A Batida do Coração 3: O Acorde final

13 A Cobertura na Lúcio Costa e o Ritmo da Entrega



​O relógio do painel do táxi marcava quase duas da manhã quando o veículo parou em frente ao luxuoso condomínio na Avenida Lúcio Costa, na praia da Barra da Tijuca. O som do mar quebrando na orla era forte, uma constante percussão que parecia ditar o ritmo acelerado dos batimentos cardíacos de Kayla Drake. Ela pagou o motorista com as mãos levemente trêmulas e desceu.

​Ela trazia na palma da mão a chave dourada com o chaveiro de couro escuro. Passar pela portaria foi simples; o combinado de Logan com a segurança já estava feito. No elevador privativo que subia direto para a cobertura três, Kayla encarou o próprio reflexo no espelho. Ela usava um vestido simples de alcinha preto, curto e fluido, e os cabelos negros enormes caíam em ondas selvagens pelos ombros. Seus impressionantes olhos azuis carregavam uma mistura indescritível de expectativa, medo e uma determinação absoluta. Ela era uma mulher de dezoito anos agora, e estava prestes a assinar o arranjo mais definitivo de sua vida.

​Plim.

​As portas de inox se abriram diretamente dentro do hall da cobertura. O apartamento estava na penumbra, iluminado apenas pelas luzes da cidade que entravam pelas imensas paredes de vidro da varanda e por algumas luminárias de solo de tom âmbar. O cheiro de sândalo e marcenaria nova tomava conta do ar.

​Kayla deu passos mansos, os pés descalços deslizando pelo piso de porcelanato claro. A grande porta de correr que dava para o quarto principal estava semiaberta.

​A Recepção na Penumbra

​Ao empurrar a folha de madeira, o cenário que a esperava fez o ar sumir de seus pulmões.

​Logan Lâfrer estava de pé, encostado na lateral da imensa cama de casal de lençóis escuros. Ele usava a calça social preta do terno do restaurante, mas a camisa de botão branca estava completamente aberta, revelando o peito largo, o abdômen incrivelmente definido e a pele dourada sob a luz fraca de um abajur de canto. Ele segurava um copo com dois dedos de uísque, mas o largou na mesa de cabeceira no exato segundo em que os olhos azuis de Kayla cruzaram com os seus escuros.

​O silêncio entre eles foi preenchido pelo som distante das ondas do mar.

​— Você veio — Logan sussurrou. A voz dele saiu em um tom absurdamente grave, rouco e arrastado pela tensão de quem passara as últimas duas horas contando cada segundo no relógio.

​— Eu disse que não tinha medo do barulho, Doutor — Kayla respondeu, tentando manter a voz firme, embora o compasso do seu peito estivesse errático. Ela deu dois passos para dentro do quarto, sustentando o olhar dele. — O prazo acabou. Eu vim buscar o meu diagnóstico.

​Logan travou o maxilar sutilmente, os olhos escuros descendo pelo corpo dela, fixando-se na forma como o vestido preto desenhava suas curvas e na intensidade daquele olhar azul. Ele deu passos firmes e imponentes até ela, eliminando a distância entre os dois.

​— Você tem certeza disso, Kayla? — Logan perguntou, parando a um milímetro dela, a voz descendo para um sussurro denso. Ele ergueu as duas mãos, tocando as laterais do rosto dela com uma carícia quente, os polegares traçando a linha de seu maxilar. — Se você der mais um passo, não vai ter botão de emergência para parar esse elevador. Eu não vou me afastar.

​— Eu não quero que você se afaste, Logan — ela respondeu em um fio de voz sincero, entregando-se ao calor das mãos dele. — Eu passei meses fugindo de você porque sabia que, no segundo em que eu parasse... seria exatamente assim.

​O Acorde da Intimidade

​Logan não esperou mais. Ele inclinou a cabeça e colou seus lábios nos dela em um beijo que carregava a urgência e a fome de todas as vezes em que quase foram pegos. Foi um movimento possessivo; a língua dele explorou a boca de Kayla com uma experiência que a fez perder o chão instantaneamente. Kayla soltou um gemido baixo contra os lábios dele, prendendo as mãos nos ombros largos da camisa aberta de Logan, sentindo a textura da pele quente e os músculos rígidos se contraírem sob os seus dedos.

​Enquanto aprofundava o beijo, os dedos longos de Logan escorregaram pelo pescoço de Kayla até alcançarem as alcinhas finas do vestido preto. Com uma lentidão torturante e deliberada, ele as empurrou para o lado. O tecido de seda deslizou pelo corpo dela, caindo em um amontoado escuro no chão, deixando-a exposta diante dele apenas com as peças íntimas de renda.

​Logan se afastou de leve, a respiração vinda em jatos curtos e quentes. Seus olhos escuros varreram o corpo esculpido de Kayla com uma adoração quase cirúrgica, despida de qualquer frieza.

​— Você é a melodia mais perfeita que eu já vi na minha vida, Kayla — ele sussurrou, a voz trêmula pelo desejo latente.

​Ele a pegou nos braços de forma firme e a deitou no centro da cama de lençóis escuros. Logan subiu logo em seguida, posicionando-se entre as pernas dela, mantendo o peso do próprio corpo apoiado nos antebraços para não machucá-la. O contato direto da pele nua de seu peito contra a dela causou uma inversão térmica completa no quarto.

​As carícias tornaram-se intensas e profundas. As mãos de Logan mapeavam cada centímetro da pele dourada de Kayla, descendo pelas costelas até os quadris, enquanto sua boca traçava um caminho de beijos ardentes pelo pescoço dela, descendo pela linha da clavícula. Kayla arqueava o corpo contra os lençóis, os cabelos negros enormes espalhados pelo travesseiro, as unhas cravando-se nas costas largas de Logan conforme uma onda de calor desconhecida dominava todos os seus sentidos.

​A Entrega e o Novo Ritmo

​Lentamente, com um cuidado que contrastava com a sua habitual arrogância, Logan removeu o resto das barreiras entre eles. A nudez mútua sob a luz âmbar eliminou qualquer resquício de passado. Ele a olhou nos olhos, capturando o leve tremor nas mãos pequenas dela e a hesitação inocente que ele já diagnosticara no elevador.

​— Olha para mim, Kayla — Logan pediu, a voz preenchida por uma ternura profunda e protetora. Ele entrelaçou seus dedos nos dela, prendendo suas mãos contra os lençóis acima da cabeça. — Vai ser no seu tempo. No seu compasso. Eu sei que é a sua primeira vez.

​— Eu confio em você, Logan... — Kayla sussurrou, os olhos azuis dilatados, fixos nos dele, entregando-lhe o seu segredo mais bem guardado. — Só... não para.

​Logan inclinou-se e a beijou novamente, um beijo calmo, profundo e anestésico, enquanto seu corpo se movia para encontrar o dela. Com uma paciência cirúrgica e uma pressão firme, ele iniciou a união definitiva entre os dois mundos.

​Kayla soltou uma lufada de ar contra a boca dele, o corpo tensionando por um breve segundo diante da dor sutil e desconhecida da perda da virgindade. Mas Logan conhecia a anatomia do controle; ele estancou o movimento, mantendo-se colado a ela, distribuindo beijos suaves por suas pálpebras, pelas bochechas e pelos lábios, sussurrando palavras calmas até sentir o corpo dela relaxar por completo sob o seu.

​Quando Kayla abriu os olhos azuis e encontrou a intensidade escura do olhar dele, ela deu um leve aceno com a cabeça. O compasso mudou.

​O que se seguiu no quarto da cobertura foi um arranjo de pura intensidade e paixão madura. Logan começou a se mover em um ritmo compassado, profundo e avassalador, arrancando suspiros e gemidos sôfregos dos lábios de Kayla. Ela prendia as pernas ao redor da cintura dele, puxando-o para mais perto, sentindo cada batida daquele coração que ela passara semanas tentando evitar. Não havia mais regras de hospital ou composições de rock; era apenas o som de duas respirações misturadas, o atrito das peles suadas e o encaixe perfeito de duas vidas que haviam encontrado a sua frequência exata.

​O clímax os atingiu juntos, como o refrão mais alto e explosivo de uma música de estádio. Logan enterrou o rosto nos cabelos negros dela com um grunhido forte, enquanto Kayla apertava os ombros dele, entregando-se por completo àquela avalanche de sensações que a transformava, definitivamente, em mulher nos braços dele.

​O Silêncio do Pós-Refrão

​Minutos depois, a calmaria voltou ao quarto da Lúcio Costa. O som do mar continuava lá fora, mas o silêncio interno agora era confortável, preenchido.

​Logan estava deitado de lado, com o lençol escuro cobrindo-os parcialmente. Seu braço esquerdo estava estendido sob a cabeça de Kayla, trazendo-a colada ao seu peito nu. Com a mão direita, ele acariciava os cabelos negros enormes dela de forma lenta, o polegar limpando uma mecha que insistia em colar na bochecha úmida de Kayla.

​Kayla Drake apoiava o queixo no peito dele, desenhando círculos invisíveis com os dedos na linha do abdômen de Logan. Seus impressionantes olhos azuis pareciam mais calmos, carregando o brilho de quem havia cruzado a linha do Equador e sobrevivido.

​— E então, Estrela? — Logan quebrou o silêncio, a voz rouca ecoando mansa na penumbra. Ele deu um beijo carinhoso no topo da cabeça dela. — Qual é o diagnóstico do seu primeiro dia de maioridade?

​Kayla deu um meio sorriso de canto, aquela audácia charmosa voltando de forma sutil aos seus lábios, embora estivesse misturada a uma doçura nova. Ela ergueu o rosto para encará-lo.

​— O diagnóstico é que o Doutor Lâfrer realmente sabe o que faz fora do hospital — ela alfinetou de leve, fazendo Logan soltar uma risada curta e genuína contra os lençóis. Ela se aconchegou mais no abraço dele. — O ritmo foi perfeito, Logan.

​Logan apertou o braço ao redor dela, trazendo-a ainda mais para o seu espaço. — Eu te avisei na garagem que não ia mais me afastar, Kayla. Na segunda-feira você assina o seu contrato com a gravadora... mas o contrato desse coração aqui já foi assinado hoje nessa cama. Você é minha.

​Kayla fechou os olhos, escutando as batidas estáveis do coração de Logan contra o seu ouvido. O futuro no palco do rock nacional começaria em poucos dias, mas ali, no silêncio daquela cobertura na Barra da Tijuca, Kayla Drake sabia que havia encontrado a melodia mais bonita e intensa de toda a sua vida. O jogo de distâncias havia terminado; a música deles havia apenas começado.