A Baixinha E O Metaleiro
29 Capítulo 26 –– Aniversário / Parte final
Notas iniciais
Capítulo 26 –– Aniversário / Parte final
Meu coração batia desacelerado quando Gajeel deu aquela notícia. O aniversário nem era meu, mas ele ia cantar algo para mim, a letra era para mim. Eu estava feliz, mas nervosa, pensei em que música ele ia cantar, enquanto eu tremia feito uma louca. Bacchus tomava uma cerveja e não olhava mais para mim, isso era bom, talvez a bebida estivesse o afetando, tentei não pensar mais nele e me toquei no grupo.
–– Quero ver o que vocês conseguiram nesse tempo que eu estive fora! –– gritou Jose, sorrindo e levantando um dos braços.
Gajeel riu e ficou no lugar de Sting, que deveria ser o primeiro vocal. Eu não estava acreditando que ele iria cantar como primeiro, corei e me encolhi enquanto olhava para ele, mas também sorrindo, eu estava feliz. Era a primeira vez que eu o veria cantar, isso era de outro mundo, outra sensação. Eu o amava tanto que doía, esperei que ele também.
–– 1, 2, 3... –– sussurrou Bickslow com as baquetas.
O som do baixo, a bateria e a guitarra de Gajeel se misturavam extraordinariamente. Gajeel tocava muito bem, eu só conseguia olhar para ele. Um tempo com o som, a voz dele estava perto de aparecer, eu estava ansiosa para ouvi-la.
Ele começou a cantar com sua voz grossa e perfeita. O pessoal que assistia começou a gritar muito alto. A música era linda, muito linda mesmo. Jose sorria como um louco, parecia estar gostando muito, eu não estava muito diferente. Às vezes Gajeel olhava para mim e cantava com um sorriso no rosto.
Todos se levantaram e pularam para cantar juntos. Me perguntei rapidamente dos moradores do lado e o barulho que a banda fazia, mas como aquele apartamento era tão nobre, talvez as paredes fossem especiais.
Comecei a bater meus pés com o ritmo da música, batia palmas junto com o pessoal que assistia. Eles eram muito bons juntos, com certeza fariam um grande sucesso com uma gravadora.
A voz de Gajeel me hipnotizava, suas orbes avermelhadas me olhavam com desejo, paixão, tudo. Eu retribuía a ele. O resto do pessoal estava prestando muita atenção nos seus equipamentos, mas Gajeel parecia se preocupar mais em me olhar, eu amava aquilo, amava demais.
A música fluía em meus ouvidos como se fosse o melhor som que eu já havia escutado em toda a minha vida. Eu me lembrei de que já o tinha ouvido tocar o instrumental daquela música. Me perguntei se ele já estava ensaiando para tocar para mim, sorria feito boba e o olhei novamente.
A música já estava no final, quando ele encerrou com o som forte da guitarra. Eu estava tão emocionada que não aguentei e comecei a chorar. Tentei segurar, mas não dava, eu o amava muito e precisava demonstrar. Ele sorriu novamente e lentamente finalizou a música com as palmas do pessoal, que deu um enorme grito no final.
Chorei mais um pouco, aproveitando que o pessoal gritava muito alto. Gajeel deixou a guitarra onde estava e foi até Jose, que se aproximava dele para um abraço. Quando ele foi abraçar o resto do pessoal, Gajeel foi até mim, que chorava que nem um bebê.
–– Não chore, Levy, não gosto de ver você chorar. –– ele parecia um pouco preocupado, limpando as lágrimas que caíam de meu rosto.
–– Eu estou chorando de emoção, seu idiota. Adorei o que você fez. –– respondi entre soluços. Ele sorriu, mostrando seus dentes brancos e me abraçou, para logo depois me dar um grande beijo apaixonado.
–– Eu te amo. –– sussurrou entre os beijos. Funguei e o abracei pela cintura novamente.
–– Sabia que eu sou a pessoa mais feliz do mundo? –– eu estava com vergonha de dizer aquilo, por isso, escondi meu rosto em seu peito.
–– Sério? Eu também, baixinha. –– beijou o topo de minha cabeça. –– Vou falar com o pessoal do grupo, se quiser ir falar com a coroa, fique a vontade.
–– Ok, mas agora estou com vergonha depois de tudo que aconteceu. –– corei.
–– Deixe de besteiras, você vai sim. –– ele fez um biquinho, fingindo estar com estresse, ri.
–– Está bem, vou passar um pouco de constrangimento. –– sorri e o dei um selinho rápido.
Fui até Elfman, mas Evergreen não estava com ele, estranhei e o perguntei sobre ela. Ele me disse que ela estava na cozinha, comendo alguma coisa, agradeci e fui até ela na cozinha.
–– Evergreen? –– perguntei, entrando e abrindo a porta.
–– Entre, Levy. –– sorriu. –– Acabei de chegar e vi toda a apresentação, que fofo! Eu ia falar com você, mas estava bem “ocupada”, hein? –– sorriu com malícia, corei.
–– E-Eu queria conversar um pouquinho com você, pode ser? –– me sentei na cadeira que tinha ao seu lado.
–– Ainda pergunta? Claro!
–– Então –– respirei fundo, eu precisava falar com alguém de experiência. ––, você conheceu o Elfman faz muito tempo?
–– Ah, com certeza, ainda estávamos na escola. –– ela riu. –– Eu tinha 15 anos e ele 16.
–– Vocês estudavam juntos? –– arregalei os olhos e peguei um doce.
–– Sim, eu havia começado mais cedo a estudar, daí estudamos juntos. –– parou. –– Quando eu completei 16, nós ficamos bem mais próximos, daí alguns meses depois nós começamos a ficar.
–– Ficar? Você quer dizer-
–– Sem namoro, isso mesmo. –– ela suspirou. –– Os momentos foram ótimos, mas eu queria mais.
–– E aí? –– eu estava muito curiosa.
–– Eu falei com ele e disse isso, ele ficou confuso e pediu um tempo. –– ela riu fraco. –– Eu me lembro de ter chorado muito por ter sido idiota, mas na verdade eu tinha tirado um peso da minha consciência por me abrir com ele.
–– E vocês demoraram a reatar?
–– Um mês, foi quando ele jogou uma pedra na janela do meu quarto para me chamar lá para baixo. Eu tive que ir como uma ninja para meus pais não me escutarem.
–– Ele disse o quê?
–– Que me amava e precisava ficar comigo. –– riu. –– Eu me apaixonei mais e fiquei da cor de uma pimenta.
–– Vocês namoraram sério daí em diante?
–– Sim, foi o melhor dia da minha vida. –– sorriu. –– Depois de três meses nós... bem, não sei se você se acostuma em dizer isso, mas nós fizemos amor.
Corei absurdamente e peguei um salgadinho: –– A-Amor? M-Mas foi na casa dele?
–– Foi, ele morava só.
–– E-E aí?
–– Como assim? Quer saber como faz amor? –– sorriu maliciosamente e se aproximou. Eu não devia ter perguntado aquilo, mas eu queria saber ao mesmo tempo. –– O Gajeel nunca dormiu com você?
–– Não...
–– Caramba, agora sim eu tenho certeza absoluta que ele te ama. –– riu. –– Ele normalmente não conseguiria se controlar, eu o conheço bem. Desde que o Laxus saiu da banda eu já sabia.
–– O quê? –– então eu me lembrei de Laxus. O rapaz com uma cicatriz no rosto que apareceu na porta da minha casa, ele havia saído do grupo? Por quê?
–– Quando o Laxus te viu, ele fez algumas brincadeiras sem graça na frente de Gajeel. Dizendo que você era gata, gostosa, essas idiotices. –– corei. –– Gajeel o deu um soco certeiro no rosto e disse para calar a boca.
Abri a boca em “o”: –– M-Mas nós nem tínhamos começado a namorar!
–– E daí? Eu tinha certeza que ele já gostava de você. Laxus foi muito nojento, todos o expulsaram da banda.
–– Caramba, por minha causa...
–– Não, não foi, ele que é um idiota. –– sorriu. –– Estou muito feliz por vocês.
–– Obrigada. –– sorri timidamente. –– Depois dessa notícia eu acho que o amo bem mais, se é que isso é possível.
–– Entendo. –– riu. –– Tenho que ir até Elfman, pode levar umas bebidas lá pra fora?
–– Ok. –– sorri e me despedi de Evergreen, que fechava a porta.
Suspirei, dando uma risadinha de garota apaixonada. Gajeel havia batia em Laxus por causa de mim, e nós não namorávamos na épica. Tive mais esperanças de que nossa relação ia longe, e com sorte, não acabaria.
Abri a geladeira e peguei uma caixa de bebidas de todos os tipos. Era meio pesada, mas eu aguentaria levá-las até a sala. Fechei a porta com o quadril, quando dei o primeiro passo, ouvi a porta da cozinha ser aberta.
–– Ah, Evergreen, agora que voltou, pode me ajud-
Mas não era ela.
Era Bacchus.
Meu coração falhou e minhas pernas tremeram, ele estava muito bêbado, mas nem por isso ele cambaleava ao andar para perto de mim. Pensei em gritar, mas talvez não fosse nada de mais, eu achava.
–– Quer ajuda, linda? –– ele riu e se aproximou mais, deixei as bebidas no balcão e me distanciei.
–– N-Não precisa, eu posso levar sozinha. –– gaguejei e bati as costas na geladeira.
–– Por que, minha gatinha? Quer que eu te ajude em outra coisa, então?
–– Não, eu vou voltar para a sala com as bebidas, obrigada. –– tentei parecer mais normal, mas era impossível. Meu medo por bêbados aumentou quando ele me segurou pelo antebraço e me chocou com a geladeira, gemi.
–– Não faça assim, gatinha, vamos aproveitar que o namoradinho não está aqui e nos divertir.
–– Não! –– eu ia gritar, mas ele tapou minha boca com sua mão esquerda. Ele era muito forte e eu estava quase desmaiando de medo.
–– Por que está tão nervosa? Só quero te deixar bem.
Mas eu não estava bem, eu estava mais do que o contrário de bem. Talvez se ele não estivesse bêbado, eu não estaria daquele jeito e teria gritado bem antes, mas minha voz não saía do jeito que eu queria.
Bacchus abaixou suas mãos para minha cintura, eu tentei empurrá-lo, mas ele me prensou contra seu corpo. Achei tão nojento que poderia vomitar a qualquer momento. Pensei em Gajeel e senti lágrimas escorrerem pelo meu rosto. Medo, nervosismo, raiva.
–– Não chore, minha gatinha, vou fazer você gemer tão gostoso que nem vai querer mais parar. –– sua voz com indícios alcoólicos me enojava, eu queria Gajeel, eu queria estar nos braços dele e não daquele idiota estuprador.
Suas mãos apertaram um de meus seios e eu tentei gritar e bati em seu peito, mas não fazia efeito nenhum. Ele sorriu, chegou até o meio de minhas pernas e tocou aquela área por cima da minha calcinha, tremi e mordi sua mão com força. Ele gemeu de dor e soltou por um segundo minha boca.
–– Gajeel! –– gritei o mais alto que pude, mas ele tampou minha boca novamente, achando que ninguém teria ouvido.
Voltou a tocar o meio das minhas pernas e tentou entrar um dedo dentro de mim. Por sorte minha calcinha ainda interrompia, mas eu chorava mais e mais. Nem Gajeel havia tocado aquela parte de meu corpo, e eu pensava que ele seria o primeiro. Chorei mais pensando naquilo. Bati mais em seu peito quando ouvi a porta quase ser arrombada.
Era Gajeel. Agradeci a Deus, e quando Bacchus olhou para trás eu o empurrei para correr.
Gajeel foi até Bacchus com os olhos queimando de raiva e deu um soco fortíssimo em seu rosto. Eu ainda chorava e não pedi para que ele parasse, ele merecia apanhar e muito.
–– O QUE VOCÊ PENSA QUE ESTAVA FAZENDO, SEU FILHO DA PUTA? –– gritou Gajeel, segurando a gola de sua camisa e lhe dando outro soco forte. Evergreen correu até mim e me abraçou.
–– Oh, Deus, Levy, o que aconteceu?
–– O filho da puta do Bacchus queria agarrar a MINHA namorada. –– a voz dele era tão alta que doía em meus ouvidos.
–– Meu Deus, Bacchus, que idiota você é? –– perguntou Jose, também gritando e indo até ele. –– Vou ligar para a policia, isso sim.
Eu não conseguia falar, apenas chorava feito louca e abraçava Evergreen.
[...]
Os policiais levavam Bacchus para um interrogatório, mas eu não queria ir, então Jose foi em meu lugar, pois eu havia contado tudo para ele. Eu estava abraçada com Gajeel e ele se despedia de todos antes de sairmos para pegar um táxi.
Eu não estava mais nervosa, mas sim, eu ainda pensava que aquele idiota estava me tocando em lugares que era para Gajeel tocar, era o que eu sempre esperava.
–– Você está realmente bem, Levy? –– sua voz era tensa, e ele nem sequer sabia onde Bacchus estava com a mão. Eu pensei se deveria contar.
–– Já é a terceira vez que me pergunta isso. –– minha voz era trêmula de tanto ter chorado.
–– Você me parece mal.
–– Eu estou bem.
Depois disso ficamos em silêncio, Gajeel conseguiu chamar um táxi. Quando chegamos em casa, ele trancou a porta e jogou seu blazer no sofá. Eu estava de costas para ele e pensava no que dizer.
–– Levy, eu-
–– Gajeel, você não ser o primeiro a...
–– Como? Primeiro a quê? –– ele franziu o cenho.
Comecei a chorar e ele se aproximou: –– Bacchus tocou entre as minhas pernas... Eu queria que você fosse o primeiro, porque eu te amo. –– solucei alto.
Gajeel ficou paralisado como se tivesse levado um sono no estômago. Apertei meus braços com força, esperando sua resposta. Ele não disse nada, apenas me abraçou com força. Um abraço que ele nunca havia me dado antes.
–– Levy –– ele resmungou com a voz morta. –– eu não sei o que dizer...
Ouvi um soluço e arregalei os olhos. Gajeel estava chorando pela primeira vez desde que o conheci. O abracei com mais força ainda.
–– G-Gajeel.
–– Você não sabe como isso é doloroso pra um homem, entende? Eu estou com vontade de ir até aquela delegacia e matar aquele filho de uma... –– ele parou e me encarou, ele ainda chorava e era lindo do mesmo jeito, eu chorava com ele. –– Eu te amo, Levy, isso não vai mudar, mas eu quero retribuir o que aconteceu.
O encarei. Ele segurou minha mão e a beijou: –– O que você quer?
–– Eu quero... –– respirei fundo e me aproximou, encostando nossos lábios. –– Você.
Ele retribuiu meu beijo, mas sem entender o que eu realmente queria. Coloquei minha língua em sua boca e o submeti a mim. Quando paramos, ele me olhou.
–– Como assim? Você já me tem.
–– Não, eu quero você por inteiro. –– corei e soltei mais uma lágrima. –– Hoje, agora. –– o beijei com mais timidez.
Vi os olhos dele se iluminarem quando me olhou: –– Levy, você...
–– Faz amor comigo, Gajeel. –– beijei seu peito ainda coberto com a camiseta social. Ele respirou forte e segurou meu braço delicadamente.
–– Não fala assim. –– ele parecia se segurar. –– Eu não vou me controlar.
–– Faz amor comigo, eu te amo. –– repeti, como em um sussurro. Ele arregalou os olhos e me beijou.
Gajeel colocou minhas pernas em sua pélvis com facilidade e me levou para o quarto.
Eu estava pronta.
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