A Baixinha E O Metaleiro
33 Capítulo 30 –– Viagem de última hora
Notas iniciais
Capítulo 30 –– Viagem de última hora
Eu estava em meu antigo quarto e arrumava uma pequena bolsa para o tempo que nós dois ficássemos fora. Não sabíamos o certo, mas provavelmente dormiríamos fora. Gajeel com certeza estava em seu quarto, arrumando uma bolsa para si, assim como eu. Coloquei a última coisa na bolsa e a fechei com um longo suspiro. Isso não parava de rodar em minha cabeça. Era uma terça-feira e não compareceríamos às aulas. Para alguns o motivo era idiota, mas não era, não para mim.
Depois de minha decisão na tarde passada, eu não abriria a mão de desistir. Gajeel não iria aceitar o fato de ter que esperar um pouco mais de um ano para me ver de novo, eu também não queria, mas eu não poderia me impor a nada que Loray dissesse, mas a tática de persuasão não poderia faltar.
Coloquei uma sandália branca para combinar com minha blusa e saia média e penteei meus cabelos, olhando para o relógio. Já eram quase 9h e nosso ônibus era para meia hora. Iríamos para Tóquio, que era a cidade que Loray estava morando no momento. Peguei o celular e a mandei outra mensagem, pois ela havia me retornado no momento íntimo que eu estava tendo com Gajeel. Ela disse que estava preocupada, mas iria esperar o tempo que eu precisasse até o final do mês.
“Tia, a senhora pode estar achando estranho, mas estou indo para Tóquio com uma pessoa. Eu tenho que lhe contar sobre o que aconteceu esse ano, mas não estou indo para me mudar, preciso que saiba de algo. Um beijo.”.
Suspirei mais uma vez e apertei “enviar”. Coloquei o celular na bolsa e fui até a sala para ver se Gajeel já tinha aprontando suas coisas. Ele estava sentado no sofá e tocava algumas notas na guitarra –– que por sinal, parecia bem triste. Me aproximei lentamente até ele me perceber e parar para se levantar.
–– Tudo pronto?
–– Sim, já mandei a mensagem. –– respondi um pouco nervosa.
Gajeel se aproximou e tocou meu rosto com ambas as mãos e sorriu brandamente.
–– Vai dar tudo certo, Levy, eu sei –– me deu um selinho e eu retribuí. –– O que tiver que ser, será.
–– E se... –– tentei falar, mas ele me cortou, pondo o dedo indicador sobre meus lábios entreabertos.
–– Shhh –– ele negou com a cabeça. –– Vamos esperar o melhor.
Como eu havia pensado. Gajeel estava ainda mais nervoso que eu, mas não queria demonstrar, pois eu ficaria com mais medo do que eu já estava.
Concordei com a cabeça e o abracei pela cintura. Ele beijou o topo da minha cabeça e respirou.
–– Melhor irmos, o ônibus vai chegar daqui uns 20 ou 15 minutos.
–– Sim. –– o soltei e ajeitei a bolsa em meu ombro –– Será que vamos voltar logo?
–– Vamos fazer o possível –– ele sorriu fracamente. –– Ir de ônibus demora um pouco mais.
Eu queria, ao mesmo tempo, dizer que provavelmente só ele voltaria. Pensei que poderia ser muito egoísta se pedisse para ele ir comigo. Até porque ele tinha sua banda, amigos e mudar de escola seria algo muito grande para se fazer de uma hora para outra. Suspirei longamente e segurei sua mão para sairmos.
Gajeel abriu a porta e me deu espaço para sair primeiro. Ele ajeitou sua mochila nas costas e andamos até a entrada do apartamento.
Paramos na parada de ônibus e esperamos ele chegar. Não demorou muito, até porque ficamos nos beijando sem pressa no banco de espera. Eu o amava demais para ir embora.
–– Te amo. –– ele sussurrou em meu ouvido enquanto eu beijei sua bochecha, um pouco envergonhada.
–– Também te amo. –– enfiei meu rosto em seu ombro.
–– Não se preocupe, não vou me separar de você por nada que aconteça.
Me arrepiei com suas palavras e não disse mais nada, apenas aproveitei o momento para ficar com ele.
Vimos o ônibus se aproximar e as pessoas a nossa volta se levantarem para entrar. Nós dois e mais algumas pessoas entraram no automóvel conosco. Escolhemos um par de cadeiras do fundo e nos sentamos. Gajeel segurou minha mão e a beijou ternamente, sorrindo em seguida. Ele estava muito tenso e cuidadoso, eu conhecia aquele seu jeito.
–– A viagem vai ser longa. –– ele disse.
–– É, eu imagino –– suspirei, pousando a cabeça em seu ombro. –– Quando eu era criança, morava em Nagoya, era divertido, mas Tóquio é a primeira vez que vou conhecer.
–– Eu também. O máximo para onde já fui foi para Fukouka –– ele riu. –– Foi legal.
Eu tirei a cabeça de seu ombro e o encarei.
–– Foi com o seu... pai?
–– Na verdade, foi com toda a família, meu pai não ligava pra mim.
–– Sinto muito por lembrar –– entortei os lábios e voltei à posição anterior. –– Você sabe que eu também não fui muito feliz na minha infância.
–– Eu sei, baixinha, tá tudo bem –– ele deu um beijo em minha cabeça. –– Graças a você, eu mudei.
Sorri timidamente e fechei os olhos, sentindo seu braço ir até minhas costas.
–– Gajeel, quando é seu aniversário? –– perguntei, eu sinceramente não sabia.
–– Em setembro, dia 20. –– ele pareceu ter desconfiado da pergunta. Eu apenas concordei com a cabeça.
Estávamos em julho. Dois meses e o aniversário do Gajeel chegaria. Eu não contaria a ele, mas eu o perguntei caso eu fosse embora e precisasse vê-lo em seu aniversário. Senti meus olhos se umedecerem e tentei não pensar nisso.
Entrelacei minha mão na dele e pensei muito no caminho. Eu deveria estar sendo mais positiva e otimista, mas não. Gajeel também estava com medo de ter que se separar de mim, mas parecia estar pensando em como tudo acabaria bem. Por que eu não conseguia pensar assim? Acabei adormecendo e tendo alguns pesadelos terríveis.
[...]
Acordei lentamente e esfreguei meus olhos. Olhei meu celular depois de algumas horas de viagem e encontrei uma mensagem de Loray. Fiquei com medo de abrir, mas eu queria muito ler.
“Tudo bem, Levy, mas estou achando você bem estranha. Algo aconteceu desde que deixou de morar sozinha? Eu estou preocupada, quem é a pessoa? Não me mate de curiosidade! Te espero chegar. Beijos, minha querida.”.
Loray estava preocupada, assim como pensei. Eu sabia que ela estranharia ver Gajeel do mesmo jeito que o meu coração iria parar de bater quando finalmente nos encontrássemos e nos resolvêssemos.
Espiei olhar para o lado e vi Gajeel dormindo. Lá fora já devia ser quase 19h da noite, mas não quis olhar no celular, estava tensa até demais. Talvez na tarde do outro dia nós chegássemos. Comi um hambúrguer que estava em minha bolsa e depois dei um beijo em Gajeel ainda adormecido. Voltei a dormir e a ter sonhos mais calmos com nós dois.
–
–– Levy, acorde. –– escutei a voz familiar de Gajeel me chamar.
Abri os olhos bem devagar e olhei para o lado. Ele estava pegando as nossas coisas no bagageiro do ônibus. Me esfreguei na cadeira para me ajeitar e pegar a minha bolsa.
–– A viagem foi muito rápida, não? –– perguntei com a voz cheia de sono.
–– Digamos que sim.
–– Você comeu? –– olhei para ele. Ele parecia mais tenso.
–– Claro... –– eu sabia que era mentira, mas não quis me opor a ele.
Peguei minha bolsa de sua mão e saímos do ônibus depois de alguns idosos.
E lá estava Tóquio.
Era uma simples parada de ônibus, mas os prédios e lojas enormes pegavam todo o local e as atenções. Eu sabia que aquela cidade era uma das mais ricas do Japão, mas também parecia a mais linda.
Gajeel não parecia surpreso. Talvez o medo estivesse consumindo tudo.
–– Você está bem, Gajeel? –– perguntei, tocando sua testa.
–– Estou sim, mas sabe como é, estou meio tenso.
Eu não achava que “meio” poderia traduzir sua feição. Fiquei preocupada com ele, pois ele não havia comido por um dia inteiro. Não que eu estivesse com fome, mas mesmo assim eu havia comido alguma coisa.
Esperamos um táxi chegar. Dividimos tudo, a passagem do ônibus e o do táxi. Com certeza eu não deixaria Gajeel pagar tudo como antigamente. Me senti mais adulta e madura por causa da situação que estava acontecendo.
Quando o primeiro táxi passou, nós entramos. Dei ao taxista um papel com o endereço de Loray e ficamos esperando ele chegar. Comecei a sentir uma vontade tremenda de vomitar por causa do nervosismo. Segurei a mão de Gajeel com força e respirei fundo.
Depois de uma meia hora senti o carro parar.
–– Bem, essa é a casa.
Meus pelos da nuca se eriçaram após sairmos do carro. A casa não era nada parecida com a de Nagoya. Era branca e gigantesca, mais parecida com a Casablanca, mas só que menor. Mais a frente também tinha um grande campo e um portão enorme para a entrada.
–– Caralho, essa é a casa dela? –– ele arregalou os olhos enquanto se aproximava.
–– Nem eu sabia que era tão grande –– franzi o cenho, tentando me acalmar. –– Vamos chamá-la, vem.
Quando chegamos até a frente do portão, ouvimos uma voz um pouco artificial:
Nome, por favor?
Fiquei calada um tempo, mas logo respondi:
–– Levy McGarden. –– minha voz saiu um pouco falha.
Só um momento, por favor. –– novamente a voz disse.
Esperamos uns dois minutos quando vimos a porta a nossa frente ser aberta com algum tipo de mecanismo. Quando ela se abriu totalmente, nós entramos. Loray apareceu pela porta da casa com um sorriso enorme no rosto. Ela usava um vestido tomara-que-caia azul escuro e uma sandália. Ela correu até mim e me deu um longo abraço, sem perceber Gajeel de primeira vista.
–– Meu Deus, como você está linda! –– ela riu, segurando meu rosto.
–– Obrigada, tia –– sorri, tentando parecer normal.
–– Fiquei preocupada com a sua mensagem –– ela disse, e finalmente viu Gajeel atrás de mim. –– Ele é a tal pessoa?
–– Sim, é ele. –– respondi, olhando para trás.
Gajeel deu um breve sorriso. Ele era mais alto que Loray já que ela também era um pouco baixinha. Ela sorriu para ele, ainda um pouco confusa.
–– Bem, entrem, quero saber o que deseja me contar. –– ela abriu espaço e nos deixou passar.
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