Notas iniciais
Último capítulo até eu voltar:) Obrigada a todos que acompanharam até aqui, e façam um favor: COMENTEM!!! Beijos e até daqui uns dias

Sonhei com Dédalo mais uma vez.

Eu estava de pé no topo de uma torre de pedra, olhando penhascos rochosos e o oceano abaixo. Dédalo estava curvado em cima de uma mesa de trabalho, lutando com um tipo de instrumento de navegação, parecido com um enorme compasso.

Ele parecia anos mais velho do que quando eu o vira pela última vez. Suas mãos estavam calejadas pelo trabalho. Ele praguejou em grego antigo e piscou como se não pudesse ver o seu trabalho, embora fosse um dia ensolarado.

- Tio! — uma voz chamou.

Um menino sorridente com a idade de Blaine veio, pulando os degraus carregando uma caixa de madeira.

- Olá, Perdix. — Dédalo falou friamente. — Já terminou seu projeto?

- Sim, tio. Foi fácil!

Dédalo fez uma carranca.

- Fácil? O problema de mover água morro acima sem uma bomba era fácil? – ele exclamou.

- Ah, sim! Olhe! – O menino respondeu alegremente.

O menino esvaziou sua caixa e revistou no meio de suas tranqueiras. Ele veio com uma tira de papiro e mostrou para o velho inventor alguns diagramas e notas. Eles não fizeram sentido algum para mim, mas Dédalo assentiu de má vontade.

- Sim. Nada mal.

- O rei amou isso. — Perdix disse. — Ele disse que eu poderia ser mais inteligente que você!

- Ele falou isso?

- Mas eu não acreditei nisso. Eu sou tão agradecido por minha mãe ter me enviado para estudar com você! Eu quero saber tudo o que você sabe.

- Sim. — Dédalo murmurou. — Assim quando eu morrer, você pode tomar meu lugar, não é?

Os olhos do garoto se arregalaram.

- Oh não, tio! Mas eu tenho pensado… por que um homem tem que morrer, de qualquer maneira?

O inventor franziu a testa.

- É assim que as coisas são, Perdix. Tudo morre menos os deuses.

- Mas por quê? — o garoto insistiu. — E se você pudesse capturar o animus, a alma em outra forma... bem, você me falou sobre seus autômatos, tio. Touros, águias, dragões, cavalos de bronze. Por que não uma forma humana de bronze?

- Não, meu garoto. — Dédalo disse bruscamente. — Você é ingênuo. Tal coisa é impossível.

- Eu não acho. — Perdix insistiu. — Com o uso de um pouco de mágica…

- Mágica? Besteira!

- Sim, tio! Magia e mecânica juntas. Com um pouco de trabalho, alguém poderia fazer um corpo que pareceria exatamente humano, só que melhor. Eu fiz algumas anotações.

Ele deu ao velho homem um pergaminho grosso. Dédalo desfraldou aquilo. Ele leu por um longo tempo. Seus olhos se estreitaram. Ele olhou para o menino, então enrolou o pergaminho e limpou sua garganta.

- Isso nunca funcionaria, meu garoto. Quando você for mais velho, você verá.

- Posso consertar aquele astrolábio, então, tio? Suas juntas estão inchando novamente?

O velho cerrou a mandíbula.

- Não. Obrigado. Agora porque você não vai passear por aí?

Perdix parecia não notar a raiva do tio. Ele pegou um besouro de bronze de suas coisas e correu até a extremidade da torre. Um peitoril era baixo, vindo só até os joelhos do menino. O vento era forte.

Volte, eu quis dizer a ele. Mas a minha voz não saia. Perdix lançou o besouro para o céu. Ele abriu suas asas e zumbiu para longe. Perdix riu com prazer.

- Mais esperto que eu. — Dédalo murmurou, baixo demais para que o garoto pudesse ouvir.

- É verdade que seu filho morreu voando, tio? Eu ouvi que você fez asas enormes para ele, mas elas falharam.

As mãos de Dédalo se fecharam. Eu podia sentir a raiva do velho aumentando.

- Tomar o meu lugar. — ele murmurou.

O vento chicoteava ao redor do menino, arrastando suas roupas, fazendo ondular seus cabelos.

- Eu gostaria de voar. — Perdix disse. — Eu faria minhas próprias asas que não falhariam. Você acha que eu consigo?

Talvez fosse um sonho dentro de um sonho, mas de repente eu imaginei o deus de duas caras, Jano, tremeluzindo no ar perto de Dédalo, sorrindo enquanto ele lançava uma chave prateada de uma mão para a outra. Escolha, ele sussurrou para o velho inventor.

Escolha.

Dédalo pegou outro objeto dentre as coisas do menino. Os olhos do inventor estavam vermelhos de raiva.

- Perdix. — ele gritou. — Pegue.

Ele lançou um besouro de bronze na direção do menino. Encantado, Perdix tentou pegar, mas o lançamento era muito longo. O besouro voou em direção ao céu, e Perdix se esticou um pouco demais. O vento o pegou. De alguma maneira ele conseguiu agarrar ao peitoril da torre com os dedos enquanto ele caia.

- Tio! — ele gritou. — Me ajude!

O rosto do homem velho era uma máscara. Ele não se moveu de onde estava.

- Vá em frente, Perdix. — Dédalo disse suavemente. — Faça suas próprias asas. Mas seja rápido.

- Tio! — o menino gritou quando perdeu o apoio. Ele caiu na direção do mar.

Por um momento houve um silêncio mortal. O deus Jano cintilou e desapareceu. Então um trovão sacudiu o céu. Uma voz dura de mulher ecoou acima: Você pagará o preço por isso, Dédalo.

Eu já ouvira aquela voz antes. Era ninguém mais ninguém menos do que a minha amável sogra, Atena.

Dédalo fez uma carranca para os céus.

- Eu sempre a honrei, Mãe. Eu sacrifiquei tudo para viver do seu modo.

O menino tinha minha bênção também. E você o matou. Por isso, você deve pagar.

- Eu paguei e paguei! — Dédalo rosnou. — Eu perdi tudo. Eu sofrerei no Mundo Inferior, sem dúvida. Mas nesse meio tempo...

Ele pegou o pergaminho do menino, estudou por um momento, e o deslizou para dentro de sua manga.

Você não entende, Atena disse friamente. Você pagará agora e para sempre.

De repente Dédalo desmoronou em agonia. Eu senti o que ele sentiu. Uma dor que queimava se fechando ao redor do meu pescoço, como um colar muito quente, cortando minha respiração, fazendo tudo ficar preto.

Acordei apavorada. Santana sentou na cama junto comigo e abraçou minha cintura, enquanto murmurava coisas sem sentido no meu ouvido. Esperei minha respiração acalmar e voltei a deitar a cabeça em seu peito.

- Dédalo? – ela perguntou baixinho.

Assenti e ela apertou o abraço ao redor do meu corpo. Enterrei meu rosto em seu pescoço e inspirei o cheiro da pele dela. Cara, eu amo essa mulher.

- Quer conversar agora ou amanhã de manhã? – Ela perguntou enquanto afastava meu cabelo da testa.

- Ele matou o sobrinho. – eu murmurei.

- Dédalo? Sim, matou Perdix. – Santana confirmou. – Você não prestou muita atenção nas aulas de história grega, prestou?

- Não é minha culpa se a professora é muito gostosa e eu ficava perdida na voz dela. – retruquei dando de ombros.

- Britt, nós tínhamos doze anos! – ela exclamou após uma risada.

- E você só ficou ainda mais gostosa e eu ainda mais perdida por você. – falei, arrancando-lhe um sorriso torto.

- Amanhã nós conversamos. – ela disse me puxando de volta ao travesseiro. – Eu amo você, loira.

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- Você sabe que pode vir conosco, não sabe? – Kurt perguntou pela vigésima vez.

Aparentemente, ele e Blaine passaram um bom tempo discutindo ontem de noite e estavam começando a se entender. Isso é bom, eu acho.

- Eu prefiro ficar. – ele disse. – Preciso de um tempo para mim.

- Mas você já…

- Kurt, se ele prefere ficar, deixe-o ficar. – Santana falou. – Blaine ficará bem, contanto que pare de falar com Minos.

O menino assentiu e um sorriso travesso nasceu em seus lábios.

- Pode deixar, priminha. – ele respondeu, arrancando uma careta de Santana. – É melhor vocês irem agora.

Rachel abraçou o irmão antes de dar a mão para Quinn e sair da casa. Acenei para Blaine e Eurytion e sai com Santana. Tínhamos um longo caminho para percorrer até Dédalo.

Notas finais
E ai? Tchau criaturas queridas!