A Baixinha E O Metaleiro
35 Capítulo 32 –– Ele precisa de mim
Notas iniciais
Capítulo 32 –– Ele precisa de mim
Eu não conseguia sorrir de verdade como antigamente. Às vezes eu dava “bom dia”, “boa noite” ou um simples “obrigada” com tristeza e sem vontade nenhuma de continuar. Loray e Honnei estavam entendendo, mas eu sabia que eles não poderiam fazer nada e eu apenas sofria, estudava e fingia para todos.
Minha despedida com Lucy, Jet e Droy foi horrível. Tive que explicar tudo aos três quando vieram até o apartamento de Gajeel algumas horas depois de termos conversado mais um pouco. Tóquio era longe de Magnólia e todos sabiam disso. Chorei muito ao contar a eles o que iria fazer mais de um ano fora da cidade que passei toda a minha vida. Relembrei os momentos que passei ao me despedir.
–– Levy, mas... –– Lucy soluçava e me abraçava, sem conseguir falar quase nada. –– Eu não vou conseguir ficar longe de você.
Solucei e a abracei mais forte, tentando encorajar a todos, mas também a mim mesma.
–– É só um pouco mais de um ano –– olhei seu rosto e sorri. –– Vou morar aqui novamente, tenho certeza!
–– Como você sabe? –– gritou Droy e Jet em uníssono. –– E se você tiver que ir para outro país por causa do seu trabalho ou faculdade?
Eles não estavam errados. A escola/faculdade que eu faria era a mais cara de Tóquio. Todos os estudantes viajavam para longe da família depois que terminavam o terceiro ano. Eu tentaria fazer com que Loray me deixasse fazer a mesma faculdade de Gajeel, mesmo ele nem sequer sabendo o que ia fazer no futuro. Aquilo, sim, me assustava.
Olhei para Gajeel do outro lado da sala. Ele estava com um rosto inexpressivo e estava sofrendo em silêncio, algo que eu faria longe de todos eles. Eu teria que me esforçar na escola e talvez o tempo que eu teria era para ligações rápidas.
–– Vamos pensar positivo, por favor. –– funguei.
–– Ela tem razão –– disse Lucy. –– Vou te ligar sempre que puder, ok? Prometa que vai ao meu casamento!
–– É claro que eu vou, não se preocupe. –– sorri.
Ela e Natsu haviam deixado o casamento para o final de dezembro. Ainda faltava muito para eu poder voltar à Magnólia e rever o pessoal todo. Respirei fundo.
Conversamos muito sobre minha ida quase definitiva à Tóquio que quando percebi, já era noite. Choramos mais um pouco quando nos despedimos e eles me disseram que iriam comigo para o aeroporto. Honnei iria me buscar no dia seguinte de manhã.
Depois de tudo aquilo, Gajeel tomou um longo banho comigo e fizemos amor duas vezes seguidas, no chuveiro e na banheira. Minhas pernas estavam entrelaçadas em sua pélvis enquanto eu descansava minhas costas da parede branca e gelada, segurando seus ombros com as unhas. Ele investia em meu interior, soltando gemidos eroticamente apaixonantes junto comigo.
Eu senti que ia ter um orgasmo e fechei os olhos.
–– Abra os olhos, Levy –– sua voz rouca me alertou. –– Quero que olhe para meu rosto enquanto faço você gozar.
Gemi e meus cílios úmidos se abriram. Mal tive tempo para pensar naquilo quando minha mente ficou turva e apertei seu órgão por causa do orgasmo avassalador que me pegava. Respiramos pesadamente.
–– Vem, quero fazer de novo, mas na banheira. –– ele sussurrou em meu ouvido quando em colocava no chão. Eu apenas assenti, corada e vendo que seu pênis ainda estava completamente reto.
Havíamos esquecido a camisinha as duas vezes, mas não me importei. Eu sentiria falta de seu toque romântico e necessitado que só ele sabia fazer. Retribuí todo o amor que eu sentia em beijos e ofegos apaixonados.
Secamos um ao outro lentamente e sem querer terminar nunca. Na manhã eu iria embora e ele sabia disso, querendo simplesmente me puxar para seu colo e dizer que eu não iria sair de perto dele –– no fundo eu também queria isso.
Sempre pensei que quando eu me separasse por algum tempo de um namorado, eu não sofreria como faziam em filmes, e sim, levantaria a minha cabeça e não derramaria uma só lágrima.
Mas aquilo estava bem mais impossível do que em um filme...
[...]
Uma semana depois
Eu estava em meu quarto, terminando de fazer uma atividade da escola, quando escutei a porta bater.
–– Sim? –– falei um pouco mais alto, pois o quarto era enorme.
–– Levy, está na hora do jantar –– era Loray atrás da porta. –– Fizeram macarronada, já que gosta tanto.
Sorri fraco. Eu havia pedido à cozinheira para fazer macarronada, mas ela não aceitou, pois Honnei era alérgico a molho de pimenta e ficava extremamente vermelho. Loray ouviu a conversa e deixou fazerem apenas para mim.
Macarronada lembrava Gajeel, Gajeel lembrava tudo, inclusive, saudade. Mesmo podendo falar com ele por telefone, só consegui conversar com ele uma vez àquela semana –– que por sinal, foi a primeira semana longe dele desde de que me mudei. Eu queria beijá-lo, abraçá-lo e ouvir sua voz rouca em meu ouvido. Ele estava ocupado com a banda, pois quando me mudei, ele decidiu que iria mais longe com o seu grupo musical, assim, ele não pensaria muito em mim. Eu concordei, mas estava sendo difícil de nos comunicarmos.
Lembrei-me de Loray e acordei.
–– A... Ah –– gaguejei. –– Obrigada, vou daqui cinco minutos!
–– O.k, querida. –– e saiu.
Suspirei e fechei o livro de física quântica. Eu era péssima naquela matéria, mas eu estava aprendendo bem com o novo professor. Os alunos eram muito quietos e não falavam uma só palavra nas aulas. Conheci uma garota simpática que me emprestou uma caneta, mas não me lembrei de perguntar seu nome –– na verdade, o professor não deixou estendermos a conversa.
Peguei meu celular e mandei uma mensagem para Gajeel, eu precisava falar com ele.
“Oi, Gajeel, como está indo? Estudando muito? Haha. Te amo e estou com saudades de falar com você”.
Coloquei o celular na cama e desci até a cozinha. Eu havia conversado com Lucy um dia atrás, também recebi ligações de Jet e Droy, mas eles usaram o celular de Lucy, então foi bem rápido.
Gajeel, na ligação de dias atrás, não parecia triste, mas também não estava feliz. Tentei mostrar que estava tudo bem e não falei de nada a não ser como era a escola e tudo mais.
Quando cheguei à cozinha, Loray e Honnei estavam lá me esperando. Sorri para eles e me sentei, fazendo uma rápida reverência com a cabeça.
–– Como está indo? –– perguntou Honnei. Era uma das poucas fezes que eu o via sem o terno.
–– Tudo bem –– peguei os talheres e pus sobre a macarronada que parecia deliciosa. –– É difícil estar longe dos outros, mas acho que vou conseguir superar com o tempo.
–– Claro que vai –– Loray sorriu e começou a comer. –– Gajeel parecia estar decidido.
–– Ele pareceu uma pessoa sensata quando conversei com ele no aeroporto. –– ele sorriu.
Por sorte, ambos não estranharam a aparência de Gajeel. Ele e Honnei conversaram rapidamente no aeroporto, já sabendo que nós éramos namorados. Lucy e os outros também falaram com ele antes de sairmos, o que demorou muito.
Continuamos a comer em silêncio. Quando terminamos, quis ajudar Marta –– a cozinheira divertida –– a lavar os pratos. Ela não quis, mas insisti, sorrindo. Loray deixou, já que eu não era acostumada a viver em luxo.
No final, subi para meu quarto e dei boa noite para Loray e Honnei, pois já eram mais de 22h e eu precisava terminar minha atividade. Por sorte no dia seguinte seria sábado, então, eu poderia descansar.
[...]
Acordei às 8h da manhã de sábado. Eu queria fazer algo a não ser pensar em Gajeel. Comi meu café da manhã e avisei a meus tios que sairia para olhar a cidade e os pontos mais bonitos –– o que eu não havia tido tempo por causa das aulas.
Peguei um táxi e fui andar por alguma loja grande e bonita. Quando cheguei, chequei meu celular e não havia nenhuma mensagem de Gajeel, o que era muito estranho. Me sentei em um banco e mandei outra.
“Oi ♥ Está tão ocupado assim esses dias? Queria saber o que está fazendo ultimamente, aqui está sem muito movimento. Beijos, eu te amo”.
Eu já estava cansada de não ser respondida, então deixei o celular no silencioso e olhei todas as lojas que me chamaram a atenção. Comprei uma blusa e uma sapatilha para mim. Nada foi caro, eu não gostava de depender de meus tios para tudo.
Comi um hambúrguer com batata frita e um refrigerante um pouco mais tarde. Estar sozinha era horrível. Sujei minha boca de ketchup e me lembrei do dia em que fui para o cinema com Gajeel.
–– Coma! Não olhe pra mim...
–– Certo. –– enrubesci e coloquei apenas o ketchup no hambúrguer, logo, dando uma mordida grande e sujando minha boca sem perceber.
–– Sua porquinha –– riu, levando seu dedo polegar para limpar minha boca, o encarei sem pensar, ele percebeu e ficou meio sem jeito ––, sua boca está toda suja...
Sorri como uma boba apaixonada ao me lembrar daquele dia. O dia em que eu havia beijado Gajeel, meu primeiro beijo –– depois do selinho que ele havia me dado no primeiro dia de aula, também.
Não quis olhar meu celular, pois sabia que ele não havia me respondido. Voltei para casa com apenas duas coisas e assisti um pouco de televisão. Lucy me contou por mensagem que estava feliz com Natsu e não podia esperar o casamento. Sua barriga pouco aparecia, mas no início de dezembro já teria acontecido o parto. Ela iria saber logo se era um menino ou menina, eu também estava ansiosa para saber. Pensei em perguntar sobre Gajeel a ela, mas desisti, ela deveria não saber, pois eles não conversavam muito na escola.
[...]
Três semanas depois
Minha apreensão estava grande. Gajeel não havia se comunicado mais comigo e eu não conseguia falar com ele de jeito nenhum. Não devia ter acontecido nada demais, mas eu estava com um pouco de medo. Loray me perguntava se estava tudo bem e eu mentia, dizendo que falava sempre com ele quando podia.
Eram 18h de uma quarta-feira. Eu estava deitada na cama enquanto queria chorar, mas segurava meus soluços. Eu estava praticamente sozinha, sem amigo nenhum perto de mim, apenas meus tios. Minha vida estava baseada em estudar e passear sozinha, mas disso eu havia desistido, era terrível. Loray ia sempre ao médico com Honnei para saber se estava grávida, mas não tinham detectado nada, o jeito era esperar e ficar tentando.
Uma lágrima escorreu de meus olhos. Gajeel poderia ter me esquecido com duas semanas? Não, não era possível. Ele me amava. Ele provavelmente estava com a banda e ensaiava sempre.
Mas ele poderia ter um tempo para ligar, eu sabia que sim. O que eu não queria imaginar era que ele estaria me traindo por causa da distância. Soltei um pequeno soluço e me levantei da cama. Eu precisava saber, então, liguei para Lucy e esperei que ela atendesse.
–– Alô, Levy? –– ela parecia animada com a ligação.
–– Lucy, tudo bom? –– eu tentei parecer normal.
–– O.k, eu te conheço, o que aconteceu com você? –– eu não esperei que ela percebesse tão rápido, mas achei até bom.
Eu suspirei.
–– Eu preciso de um favor.
–– Pode dizer, faço qualquer coisa.
–– Bem –– corei, me achando uma idiota. –– O Gajeel não me atende nem responde minhas mensagens há quase três semanas.
Lucy ficou calada por um tempo, como se estivesse pensando.
–– Deus, você não acha que ele está te esquecendo, não é?
–– Acho. –– senti meus olhos umedecerem.
–– Ele faltou três dias seguidos na escola... –– ela pareceu um pouco ociosa para dizer.
–– Como é que é? –– arregalei meus olhos –– Ele deve estar fazendo algo errado! Ai, meu Deus, e agora?
–– Eu tenho certeza que não é isso! Mas eu posso ir até o apartamento dele se quiser, vou levar o Natsu comigo. Ele está tomando banho.
–– Você faria isso por mim? –– sorri, ainda nervosa.
–– Com certeza, pela nossa amizade.
–– Me liga se conseguir falar com ele. Se ele não estiver em casa, não precisa fazer mais nada.
–– Farei o que eu puder. Até mais!
–– Até. Obrigada. –– e a ouvi desligar.
Meu coração estava a mil. Gajeel não costumava faltar na escola por alguma besteira. Deveria estar acontecendo algo muito estranho para ele sumir em três dias. Talvez ele estivesse doente ou algo do tipo. Se fosse, Lucy iria me contar depois.
Loray me chamou para jantar, mas eu não quis comer no momento. Esperei Lucy me ligar por várias horas. Quando me dei conta já eram quase 21h e minhas mãos coçavam para ligar, mas esperei e levei o celular para a cozinha e comi sem ninguém ao meu lado por conta do horário.
–
Quando comi, adormeci na mesa da cozinha e acordei com o toque do celular. Pulei da cadeira e atendi com as mãos tremendo.
–– Lucy? Lucy? O que houve? –– atendi falando mil coisas, pois a ligação estava chiando e eu não conseguia entender o que ela me dizia, mas parecia que Lucy estava nervosa e gritava muito. Ouvi várias pessoas e barulhos horríveis perto dela, altíssimos.
Levantei-me da cadeira e comecei a correr pela casa e procurar um melhor sinal. Se estivesse daquele jeito, Lucy deveria estar em um lugar mais distante, por isso as situação estava muito estranha.
–– Le-vy. O Gaj-eel sofreu um aci-de... –– sua voz cortou e a ligação caiu.
Arregalei os olhos e, como em um ímpeto, corri até o quarto de Loray e bati desesperadamente. Sem me importar com o que poderia estar acontecendo lá dentro.
–– Loray! Por favor, abra!
Ouvi os passos de Loray até a porta, abrindo-a rapidamente.
–– O que houve, Levy? –– ela parecia assustada.
–– Eu preciso ir até Magnólia! Gajeel sofreu um acidente e ele precisa de mim!
Nesse momento recebi uma mensagem de Lucy, abri rapidamente e fiquei pálida como um fantasma. Ela errou várias palavras, provavelmente por causa do nervosismo.
“Levy, Gajeel estava com um febre altíssima e derrubou o carro de um amigo em um barranco. Eu e Natsu o levamos para o hospital, mas o médico responsável por transfusão não estava lá. Os doutores nos transferiram de helicóptero particular para uma cidade ao lado e estamos com ele. Ele precisa de sangue urgentemente, pois está com uma grave hemorragia e perdeu boa parte do que tinha, mas até agora eles não estão com nenhum doador! Ele está morrendo, Levy!”.
Comecei a chorar, sem saber o que fazer. Lucy deixou o endereço do lugar no final da mensagem e eu olhei para Loray.
Gajeel estava morrendo, eu não podia acreditar naquilo.
Loray segurou meu ombro e eu comecei a chorar, desesperada e com medo. Ela concordou em me levar para a cidade que eu havia citado, mas com o motorista que trabalhava lá. Corri até o quarto e arrumei uma pequena bolsa com coisas necessárias. Honnei e Loray foram comigo até a porta e se despediram.
Eu precisava vê-lo. Ele não morreria de jeito nenhum!
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