A Beautiful Lie

47 Cap. 45 - Uma Vez Mais...


Notas iniciais
Para quem estava ansioso para ver a senhora Granger aparecer na fic...

- Hermione – uma voz soou ao longe, mas eu não me virei para olhar, nem mesmo quando repetiram meu nome, parecendo estar mais perto desta vez. Draco estava ali, a minha frente, me olhando como se eu fosse a única coisa no mundo. A sensação de seus lábios nos meus ainda era sentida. Eu ainda sentia como se mil borboletas voassem em meu estomago. Ainda sentia aquele mesmo tremor com ele perto de mim. Tudo parecia exatamente como era antes.

- Draco –

- Hermione, não está me ouvindo, querida? – uma voz doce soou e eu finalmente olhei, vendo minha mãe, parada perto da gente. Ela tinha um sorriso no rosto enquanto olhava para Draco.

- Como vai, senhora Granger? – Draco perguntou a ela casualmente, mas ainda me olhando e eu não queria que ele desviasse o olhar. Queria que aquilo durasse por algum tempo mais. Queria que aquilo durasse o máximo que pudesse.

- Bem, muito bem. Mione me contou sobre o que fez, pagando meu tratamento. Queria agradecê-lo por isso.

Draco finalmente a olhou, balançando a cabeça em um aceno cordial.

- Não há o que agradecer – ele olhou para mim, fazendo um gesto quase imperceptível com a cabeça.

Minha mãe não sabia de um punhado de coisas que haviam acontecido enquanto ela esteve no hospital e continuaria assim. Aquilo havia sido entre mim e Draco e ninguém mais. Muitas pessoas já estavam envolvidas naquilo e eu não queria que minha mãe se tornasse uma delas. Não sabia o que ela iria pensar caso soubesse, mas sabia que sua reação seria péssima. Tudo o que ela soube foi de meu casamento com Draco. Ela se mostrou desconfiada, claro, mas qualquer desconfiança sumiu e deu lugar a euforia quando soube de Alicia. Não questionou meus motivos quando, no mesmo dia em que ela chegou a Mansão, anunciei que sairíamos de casa. Às vezes, quando pensava que eu estava distraída, a via me olhar com algo parecido com tristeza. Em uma tarde, quando eu a estava ajudando a fazer um bolo de chocolate para nosso chá, ela perguntou se eu tinha algo para lhe contar. Confesso que naquele momento realmente pensei em dizer a ela. Ela me entenderia. Lucius havia feito a mesma coisa com ela. Mas Draco não era como seu pai e nem nunca seria. Bem, fisicamente eles eram parecidos e em alguns gestos e feitios também, mas ainda sim, Draco nunca seria como seu pai havia sido. Eu não queria que ela os comparasse. Diferente da história com minha mãe, ela não havia se casado com Lucius e nem engravidado dele. Muito menos se apaixonado. Então, fiz o meu melhor, sorrindo e dizendo que não havia nada para ser dito. Eu duvidei que aquilo fosse aquietá-la, mas ela não tocou novamente no assunto.

- Por que não entram? – ela perguntou, olhando entre nós dois – Sarah está te esperando, Mione. Você sabe que não pode ficar sem comer no estado em que está.

Draco me olhou assim que a ultima frase foi dita. Preocupado e irritado, era assim que ele parecia. Um pequeno sentimento de culpa passou por mim, mas eu sabia que estava me cuidando. Alicia estava bem, eu me certificava disto. Apenas tive alguns desmaios. Nervosismo, essa era a causa. Draco não era culpado, mas a cada vez que eu via Blaise e tinha noticias do quão mal ele parecia, mais nervosa eu me sentia. Nervosa e culpada por que... Se ele estava daquele jeito a culpa era minha.

[...]

Eu nunca havia sentido tanto medo em minha vida como naquele momento. Era um medo real, que eu nunca havia sentido antes. O peso de uma ação que mudaria toda a minha vida. Mudaria a nossa vida. Eu não estava pensando em mim, estava pensando em Alicia e no que uma decisão errada minha poderia mudar.

- Como você está? – eu perguntei, algum tempo depois de todo aquele silêncio. Draco girou em seus calcanhares, me encarando frio com seu rosto um pouco vermelho e com alguns arranhões.

- Como você acha que eu estou?

Eu dei de ombros, mordendo meu lábio inferior, tentando não mostrar como eu me sentia com aquilo.

- Foi a única saída que encontrei para me-

- Afastar de você? – me interrompeu – Porque se foi isso não funcionou nenhum pouco.

- O que você faria em meu lugar, uh? Ficaria vivendo debaixo do mesmo teto de alguém que te enganou sem o mínimo de escrúpulos? Eu aposto que não, Draco. Eu tive meus motivos. Precisava pensar em tudo o que estava acontecendo e tomar uma decisão sobre isso – meu tom havia sido ameno, sem alterações, diferente de como eu me sentia.

- Você demorou a tomar uma decisão, não acha? – perguntou, com uma nota de sarcasmo na voz.

- Eu não sou a culpada disso – me defendi – Fiz pensando não apenas em mim, mas em Alicia também.

- Ótimo, eu fui o único que não merecia consideração, certo?

- Consideração? – eu perguntei, não conseguindo mais soar calma – Onde estava sua consideração comigo?

Ele passou a mão pelo cabelo, irritado e respirou fundo. Soltei um suspiro, me sentando na beirada da cama depois de ficar tanto tempo em pé e me sentindo cansada.

- O que foi? – Draco perguntou e eu o olhei, vendo que seus olhos me analisavam meticulosamente.

- Nada, apenas um pouco de cansaço.

- Claro, nunca é algo importante para você quando diz respeito a minha filha – irritação e ironia estavam tão presentes ali que era quase palpável.

- O que quer dizer com isso? – eu perguntei, ficando novamente de pé e Draco deu alguns passos, parando em minha frente e me olhando de cima.

-O que você acha? – parecia uma provocação, mas ele também parecia falar sério.

Eu ergui meu dedo indicador, apontando para ele.

- Se você acha que veio aqui para me atacar e dizer esse monte de coisas vá embora, Draco. Alicia é o que eu tenho de mais importante e você não é ninguém para vir aqui e me chamar de negligente! – meu tom era contido, mas as palavras saíam no tom certo. Minha cabeça latejava e eu não ficaria ouvindo aquilo.

- Oh, me desculpe. Eu pensei que fosse o pai – ironizou, segurando meu dedo e então meu pulso, me puxando para mais perto dele, apenas aumentando o contato físico. – Eu pensei que também fosse alguém importante.

Eu respirei fundo, sentindo minhas pernas bambas e aquilo não tinha nada a ver com meu cansaço. Eu fechei os olhos por um momento, tentando me manter firme e então os abri. Draco ainda me encarava.

- O que veio fazer aqui? – eu perguntei determinada a ter uma resposta desta vez – O que, realmente, veio fazer aqui.

Ele não me soltou, ao contrário, seu aperto em meu pulso ficou ainda mais firme. Não me machucava apenas me deixava no mesmo lugar.

- Buscar você – afirmou.

- Eu não vou.

- Não minta –disse, sem parecer mais divertido. Ele falava sério.

Engoli a seco.

- Draco, aconteceram coisas nesse tempo em que estivemos longe – comecei, sem saber ao certo qual posição tomar. Todos os caminhos pareciam tão incertos – Você não vê que nunca vamos funcionar? Somos de mundos diferentes.

- Isso era o que eu costumava dizer. Acho que agora é um pouco tarde, não acha? Já estamos casados, vamos ter uma filha.

- Eu não quero ficar ao seu lado fingindo estar feliz quando não estou.

Logo após a frase sair, arrependimento correu por todo meu corpo no exato instante em que Draco me soltou, dando alguns passos para trás. Ele havia entendido errado. Havia soado errado. Eu não devia ter dito daquela forma.

- Draco, você entendeu errado.

- Não, – ele disse em um tom duro – eu entendi perfeitamente bem. Foi um erro eu ter vindo aqui.

Pegando o casaco que estava sobre a cadeira da penteadeira, Draco caminhou para a porta com passos rápidos e duros.

- Não. O que eu quis dizer foi que-

- Hermione – ele fez um gesto, erguendo a mão sem se virar – Você disse o que pensava. Não se preocupe, volto para saber de Alicia. Ou então – ele virou um pouco para trás, me encarando de um jeito que me fez me arrepender ainda mais – Eu pergunto a Blaise. Você parece confiar mais nele do que em qualquer outra pessoa.

Eu estremeci quando a porta bateu com força e não deixei que os soluços saíssem. Alcancei a porta e a abri a tempo de ver Draco virando no final do corredor, ignorando meus chamados para que ele esperasse. Apressei-me pelo caminho que ele havia seguido e não demorou muito para que eu visse minha mãe parada a sua frente na sala de jogos. Ela sorria para ele, parecendo tentar fazê-lo ficar e, desta vez, quando eu o chamei, Draco me olhou. Foi como se uma sensação de vazio tomasse conta de mim com aquilo. Sentia como se estivéssemos voltado ao zero, quando tudo o que existia entre nós era raiva e rancor.

- Você entendeu errado – eu murmurei, andando para mais perto dele – Eu quis dizer que não quero fazer algo para me arrepender depois.

- Acho que você foi bem clara nessa parte – respondeu em tom indiferente.

Sentia meu coração bater rápido, juntamente com minha garganta seca. Minha mãe, que parecia confusa ao lado de Draco observando a cena, mudou para uma expressão preocupada.

- Draco, não faça isso – eu pedi, colocando uma mão encostada a parede, rezando para que aquela palpitação acabasse rápido, mas parecia ficar cada vez pior.

- Hermione? – minha mãe chamou preocupada, mas sua voz parecia soar longe quando eu concentrava o resto de atenção em Draco.

- Isso o quê? Se você está querendo dizer destruir nossa família, saiba que nunca houve uma!

- Hermione! – minha mãe disse, e então eu senti seus braços ao meu redor quando a parede em que eu me apoiava pareceu sumir – Querida, o que está sentindo?

- Draco – o som que parecia ser da minha voz soou chiado, estranho em meio ao que parecia ser meu choro.

- O que está havendo? – outra voz soou de uma mulher, mas eu não consegui perceber quem era.

- Droga, será que alguém pode chamar um médico aqui?

As vozes se misturavam enquanto eu me sentia cair, como se meu corpo estivesse amolecendo. Alguma coisa fez pressão em meu peito, enquanto uma voz era sussurrada em meu ouvido, me mandando respirar. Draco estava ali. Ele também dizia algo mais, mas era tão baixo que eu não consegui ouvir. Depois disso única coisa que eu sentia era a pressão em meu peito, uma dor constante que parecia acertar diretamente em meu coração.

[...]

Quando abri meus olhos, era como se nunca tivesse acontecido. Como se eu tivesse apenas dormido e acordado. Sentia algo fraco em meu peito, mas nada comparado a dor de antes. Foi então que ouvi ruídos de uma conversa. Com dificuldade, virei minha cabeça para o lado, em direção ao som.

Minha mãe e Draco pareciam discutir pelo tom da conversa. Eles estavam parados no meio do meu quarto e minha mãe gesticulava enquanto falava algo sobre mim, mas não consegui entender o que era. Ela foi a primeira a notar que eu havia acordado e aquela discussão pareceu se encerrar ali.

- Querida, está se sentindo melhor? – perguntou se sentando na cama e tocando minha testa.

Eu assenti, me apoiando em meus braços para me sentar melhor na cama.

- Sim. Apenas um pouco tonta.

- E você ainda diz que não é preciso nenhum médico? – Draco perguntou, fazendo um som irritado – Ela apagou do nada, isso não é normal.

- Foi só um desmaio Draco – eu disse, tentando deixá-lo calmo.

- Acontece quando ela fica nervosa – minha mãe disse olhando para ele por cima do ombro. Eu não sabia por que eles estavam discutindo, mas pareceu diminuir a simpatia que minha mãe tinha por Draco – Fique com ela, eu vou buscar algo para ela comer.

Se levantando minha mãe olhou de relance para Draco e ele revirou os olhos, parecendo não se importar. E eu sabia que ele realmente não se importava. Sua atenção voltou para mim quando eu me ajeitei novamente na cama, me sentindo desconfortável com o travesseiro baixo. Surpreendendo-me, Draco se sentou ao meu lado na cama, com metade do seu corpo para fora, mas com as costas na cabeceira de madeira e então ele passou um braço pela minha cintura. Eu me senti confortável ali, nos seus braços. Sentia-me em um território conhecido e agradável. Deitei minha cabeça em seu ombro, respirando fundo e sentindo aquela combinação de menta e hortelã com alguma coisa a mais que eu não consegui sentir o que era me envolver.

- Desculpe pelo que eu disse – o ouvi murmurar, tão baixo que se eu não estivesse com minha cabeça próxima a dele não teria ouvido.

- Você estava dizendo a verdade, apenas isso – falei, quando eu sabia que havia me sentindo parte de Draco por várias vezes.

Eu senti sua mão espalmar sobre minha barriga, começando um leve carinho e Alicia se remexeu um pouco. Meu coração se apertou com aquilo.

- Não minta Hermione, eu já disse – falou em tom brando. Eu não queria que ele falasse daquele jeito comigo, queria que ele fosse como era no começo e assim eu pudesse voltar a odiá-lo. Não que ele tivesse mudado completamente, mas agora, a última coisa que ele parecia querer fazer era me aborrecer – Eu esperei que você fosse voltar. Pensei que assim que visse que não seria tão fácil ficar longe de mim você voltaria.

Eu me desencostei de seu ombro para poder olhá-lo melhor. Seu rosto estava sem qualquer expressão, impossível de interpretar.

- Decepcionado? – perguntei.

Ele balançou a cabeça, negando.

- Não. Eu sabia que você ia me mostrar que eu estava errado. Você costuma fazer isso.

Eu não devia, mas eu ri. Não por ter achado propriamente engraçado, mas pelo que aquilo me lembrou. Lembrava-me claramente de quando estávamos em Paris e Draco me mostrou a torre Eiffel.

Ele tocou minha bochecha, desta vez, seu rosto transparecendo suas emoções. A principal delas parecia ser algo parecido com afeição, mas também havia muito mais. Algo bem além disso. Eu deixei que ele se aproximasse mais, ficando praticamente de joelhos na cama e escovando meu cabelo para trás dos meus ombros. Seus olhos naquele tom azul acinzentado pareciam ainda mais claros enquanto ele se aproximava cada vez mais. Eu quase tinha me esquecido da incrível sensação de ter ele tão próximo a mim me causava.

O que eu havia sentido mais cedo, quando ele havia me beijado, voltou ainda mais forte dessa vez. Eu sabia que precisava daquilo. Assim como sabia que mesmo que tentasse uma vez mais dizer a mim mesma que Draco não era parte de mim e que ele não me fazia bem, eu nunca conseguiria me afastar dele. Mesmo me machucando, mesmo que doesse tanto quanto havia doído ser passada para trás, eu ainda sim o amava. Tudo isso porque mesmo com todos os erros, de toda a forma errada que aquilo havia acontecido, no final, quando eu pensava que tudo estava perdido, bastava que Draco me olhasse daquela forma, cheio de paixão e devoção, ou que ele simplesmente me tocasse para eu saber que valia a pena cada dificuldade que havíamos passado. Porque no final, aquele mesmo olhar dele me dizia que ele me amava. E eu o amava. Mesmo que ele fosse errado de tantas formas para mim, ele era o único que fazia com que eu me sentisse completa.

- No que está pensando? – ele perguntou, com seus olhos cravados em meu rosto de tal forma que me fazia aquecer por dentro. Fazia-me sentir protegida.

- Em você – murmurei, me aproximando dele, tocando o colarinho de sua camiseta branca onde sua gravata verde e cinza estava e então subindo, tocando seu rosto e olhando em seus olhos – Em como eu amo você.

Ela franziu o cenho e sua respiração pareceu ficar irregular.

- Ainda?

Eu sorri, surpresa por seu ceticismo.

- Acho que vou te amar por muito tempo ainda, Malfoy.

Ele tocou nossas testas, fechando os olhos. Draco não era o cara mais romântico do mundo e eu soube disso antes mesmo de amá-lo. Ele não demonstrava com frequencia seus sentimentos. Aliás, poucas vezes eu o havia visto fazer isso, mas é exatamente por isso que tudo o que ele me diz quando se trata de nós dois se torna especial.

- Você não vai acordar de manhã me odiando, irá? Não irá acordar sabendo que me perdoar foi a pior coisa que poderia ter feito – ele abriu seus olhos, parecendo procurar em mim qualquer coisa que indicasse que eu faria exatamente aquilo.

- Eu não sei – admiti – E eu não tenho certeza de muita coisa agora, Draco. Mas se eu não tentar, eu nunca vou saber.

Notas finais
Nos encaminhando para o final. Ainda há algumas coisas para ocorrerem, mas... Estamos muito próximos agora.