A Batalha Do Labirinto - Brittana
15 Capítulo 15
Notas iniciais
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@JuuPeixe
– E então, para onde vamos? – Quinn perguntou, após longos momentos de silêncio.
Nós estávamos andando há cerca de meia hora em pleno silêncio. Quinn e Rachel estavam lado a lado, Joe um pouco mais à frente junto de Marley e eu atrás com San e Finn. Santana lançava olhares tortos para Marley de minuto em minuto, o que estava ficando constrangedor.
– E-eu não sei direito. – Marley respondeu. – Está muito confuso. Não estou vendo as direções certas.
– Talvez o seu GPS tenha quebrado. – Santana disse em um tom seco.
– San… — Repreendi. Ela trincou os dentes e continuou andando. – Por favor, não comece. Não precisamos brigar por uma crise de ciúmes de novo, precisamos?
– Não estou com ciúmes. – ela disse enquanto se livrava do meu aperto.
– Amor, por favor… — pedi, mas ela me ignorou. – Mas que merda, Santana! Pare um pouco e me escute!
Ela instantaneamente parou de andar. Eu devo ter falado um pouco alto, porque todos os nossos amigos pararam de andar e ficaram nos encarando.
– Vão indo na frente que nós alcançamos vocês. – Falei firmemente. Eles assentiram e continuaram a caminhar.
Santana estava parada com os braços cruzados sobre o peito. Respirei fundo e caminhei até ela.
– Você não pode continuar com essas crises de ciúmes, San. – falei com um tom mais suave. – e-eu não queria brigar com você, meu amor. Desculpe.
– Eu não estou com ciúmes.
– Você não está facilitando, San. – tentei mais uma vez.
– Facilitando o que, Brittany? – ela gritou. – Ah, foda-se. Pense o que você quiser. Vá ficar com a sua “amiga”.
– Santana, eu estou tentando conversar com você! – falei um pouco mais alto. – Mas que droga, por que é sempre tão difícil? Só me diz qual é o problema de ter trazido ajuda para encontrar vocês?
– O problema? – Ela retrucou. – O problema é que você só pensa em você! Em algum momento você parou para pensar como eu iria me sentir com sobre você trazendo uma garota que gosta de você para a minha missão? E ainda por cima uma mortal!
– Eu só penso em mim? Eu fugi do acampamento para achar você, eu pedi ajuda para Marley para achar você, eu quase morri por você. Eu fiz tudo por você, Santana! – Gritei.
Ela fechou os olhos com força e começou a massagear as têmporas. Andei alguns passos para trás e recostei-me sobre a parede de pedras.
– Eu não acredito que estamos discutindo por isso. – ela murmurou.
– Eu também não. – sussurrei e caminhei em direção a ela. – Podemos parar um pouco com isso tudo?
– Britt, não está funcionando. – ela disse em um fio de voz.
– C-c-como assim?
– Nós. Não está mais dando certo. – ela sussurrou com a voz embargada. – Eu… é melhor nós ficarmos só amigas. Do jeito que estamos, vamos destruir tudo o que temos.
Eu não consegui acreditar que ela estava realmente dizendo aquilo. Minhas pernas falharam e eu precisei buscar apoio na parede antes que eu desabasse. Meus olhos se encheram de lágrimas e eu não consegui impedi-las de caírem por minhas bochechas.
Santana levantou e abraçou a minha cintura, enterrando o rosto no meu pescoço. Meu corpo tremia e um soluço escapou de meus lábios. Aquilo não podia estar acontecendo. Não, não podia. Não devia.
– Eu amo você. – murmurei em seu ouvido.
– Eu também amo você. – ela respondeu.
Aos poucos, seu rosto foi se afastando do meu pescoço e eu pude vê-la melhor. Os olhos inchados e o rosto vermelho de tanto chorar. Ela mordia os lábios e tentava não encarar os meus olhos, apenas olhando de relance vez ou outra.
Eu não a soltei do abraço. Ela também não largou a minha cintura. Eu contornei seus lábios carnudos e ela beijou a ponta de meu dedo. Então ela me beijou. Um beijo lento, cheio de mágoa e com gosto salgado de lágrimas. A língua dela explorava a minha boca e brincava com a minha. Eu a amava. Ela me amava. Eu sabia disso, não precisava que ela me dissesse. E todo esse amor foi para o lixo por causa de uma crise boba de ciúme.
– San… — chamei quando encerramos o beijo.
– É melhor nós irmos. – ela disse.
As lágrimas me impediam de enxergar com exatidão. Meu coração estava doendo, e eu não queria mais continuar. Eu só queria voltar para casa, para o colo da minha mãe. Mas que droga! Por que nada dava certo para mim?
Santana afastou as lágrimas do meu rosto e beijou a minha testa. As mãos dela acariciavam meu rosto e brincavam com meus cabelos.
– V-v-vai ser melhor assim, Britt-Britt. – ela murmurou. – E-eu não estou fazendo bem para você, e você… você só não está segura comigo. Por favor, não faça isso mais difícil do que já é.
Um estalo me ocorreu. Então aquilo tudo era por causa da profecia? Ela estava terminando comigo por causa do que uma múmia mofada disse? Não. Aquilo era demais. Agarrei os pulsos de Santana antes que ela se afastasse por completo.
– Não me diga que você está fazendo isso por causa da profecia. – falei firme.
– Britt, agora é você que não está facilitando.
– San, eu amo você! – explodi. – E eu sei que você também me ama. Terminar comigo não vai mudar nada disso. E se eu me lembro bem, a profecia é sobre um grande amor. Não sobre a sua namorada.
– Britt, por favor. Vai ser melhor assim. – ela disse, soltando-se dos meus braços. – Vamos, eles já devem estar mais à frente.
Deixei que ela me puxasse contra a minha vontade. Atravessamos o corredor, andamos por um bom tempo, mas nada deles.
– Estamos perdidas. – Santana concluiu. – Mierda. Não devíamos ter nos separado.
Eu não disse nada. Fiquei apenas olhando para ela. Minha ex-namorada. Isso soava estranho. Eu nunca achei que eu fosse ficar sem ela. Quer dizer, não pela segunda vez.
Ela sentou ao meu lado e enterrou o rosto nos joelhos. Eu podia abraça-la ou era contra o código? Tipo, amigas não podem se abraçar ou algo do tipo. Que se foda. Eu precisava disso, e ela também. Envolvi seu corpo pequeno em meus braços e beijei sua nuca. Ela encaixou seu corpo no meu por alguns momentos antes de se afastar por completo.
– E-eu acho melhor nós irmos. – ela gaguejou levantando. – Vai ser pior se nós ficarmos aqui.
– Nós vamos conversar quando acabarmos essa missão, San. – eu falei enquanto levantava. – Você nos deve isso. Nós duas… eu não vou deixar que ninguém nos destrua. Eu amo você e você me ama. Não vou deixar tudo o que nós temos acabar assim.
Ela suspirou, mas assentiu. Continuou caminhando comigo logo atrás. Era estranho não poder segurar a sua mão. Senti um vazio ainda maior no peito, então simplesmente enfiei as mãos no bolso do meu casaco e continuei andando.
Após algum tempo, chegamos a um túnel com vários esqueletos. Alguns mais antigos outros mais recentes. Quanto mais andávamos, mais esqueletos apareciam. E, logo à frente, um monstro.
Tinha o corpo de leão e a cabeça de uma mulher. Devia haver uma mulher muito bonita embaixo daquela camada gigantesca de maquiagem e o sorriso forçado no rosto. Uma fita azul com os dizeres Este monstro foi classificado como exemplar envolvia o peito dourado do monstro.
– Esfinge. – Santana murmurou no meu ouvido.
– Boa noite, sortudas concorrentes! – A Esfinge cumprimentou. – Preparem-se para jogar… RESPONDA AO ENIGMA! O jogo é simples, ou vocês respondem ou eu como vocês! Quem será a nossa sortuda jogadora?
– Eu vou. – Santana sussurrou.
– Não. Eu não vou deixar nenhum monstro comer a minha nam… você. – respondi.
– Britt, eu tenho mais chances de acertar do que você. – ela disse. – Eu sou melhor em enigmas. E eu já sei o que ela vai perguntar.
Por mais que não gostasse da ideia, ela estava certa. Contra a minha vontade, a deixei ir. Ela caminhou até o que parecia ser um palco e sentou-se de frente com a Esfinge.
– Santana Lopez! – O monstro gritou, e uma série de aplausos soou no corredor. – Pronta?
– Sim, senhora. – ela respondeu.
– Muito bem! Qual é a capital da Itália?
– Hã? Roma, mas…
– Resposta correta! – A Esfinge disse. – Não esqueça de marcar a sua resposta claramente na grade.
– Grade?
Uma folha de papel e lápis apareceu na frente de Santana. Ela engoliu em seco, mas se apressou em pegar o material.
– Ótimo! – A Esfinge falou. – Agora a próxima questão…
– Espere um pouco! – Santana interrompeu. – O que aconteceu com o enigma do homem? De manhã anda com quatro patas…
– Ah, mas você já sabia o que eu iria perguntar! Por isso resolvemos elevar nossos padrões para um teste de vinte enigmas que exige conhecimento em todas as áreas. Isso não é ótimo? – A Esfinge cortou. – Agora, ao próximo enigma! Qual é a raiz quadrada de dezesseis?
– Quatro. – San respondeu. – Mas…
– Ótimo! Qual presidente dos Estados Unidos assinou a proclamação de Emancipação?
– Abraham Lincoln, mas…
– Correto! Qual a…
– Espere ai! – Santana gritou. – Isso não são enigmas! São um monte de perguntas estúpidas.
– San… — murmurei. – Você pode reclamar depois.
– Não, Britt. – ela respondeu. – Isso é um insulto a minha inteligência. Não vou responder a mais nada.
De certa forma, fiquei surpresa e orgulhosa da forma que ela estava se impondo, mesmo em frente a um monstro. Mas, pelo outro lado, eu sabia que o orgulho dela iria acabar matando a nós duas.
– Bem, neste caso você falhou. – a Esfinge disse suavemente. – Então, como segue o protocolo, você será COMIDA!
O monstro se lançou para cima de Santana. Eu só tive tempo de pegar a minha espada e desviar o ataque certeiro da Esfinge. Isso deu tempo para Santana se recuperar e agarrar sua faca de bronze. Coloquei-me em sua frente, pronta para atacar, mas a Esfinge apenas me empurrou para o lado.
– San! – Gritei. – Coloque o seu boné! Ela quer você!
Ela colocou o boné e desapareceu. A Esfinge soltou um grunhido frustrado e começou a golpear o ar. Acidentalmente, golpeou a própria máquina de testes. A porta que nos mantinha no corredor se abriu e eu me lancei por ela, com Santana logo atrás.
Corri por mais algum tempo até que me dei por conta que Santana não estava comigo. Ao menos visivelmente.
– Santana? – chamei.
Uma forma começou a tremeluzir na minha frente. San sorriu fracamente para mim, e eu pude ver de relance tristeza em seus olhos.
– Parece que somos só nós duas mais uma vez. – ela disse.
– Parece que sim. – Concordei.
Ela suspirou pesadamente e fez sinal com a cabeça para que eu a acompanhasse. E, juntas, regressamos para a nossa tentativa de encontrar Dédalo.
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