A Assassina e o Agente.
19 Vai ser divertido.
Notas iniciais
FELICITY.
Acordei sobressaltada de madrugada, tinha sonhado com Oliver e não era um sonho bom. Nunca é um sonho bom quando tem alguém que quer lhe matar, exatamente o que Oliver estava tentando fazer. É incrível, até meus sonhos e pesadelos ele está tomando posse agora. Droga.
Limpo o suor que se acumula em minha testa. Sinto gosto amargo na boca e minha garganta está seca. Jogo as cobertas para o lado e deslizo para fora da cama.
Saio do meu quarto e sigo pelo corredor até o topo da escada. Tudo está escuro e o silencio é absoluto. Desço os degraus e entro na cozinha. Tomo um copo d'agua.
Não acredito que meu envolvimento com o agente tomou essas proporções. Eu não acredito que tranzei com ele e eu nem o conheço direito. Okay, ele é um agente da cia chamado Oliver. Mas e suas origens? Pelo o que ele passou? Sua família? Seu passado, onde está escondido tudo isso? E por que eu não consigo resistir a seu charme?
Tantas perguntas e eu não consigo responder uma sequer.
Eu sempre tive controle das minhas ações, eu sempre controlei meus sentimentos, sempre pensei antes de fazer algo que possa me arrepender. Mas quando estou perto de Oliver perco a capacidade de pensar e agir. Meu corpo é atraído para o dele e minha boca deseja ele. É engraçado, porque isso é totalmente errado. Qualquer agente em sã consciência me levaria presa, mas Oliver apenas queria alimentar seu desejo.
É claro que eu gostei do que aconteceu entre nós em seu apartamento. Mas definitivamente aquilo não pode acontecer novamente.
— Felicity! — o copo escorrega da minha mão e o impacto no piso o faz se partir. Vejo meu pai encostado no batente da porta. — Você está bem? Nunca a vi tão longe. É sempre alerta e nos últimos dias notei que você anda pensativa, voando longe.
— Estou bem. — respondo, me agacho e começo a juntar os cacos.
— Precisamos conversar. — diz ele, eu levanto meu rosto e o encaro. Ele está sério e sei que é algo importante. Deixo os cacos em segundo plano e me levanto.
— O que foi? — pergunto.
— Quero que arrume suas coisas. Vamos viajar para Washington daqui a pouco. — arqueio minhas sobrancelhas, e ele nota minha expressão confusa. — Sem perguntas agora, por favor.
— Mas voltei de lá ontem. Por que terei que voltar? — indago.
— Tenho assuntos importantes para resolver lá e você e Sara vão comigo. Eu explico tudo detalhadamente depois, agora eu preciso resolver alguns problemas aqui. — vira-se e sai me deixando ainda mais confusa com seus segredos.
***
Nós já estávamos no jato e meu pai ainda não havia explicado nada. Eu e Sara estávamos no mesmo barco, confusas. Pensei em confronta-lo, mas com Darhk é tudo no seu tempo. Eu sei que logo ele vai explicar tudo e eu tenho que ter paciência com ele.
Sentei em uma poltrona ao lado de Sara. Eu havia contado tudo que aconteceu em Washington. Ela disse que eu estava certa e que devia me divertir. Mas agora que estou voltando para lá, não sei se ela estava realmente certa. E se Oliver descobrir que estou em Washington? Ele é um agente, pode descobrir isso. Mas pensando bem, agora que ele teve o que queria, não vai mais me procurar.
— Está preocupada. — afirma Sara. — Me conte o que lhe deixa preocupada? É à noite com o agente e a possibilidade de repeti-la?
— Não vai se repetir. — afirmo. — Não mesmo.
— Okay. Não vou dizer o contrario. — murmura. — Mas já pensou se você dá de cara com ele?
— Não. — virei para frente e fiquei em silêncio. Já comprovei que é melhor ficar bem longe de Oliver. Não consigo pensar na possibilidade de encontra-lo novamente e perder todo o meu autocontrole.
A viagem não foi longa e logo estávamos pousando no aeroporto. Deduzo que meu pai esteja aqui devido os recentes ataques à cidade, promovido por Ra's, ele deve estar atrás de alguma pista. Resolvi esperar mais um pouco para então pedir explicações.
Tem um carro nos esperando do lado de fora do aeroporto e isso é estranho. Darhk continua calado e pensativo. Embarcamos no carro e ele segue pelas ruas de Washington.
— Pode me dizer o que está acontecendo? — questiono, não aguentando mais seu silêncio perturbador. — Para onde estamos indo?
— Para a base secreta da cia. — responde enfim. Estou ainda mais confusa. — Temos uma aliança com a cia e vocês duas estarão sempre comigo, não vou ficar sozinha em um ninho de cobras.
— O que?! — lembro-me do vídeo que vi do seu encontro com Amanda, ela afirmou com veemência que nunca se aliaria com Darhk, mas mudou de ideia. Minha nossa, Oliver é um agente, qual a possibilidade de trombar com ele agora? Muitas e muitas. — Não vou me submeter a isso.
— Acontece que você não tem escolhas. Vou ficar aqui agora e você ficará por perto.
— Eu tenho escolha sim, e a minha é não! Não vou trabalhar com a cia!
— Você vai sim, porque eu estou mandando. E você não tem escolha, Felicity, apenas obedeça. Pensei que queria pegar Ra’s.
— E quero. Mas não vou me aliar a cia!
— Preciso ter acesso ao computador secreto preciso da sua ajuda, eu não pediria, mas Felicity você e Sara são as únicas que eu confio.
— Okay. — digo. — Mas com uma condição. — ele presta atenção. — Quero acesso à pasta com informações daquela noite que você guarda no seu computador.
— Como sabe disso?
— Você não pensou que o seu sistema criptografado ia me deter, pensou? — disparo. — Eu não sabia sobre isso. Queria ver o vídeo do encontro com Waller, e acabei encontrando a pasta com o nome da minha mãe e a data. Eu ia dar um jeito de ter acesso, mas você tinha entrado no seu escritório de novo, e depois não tive uma segunda chance.
— Você não podia ter invadido meu computador.
— Mas invadi. Portanto, se me quer como aliada, terá. Porém, quero aquela pasta.
— Okay. — suspira. — Terá acesso, mas apenas depois que capturarmos Ra’s al Ghul.
Sei que se eu bater o pé, nunca mais terei a chance de ter acesso aquela pasta, com certeza ele vai esconder a sete chaves, então o que resta é aceitar.
— Tudo bem.
••
Chegamos à base e descemos ao subsolo, meus olhos vareiam o local e nem sinal do Oliver, melhor assim, espero que ele esteja em uma missão no outro lado do mundo. Solto a respiração que havia prendido. Sinto um pouco de decepção também. Foco.
— Sempre no horário certo. — diz Amanda. — E essas? — pergunta, apontando para mim e Sara, mas seus olhos ficam fixos em mim. E eu sinto algo desconfortável, uma voz grita dentro de mim, repete várias vezes que de forma alguma eu posso confiar nessa mulher.
— Dakota e Sara. — Meu pai manteve minha identidade em segredo, Darhk não costuma confiar em ninguém, e pelo jeito não confia em Amanda, agora eu só não entendo o porquê de se aliar com uma mulher na qual não existe confiança. — Elas estarão comigo.
— Okay. — diz. — John e Trent, esse é Damien Darhk , já o conhecem, não vou ficar apresentando-os. — diz ela. Trent nos cumprimenta, mas logo se afasta. Depois John aperta nossas mãos. — Fiquem a vontade, logo o general estará aqui para darmos inicio ao plano.
— Essa mulher não me desce. — cochicha Sara.
— Ah, a bela adormecida resolveu aparecer. — diz Amanda, e eu olho para a mesma direção que ela. Droga! Meu coração vai totalmente contra meus instintos e começa a bater forte. Maldito traidor. — Esse e um dos melhores agentes da cia. — diz Amanda.
Meu corpo fica tenso assim que seus olhos encontram os meus. Não acredito que terei que dividir o mesmo espaço com ele. Se ao menos Oliver tivesse um defeito, mas o homem é perfeito, se eu começar a listar levarei um grande tempo fazendo isso. Ele aparentemente está surpreso. É claro, pois nem eu esperava estar aqui.
— Oliver, esse é Damien Darhk. — diz Amanda, e os olhos intensos de Oliver fogem dos meus. Ele encara meu pai e parece o analisar.
— Olá. — diz meu pai, estendendo a mão para Oliver.
— Olá. — os dois se cumprimentam. Fico imóvel e fito o chão. Sei que os olhos de Sara estão cravados em mim. Ela sabe de tudo. — Amanda, será que podemos conversar? — os dois se afastam. Eu não devia estar aqui.
— Felicity. — meu pai segurou meu ombro e sussurrou meu nome. — Preciso de um favor, quero uma análise dos assassinatos que Ra's promoveu em Washington, o nome de todas as vítimas, todas as informações, local onde ocorreu todos os assassinatos. Vou fazer uma varredura em Washington, porque se ele quer Tália, ele está escondido em algum lugar nessa cidade. Você pode usar esses computadores, os arquivos estão a nossa disponibilidade. — assinto e me dirijo até os computadores, sento-me e começo a fazer o que ele me pediu.
— Felicity. — sua voz mesmo baixa causa arrepio em todo o meu corpo. Odeio perder o equilibro e ele faz isso comigo. — Podemos conversar. — não podemos e por vários motivos, um, é porque ele me provoca de uma maneira inimaginável, dois, eu perco meu autocontrole, e três, a gente nunca conversa.
— Estou ocupada. — digo, com a cabeça baixa, não posso olhar para os olhos dele, eles são profundos e são mais um ponto a seu favor.
— Não me trate assim, como se nada tivesse acontecido, como se não tivesse significado nada. Não sou um desconhecido, ao contrario você me conhece muito bem, não é mesmo, Felicity Smoak? — Levanto meu rosto. Uau, falando dessa forma, me olhando dessa forma, fui pega de surpresa. Ele consegue ficar ainda mais sexy com essa pose de durão. — Vou lhe esperar na sala secreta, você sabe onde é. — vira-se e sai. Se ele acha que sou o tipo de pessoa que apenas escuta, ele está enganado.
Olho ao redor e aproveito que todos estão distraídos e sigo Oliver pelo corredor que leva a sala secreta. Ele está ha uma grande distância de mim e entra na sala e fecha a porta. Cretino! Apresso meus passos e entro. Antes mesmo de eu começar a falar, já estou encostada na parede, de costas para ele. Sinto seu corpo no meu e, sua respiração no meu pescoço.
— Você está ficando maluco? —pergunto, estão ele me vira, mas continua muito perto. Oliver arranca de mim todo o meu equilíbrio, minha capacidade de raciocinar e impedir que ele fique tão perto. — O que quer Oliver?
— Você. — seu tom de voz é sério e urgente, eu me desvencilho dos seus braços. — Porque saiu daquela forma ontem? Qual é a sua, em Felicity?
— Não acredito que me fez vir aqui para falar de ontem. — digo. — Entenda uma coisa, a gente apenas tranzou, nada mais do que isso. Sexo casual, sabe o que é isso? Então, não vai mais se repetir. Agora me deixe em paz. — ele me fita sem reação. Foi melhor assim. Abro a porta e viro-me, mas Oliver tem sempre essa mania de me puxar e quando dou por mim, sua boca cobriu a minha e sua língua invadiu minha boca com urgência, e está entrelaçando na minha. Meu corpo reage e eu estou com a mão em seus cabelos e retribuindo o beijo.
Sinto minhas costas contra a parede, e o corpo de Oliver pressionando o meu. Suas mãos descem pela lateral do meu corpo e agarram minha bunda, solto um gemido contra seus lábios e ele sorri. Maldito corpo sacaneador. Estou reagindo com veemência aos seus toques, ao seu beijo.
Ele me ergue no ar sem dificuldade alguma e me coloca sobre a mesa, suas mãos seguram minhas coxas e levam a lateral do seu quadril. Minhas mãos descem por seu pescoço e seguram sua camisa o trazendo para mais perto. Seus lábios roçam o meu pescoço e voltam a sugar minha boca, me entrego ao beijo, porque não consigo afasta-lo.
Eu disse a mim mesma que o que aconteceu entre nós na noite passada não vai se repetir, e não posso ser fraca agora e acabar cedendo, apesar de a mesa ser bem grande. Junto todas as minhas forças e o empurro. Ele me olha confuso e está a ponto de argumentar, mas eu ergo minha mão e desço da mesa.
— Não faça mais isso, Oliver, vamos trabalhar juntos agora e aquilo não vai mais acontecer. — viro-me e dessa vez ele não reage, não queria me sentir decepcionada com isso, mas e exatamente assim que me sinto. Dessa vez ele não me impediu de sair.
••
— Aqui está tudo que me pediu. — entrego todas as pesquisas que meu pai pediu a ele. — Duvido que consiga algo com isso. As mortes ocorreram em diversos pontos da cidade, e nenhuma vitima tinha ligação. Também rastreei o computador que ele usou para invadir o servidor da cia, não encontrei nada.
— Confio em você, mas vou checar mais uma vez. — dou de ombros. — Você terá que viajar para a Rússia. Amanda vai se pronunciar daqui a pouco. Tem algo importante que quero lhe dizer.
— E o que é?
— Não confie em ninguém além de mim e Sara, você sabe que agentes não são confiáveis. — olho sobre o ombro do meu pai e vejo Oliver, ele está concentrado em algo, não olhou para mim desde o ocorrido na salinha secreta.
— Se não confia neles, por que está se aliando com a cia?
— Confie em mim, Felicity. Sei o que estou fazendo. — argumenta. — Confia?
— Tudo bem. — digo.
Eu sei que sempre o culpei por tudo de ruim que aconteceu, mas eu sei que posso confiar nele. Assim como sei que posso confiar em Oliver, não sei como explicar, mas me sinto bem quando ambos estão por perto, não tenho motivos para não confiar nele.
— Tive acesso ao computador interno. — sibila Darhk. — Estou fazendo uma varredura nele.
— Posso ter acesso a ele?
— Não, o general disse que somente eu posso ter acesso, mas o deixei vulnerável por algumas horas. — assinto. — Mas tenha calma, algumas informações estão muito bem escondidas.
Vou até minha bolsa e pego o meu computador. Meu pai deve ter mandado as informações para mim. Como Previ, quando o ligo uma espécie de vírus pede minha confirmação, aperto “Okay” e as informações começam a ser baixadas no meu computador. Às vezes Darhk me surpreende.
— Tenho algo a dizer. — Amanda diz, guardo o computador na bolsa novamente, e me aproximo de Sara. Cruzo meus braços e presto atenção na arrogância de Waller. — Ra's Al Ghul pediu Tália, sua filha mais velha em troca da liberdade de Washington, se não ele vai voltar a atacar os inocentes. Nós vamos trazer Tália pra cá, e entregar a Ra’s, claro que é apenas um plano para atrai-lo até nós. Darhk e eu conversamos e vamos mandar um agente meu e um dos assassinos dele capturar Tália e trazê-la em sigilo para cá. Darhk. — deu voz ao meu pai.
— Tália está presa em uma prisão de segurança máxima em Moscou, a cia fez um acordo com a Rússia para mantê-la lá, porem, agora, a Rússia não quer liberar a detenta. Por isso teremos que invadir a prisão. Eu escolhi a Dakota, porque ela além de ser ótima em luta e porte de armas é hacker, e isso tornará tudo mais fácil.
— E eu escolhi o melhor agente que tenho. Oliver. — ela diz e olha para ele. Oliver assente, olha para mim e começa a andar em minha direção.
—Acho que não me apresentei ainda, Dakota. Sou Oliver. — estende a mão para mim, sei que ele está me provocando, aperto a sua mão. — Vai ser divertido. — sussurra perto do meu ouvido.
— Não tenho tanta certeza. — digo, e cruzo meus braços. Amanda e Darhk se afastam. Sara parece divertida e o agente bonitão que meu pai disse se chamar Diggle nos olha com atenção.
— Felicity, queria tanto saber o que se passa em sua cabeça. —murmura Oliver.
— Pensamentos bem sujos. — rebato. — O seu sangue está na minha lâmina. — ele sorri.
— Você se faz de durona, mas quando está perto de mim seu coração amolece, eu sei.
— Você está muito errado Oliver. — digo e dou as costas a ele.
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