A Assassina e o Agente.
4 Viva Las Vegas.
Notas iniciais
OLIVER...
Acordei com um gosto horrível na boca e com uma dor intragável na cabeça, parecia que eu havia levado socos em todos os lados da minha cabeça, doía tanto que parecia que ia explodir de repente. Talvez eu tivesse bebido muitas doses de wisky na noite anterior, ou ter tomado um porre de vodka.
Mas, quando me dei conta, estava caído no chão da base da c.i.a, em posição fetal, com as mãos e tornozelos amarrados. Comecei a me lembrar do que havia acontecido. As imagens vinham como filme em minha cabeça. Que belo soco no meu ego. Havia sido derrotado por uma mulher, cuja, lembro-me apenas do seu par de olhos azuis. Tão profundos, frios, analíticos e calculistas. Aqueles olhos escondem os segredos mais sórdidos. Eram misteriosos, assim como a dona deles.
— Oliver. — Escuto a voz de Diggle. — Amanda? — Sua voz não soa tão longe e nem tão perto.
Lembro-me que a mulher misteriosa atirou neles também. Lembro-me exatamente das suas últimas palavras, "sou forte o suficiente para deixa-lo vivo". Bela frase para uma assassina de Darhk, meio irônica também.
Aperto meus olhos algumas vezes, e então enxergo melhor, a base está virada do avesso, nosso corredor secreto foi descoberto por uma ninja nerd, e consequentemente, fui derrotado pela mesma ninja nerd. Meu ego está ferido e eu não gosto disso. Rastejo igual às cobras fazem. Foi o que vi em um documentário sobre animais que rastejam, não é tão difícil, apenas devo impulsionar meu corpo, e é isso que faço.
Rastejo até onde Diggle está. O processo é lento e desconfortável, o chão está gelado e sujo. Para um agente da c.i.a, isso não devia importar. Talvez eu tenha algum transtorno.
— Dig. — digo, ele vira-se. Ao menos não está amarrado. — Consegue me desamarrar?
— Não sinto minhas pernas. — dispara.
— Acho que é o efeito do dardo tranquilizante que dispararam em nós. Por que será que não nos mataram? Eles são assassinos, matar é o trabalho deles. — questiono. Não consigo entender porque pouparam nossas vidas, geralmente eles matam.
— Não sei. Talvez matem apenas quem está no contrato de morte deles. Eles são iguais os assassinos de aluguel.
— Darhk, aquele desgraçado me paga! — exclama Waller, sentando-se no chão.
— Não. Acabei de perceber que Darhk está na frente da gente. — digo. — Ele é esperto. Assim como seus aliados.
— Não. Ainda somos a c.i.a. Melhor agência de investigação de todo o planeta, podemos encontrar uma pulga, se ela for suspeita de homicídio. Vou mover uma força tarefa para encontrar Damien Darhk. — grita, como se seu grito pudesse resolver tudo.
— Acho que antes você terá que ler essa carta. — digo, olhando para o envelope dourado caído no chão. — Agora, será que pode me desamarrar?
(...)
— Leia essa carta em voz alta de uma vez por todas, ou prefere que eu mesmo faça isso!? — exclamo, depois de Amanda reler a carta pela terceira vez. — O que está escrito aí?
— Darhk me convidou para tomar um café. — Ando até ela e pego a carta. Ela foi escrita à mão e com tinta preta, a letra é caprichada. Começo e lê-la.
Querida Amanda...
Sei que começamos com o pé esquerdo. Sei que minha organização não está fora dos seus radares, até me impressiona o fato de nunca terem chegado perto de mim, bom, até agora. Sei que pegou Merlyn. Mas, se está lendo essa carta é porque o perdeu. Não sou de me gabar, mas modéstia a parte, meus soldados são muito bem treinados, nem a cia consegue detê-los. Você acabou de ter uma pequena amostra. Todavia, isso não importa agora, para mim, é claro. Porém, eu quero saber o porquê de tanto interesse em mim. Sei que pode ser a mais estúpida das ideias. Eu quero me encontrar com você, tem uma cafeteria próxima ao museu newseum. O que acha de me encontrar lá? Daqui dois dias. Às 16:30 da tarde. Esteja lá e não se atrase.
Damien Darhk.
— Então ele quer tomar um café com você... Essa é uma ótima oportunidade de pegarmos Darhk. — digo.
— Não entende Oliver. Se eu for a esse encontro, estarei me curvando para um dos assassinos que devo prender. — explica Waller.
— E o que importa? Temos a chance de prender Damien Darhk, o único que deve saber o paradeiro de Ra's Al Ghul. E você quer manter sua postura de agente durona? Temos que nos curvar às vezes, para chegarmos ao nosso objetivo. — rebato ríspido.
— Acha que é só isso Oliver? Eu tomarei um café com Darhk e no final o capturo. Fácil não é? — Encara-me, com seu olhar arrogante e prepotente. — Só que não é. Para Darhk, isso é uma peça teatral de fantoches. E adivinha quem são os fantoches? Nós! — mantem a compostura, mesmo estando toda descabelada. — Vou pensar sobre isso. Mas Darhk jamais facilitaria as coisas, nunca aparecerá em um local público. Ele sabe que podemos cercar o local. Não vou ser o fantoche dele.
— O general quer falar com vocês. — Alex entra na base nos avisando. — Adiantando. Ele está de mal humor.
— Não comentem com ele sobre a carta. — cochicha Amanda para mim e Dig. — Vou resolver esse problema, mas sozinha.
Pegamos o elevador e subimos até o andar que fica o gabinete do general. Alguns agentes ainda continuam sem entender como a base foi invadida dessa forma. Isso nos faz parecer ruins no que fazemos. E pelo que aconteceu, presumo que somos péssimos mesmo.
— Senhor General, quer falar com a gente? — questiona Waller.
— Não agente Waller... Quero falar com os pássaros que cantam em minha janela. — responde, de forma evasiva e infeliz com tudo que houve mais cedo. — Entrem, fechem a porta e sentem-se. — Ordena, e nós obedecemos. — Acabei de receber uma ligação da casa branca. Sabem o que tinha naquela bomba?
— Não senhor. — respondemos juntos.
— Não tinha nada além de alguns explosivos. Daqueles que crianças usam para assustar os amiguinhos e os cachorros. E então, você Amanda, envia metade dos agentes para a casa branca, sendo que o presidente dispõe de mais de 200 seguranças, todos armados e treinados. Consequentemente a base fica vulnerável. É invadida pela cavalaria de Damien Darhk. Que além de destruírem toda a tecnologia que tínhamos disponível no subsolo, levaram um criminoso altamente perigoso. E depois, deu um boa noite cinderela para cada um de vocês. Quanta falta de profissionalismo. Estão achando que são agentes do FBI?
— Não senhor. — respondemos juntos.
— Então não ajam como eles. Vocês são agentes da c.i.a, ajam como tal. — Respira fundo, ajeitando o nó da gravata. — Agora pegue isso. — Entrega uma pasta preta para Amanda, com o nome de Ra’s Al Ghul na capa. — Achamos uma pista sobre Ra's Al Ghul, é apenas uma foto tirada por uma câmera de rua, mas já é alguma coisa. A foto foi tirada em Las Vegas, em um cassino chamado royale. E não, não estou falando do filme. — Encara Waller. — O encontre, Amanda.
— Farei exatamente isso General.
— Eu espero. Agora saiam da minha sala. — Acatamos suas ordens e voltamos para a base, uma equipe está organizando a bagunça toda.
— Sigam-me. — Diz Waller, entrando no corredor secreto. Ela joga a pasta sobre a mesa de reuniões. — Oliver e John, arrumem as malas, vocês vão para Vegas.
FELICITY.
Depois que saímos da base secreta da c.i.a, que tínhamos acabado de praticamente destruir tudo, seguimos direto para o aeroporto, onde o jato do meu pai nos esperava. Eu ainda sentia a adrenalina de tudo aquilo percorrer em minhas veias. Ainda bem que tudo correu nos trilhos, exatamente como eu planejei.
Estávamos prontas para decolar, Nyssa foi para a cabine, ela sabia muito bem pilotar. Sentei-me em um assento e peguei meu computador, limpei tudo que havia colocado no banco de dados da c.i.a e também as informações no aeroporto. É a c.i.a, eles pegarão pesado agora.
Nós cutucamos a ferida, o fizemos de bobos da corte, e agora, com certeza a tal de Amanda Waller vai mover céus e terras para encontrar Damien Darhk. Depois de limpar todos os nossos rastros. Eu entrei no banheiro. Olhei meu reflexo no espelho, meu pescoço estava marcado, não estava tão feio, mas algumas marcas eram visíveis. Conseguiria esconder com maquiagem.
O cara com quem lutei era bom, mas não bom o suficiente. Consegui derrota-lo rapidamente. Nesse momento ele deve estar morrendo de ódio de mim. Até que ele era bonito, os olhos eram bonitos na verdade. Olhos azuis são lindos e deixam qualquer pessoa bonita. Aquele era mais ou menos. Era forte, não posso negar. E isso não vem ao caso agora.
Saio do banheiro e me aproximo da maca, na qual Merlyn está deitado. Sua situação é deplorável. Seu rosto está inchado, ele parece um daqueles peixes que incham. Está cheirando a churrasco. E seus pés estão cheios de bolhas. Mas, devo admitir, o desgraçado é forte.
— Felicity. — Ele ergue o dedo indicador e me chama para mais perto dele. Eu me inclino, ficando próxima ao seu rosto. — Obrigado.
— Isso é uma grande novidade, Merlyn. Você agradecendo, eu devia gravar esse grande marco e postar no you tube. — Debocho. — Mas, você deve agradecer ao meu pai, eu não moveria um dedo por você.
Levanto-me e volto para o meu assento. Pego meu computador, coloco sobre meu colo e começo a mexer. A viagem até Saint Louis não é tão extensa. Pousamos no aeroporto e seguimos para casa.
Quando chegamos, Nyssa e Sara ficam encarregadas de levar Merlyn para o seu quarto, e tratarem dos ferimentos dele. Eu sigo para o escritório do meu pai. Acho que acabei de bater meu recorde mensal de visitas aquele lugar. Quando passo pela porta, Darhk levanta-se abruptamente e corre até mim, me analisando da cabeça aos pés.
— Eu estou bem. — digo, afastando-me dele. — Nyssa e Sara também. Quanto a Merlyn, não posso dizer o mesmo.
— Entregou a carta para Amanda Waller?
— Sim. E ela não parece ser perigosa. — comento.
— Ela não é perigosa. Amanda Waller é letal. A partir de agora devemos tomar muito cuidado. Ela vai fazer de tudo para me encontrar.
— E por que marcou um encontro com ela? Se você está com tanto medo.
— Porque eu conheço Amanda, e não estou com medo. — Senta-se novamente. — Nós treinamos juntos na liga. Ela sabia algumas coisas sobre mim, assim como eu sei sobre ela. E tenho certeza que ela não gastaria o tempo dela me caçando. Ela quer algo que eu sei. Mas o que é... Eu não sei. Porém, tenho que descobrir. Por isso eu marquei o encontro.
— O que exatamente ela sabe sobre você? — indago, sentando-me na cadeira a frente da sua mesa. — Segredos obscuros?
— Não. Ela sabe sobre o meu lado simples. Ela sabe sobre você.
— Como deixou isso acontecer?! — exclamo.
— Calma! — diz ele. — Ela sabe apenas que eu tenho uma filha, mas não sabe quem é a minha filha. E agora não tem como ela descobrir que minha filha é Felicity Darhk.
— Ela sabe o nome da minha mãe?
— Não. — Solto um suspiro aliviado.
— Se essa mulher encontrar a minha mãe, eu juro que jamais lhe perdoarei. — levanto-me e marcho para fora do seu escritório e da sua base secreta.
Subo para meu quarto e tranco a porta. Vou até o meu closet e abro o compartimento secreto que tem em seu interior. Pego o celular que uso apenas para esse tipo de emergência. Disco a combinação de números com os dedos trêmulos. A ligação cai duas vezes na caixa postal e isso me deixa ainda mais aflita.
— Atende a porra do celular! — exclamo, escutando o “pi” do outro lado. Tento mais uma vez.
— Alô. — diz, a voz suave, que eu conheço há muito tempo.
— É a Felicity.
— Felicity! — exclama.
— Não. Já pedi para não me chamar assim. Tem alguém perto de você?
— Não. Estou na minha sala. Desculpa, não consigo me acostumar com Dakota, e ele não cai muito bem em você.
— Eu sei. — solto um riso fraco. — Mas, ninguém pode saber meu nome verdadeiro ai, além de você.
— O que aconteceu, você não costuma ligar.
— Não vou poder ir para aí tão cedo. Aconteceram alguns problemas aqui. Darhk acabou de dizer que uma agente da c.i.a sabe sobre o passado dele. Sobre mim. E se ela sabe sobre mim, sabe também que eu tenho uma mãe. Ela vai fazer de tudo para encontra-la e eu não posso deixar isso acontecer. Você me entende?
— Claro. É pra isso que estou aqui. — diz. — Sei o que fazer. Nada vai acontecer.
— Eu sei. Confio em você. Obrigada. Vou desligar agora.
— Tudo bem. — desligo o celular e coloco novamente no compartimento secreto, o fecho e deixo-o coberto com o quadro. Esse cofre, ninguém pode encontra-lo. Se eu aprendi algumas coisas com Darhk, é nunca confiar em ninguém e, eu tenho meus motivos.
— Felicity. — Escuto a voz de Darhk do outro lado da porta e suas batidas. — Posso entrar. — solto um longo suspiro e vou até a porta, abrindo uma pequena fresta.
— O que quer? — pergunto, visivelmente infeliz com sua visita inesperada.
— Amanda não tem nomes. Ela não vai encontrar a sua mãe. E esse encontro vai clarear as ideias dela. Amanda não tem motivos para estar me caçando.
— Quantos segredos você ainda guarda? Uma agente da c.i.a treinou com você na liga? Como a c.i.a contratou-a? Como eles têm certeza que ela não é uma agente dupla e que pode foder com tudo aquilo?
— Amanda mostrou sua lealdade a c.i.a, quando entregou Tália Al Ghul para eles. Ela não é uma agente dupla. Amanda sabe ser leal com quem considera os esforços dela.
— Senhor? — Nyssa irrompe o corredor. — Merlyn tem algo importante para falar. É sobre Ra’s.
— Estou indo. — ele sai a passos largos rumo ao quarto de Merlyn, Nyssa o acompanha e eu os sigo.
Adentramos o quarto de Malcom e sua situação já não é mais tão feia como antes. Sara e Nyssa cuidaram dos seus ferimentos. Mesmo assim o que fizeram com ele, foi terrível. Cruzo meus braços e fico imóvel ao lado de Nyssa.
— O que tem para falar Merlyn? — questiona Darhk. — Achou algo sobre Ra’s?
— Sim. Eu estava seguindo para Las Vegas, tinha um rastro quente de Ra’s lá. — pigarreia. — Mas, recebi uma ligação informando que ele estava em Corto Maltese. Então, mudei meus planos.
— E que rastro quente era esse? — Merlyn se ajeita na cama, com certa dificuldade e soltando urros baixos. Seu corpo inteiro deve estar arrebentado.
— Uma foto, tirada por um amigo meu. Quando estive a primeira vez em Las Vegas, atrás de informações sobre Nico Torres, eu pedi há esse amigo, para ele ficar de olho em tudo e se surgissem informações sobre Ra’s, me avisar.
Nico Torres. Lembro-me de quando Merlyn saiu atrás dele. Ele era um informante de Ra’s Al Ghul, estava chegando perto de Darhk. Mas meu pai acabou descobrindo sobre ele e colocou toda a cavalaria para captura-lo, incluindo Merlyn. Porém, Nico conseguiu escapar.
— Aonde foi tirada essa foto? — questiono.
— No cassino Royale. — assinto.
— Felicity. — meu pai vira-se e me encara. — Você e Sara vão atrás de pistas sobre Ra’s Al Ghul. — marcha para fora do quarto. Eu até gosto de Las Vegas.
Fale com o autor