iniciais
Oiii, bem, como eu havia dito q postaria no sábado e... Eu tive uns probleminhas, enfim, juntei dois capítulos e estou postando os dois juntos para me desculpar :/ Ficou um pouquinho grande, mas...
Espero q gostem ^^

Minhas costelas doíam de tanto rir e Draco não parecia dar a mínima para isso, já que continuava brincando com a minha barriga, ignorando meu ataque de risos e a falta de ar que começava a me afligir.

- Dr-a-co – eu consegui dizer, entre uma risada e outra e tentei afastá-lo, mas isso só fez com que ele segurasse minhas mãos ao lado do meu corpo e começasse a beijar meu ventre, onde antes ele fazia cócegas. Eu fui me acalmando os poucos.

– Sua mãe é uma sem graça, Alicia. – ele murmurou contornando meu umbigo com beijos e então subindo, até chegar a minha boca e depositar um beijo suave em meus lábios – Vai ficar o dia todo aí?

Ele saiu da cama sem se preocupar em colocar uma roupa e rumou para o banheiro enquanto eu pensava seriamente em realmente passar o dia todo na cama.

- Não posso fazer isso – falei alto para que ele ouvisse – Vou te esperar para jantar – avisei, saindo da cama e entrando no banheiro. Draco estava virado de lado de olhos fechados e tinha uma mão apoiada contra a parede enquanto a água do chuveiro caia em seu corpo, o vapor da água formando uma pequena nuvem de fumaça no ar. Eu me encostei contra a pia apoiando meus braços no mármore dela.

- Talvez eu chegue tarde, quero resolver algumas coisas antes de vir para casa – respondeu e então abriu os olhos para me olhar – Vai ficar chateada?

Eu balancei a cabeça, negando.

- Não. Gina me convidou para ir a uma amostra de arte com ela essa noite e depois jantar, estou quase aceitando – falei dando de ombros. Realmente não queria ficar aquele tempo todo sozinha. Minha mãe já havia se instalado na casa perto da dos Weasley, a que eu havia morado antes de voltar para a mansão e eu não queria ir lá sabendo que corria sérios riscos de encontrar Rony. Ainda não tinha total certeza de que tínhamos uma boa relação de amizade ou não.

- Faça isso – ele respondeu e só então eu percebi que ele não parecia estar prestando atenção ao que eu falava. Draco estendeu uma mão para mim – Vem aqui.

Dei um sorriso e aceitei a mão que ele me oferecia e logo me encontrava debaixo da água quente do chuveiro.

- Bem melhor assim – ele murmurou contra meus lábios e segurando meu rosto com suas duas mãos antes de finalmente me beijar.

Quando Draco e eu saímos do banho, ele já estava mais do que atrasado e eu tomei o café-da-manhã sozinha. Não era sempre assim, apenas quando Draco estava realmente atrasado, caso contrário, nos sentávamos juntos. Aproveitávamos o máximo possível de tempo que tínhamos juntos, o que estava ficando cada vez mais complicado de se consegui. A cláusula que Lucius havia colocado em seu testamento deixava apenas um pouco de dinheiro para Draco administrar na falta de um herdeiro e como Alicia ainda não havia nascido, ele estava tendo que se virar para controlar as coisas na empresa. Eu sabia que o que ele considerava exatamente pouco dinheiro não era o mesmo que eu, então não me metia nisso a menos que ele fizesse questão de conversar comigo sobre o assunto — o que ele definitivamente não fazia. Parte do motivo devia ser porque ele realmente não me queria no meio disso e a outra parte era por ele estar tentando ao máximo me deixar calma. Os exames não haviam dado em nada, para meu alívio e o de Draco. Mas Verônica, a médica, havia sido categórica ao dizer que eu não deveria passar por qualquer aborrecimento que me deixasse muito nervosa e Draco estava fazendo o possível para me manter longe de preocupações, por menor que estas fossem. Ele estava conseguindo. A maior parte do tempo eu me sentia como uma frágil boneca de porcelana.

Liguei para Gina para avisar que iria sair com ela naquela noite e passei o resto da manhã na biblioteca. Quando deu à hora do almoço, pedi que ele fosse servido no jardim. Estava um dia excepcionalmente agradável para que eu desse uma volta pelo campo que rodeava a mansão, mas eu não fui muito longe sabendo que o tempo poderia mudar de forma brusca por ali e estava me cansando com uma rapidez surpreendente.

Estava entrando em casa quando Susann veio ao meu encontro com o telefone em mãos e o estendeu para mim.

- É para a senhora. Senhor Zabini – falou, me entregando e então saindo. Eu suspirei e não tentei corrigi-la, não adiantaria em nada.

- Blaise? – falei colocando o telefone ao ouvido e retirando minhas sapatilhas.

- Hermione, que bom finalmente ouvir sua voz – eu escutei sua voz soar extremamente animada e ri – Como está? E Alicia?

Eu peguei meus sapatos com uma mão e com a outra segurei o telefone, subindo as escadas e indo para meu quarto.

- Estamos bem. Draco e eu estamos aproveitando os momentos antes de Alicia nascer e realmente termos algo para nos preocupar. E você? Como vão as coisas? Eu nem ao menos tive tempo para me despedir quando foi embora.

- Estou bem – ele respondeu e ao fundo pude ouvi-lo dizer algo para outra pessoa e então um estalido soou – Muito bem. – enfatizou, me fazendo novamente rir. Evitei pensar no que ele poderia estar fazendo – Desculpe por não me despedir, mas é que sua situação e a de Draco não me deixaram muita escolha.

Eu me sentei em uma poltrona branca no canto do quarto.

- Eu entendo. O que me lembra que eu devo te agradecer pelo que fez – respondi me lembrando do quanto Blás havia feito por mim, Alicia e Draco. Quando eu decidi sair de casa ele tentou me impedir, falando que eu não podia deixar Draco para trás, mas assim que percebeu que eu não voltaria em minha palavra, ele se ofereceu para me ajudar. Disse que já que não havia conseguido me impedir, o mínimo que poderia fazer era garantir que ficaríamos bem, por Draco. Ia me visitar sempre que podia ou então ligava para saber como estavam as coisas. Invariavelmente, em todas essas vezes, ele sempre dava um jeito de falar sobre como Draco estava, sempre se certificando de me perguntar se eu não estava com saudade.

Se as coisas entre eu e meu marido agora estavam bem, Blaise era o responsável por isso. Ele havia sido a escolha certa para padrinho do nosso casamento.

- Não me agradeça, eu quem devo fazer isso. Você mudou Draco, Hermione, sabia disso? – ele perguntou em um tom sério, mas com uma nota divertida – Eu não aguentava o mau-humor dele – reclamou – Tudo bem que às vezes ele ainda é um idiota, mas não tanto quanto antes. Não conte isso a ele, será nosso segredinho, uh?

- Não vou contar – respondi rindo ainda mais. Eu mesma já havia dito a Draco o quanto ele era idiota, mas ele não era como antes – Escute, você estará aqui quando Alicia nascer, certo? – perguntei apenas para garantir.

- Claro que sim! – falou como se sugerir ao contrário fosse descabido – Ela é minha afilhada, e daquela ruivinha também... Como é mesmo o nome dela?

- É Gina, Blás, e você sabe disso.

- Sei? – perguntou em um tom falso de surpresa – Ok, eu sei. E, não se preocupe, você ainda tem quase um mês para mudar de ideia sobre ela antes que Alicia nasça.

Era incrível como Draco havia dito quase a mesma coisa para mim...

- Eu não vou, acredite.

- Eu sei que não – respondeu de volta como se estivesse realmente desapontado – Eu tenho que desligar, Hermione. Diga a Draco que mandei lembranças.

- Claro, claro. Foi bom falar com você, Blás – falei me despedindo.

Coloquei o telefone de volta em seu lugar e fui até o quarto de Alicia. Tudo já estava pronto para a chegada dela, mesmo que ainda fosse demorar algumas semanas. Eu olhei para o berço branco e lilás, pensando que em pouco tempo teria minha filha em meus braços...

Logo fui me arrumar, me lembrando do meu compromisso com Gina. Depois de pedir a ajuda de Susann para que ela abotoasse os botões da parte de cima do meu vestido, fazer uma maquiagem leve para esconder as olheiras que ficavam a cada dia mais evidentes pelas noites mal dormidas e prender metade do meu cabelo, eu tive a difícil tarefa de prender minha sandália em meus pés. Aliás, eu mal conseguia vê-los. Segundo Verônica, eu não havia engordado tanto quanto a maioria das outras mulheres, mas eu não conseguia me imaginar maior do que aquilo. Isso porque Molly e minha mãe fizeram questão de que eu soubesse que quando se aproximasse da ultima semana de gestação eu poderia inchar. Realmente magnífico!

O motorista me deixou em frente à galeria, onde eu havia marcado de me encontrar com Gina.

- Hey, Gina! – eu falei, acenando com a mão quando a avistei parada próxima a entrada. Ela não demorou a me ver e logo foi ao meu encontro, me abraçando com cuidado, provavelmente também achando que eu era feita de porcelana.

- Como vai nossa garota? – ela perguntou, sorrindo.

- Grande e pesada, mas isso é um bom sinal.

- Claro que é – respondeu, ampliando seu sorriso e então abriu a bolsa, tirando dois papeis coloridos com as cores amarelo e vermelho que presumi serem nossas entradas – Vamos, temos uma noite de garotas.

E realmente foi uma noite de garotas. Gina não gostava de arte contemporânea tanto quanto eu, então ela não fazia muitos comentários sobre as pinturas ou esculturas que víamos, mas conversamos sobre como estavam as coisas entre Draco e eu, sua família e principalmente seu relacionamento com Harry, que parecia estar indo cada vez melhor e mais rápido e Gina me colocava a par de cada coisinha entre eles, por menor que fosse.

Naquela noite jantamos em um restaurante próximo a ponte Tower e eu não sabia que havia sentido tanta falta de comida normal até ter em minha frente. Ultimamente tudo o que eu estava comendo era uma grande mistura de pratos que Draco dizia ser bom para minha saúde, mas eu não tinha tanta certeza. O sorriso cínico que ele tinha sempre que me mostrava algo estranho indicava que ele se divertia sabendo que eu não gostava daquilo.

Eu pedi a Gina que me deixasse na casa da minha mãe quando nos despedimos. Queria falar um pouco com ela e não ficava muito longe de onde Draco, de forma que ele podia passar lá e me buscar quando saísse da empresa e eu também não ficaria em casa sozinha, esperando que ele voltasse.

Dizer que minha mãe ficou surpresa com minha visita seria pouco. Ela mal podia acreditar que eu estava ali, a sua frente. E tão logo me soltou de seus braços, ela me puxou para a cozinha, me perguntando se eu estava com fome. Não adiantou dizer que eu havia acabado de jantar. Ela me sentou em uma cadeira e me serviu com bolinhos de milho e chá e outras coisas doces que não me pareceram tão boas quanto os bolinhos.

- Pensei que não viesse me ver – minha mãe falou, com uma mão apoiando seu queixo e em um tom acusatório.

- É claro que eu viria, apenas não estava tendo tempo. Como está indo no hospital? – perguntei tomando um pouco do chá.

- Bem, apenas os exames de praxe. Os médicos estão quase certos de que estou totalmente bem.

Eu sorri, feliz e aliviada. Minha mãe não estava fazendo mais os tratamentos, mas ainda tinha de fazer alguns exames apenas como garantia.

- Draco não veio com você? – perguntou, pegando um dos bolinhos.

- Oh, não. Ele está tendo algum trabalho na empresa e fica lá até tarde algumas vezes.

Minha mãe me olhou surpresa.

- Mesmo? Eu pensei que o senhor Malfoy tivesse deixado a empresa e todo o patrimônio da família no melhor estado possível.

Eu engoli em seco, não sabendo bem como explicar a minha mãe que Lucius havia sim feito aquilo, mas que Draco não podia tocar no resto de sua herança ainda. Dei de ombros.

- Ele deixou, mas há algumas coisas que Draco ainda está se adaptando, você sabe.

- Hm – ela fez, esfregando suas mãos juntas para se livrar das migalhas do bolinho – Às vezes tenho a impressão de que me esconde algo. Mas juro que não sei se quero saber.

Eu peguei uma de suas mãos, apertando levemente, feliz por minha mãe ser exatamente daquele jeito e me entender facilmente.

- Esqueça isso, mãe, não é nada de ruim – não agora, acrescentei mentalmente – Gina me disse que a senhora e Molly estão quase abrindo uma confeitaria.

- Gina exagerou um pouco – falou, mas logo começou a me contar sobre o que ela pensava em fazer, parecendo realmente animada. Eu me afastei durante um tempo, apenas para poder ligar para Draco e avisar onde estava. Ele disse que passaria para me buscar quando terminasse as coisas por lá. E então, pelas próximas horas, eu fiquei conversando com minha mãe, ouvindo ela me contar seus planos e então contando a ela sobre como estavam as coisas e no que eu pensava em fazer quando Alicia nascesse – não preciso dizer que ela mais do que me apoiou quando disse que iria fazer faculdade. Aquilo ainda era algo que eu teria que falar com Draco para que não gerasse brigas, e eu também esperaria que Alicia ficasse um pouquinho maior para conseguir me ausentar durante algum tempo sem que ela sentisse muita falta.

Já passava da meia-noite quando ouvi o som de uma buzina soar. Eu me despedi da minha mãe, prometendo que iria vê-la mais vezes. Minha mãe fechou a porta da casa, logo após me dar um forte abraço e eu me virei, vendo o carro de Draco parado a alguns metros de distancia de onde eu estava. Eu atravessei o gramado, passando pelo caminho de pedras brilhantes e quando estava prestes a atravessar a rua para chegar ao carro, escutei chamarem meu nome. Eu sabia quem era antes mesmo de me virar.

- Rony – falei, sem conseguir conter o sorriso de felicidade em meu rosto por saber que ele estava bem e que estava... Com alguém. Ao menos, era isso o que sua mão ao redor da cintura de uma garota um pouco mais baixa que ele e de cabelos castanhos encaracolados indicava. Ela me olhou irritada quando Rony tirou seu braço da cintura dela e foi ao meu encontro, e ela continuou mais atrás de braços cruzados.

- Olá – ele falou, com um sorriso de canto. Pareceu que só naquele momento ele se deu conta do quão próximos estávamos, então, antes que ele se afastasse, eu o fiz, dando um sorriso sem graça – Não está um pouco tarde para você estar aqui fora? – perguntou algum tempo depois de puro silêncio.

- Eu estava indo para casa, na verdade – falei, com minha respiração formando fumaças no ar frio. Olhei para trás, vendo os vidros escuros do carro, mas, mesmo sem poder ver através deles, eu tinha certeza da irritação de Draco ali – Ele está me esperando.

- Claro, claro – falou rapidamente e olhando fixamente para o carro – Só queria saber como você está. Não nos vemos há bastante tempo, sabe?

- Estou bem – respondi, e olhei para a garota que continuava ainda atrás, observando tudo com olhos curiosos – Sua namorada?

Rony corou até a raiz dos cabelos ruivos, ficando com o rosto totalmente vermelho também.

- Quase isso. Estava a levando para casa também – falou vagamente, parecendo que realmente não queria falar sobre a garota – Eu pensei que tivesse me enganado e que não fosse você. Está... Diferente – embora seu tom tivesse sido firme, tinha certeza de que não era essa palavra que ele queria ter usado.

- Obrigada, eu acho. – falei, – Bem, eu tenho que ir. Foi bom revê-lo, Rony – eu fiquei incerta por um instante, sem saber se me aproximava dele ou se me afastaria e quando estivesse um pouquinho mais longe acenaria. Ele tinha suas mãos nos bolsos, então apenas dei um sorriso pequeno, ponta para me virar.

- Acho que fez a escolha certa para você – ele disse, quando eu já havia desistido de falar novamente.

- Que quer dizer com isso? – perguntei, não entendo sua frase solta.

Ele focou seus olhos em um ponto atrás de mim, antes de voltar a me encarar.

- Eu havia a culpado por não pensar em você, lembra? Quando se casou com Malfoy. A chamei de idiota e disse que estava cometendo uma grande besteira. Ainda acho que ele é um idiota, Draco, você sabe, mas acho que estava errado quando disse que você iria se arrepender e que não estava pensando em você.

Eu ainda não havia entendido completamente o que ele queria dizer, por isso continuei esperando que ele prosseguisse.

- O que quero dizer é que eu sei por que ainda está com ele. Eu não poderia fazer você sorrir da mesma forma que ele faz, não é?

E eu não sabia o que fazer. Não queria dizer nada que soasse como um pedido de desculpas, ou que dissesse que ele certamente fazia alguma garota sorrir todos os dias para ele apenas por existir, mas eu o conhecia e sabia que não era aquilo que ele queria ouvir. Na verdade, não havia nada que ele quisesse ouvir porque ele havia entendido.

Então, dei três passos a frente e coloquei meus braços ao seu redor, antes de depositar um rápido beijo em sua bochecha.

- Obrigada – murmurei, e então o soltei. Rony agora tinha o olhar compreensível em seu rosto.

Eu me afastei, sem acenar quando estava longe.

Abri a porta do carro e entrei. Não olhei para Draco, mas sabia exatamente como ele estaria me olhando. Quando prendi o cinto de segurança, pude ver que Rony tinha novamente um braço ao redor da cintura da garota. Eles voltaram a caminhar e ela lhe dizia algo. Rony tinha um sorriso nos lábios enquanto a escutava, parecendo estar feliz naquela condição. Talvez aquela garota fosse o que ele precisava...

- Podemos ir? – perguntei, finalmente olhando para Draco. Ele tinha os olhos sobre mim e assentiu, logo colocando o carro em movimento.

- Sobre o que falavam?

- Nada exatamente. Ele queria saber como eu estava.

- E para isso precisava tocar nele? – perguntou, ligando o som do carro e o colocando em um volume tão baixo que eu me perguntei se ele realmente queria ouvi-lo – O que fez hoje?

Eu aprovei a mudança de assunto.

Contei a ele sobre a ligação de Blás, como havia sido com Gina e minha mãe. Eu sabia que ele não estava interessado nisso, mas apreciei seu esforço em prestar atenção e depois perguntar sobre.

- Não tem motivos para se preocupar, mesmo, mas se quiser eu posso fazer uma ligação para o médico que cuidou dela – Draco ofereceu, quando contei a ele sobre o que minha mãe havia dito, a respeito dos exames.

- E você?

- Que tem eu? — perguntou, focando seus olhos em mim e então na direção.

- O que está acontecendo? Parece preocupado com alguma coisa.

Ele apoiou um dos braços na sua janela aberta e então começou a afrouxar a gravata, parecendo incomodado agora.

- Não é nada, Hermione – falou, em um tom que dizia claramente que era tinha sim algo – Eu estou tendo alguns problemas na empresa. Sempre os tive, mas conforme o tempo está passando é como se eu sentisse as pessoas tramando contra mim.

- Do que está falando exatamente?

Eu podia pensar em vários tipos de problemas, mas em nenhum deles Draco ficaria daquela preocupado ou incomodado. Ao menos, não de forma que ele não conseguisse esconder.

- Pessoas que sabem das condições para eu conseguir o resto da herança... São essas pessoas que me preocupam – ele soltou um suspiro profundo – Andei falando com algumas pessoas... Advogados. Ao que parece se eu não tiver o herdeiro que me dará o direito de receber o resto da minha herança, qualquer familiar pode entrar com um processo na justiça para requerer esse direito.

- Mas eu pensei que eles fossem igualmente ricos... Quer dizer eles não se manifestaram sobre isso até agora – argumentei tentando tranquilizá-lo quanto aquilo.

- Bellatrix manifestou.

Eu fechei minha boca, surpresa com aquilo.

- Ela recebeu bastante dinheiro vindo da minha mãe, não que precisasse, mas era o direito dela – Draco continuou.

- E por que ela faria isso agora? Não há motivos para querer a sua parte também. Você é um herdeiro legítimo, certo? Por que ela iria querer entrar na justiça agora? – tão logo eu fiz a pergunta, a resposta veio naquele momento e eu desviei meus olhos de Draco – É por causa de mim – murmurei em um tom baixo, mas quando senti um aperto em minha mão, sabia que ele havia escutado.

- Não se preocupe com isso, tudo bem? Não há motivos.

- Você está preocupado com isso – não era uma pergunta, era uma afirmação, mas ele não se preocupou em negar.

Sempre soube que Bellatrix não gostava de mim... Quer dizer, ela nunca se preocupou em esconder o total ódio que sentia sempre que eu estava por perto. Até mesmo antes do meu casamento com Draco, quando eu apenas trabalhava para os Malfoy e não era um deles.

- Esqueça, Hermione. Bela não vai poder fazer nada. As pessoas com quem falei disseram que a ação dela talvez nem seja levada a sério por qualquer juiz. Quer dizer, até que ela consiga realmente abrir um processo, já teremos nossa filha nos braços.

- Você não está preocupado com o dinheiro, Draco. – falei, sentindo pânico começar a crescer em mim – Não diga como se você tivesse se preocupado com a sua herança que eu sei que não está. Diga de uma vez o que você acha que sua tia vai fazer.

- Hermione...

Minha garganta se fechou quando eu abracei minha barriga. Tudo bem que todo o ódio e rancor fossem destinados a mim, eu aceitava aquilo, Mas não aceitaria quanto a Alicia.

- Você acha que ela pode fazer algo de ruim, não é? – eu o fitei e percebi que ele estava tentando esconder sua preocupação mais do que nunca – É claro que acha, não ficaria assim caso não achasse.

Senti o carro parar lentamente no acostamento e logo tinha Draco me abraçando. Eu não percebi a força que usava para abraçar minha barriga com meus braços até que Draco me fez tirá-los de lá.

- Ela não vai fazer nada. Nada, está ouvindo? Eu nem ao menos tenho certeza se Bela vai realmente entrar na justiça... Talvez ela tenha procurado saber sobre isso apenas por curiosidade.

- Não tente mentir, Draco! – eu guinchei, tentando me afastar para olhá-lo, mas Draco me apertou com ainda mais força em seu peito.

- Não estou mentindo – falou, passando uma mão por minhas costas – Não estou mentindo, Hermione, mas preciso que se acalme. Eu prometo que ela nem ao menos vai chegar perto de você ou de Alicia, tudo bem?

Suas palavras soavam próximas ao meu ouvido, em um tom preocupado e ao mesmo tempo faziam com que eu me acalmasse.

Aos poucos, eu fui deixando de sentir o pânico e consegui me acalmar, mas, agora, parecia haver um grande sinal de alerta vermelho a minha frente.

Não falamos mais sobre nada até chegarmos em casa, quando Draco disse que tinha que dar um telefonema e eu subi sozinha para o nosso quarto.

Eu já estava deitada quando Draco entrou no quarto e passou para o banheiro. Quando saiu, minutos depois, ele me olhou com um sorriso no rosto.

- Achei que já tivesse dormindo.

- Sem sono – respondi, ajeitando o travesseiro as minhas costas – Vai demorar?

Ele balançou a cabeça e foi em direção ao closet para se vestir.

- Vem aqui – Draco colocou um braço ao redor da minha cintura e eu me aconcheguei mais a ele, colocando um travesseiro para apoiar minha barriga . Aspirei lentamente, sentindo o cheiro do sabonete que ele usara – Gostei do que fez no quarto.

Eu me virei um pouco para olhar as cortinas vinho e então para Draco, querendo saber se ele estava falando sério. Eu havia mudado as cores alguns dias antes, então fiquei surpresa, sem saber se somente naquele momento ele havia notado, ou se só então quis comentar sobre aquilo.

- Isso é como uma carta branca para eu mudar o resto?

- Você sempre pode fazer isso – falou, soltando um bocejo.

- Eu sei que sim, mas você sempre colocou...

- Eu sei, mas você pode mudar o que quiser, desde que não acabe com-

- O ambiente – conclui e ele assentiu com a cabeça.

Deitei-me de volta em seu peito. Gostaria de ter conversado um pouco mais, mas conforme os movimentos que Draco fazia em minhas costas diminuíam, eu percebia que ele estava quase dormindo. Eu não consegui dormir por um longo tempo, pensando no que ele havia dito sobre sua tia. Ela era louca e já havia dado provas disso. Poderia não ser nada, como Draco havia dito quando me abraçara, poderia ser apenas curiosidade... Mas também poderia ser algo a mais.

Eu pensei no que Draco prometeu. Sobre não deixar que Bellatrix nem sequer chegasse perto de nós.

Eu confiava nele.

Notas finais
To um pouquinho sem tempo (como a Lays, q esses dias fez uma cirurgia no nariz e nem pra escola está podendo ir), mas vou tentar postar mais um pelo feriado, oks?
E aí? O q acharam do cap.? Bom? Ruim?
Bjs ninas lindas, inté a próxima ^^