A Beautiful Lie
2 Cap. 2 - Proibído
Notas iniciais
Espero que gostem *.*
Eu me virei, em choque, apenas para confirmar minhas suspeitas.
–Sr. Malfoy eu... Eu estava apenas... –eu me perdi nas palavras enquanto tentava, e falhava, não parecer uma garotinha assustada.
–Eu vi o que estava fazendo! –ele respondeu curto e grosso.
– Eu pensei que já que não havia mais nenhum trabalho a ser feito eu poderia dar uma volta pelo campo. –respondi me controlando para não ignorá-lo completamente e voltar a mergulhar naquela água.
–É mesmo senhorita Granger? –ele perguntou irônico, erguendo uma sobrancelha pra mim. – Bem, suponho que o almoço já esteja na mesa a minha espera e a de minha noiva. Também espero que todas as providências para minha viajem de amanhã tenham sido tomadas, assim como espero que a mansão esteja em ordem enquanto a senhorita se diverte como se não tivesse obrigações.
–Bem eu...
–Oh! Você fez tudo, eu suponho. –ele me interrompeu. Eu mordi meu lábio inferior, enquanto me controlava para não o xingar de todos os nomes feios que eu conhecia, o que infelizmente não eram muitos. Vendo minha cara ele continuou, parecendo ainda mais arrogante, se é que isso fosse possível. — Não, a senhorita não fez nada disso, então, eu sugiro que saia imediatamente daí e vá fazer algo de útil.
Só então eu voltei a ter consciência de que continuava dentro do lago. É incrível como em todas as poucas vezes que eu tentei fazer algo que eu realmente quis, eu me dei mal.
Com a cabeça baixa, eu meio caminhei meio nadei para fora do lago, o que fez com que eu me sujasse com um pouco de lama que tinha na beirada. Não consegui controlar o ultraje que senti pelo Malfoy continuar lá, parado, me olhando, sem ao menos estender uma mão em minha direção. Enquanto ele me olhava, seguindo meus passos, eu fui até a pedra em que tinha deixado minhas roupas e as peguei.
–Ótimo, eu por um momento pensei que iria voltar assim.
–Para você ficar me olhando? Não mesmo! – o que seu pai havia feito com a minha mãe ainda estava fresco em minha mente.
Mas não é isso o quê importa. O que importa, é que eu posso ter sussurrado e falado baixo o suficiente para nenhum humano ouvir, mas quando Malfoy retrucou, eu tive a certeza deque não havia sido tão baixo.
–Não sabia quem além de preguiçosa é uma comediante, senhorita Granger. –seus lábios pronunciaram meu nome com desprezo, e ao invés de responder a altura, eu dei as costas e comecei a caminhar de volta para a mansão. Se o olhasse, tenho certeza de que perderia meu emprego.
Quando cheguei ao jardim, eu dei a volta na casa e entrei pela porta da cozinha. Os empregados já estavam fazendo tudo e eu agradeci por isso. Avisei que iria apenas tomar um banho e desceria em breve, para colocar tudo em ordem.
Eu fui até a casa dos empregados e tomei um banho rápido, tirando a lama do corpo. Prendi meu longo cabelo castanho em um coque firme e vesti o uniforme, junto com aqueles sapatas fechados que não ajudavam em nada no meu tamanho. Depois de sair do pequeno quarto em que eu dormia, eu fui até o da minha mãe. Ele era todo simples, apenas com uma cama, um criado-mudo e um guarda-roupa, não me referindo aos aparelhos médicos dali. Em cima do criado-mudo havia alguns remédios e um papel com o horário que ela deveria tomá-los. Seus cabelos estavam ainda mais ralos do que eu me lembrava, sua pele quase translúcida, dava um aspecto doentio a ela. Os ossos do seu corpo estavam ainda mais evidentes. Eu via seu tórax subir e descer lentamente, as veias roxas e azuis quase furando a pele de suas pálpebras. Sua saúde se debilitava a cada dia mais e eu não sabia o que fazer. Eu fui até ela, lhe dando um beijo em sua testa. Eu apenas queria ir para longe desse lugar e nunca mais ver nenhum dos Malfoy. Levar minha mãe para um lugar em que ela recebesse um bom tratamento e não em um lugar em que éramos tratadas como um nada. Mas parecia que a felicidade era algo proibido para nós. É por ela que eu continuo aguentando todas aqueles humilhações. Só por ela, pensei enquanto voltava ao trabalho.
Quando eu cheguei à sala de jantar, Draco e Pansy já estavam falando sobre uma nova viajem, e eu anotei mentalmente que deveria começar a aprontar tudo.
Eu escorreguei sorrateiramente para perto da mesa, sem querer ser notada. Não adiantou muito quando Pansy olhou em minha direção e fez um comentário sobre "Os bons empregados dos meus pais".
Quando eles terminaram, pedi que retirassem a mesa enquanto dava ordens sobre o que deveria ser feito no jantar.
–Senhorita Granger, — ouvi uma voz masculina me chamar enquanto eu falava com a cozinheira e eu olhei de volta. – me acompanhe até meu escritório.
Eu engoli em seco, enquanto o seguia. Sabia que havia sido uma péssima ideia ir nadar no lago e eu provavelmente ouviria um belo sermão sobre isso. Isto é, se eu fosse continuar tendo um emprego.
Eu observei enquanto ele se sentava em sua cadeira de coro marrom, sem fazer menção para eu fazer o mesmo.
– Você sabe o que se deve fazer para que uma casa seja bem organizada senhorita Granger? –ele perguntou olhando uns papéis a sua frente, como se eu não estivesse bem a sua frente.
–Não senhor. –embora minha língua tenha coçado para dizer que toda a organização da casa se devia a mim.
–Bem, eu já duvidava disso. Pois bem Granger, o que se deve fazer para ter uma casa organizada, é que o patrão tem pulso firme e os empregados andem na linha. –ele fechou uma pasta e olhou para mim. Seus olhos cinzas mais frios do que nunca. A expressão séria. – Se eu lhe pegar novamente fazendo algo que não deva ou fora do trabalho, eu não pensarei duas vezes antes de lhe por na rua! Não me importará se meus pais virem me falar que você é uma boa empregada ou que devem muito a sua mãe. Não irei admitir qualquer outro comportamento de sua parte que não seja o de uma empregada. Fui pouco claro senhorita Granger?
– Não. –eu respondi em um tom duro. –Foi completamente compreensivo, senhor Malfoy. Posso voltar ao trabalho agora?
Ele me analisou por um momento, provavelmente tentando ver se eu falava sério.
–Claro, e espero não voltar a ter está conversa com a senhorita.
Eu girei nos meus calcanhares e rumei para a porta de madeira, mas parei assim que Malfoy novamente me chamou.
–Ah!, e antes que eu me esqueça. –eu me virei para olhá-lo enquanto ele procurava algo em sua gaveta. Ele finalmente encontrou e se levantou, vindo até mim com um livro em suas mãos e o estendendo. — Não sabia que não era fã de Shakespeare.
Eu peguei o livro, me lembrando que havia levado comigo de manhã. Devo ter esquecido enquanto nadava...
–Desculpe, acho que o esqueci. Obrigada. –falei e antes mesmo que eu me virasse, Malfoy resolveu novamente abrir a boca.
–E como vai a saúde da sua mãe?
Eu olhei para ele franzindo a testa. O quê ele queria afinal?
–Os médicos recomendaram repouso, mas não é como se ela fosse ficar correndo pela casa quando nem ao menos consegue erguer o braço. –eu disse com um sorriso amargo, e tentando conter as lágrimas. Eu não iria chorar meus problemas na frente dele. Aliás, eu não iria chorar meus problemas. Lágrimas não resolvem nada Mione, minha mãe me disse certa vez.
–Bem, espero que ela melhore logo. — ele disse voltando para trás da sua mesa, voltando a parecer imponente.
Eu o encarei por alguns segundos, imaginando que ele devia estar preocupado com minha mãe. Mas ele não está, pensei chegando a minha conclusão final, ele apenas não quer gastar dinheiro com uma mulher que está doente. Todos os Malfoy são detestáveis e gananciosos. Para eles, o dinheiro falava mais alto até mesmo que a honra.
Murmurei um "com licença" e caminhei de volta para a porta, sentindo seu olhar queimar em minhas costas.
Assim que fechei a porta atrás de mim e caminhei no corredor, eu fiz um gesto feio com a mão. Argh! Deus, não tinha como alguém ser tão arrogante e presunçoso como ele.
Eu respirei fundo, tentando me lembrar que eu precisava do emprego.
Mas confesso que se tornou impossível quando eu vi uma massa de cabelos loiros bastante claros atravessarem a minha frente.
– Olhe só a sua cara! –ela disse com deboche — Eu imagino como Draco deve ter acabado com você sua idiota. E você realmente merece cada insulto!
Ela estava bem a minha frente, jogando seu cabelo por cima do ombro tentando fazer de um jeito legal e fracassando. A ignorando, eu fui para longe dela, seguindo caminho pelo corredor. Ouvi seus passos atrás de mim.
–Espero que agora aprenda onde é o seu lugar.
Eu olhei para trás, colocando o olhar mais mortal que eu conseguia.
–Eu também espero muita coisa da vida, senhorita Parkinson, uma delas, é que eu nunca mais tenha que olhar para essa sua cara de Buldogue.
Ela deu um passo à frente, tentando parecer ameaçadora, mas apenas aumentando minha raiva por ela.
–Se eu fosse você, ficaria bem quieta e faria seu trabalho Granger. Porque quando eu me casar com o Draquinho, eu vou fazer questão de fazer da sua vida um inferno. –Falando isso, ela rumou para o escritório o qual eu tinha acabado de sair.
Respirando fundo para ficar calma e não ir atrás dela e puxar seu cabelo exageradamente loiro, eu voltei ao meu caminho, enquanto repetia o meu mantra: só mais alguns meses e nós estaríamos bem longe. Você consegue Hermione! Aguente por mais alguns meses.
Notas finais
Bem, por hoje é só. Espero que tenham gostado desse. No domingo terá mais um capítulo, e será nele que acontecerá algo que gerará toda a história da fanfic, ou ao menos, a consequêfncia desse fato ;)
Dicas e críticas são bem-vinda
Bjs e até o próximo^^
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