A Baixinha E O Metaleiro
32 Capítulo 29 –– Decisão
Notas iniciais
Capítulo 29 –– Decisão
Fiquei tensa. Tentei não mostrar uma face muito preocupada, pois sabia que Gajeel me olhava de tempos em tempos. Lucy estava na cadeira da frente, prestando atenção na explicação que havia começado há pouco tempo depois do professor chegar até a sala de aula, mas nem por isso eu larguei o aparelho.
Pensei e pensei. Loray não poderia ter escolhido um pior momento para me mandar aquela mensagem. Eu havia tido minha primeira vez com Gajeel, finalmente, depois de meses e tentativas frustradas pela minha vergonha. Ele, com certeza não aceitaria nem me deixar sair do apartamento; imaginei como ele reagiria se eu dissesse que sairia da cidade. Não, eu não poderia sair da cidade, eu não queria. Ao mesmo tempo eu não poderia dizer um simples “não” para os meus tios. Eles eram meus segundos pais, Loray, a mãe que eu nunca tive em toda minha vida. Eu não desobedecia nenhum dos dois depois do que eles fizeram para mim. Pagaram meu apartamento e a escola por todos os anos que morei em Fiore, aquilo era muito para mim.
Olhei para a tela do celular, me perguntando se aquilo era só uma miragem ou um pesadelo, mas não era, era real. Por isso sempre ouvi a frase que o que é bom, nunca dura muito tempo. E eu pensei que eu conseguiria ficar com Gajeel com todos os obstáculos possíveis...
Engoli em seco e desliguei o celular antes que o professor me visse. Não tentei a sorte de olhar para o outro lado da sala e me dar de cara com um certo rapaz que, com certeza me olhava. Se ele houvesse percebido, iria tirar suas dúvidas no intervalo. Pensei em contá-lo apenas quando chegássemos em casa. Eu resolveria aquilo, ou ao menos, tentaria.
Eu amava Gajeel, amava muito. Só de pensar que eu poderia sair da cidade e me separar dele, eu tinha vontade de chorar.
Lucy se virou para, provavelmente, querer falar sobre algo maldoso sobre o professor e me viu com um olhar triste, quase depressivo o suficiente para qualquer um da classe perceber.
–– Meu Deus, Levy, que cara é essa? –– ela virou o corpo para o lado, sem perceber que o professor ainda dava a sua aula, seu batom e blush eram rosa claro e ela estava bem bonita, eu não estava nada bem.
–– Ah, nada. –– tentei mudar minha expressão em um sorriso, mas falhei, guardando meu celular na bolsa.
–– Nada? Agora você tava morrendo de amores por ter dado mais um passo na sua relação com o metaleirinho, agora está supertriste! Me explica isso, anda.
–– Eu juro, eu só... –– por sorte – ou quase –, o professor viu a posição de Lucy e nos chamou a atenção com um simples “oi, tudo bem aí?”.
–– Desculpe, professor. –– disse Lucy, mas antes de se virar novamente, disse: –– Você vai me explicar tudo, ok?
–– Pode ser amanhã?
–– Ok. –– ela entortou os lábios, estressada, virando-se para a aula que continuou rapidamente.
Eu contaria para Lucy, meu pior desafio era contar para outra pessoa.
A aula passou voando, apenas porque eu queria que passasse mais devagar. Eu disse à Lucy que estava tudo bem eu ficar sozinha, então, ela foi para o teto da escola com Natsu logo depois. Não olhei para Gajeel, mas não precisei, ele foi para a cadeira que Lucy sentava depois que praticamente todos da sala saíram.
–– Me diga. –– Deus, ele estava muito sério.
Respirei fundo, pensando em como fazê-lo esperar até o final da aula.
–– Uma besteirinha da Lucy, nada mais –– eu odiava mentir, mas precisava, por enquanto. –– Como descobriu? Com sua bola de cristal? –– tentei brincar com um sorriso, mas ele morreu quando olhei sua expressão.
–– Pensa que me engana? Vi ela se despedindo de você agora mesmo –– ele respirou fundo e massageou as têmporas. –– Logo que a aula começou eu olhei pra você, mas vi que estava muito nervosa. Se não se lembra, eu te conheço bem, muito bem.
Merda. Plano B.
–– Ela estava sendo legal, mas discutimos sobre uma idiotice, ok?
Gajeel bufou, olhando para minhas mãos e voltando a me encarar segundos depois: –– Estou esperando me dizer a verdade.
Pensei seriamente se ele era um vidente ou algo do tipo. Ele me conhecia bem demais, mais do que Lucy. Eu o amava por isso, e ele sabia disso.
–– Eu imaginei que não fosse acreditar –– ainda de olhos abaixados, os fechei, suspirando. –– Mas só vou lhe contar quando chegarmos em casa, sem “mas” ou “por quê”!
–– Pra quê isso? Não pode me contar agora?
–– Eu já disse, em casa, por favor. –– senti meus olhos arderem, mas recusei a chorar.
Por um milagre, ele concordou com a cabeça.
–– Não é algo sério, é?
–– Gajeel, tenha paciência uma vez da vida –– suspirei, cansada. –– Não quero falar sobre isso na escola, é muito particular.
–– Só espero que nada disso afete nossa relação. –– ele emburrou o rosto, saindo da sala.
Eu já imaginei que ele ficaria com raiva, mas pelo menos, ele esperaria até mais três aulas. Eu tinha certeza que elas passariam rápido. Peguei meu lanche e comi em silencio, pensando em como me sairia bem com meus tios e principalmente Gajeel.
Quando o intervalo terminou, Gajeel voltou sozinho, um pouco sério, mas com um rosto arrependido. Ele olhou em minha direção, eu também o olhei, mas não sorri, estava triste demais para fazer algo assim. Ele foi até mim novamente, me levantando de onde estava sentada com uma única mão em meu antebraço.
–– O que foi? –– perguntei, curiosa, mas também um pouco nervosa.
–– Nada, só vou te beijar. –– seu rosto poderia ser assustador, mas não para mim.
E me beijou. Eu correspondi, aproveitando que ninguém estava na classe. Seu beijo parecia desesperado, talvez sabendo que o que eu tinha para dizer era realmente sério. Ele segurou meu pescoço, aprofundando sua língua em minha boca e eu deixei, mas o parei antes que algum coordenador nos visse ao passar pela porta.
Gajeel apoiou sua testa na minha por alguns segundos, respirando com dificuldade. Eu estava igual, mas com vontade de chorar. Sem mais os beijos ou abraços ou carinhos de Gajeel, isso eu não conseguia pensar nem por um segundo.
–– Espero que essa manhã termine logo. –– quase sussurrou, indo até sua cadeira.
Alguns alunos entraram, conversando e rindo. Me sentei novamente, sem falar mais nenhuma palavra. Lucy chegou, dando um selinho de despedida em Natsu. Foi até mim com um sorriso fraco, sabendo que eu não contaria nada naquele momento. Sorri mais fraco ainda para ela, pegando um caderno e abrindo na matéria que teríamos àquela vez.
Como previ. Tudo ocorreu muito rápido. Quando me dei conta, as aulas terminaram. Fiquei todos os minutos pensando sobre a mensagem e acabei respondendo Loray depois que o professor nos liberou:
Oi, tia, tudo bom? Eu não sei como te dizer isso, mas você poderia esperar um pouco até eu resolver uns problemas? Eu não posso te contar agora, mas tenho certeza que saberá disso logo. Te mandarei uma mensagem. Beijos.
Eu não sabia se aquilo que fiz foi certo. Loray iria se preocupar com o que eu havia dito e com certeza me mandaria outra mensagem ou me ligaria para mais explicações, mas Gajeel estava prestes a descobrir tudo. Lucy me deu um beijo no rosto, se despedindo e correndo para fora da sala atrás de Natsu. Gajeel pegou sua mochila preta e prata e me esperou arrumar os livros, recostado em uma das cadeiras.
Sem falar nada, fomos para o ponto de ônibus, de mãos dadas. Chegando até lá, quase segurei a respiração para não deixar um ar tenso. Ele não me parecia bem, mas sim, muito nervoso. Não falamos nada até o ônibus chegar. Gajeel me deu espaço para entrar primeiro.
Não havia espaços vagos para sentar, então, ficamos de pé. Por sorte o apartamento era muito próximo da escola quando se ia de qualquer transporte.
Na minha cabeça só entravam aquelas palavras da mensagem de Loray. Eu teria que resolver isso com ele. Fiquei tão tensa que não consegui falar. Primeiramente, eu pediria auxilio para Gajeel, não que eu não soubesse sua resposta, mas às vezes ele era sensato. Muito às vezes.
Quando chegamos ao nosso destino, Gajeel desceu primeiro e me ajudou com uma das mãos. Ele finalmente abriu a boca quando entramos no apartamento, subindo as escadas.
–– Levy –– ele respirou pesado. ––, eu...
–– Calma, Gajeel, estamos chegando. –– respondi, sem olhar para seu rosto cheio de nervosismo, ainda queria chorar e beijá-lo ao mesmo tempo.
Paramos em frente da porta. Gajeel pegou a chave de sua carteira que ficava dentro de sua mochila e abriu. Entrei um pouco ociosa, mas estava na hora, eu precisava contar.
Gajeel acariciou Lily, que ficou sumido por uns dias, talvez namorando em algum lugar. Ele sempre fazia isso e eu meio que me acostumei. Sorri sem graça para ele e coloquei a bolsa no sofá, Gajeel fez o mesmo, logo me encarou.
Suspirei e pensei em como contar tudo. Meus olhos arderam por toda a viagem. Peguei meu celular e abri a mensagem. Gajeel olhava todos os meus movimentos, do outro lado da sala.
–– Não sei o que vai achar disso, mas estou com medo... –– quase solucei e o mostrei a mensagem.
Segundos após ler a mensagem, a face de Gajeel continuava a mesma, como se não fosse o que ela realmente dizia. Mas eu estava enganada. Ele fechou a mão em todo o celular, como se fosse quebrá-lo. Arregalei os olhos e tentei me aproximar, mas ele recuou, com o olhar baixo.
Meu coração bateu tão alto que eu os escutei no ouvido. Minha visão estava embaçada e minhas mãos tremeram, temendo o que ele diria.
–– Eu-Eu não quero ir. –– gaguejei, soltando uma lágrima preguiçosa.
–– Levy –– ele se virou de costas para mim e olhou para a parede da sala. ––, você vai embora?
–– Não sei –– solucei. –– A Loray sempre cuidou de mim, não posso desobedecê-la.
–– Outra cidade –– não fora uma pergunta, ele estava testando aquela palavra. –– Você vai para outra cidade.
–– Eu não quero ir! Mas a Loray paga minha escola e pagava meu quarto ao lado do seu, esqueceu? –– eu estava me desesperando, Gajeel não estava ajudando em nada com aquele jeito medonho.
–– Você não quer tentar ficar? Nem tentar? –– sua voz era sôfrega como o inferno, soltei outra lágrima.
–– É claro que sim, mas não sei se adiantará –– mais lágrimas caíram em desespero. Eu não queria chorar, mas estava impossível. –– Minha tia gosta muito de mim e quer só o meu bem. Entenda, Gajeel.
Gajeel fechou o punho que estava sem o objeto por completo. Suspirei, tentando me acalmar, mas o máximo que eu estava conseguindo era piorar as coisas. Às vezes tudo em minha vida dava errado, eu até estranhei estar tão feliz àquela época.
–– Eu vou falar com ela, pode ter certeza –– dei um passo até ele, mas parei, com medo.
–– Tentar? Você acabou de dizer que não vai adiantar –– ouvi uma risada irônica –– Se me amasse tanto como eu te amo, faria tudo pra não ir embora.
Abri a boca, mas nada saiu. Ele continuou:
–– Não quero que vá, mas não mando em você e nunca vou mandar –– ele parou de rir e se virou.
Meu coração quase parou de bater.
Gajeel estava chorando pela segunda vez desde que o vi.
–– Não chore, Gajeel! Eu te amo mais do que tudo e vou conseguir ficar, por favor, não chorei mais. –– seus olhos se iluminaram e eu solucei, chegando até ele e o abraçando.
Ele demorou um pouco para retribuir, mas senti seus braços longos me confortarem um tempo depois.
–– E se não conseguir? –– ele reprimiu um soluço.
–– Não importa, eu vou ficar com você –– fiquei na ponta dos pés e o beijei, ainda com nossos rostos molhados. –– E mesmo que eu fosse, eu voltaria.
Gajeel segurou minha cintura, me puxando até o seu quarto. Eu não estava encorajando apenas ele, mas a mim também. Eu não poderia ir embora, eu teria que ficar com ele, eu precisava dele.
Ele fechou a porta e me prensou contra ela, me beijando de um modo possessivo. Senti-o tirar seus sapatos e o imitei.
Gajeel passou a mão por baixo de minha blusa da farda e abriu meu sutiã com habilidade e o puxou, me deixando sem nada por baixo. Logo, ele respirou fundo e passou seu polegar em meus mamilos ainda por cima do tecido, os deixando intumescidos. Gemi em aprovação. Eu o queria, poderia ser a última vez àquele ano. Tentei não pensar naquilo, pois certamente eu choraria.
Ele retirou minha blusa e eu a dele. Sua boca se fechou em um de meus seios e brincou com ele. Me senti drogada de paixão e desejo. Arranhei sensualmente suas costas e retirei sozinha minha saia, ficando apenas de calcinha.
Gajeel parou de me excitar e tentou abrir o botão da calça, mas suas mãos estavam trêmulas. Abri para ele e o deixei de cueca, admirando a visão que eu simplesmente amava. Retirei minha própria calcinha, recebendo ao mesmo tempo, beijos em meu pescoço. Arfei e segurei a protuberância de sua cueca, ele gemeu e massageou o meio de minhas pernas em movimentos circulares e viciantes. Soltei uma murmuro de desejo indescritível. Passei minhas mãos pelas suas costas, chegando até seu bumbum e passando a mão por dentro de sua cueca, apertando cada nádega generosa.
–– Quer você, agora. –– disse, quase sussurrando e entre os beijos.
–– Sim. –– sussurrei, sendo levada até a cama e deitada lá.
Ele retirou sua cueca, beijando todo meu corpo e voltando até meus lábios. Fiz movimentos de vai e vem em seu pênis, espalhando a umidade que havia na ponta. Sua glande estava inchada.
–– Isso. –– ele sussurrou em meu ouvido enquanto eu continuava com minhas mãos.
Ele me parou e me puxou para cima de seu corpo. Gajeel segurou minhas coxas e meus seios.
–– Domine, Levy. –– ele disse, com a voz rouca.
Mordi os lábios e o beijei. Lentamente, me sentei em seu pênis, tentando algumas vezes falhas até ele entrar por completo dentro de mim. Gemi alto, pois era a primeira vez que eu ficava naquela posição. Ele grunhiu e movimentou um pouco os quadris.
Comecei a mexer meu corpo inexperientemente, sendo guiada por Gajeel de vez em quando. Segurei seu peito musculoso e o arranhei lentamente. Sentindo ser empurrada para o clímax a cada estocada.
–– Ah, merda, esqueci a camisinha, pare! –– ele disse, entre os gemidos.
Me assustei, lembrando-me que era a primeira vez que não usávamos e também que eu não tomava nenhum contraceptivo em pílula. Não tive muito tempo para pensar quando senti que ia gozar. Gritei alto, sentindo seu pênis sem o plástico me aquecer e se alargar dentro de mim. Tive um orgasmo forte e cheio de luxuria, apertando seu comprimento.
–– Ahh. –– ele gemeu, por um momento, sem se importar se estava com camisinha ou não, gozando dentro de mim.
A sensação era de outro mundo, me senti completa. Eu não deixaria de tê-lo comigo, nunca.
Senti um enorme cansaço, caindo em seu peito.
–– E agora? –– repirei com força. –– A camisinha...
–– Está em seu período fértil?
Pensei um pouco antes de responder:
–– Que eu me lembre, não.
–– Ótimo. –– ele respirou mais forte.
Entristeci, pensando que ainda teria que resolver outras coisas piores entre nós. Senti sua respiração pesada e levantei minha cabeça e olhando em seus olhos avermelhados.
–– Gajeel, amanhã nós não vamos à aula. –– disse, decidida.
–– Como é? –– ele franziu o cenho –– O que quer dizer?
–– Iremos até a cidade onde está minha tia –– respirei fundo. –– Vamos conversar sobre tudo e contarei a ela sobre você.
Ele não negou, mas também não respondeu.
Eu estava decidida a ser tudo ou nada.
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