A Beautiful Lie
44 Cap. 42 - Presa e Predador
Notas iniciais
Então, eu estou devendo a algum tempo isso: Capítulo total e completamente dedicado a JULIAMARIN, que deixou uma recomendação linda, perfeita e divônica pra fic. Obrigada flore ^^
Enfim, espero que gostem do cap ^^
O resultado de uma noite mal-dormida estava ali: eu não conseguia me concentrar para absolutamente nada. Havia perdido a conta de quantas vezes eu havia pedido uma xícara de café. O motivo disso tudo foi à confusão na noite anterior. Eu havia passado a noite acordado, pensando, sem conseguir dormir. Hermione estava em todos os pensamentos. Desde os mais simples aos mais confusos, assim como pensamentos do que faria quando a tivesse a meu lado. Eu ainda me perguntava por que infernos ela havia procurado o Weasley para ajudá-la, quando ela simplesmente poderia ter me pedido um tempo para pensar. Pensar sobre isso também me fez chegar a conclusão de que provavelmente eu não daria esse tempo a ela. Não afastada de mim. Blaise estava certo. Por que eu não havia ido pegá-la? Por que ainda estava esperando que ela voltasse? Eu poderia ser o orgulhoso da situação, mas Hermione tinha algo muito mais do que isso em favor dela. Eu quem a havia magoado. Era de mim que ela queria manter distancia. Mesmo que ela ainda me ame, não pareceu ser o suficiente para que ela esquecesse tudo.
- Está tudo bem, senhor Malfoy? – um homem com sotaque holandês perguntou.
Eu assenti, massageando minhas têmporas e fingindo me concentrar no que estava sendo dito.
Arrependimento... Ela havia citado isso na biblioteca. Como se eu não o sentisse. Como se tivesse planejado tudo nos mínimos detalhes. Não havia sido dessa forma. Eu tentei, obviamente, mas quando se tratava de Hermione eu sabia que ela sempre poderia me surpreender. Aquela havia sido sua cartada final, como se estivesse me mostrando que ela sempre esteve no controle.
Senti um leve chute em minha canela e olhei com raiva para Rebecca que parecia apreensiva. Notei que todos os olhares na mesa estavam direcionados a mim.
- O que você acha? – outro homem perguntou, torcendo suas mãos em cima da mesa – Fizemos algumas alterações na proposta. Creio eu que agora esteja bem mais vantajoso para o senhor.
Rebecca me empurrou um punhado de folhas que estavam grampeadas juntas e eu as olhei sem ter um real interesse, folheando até o final do contrato.
- Podemos alterar algumas coisas, em longo prazo, é claro – o mesmo homem de antes falou.
Eu fechei o contrato e o empurrei para longe de mim.
- Não era isso o que eu tinha em mente – afirmei. O homem a minha frente pareceu visivelmente decepcionado.
Já havia perdido mais tempo naquilo do que planejara
Levantei-me, abotoando o paletó e pegando minha pasta. Rebecca levantou, com uma expressão de "sinto muito" direcionada aos outros presentes.
Com a promessa deles de que "veriam o quê poderia ser mudado" eu saí do restaurante, seguindo para o elevador que me levaria para o estacionamento. Atrás de mim eu ouvia o barulho irritante dos sapatos de Rebecca.
- Estamos com pressa? – ela questionou, andando agora quase ao meu lado.
- Meu tempo não pode ser desperdiçado com qualquer coisa. Vou para casa. Você volte para meu escritório e mantenha as coisas lá em ordem.
- Mas-
- Perdão? – a interrompi, parando de andar e a encarando.
- Sim, senhor. – ela murmurou, passivamente, mas com um olhar inquieto.
- Ótimo!
Eu não menti quando disse que não queria desperdiçar meu tempo com qualquer coisa, mas quando eu cheguei em casa a minha única vontade era fazer algo que me distraísse.
- Você parece excelente, meu caro – a voz soturna de Blaise soou, acabando com a ideia que eu tinha de distração.
- Sério? Pois é assim mesmo que me sinto. – eu me sentei em uma poltrona e então o olhando. Queria perguntar sobre o que havia acontecido no pub e como ele pode se envolver com aquela gente, mas, parecendo saber o que eu diria ele me interrompeu antes mesmo que eu pudesse começar com as perguntas.
- Que bom, mas acredito que vai se sentir melhor ainda quando você ver quem está te esperando em seu quarto – ele disse, fazendo um sinal com a cabeça em direção as escadas.
Eu o olhei em descrença, sua frase arremetia há outros tempos e eu soltei um suspiro cansado.
- Mande-a embora.
- Oh, não é isso o que você está pensando. Vá lá e descubra. Sua empregada deixou que ela subisse, mas eu não achei uma boa ideia – ele deu de ombros.
Ainda o encarando eu me levantei.
- Se isso for uma brincadeira-
- Acredite, não é! – afirmou, parecendo curioso enquanto eu subia as escadas – Lembre-se: assassinato ainda é crime! – ele falou em um tom alto para que eu ouvisse.
Se fosse uma surpresa tal como ele me fazer encontrar os amigos de Hermione, não iria adiantar muito assassinato ser ou não um crime. Muito menos a quanto tempo éramos amigos. Com surpresa ou não, Blás não escaparia do que eu tinha para dizer a ele.
Eu segui até meu quarto com pressa para saber de uma vez o que ele havia feito, mas assim que girei a maçaneta do meu quarto e abri a porta, eu me arrependi. Bem, não completamente, já que logo depois do aborrecimento eu senti todo o ódio que só havia aumentado dentro de mim com o passar dos dias.
Sentada em minha cama em uma pose perfeitamente ereta e com as pernas cruzadas estava Pansy Parkinson. Em outros tempos, eu teria direcionado toda a minha atenção para suas pernas ou então o decote de sua blusa cinza, mas não agora.
- Draco! Como está? – ela perguntou, sorrindo.
Eu fechei a porta atrás de mim e vi Pansy enroscar mais suas mãos em seus joelhos, mas seu sorriso não vacilou nem por um segundo.
Eu sorri de volta enquanto caminhava lentamente em sua direção.
- Eu não sei – perguntei em um tom calmo. Não queria assustá-la. Não agora – Como acha que eu deveria me sentir, querida?
Seu sorriso, se possível, ficou ainda maior.
- Aliviado, é claro! — seu tom era eufórico. Ela se levantou, colocando sua bolsa sobre a cama e então vindo em meu encontro e enroscando suas mãos em torno do meu pescoço – Ela foi mais rápida do que eu pensei – considerou, ainda sorrindo – Mas eu pensei que seria mais difícil fazer você se livrar dela. Admita, Granger não é tão boa com jogos quanto eu.
Se havia qualquer chance de eu ser razoável ali, morreu quando a referência a Hermione escapou por entre seus lábios manchados de vermelho.
- Não, ela não é – eu disse secamente e colocando uma mão em sua cintura, sem me importar com a força exercida ali – Sabe por que ela não joga como você, Pansy? – indaguei, levando minha outra mão ao seu queixo e o segurando com força para que ela me encarasse – Porque ela não é como você! E é por isso que eu me casei com ela e não com você!
- Draco – ela disse, com seu sorriso se desfazendo aos poucos conforme meu aperto se intensificava – Draco, está machucando.
- Oh – eu sorri cinicamente, soltando seu queixo e levando minha mão até seus cabelos e levando sua cabeça para mais perto da minha – Estou mesmo, querida?
Ela ainda não parecia com medo, apenas assustada. Era pouco, muito pouco.
- Você devia me agradecer – ela disse, me provando que realmente não estava com medo – Eu te livrei de um fardo e sabe disso! A Granger não merecia estar ao seu lado, nunca mereceu! Eu quem sempre estive aqui. Era de mim que seus pais gostavam.
Eu segurei suas mãos quando estas ficaram sobre minha blusa e as apertei juntas em suas costas.
- Não seja estúpida, Parkinson! Meus pais sempre souberam quem você realmente era, assim como eu – falei impassível – E eu vou repetir pela última vez: o sobrenome dela é Malfoy. Estou começando a achar que você sofre de alguma doença degenerativa.
- Não! – ela disse, em um tom relativamente alto e eu a apertei mais, sibilando um "não faça escândalos", para ela – Isso era para ser meu, e você sabe! Somos iguais, temos coisas em comum! O que ela tem com você? – eu sentia o desespero em suas palavras, mas não era por saber que ela gostava de mim. Eu sabia o que realmente a incomodava ali. Era para quem ela havia perdido que importava a Pansy – O que ela tem em comum com você? – repetiu.
- Não interessa! Ela não está em questão aqui.
Ah, ela não fazia ideia do quanto eu e Hermione tínhamos em comum... Era nos mínimos detalhes que víamos o quanto realmente nos parecíamos. Não em personalidade, é claro, mas em tantas outras coisas... E eu só descobri isso em Paris, quando fiquei verdadeiramente ao seu lado.
Pansy riu, como uma mulher maluca. Histérica.
- Claro que não. Por que mesmo ela sendo a vadia que te deixou você ainda beija os pés dela! Tudo isso por um filho, Malfoy? Tudo isso por uma criança que você nem ao menos sabe se vai poder realmente tratar como filho?!
Ali estava. O motivo de todo o meu ódio. Eu não havia o esquecido, mas não me pareceu inteligente dela me motivar a entrar no assunto.
- Você pensa que conseguiu, não é? Acabar com o meu casamento e destruir Hermione. Mas está enganada, ainda não acabou. Na verdade, você me fez um enorme favor! Eu não saberia como contar a Hermione o que eu havia feito se não fosse por sua ligação. – eu tracejei seu rosto com meus dedos, a sentindo estremecer. Finalmente seu medo começava a transparecer em suas feições. Era evidente que eu não a agradecia pela ligação, mas somente por saber o que eu provocaria nela ao fazê-la pensar que não me atingiu como pensou que faria, já era um grande presente. Eu apertei suas bochechas, com força, espremendo seu rosto entre meus dedos – Mas você não fez algo inteligente, sabia? Devia ter sumido enquanto teve tempo – eu a alertei, desnecessariamente.
- Meu Deus – ela sussurrou baixinho, me olhando parecendo assustada – Meu Deus.
- Resolveu recorrer à ajuda Divina agora? – eu perguntei, tentando entender o que ela estava pensando.
Você ama aquela cretina,é por isso que está brigando comigo, não é?! – ela meio perguntou meio afirmou, em um tom alto – Caso contrário estaria me agradecendo por ter te livrado dela, mas não! Esta aí, defendendo-a como um leão defende sua fêmea! – ela balançava a cabeça em negação enquanto gritava, mas eu não me importei com aquilo. A única coisa que seus gritos provocavam em mim era irritação, nada mais. No entanto, alguém pareceu se importar já que segundos depois batidas frenéticas soaram na porta.
- Draco? – Blaise perguntou, parecendo realmente preocupado e repetindo meu nome mais algumas vezes quando não houve respostas – Pansy, você está bem? – Blás pareceu ter assumido que não devia se preocupar comigo realmente, e sim com Pansy, que era quem estaria na desvantagem.
Eu o ignorei, voltando minha atenção para Pansy que me olhava cautelosamente. Ela estava certa. Todo cuidado era pouco enquanto eu a apertava como uma serpente aperta sua presa antes de engoli-la. Mas eu não faria isso. O veneno que Pansy possuía era bem capaz de me fazer mal, e eu sabia bem disso.
- Novamente, isso não te interessa – falei, com minha atenção focada totalmente em seus olhos, mostrando a ele o quão sério eu falava – Eu dei um aviso, Pansy, e você o ignorou deliberadamente. As consequencias serão todas suas.
Ela riu, nervosa. Blaise estar parado a centímetros de distância pareceu lhe dar alguma confiança extra.
- Está me ameaçando?
- Não, isso é um alerta – murmurei, não tendo como minha voz soar mais fria e ao mesmo tempo divertida – Apenas um alerta para que você tome cuidado com seus passos a partir de agora. Blaise está do outro lado da porta, mas eu te garanto que antes mesmo que ele a arrombe, — eu apertei seu pescoço com a mão que antes estava em seu rosto, a vendo empalidecer rapidamente – eu esmago você como se fosse um inseto, entendeu? – eu apertei mais um pouco seu rosto e seu corpo, antes de soltá-la por completo e ela começar a tossir – Está disposta a pagar para ver, Parkinson?
Ela me deu um último olhar amedrontado, me lembrando de como um coelho indefeso olha para um predador, antes de pegar sua bolsa que ainda estava sobre a cama e abrir a porta com força e rapidez, saindo por ela. Eu permaneci onde estava não me movendo nem mesmo quando Blás tocou meu ombro, parecendo preocupado.
- Ela não tinha um arranhão sequer, percebeu? – eu perguntei a ele, querendo que ele parasse de me olhar daquela forma.
- Não, com certeza nenhum arranhão, mas acho que ela já estava com o pescoço e os pulsos machucados quando entrou aqui. Ou o cabelo bagunçado. Mas eu não sei por que diabos ela estava segurando o quadril como se estivesse sentindo alguma dor.
Dei de ombros, caminhando até perto da janela e me escorando junto a ela.
- Você tinha dito algo sobre assassinatos, não sobre algumas lesões – falei, olhando para a paisagem fria do lado de fora. Foi só então que eu me dei conta do que havia dito. Blaise estava olhando uma pintura na parede quando eu o olhei – Como você sabia? – eu perguntei.
- O quê? – ele perguntou de volta, parecendo confuso.
- Como sabia que eu estava com ódio da Pansy?
Blaise apenas sabia que eu havia terminado com ela. Não havia por que dele pensar que eu estava com ódio dela, principalmente porque Pansy havia sido minha namorada durante muito tempo, assim como amiga dele. Para todos os efeitos, meu término com ela havia sido cordial, sem nenhuma mágoa. Até mesmo Blás pensava assim. Ao menos, até algumas semanas antes.
- Ela contou a você, não é? Era por isso que estava andando por aí sem olhar para mim. Você sabe por que nos separamos e por que ela foi embora. Assim como sabe onde ela está – não foi uma pergunta. Eu não precisava de respostas.
Como a maioria das pessoas, Blás não era alguém muito bom em controlar suas emoções.
Notas finais
Ah, e outra coisa, homens realmente são paranoicos :/ ~agora digo isso por experiencia própria, mas não vou falar sobre minha vida amorosa aushauhsas
Próximo cap.? Hm, ele tem grandes, grandes, grandes coisas. E, antes que me perguntem: o resto da fic não será narrado apenas pelo Draco. Teremos apenas mais 3/4 capítulos, se não me engano ~preguiça demais para ir checar aushuhas
Quanto ao Blaise... Meninas, joguem na mega-sena e dividam o prêmio comigo, sim? aushaushashas Ou eu sou muito óbvia ou vcs q são muito espertas ~prefiro a segunda opção :p
Bjs suas lindas, inté a próxima ^^
Fale com o autor