A Assassina e o Agente.
5 Nos embalos de sábado à noite.
Notas iniciais
Las Vegas, eu cresci naqueles cassinos. Conheço aquele lugar como a palma da minha mão. Pode ser um lugar confuso, mas eu adorava. Quando era pequena, eu e minha mãe morávamos em um pequeno apartamento, com dois quartos, uma sala, cozinha, lavanderia e um banheiro. Era tão pequeno, mas eu amava aquele lugar.
Minha mãe trabalhava em uma lanchonete, ela era garçonete desde os 17 anos, foi nessa lanchonete que ela conheceu Andrew, um homem lindo, charmoso e misterioso. Esse conjunto de características atiçou o desejo da minha mãe. Eles começaram a se conhecer. Andrew a chamou para um jantar, depois outro e, algumas semanas depois minha mãe descobriu sobre a gravidez. Donna e Andrew casaram, eu nasci. E oito anos depois, Andrew abandonou a família, que supostamente amava.
Eu não sei todos os segredos do meu pai, e não sei o porquê de ele abandonar a mim e minha mãe. Eu me lembro do dia em que ele foi embora. Mamãe e ele brigaram, ela me pediu para eu esperar no quarto. Eu sabia que marido e mulher brigavam, nunca fui uma garota ingênua, é a lei de um casamento, ele não funciona bem se não tem brigas. Então eu fiz o que minha mãe pediu. Tranquei-me em meu quarto e fiz as lições de matemática.
Os dois brigaram por meia hora, eu não escutava o que ambos falavam. Eles não gostavam que eu presenciasse ou escutasse as discussões deles, então sempre tomavam cuidado. Mais tarde, quando eu já estava deitada em minha cama, papai entrou em meu quarto. Eu não fazia a mínima ideia de que ele estava indo embora, e para nunca mais voltar.
Ele deitou ao meu lado, e contou uma história. Sobre um guerreiro que sacrificou tudo que amava, para manter sua família em segurança. Sempre achei que aquela história era sobre ele. Ou na verdade, eu sempre quis acreditar que meu pai sacrificou a família, para mantê-la longe de perigos. Mas, quando descobri que ele era um assassino, passei a achar aquela historinha ridícula.
— Está pronta? — Sara entrou em meu quarto de rompante. — Que anel é esse? — perguntou, olhando para o circulo que eu segurava.
— Nenhum importante. — menti. Abri a gaveta do criado mudo e joguei o anel dentro da caixa de joias, depois Fechei.
É claro que aquele anel é importante, muito importante para mim. Depois que Andrew abandonou a mim e minha mãe, ela chorou muito, e ficou fora de controle. Encheu a cara e arrancou o anel de noivado do dedo, com raiva ela jogou aquele pequeno adorno em um canto qualquer da casa. Eu estava assustada, peguei o anel e guardei. Pensando que na manhã seguinte ela ia procurar. O que não aconteceu, então eu fiquei com ele. Não sei por que ele é tão importante, só sei que é.
— Vamos? — Sara assentiu, peguei minha pequena mala, e nós seguimos para o escritório de Darhk. Ele queria falar com a gente antes de partirmos. Atravessamos o corredor em passos gigantescos e adentramos seu escritório.
— Que bom que estão aqui. — disse levantando-se. — Quero que tomem cuidado. Ra's Al Ghul é esperto. E pode capturar vocês duas. Por favor, não deixem isso acontecer. Tomem cuidado ao pedir informações, Ra's pode ter aliados em todos os cantos de Las Vegas. Felicity, você pode conhecer muito bem aquele lugar, mas mesmo assim, tome cuidado. — assinto. — E por último. Mantenham contato, caso demorarem mais de duas horas para ligarem, vou mandar a cavalaria atrás de vocês.
— Tudo bem. Sabemos o que fazer. — Tranquilizo-o.
— É isso que me preocupa. Vocês sabem, e então não tomam cuidado. Se Ra’s descobrir que dois dos meus soldados estão atrás dele, vai fazer de tudo para captura-los. E, ainda mais se descobrir que um é minha filha e a outra é a namorada da filha renegada dele.
— Tomaremos cuidado, Darhk. — digo. Ele assente, ainda temeroso. — Estamos indo.
— Okay. — diz. — Se ele estiver mesmo lá, não façam nada, apenas me avisem.
— Tudo bem. Faremos isso. — digo, dando as costas para ele. — Vamos Sara.
— Sim. — murmura, e saí logo atrás de mim. Saímos da casa e um carro nos espera no quintal. Mal chegamos e já vamos sair novamente. Pelo menos, Las Vegas nos proporcionará um pouco de diversão. Ou, não.
(...)
Depois de algumas horas de viagem, enfim estamos em solo, e em um hotel confortável. O casino Royale é um dos cassinos mais famosos de Las Vegas, apenas pessoas poderosas entram no local. Ra's é poderoso, então deu o seu jeitinho. O que eu farei também, dar o meu jeitinho.
— Que tal esse? — perguntou Sara, mostrando-me um vestido vermelho, longo, de alcinhas e uma a grande fenda na coxa esquerda. — Precisa estar sexy.
— Mas não posso chamar tanta atenção. — argumento.
— Ninguém vai pensar que é uma assassina. E sim uma vadia atrás de um homem cheio da grana para bancar seus luxos. Esse disfarce é perfeito. Nico Torres pode estar aqui e ele nunca lhe viu. Um ponto a nosso favor. E ele tem uma queda por vermelho. E além do mais, o cassino vai estar lotado.
— Tudo bem. Vou usar isso. A que horas é o baile? — indago.
— Às nove da noite.
— Okay. Vou dar uma olhada por roda. Serei uma fotógrafa. É um ótimo disfarce. — Abro minha mala e pego a câmera e os óculos escuro.
— Importa-se de usar isso. — Entrega-me um comunicador. — precisamos nos manter em contato.
— Okay. Mas terá que usar isso. — Tiro uma pequena cápsula da minha mala.
— E o que é isso? — pergunta, arqueando as sobrancelhas.
— Aqui dentro tem um rastreador, o mesmo que apliquei na corrente sanguínea de Merlyn. Nyssa me pediu para lhe proteger, assim como meu pai pediu para você me proteger. Ela se preocupa muito com você. E só me pediu isso, porque sabe do que seu pai é capaz de fazer.
— Eu entendo. No lugar dela faria o mesmo. Pode tirar isso de mim depois?
— Não tem como tira-lo. Eu teria que drenar seu sangue e não sou boa nisso, na verdade nunca drenei o sangue de ninguém, e isso lhe mataria. Mas, eu modifiquei esse, depois de 72 horas, ele se autodestrói.
— Okay. Eu vou usar isso.
— Ótimo. — Pego a seringa e a ampola de dentro da capsula. Coleto todo o líquido, e aplico na corrente sanguínea de Sara. Pego meu celular e o computador, passo todas as coordenadas do rastreador para os aparelhos, apenas deixo desativado. — Sinto-me melhor agora.
— Sua vez. — Coloco o comunicador na orelha. — Ótimo. — diz, esboçando um leve sorriso. — Me sinto bem melhor.
— Preciso ir agora. — digo e me retiro.
Depois de sair do hotel em que estamos hospedadas, andei pelas ruas movimentadas e barulhentas de Las Vegas, as fotos que tirei não me serviram para nada. Entro em uma cafeteria e peço um café. Depois me sento em uma mesa do lado de fora, onde posso enxergar uma boa parte dos cassinos e também a lanchonete em que minha mãe trabalhava. Boas lembranças.
— Posso me sentar aqui? — Viro meu rosto e meus olhos encontram um belo par de olhos azuis, porém, perigosos, muito perigosos. — As mesas estão todas ocupadas e você está sozinha.
— Oh Merda! — exclamo. Um agente da c.i.a? Era o que faltava. O agente que lutei. Será que ele viu meu rosto? Será que eu deixei pistas?
— Felicity, aconteceu alguma coisa? — pergunta Sara pelo comunicador. Não posso demostrar nervosismo. Não agora. E também não posso falar com Sara. Grande merda.
— Então, eu posso me sentar? — ele insiste.
— Claro. — respondo receosa, sem escolha. Ele senta-se e fita a câmera em volta do meu pescoço.
— Turista? — questiona. Será que ele está atrás de mim? Que seja... Já o derrotei uma vez, faço isso outra.
— Mais ou menos. Sou fotografa! E você? — arrisco.
— Eu sou turista. Na verdade estou a passeio, mas fico mais tempo enfurnado no meu quarto, resolvendo problemas burocráticos da empresa. No entanto, hoje eu me obriguei a sair. Andar pelas ruas. E valeu a pena. — responde naturalmente, fitando meus olhos profundamente. — Eu sou um empresário no ramo tecnológico.
— Bom. — digo. — Sua namorada deve estar torrando a sua grana agora. — Ele sorri e consegue ficar ainda mais bonito. Ele supera o Ray, com certeza.
— Não. Não tenho namorada. — responde. — Acho que não sou um bom partido.
— Talvez eu discorde.
— Isso foi um elogio? — Dou um sorriso torto para ele, e bebo um gole de café.
— Quem sabe. — Tiro uma nota de dinheiro do bolso e coloco sobre a mesa. — Preciso ir agora.
— Quem sabe não nos vemos uma segunda vez.
— Acho que não. Aqui é grande demais. — dou um tchauzinho e saio. Não podemos nos encontrar uma segunda vez. Espero que ele não esteja desconfiando de mim.
— Sara. — chamo. — Tem um agente da c.i.a em Las Vegas. Preciso descobrir o que ele está fazendo aqui.
— Acha que ele está atrás da gente? — pergunta.
— Não sei. — Viro-me para trás e ele não está mais na cafeteria. — Mas é melhor tomarmos cuidado.
— Okay.
OLIVER...
Posso jurar que já vi aquela mulher em algum lugar, só não me lembro de onde. Ela é linda e misteriosa. Tem algo nela que me faz querer conhecê-la. Mas, tenho coisas mais importantes para fazer do que tomar um porre e acabar me casando com uma mulher que conheci em um dia. Em uma capela em Las Vegas e com o Elvis servido como testemunha.
Pego o meu celular que começa tocar, jogo uma nota de 20 dólares sobre a mesa e me levanto. Olho no visor e é Amanda.
— Alô. — digo.
— Tenho informações. Nico Torres está em Las Vegas. Nico é um dos assassinos de Ra’s. ele é um de seus homens de confiança.
— E onde ele está? — questiono.
— Isso eu não sei. Coloquei uma equipe para rastreá-lo. Temos apenas uma imagem dele, no casino Royale. A foto foi tirada há duas horas. Vá até o casino e mande as imagens para o computador de Diggle.
— Tudo bem. — desligo o celular e guardo no bolso. Amanda é incrível em dar ordens. Sigo para o cassino. Ele não é tão longe de onde estou. Embarco na moto que aluguei e sigo meu rumo.
— Senhor, identificação, por favor. — Sou barrado na entrada por um home de uns dois metros de altura. — Não pode entrar sem identificação.
— Sou Bill Clinton. Não está vendo? Acabei de fazer uma plástica rejuvenescedora. Agora me dá licença. — Avanço, mas ele me segura. Arranco a identificação do seu bolso e enfio no meu bolso. — Tudo bem. Aqui está meu RG, CPF e minha carteira de motorista. Está bom para você?
— Agora sim. Pode entrar. — Esboço um sorriso torto e então subo os degraus de mármore. Entro no salão, o carpete é todo vermelho, o papel de parede é vinho com alguns desenhos dourados. Um imenso lustre de cristal está preso no teto. E as mesas de jogo estão espalhadas no salão.
Preciso encontrar a sala de controle e ter acesso a todas as câmeras. À noite tudo será mais fácil.
— Dig. — murmuro. — Está me escutando?
— Sim.
— Sabe para que lado é a sala de segurança?
— Sim. No lado oeste. Primeiro corredor à direita. — sigo suas coordenadas. — Precisa mandar todas as informações para o meu computador. Sabe como fazer isso?
— Prefiro desarmar uma bomba, mas sei mexer em um computador. — Viro no corredor e chego a sala de vigilância. Uso a identificação que roubei do guarda e entro na pequena salinha, cheia de computadores. Tem apenas um vigilante na sala e quando ele nota a minha presença, me analisa da cabeça aos pés.
— Quem é você? — questiona, pronto para chutar o meu traseiro.
— JJ me mandou.
— Quem diabos é JJ? — é melhor usar o plano “b”. Seguro sua cabeça e lanço contra a borda da mesa, seu corpo amolece e ele cai no chão. — Não gosto do plano “b”, às vezes. — Injeto o pendrive no computador e o ativo, ele começa a mandar informações para o computador de John. Após fazer isso, saio da sala, à noite estarei aqui de novo, portanto, ninguém pode me reconhecer.
[...]
Abro minha mala que está sobre a cama, tiro um smoking de dentro. Hoje à noite serei Jim Walker, chefão do crime de Los Angeles, responsável por diversas mortes, tráfico de drogas e de armas. Belo currículo. Termino de colocar o smoking e dou um nó na gravata borboleta. Olho-me no espelho e estou pronto. Pego minha arma e o silenciador e guardo no coldre, sob o paletó. Coloco a escuta no ouvido e saio do meu quarto.
Hoje é uma noite importante para o cassino Royale, ele está dando um coquetel para todos os seus membros. Talvez Ra’s Al Ghul esteja lá, eu não aposto nisso, porque ele não é de facilitar as coisas. Mas, Nico Torres, com certeza vai estar lá. E pegando Nico, temos uma grande oportunidade de encontrar Ra’s Al Ghul.
— Hey. Já está pronto? — pergunta Diggle, abrindo uma pequena fresta da porta.
— Sim. — Pego meu celular e guardo no bolso da calça. Algo me diz, que essa noite não será simples.
Fale com o autor