A Assassina e o Agente.

26 Uma longa história.


Notas iniciais
Oi gente, bom desculpem as minhas falhas, estou fazendo o que posso. Bom, eu espero que gostem do cap. Talvez ele fique cansativo, pelo tamanho e por não ter muito Olicity, mas gente eu preciso desenvolver a história e mostrar um pouco dos outros personagens e o mistério. Mas prometo que teremos muito Olicity ainda. Luuuuzi, meu amor, obrigada pela linda, enorme e carinhosa recomendação, eu amei como amo todas, porque sempre são uma demostração de carinho tanto por mim quanto pela fic, obrigada mesmoo, dedico esse cap para vc, espero que goste. Musica: https://www.youtube.com/watch?v=2-OQR0dsQ7Y

I am finding out that maybe i was wrong

That i've fallen down and i can't do this alone

Stay with me, this is what i need, please?

Gabrielle Aplin — My Heart

FELICITY.

Era quase 19hrs da noite quando cheguei em Saint Louis, peguei um taxi e fui direto para a casa de Darhk, a ligação de Cait me deixou muito preocupada, apesar de mamãe estar melhorando, suas cicatrizes são bem profundas, capazes de causar um efeito colateral e isso já aconteceu, não quero que se repita. Minha mãe precisa restaurar suas memórias e curar sua saúde mental. Eu queria tanto estar do lado dela, mas toda a situação em Washington e esse meu envolvimento com Oliver, acabam me direcionando para longe dela.

Eu sou uma pessoa horrível por ficar longe da pessoa que mais amo, eu deveria estar do lado dela e não longe. Eu nem sei se ela está bem, ou se precisa de alguma coisa. Claro, tenho total confiança em Cait, ela sempre cuidou de mamãe depois daquela noite terrível. Cait passou dias comigo no hospital, me apoiando enquanto médicos diziam que minha mãe podia não sobreviver. Mas como filha, eu devia ficar por perto.

O que faz de mim uma pessoa boa? Nada. Eu perdi minha vida quando entrei em casa e encontrei mamãe toda machucada, depois disso eu tirei a vida de Caitlin, a garota mais doce que já conheci. Comecei a tirar a vida de pessoas cujo meu pai me dava um contrato e eu ia atrás delas, no começo eu achava gratificante, apesar de sentir um pouco de remorso, era uma forma de vingar tudo que aconteceu como minha mãe, depois eu comecei a ter prazer, eu não sentia mais uma gota de remorso, e até hoje eu busco vingança, mas não encontrei. Então, não tem como eu ser uma pessoa boa.

— Você quer ajuda com as malas? — perguntou o motorista do taxi.

— Não, tudo bem. São apenas duas, mas obrigada. — ele sorriu e eu desembarquei do carro. Peguei minhas duas malas pequenas e encarei a casa de dois andares. Estava na hora de acabar de vez com meu nervosismo.

Notei uma movimentação no lado esquerdo da casa, uma silhueta robusta surgiu na parede rustica da casa. Parei e esperei até a pessoa se revelar, era Alex.

— Felicity. — Ele veio até mim e praticamente tomou as malas da minha mão. — O que aconteceu? Nyssa disse que você e Sara ficariam o tempo todo com Darhk em Washington. — nos encaminhamos rumo a casa.

— Bom... esse era o plano inicial. — estava claro que Alex não sabia nada do que estava acontecendo em Washington, assim como todos os fantasmas do meu pai. — Mas surgiu um probleminha aqui e eu tive que voltar, mas por pouco tempo, Damien Darhk ainda precisa de mim.

Bom, não era verdade, meu pai deixou bem claro na nossa última conversa que queria que eu voltasse para St Louis e ficasse escondida em sua fortaleza até ele encontrar Ra's Al Ghul. Darhk está acuado, mas seu exército não precisa saber, seria terrível e sujaria sua imagem de grande líder, como o dia que poupou a vida de Ra's.

— Quer que eu leve suas malas para o quarto? — perguntou Alex, educadamente. O que esses homens têm hoje? São apenas duas malas e pequenas.

— Não, eu mesma as levo. Obrigada. — Alex assentiu com a cabeça, abriu a porta para mim e deixou as malas na entrada.

— Vou voltar para o bar, foi bom lhe ver, Felicity. — eu sorri e esperei ele se retirar, para então fechar a porta. A casa estava tão silenciosa e vazia, ela sempre foi assim, mas agora parecia mais uma caverna escura e gelada.

— Felicity. — olhei para o topo da escada e Nyssa descia rápido os degraus da escada, ela parou na minha frente e abriu os braços para logo me dar um abraço receptivo e rápido. — Como você está?

— Eu estou bem e você? — Notei que ela parecia exausta e deprimida. Talvez seja porque Sara está longe.

— Estou. Só um pouco cansada. O trabalho do seu pai é difícil. — respondeu.

Meu pai sempre confiou em Nyssa, apesar de ela ser filha do seu maior inimigo. Ele tem todos os motivos para desconfiar, mas é exatamente o contrário, ele confia tanto nela que a deixou a frente de tudo. Acho que durante o tempo que meu pai treinou com Ra's, ele e Nyssa desenvolveram afinidade e confiança, muito forte.

— Sara está com você? — questionou. Sabia que não demoraria muito.

— Não. Sara ficou, eu queria que ela voltasse para cá, mas você a conhece melhor do que eu.

— Sim. Ela é muito teimosa. — bufou. — Como estão as coisas em Washington? Sara não me fala muitas coisas quando conversamos pelo celular. Ela só diz que as coisas vão melhorar e isso me irrita muito.

Claro que Sara não iria contar tudo o que aconteceu para Nyssa, ela sabia que a amada faria de tudo para que ela voltasse e ficasse segura, sob sua proteção.

— Podemos conversar sobre isso depois? Eu quero muito ver minha mãe

— Claro, podemos deixar essa conversa para mais tarde. Mas sua mãe não está. Ela e Cait saíram para passear. Caitlin sempre sai com Donna, é tipo um exercício mental. Sua mãe adora.

— Cait não me disse nada sobre isso. — resmunguei. Esses dias foram tão corridos e confusos que eu nem tive tempo de ligar e conversar com ela, sempre fomos tão amigas e agora, está tudo tão conturbado. — E a essa hora da noite? — Nyssa sorriu.

— Cait não me falou sobre o que é exatamente, só sobre o tal do exercício mental. E eu acabo passando quase o dia todo no escritório e ajudando os novatos nos treinamentos, mas seja lá o que for, está fazendo muito bem para sua mãe. Ela está mais feliz.

— Tudo bem, eu vou levar minhas coisas para o quarto, ainda não sei quanto tempo vou ficar, mas logo, eu prometo que eu te conto tudo.

— Está bem, descanse. — eu assenti. Peguei minhas coisas e subi a escada.

Se minha mãe está bem, mais feliz como Nyssa falou, por que Cait disse que ela estava dizendo que eu estou em perigo? Mas do jeito que conheço Cait, ela foi cuidadosa e deixou o assunto entre mamãe e ela.

Meu quarto estava do mesmo jeito que deixei há um tempo, nada mudou, extremamente organizado. Ele não tem muitas fotos. Deixei apenas dois retratos na cômoda, um de mamãe e outro de Cait e eu no dia da nossa formatura no colegial. Costumava dizer que odiava a escola, que odiava meus 16 anos. Mas daria tudo para voltar nesse tempo e mudar o rumo da minha vida.

Talvez, eu trombasse com Oliver em algum momento e me apaixonasse. Talvez estivéssemos de casamento marcado e sonhando em ter dois filhos e um cachorro, o terceiro filho seria acidente de uma noite quente, mas o amaríamos tanto quanto os outros dois. Seria incrível uma vida normal ao lado de Oliver, e com esse pensamento eu me pego sorrindo. Será que ele seria o carinha que eu sonhava quando mais nova, que eu casaria e teria uma vida pacata? Ou o meu destino jamais se cruzaria com o dele como agora, na minha realidade?

Perguntas demais e eu nem sei como cheguei a elas. Retiro meu celular da mala, ótimo, está desligado, procuro meu carregador e não o encontro, no máximo, pela sorte que tenho devo ter esquecido no hotel, na Rússia. Sento-me na cama e suspiro, é muito azar, eu devia ligar para Oliver e avisar que estou bem, e nem o número dele eu lembro.

— Felicity. — Cait entrou no meu quarto, estava com uma calça jeans e uma camisa creme com botões e cheia de manchas de tinta azul. Olhei-a de cima a baixo, até focar-me no enorme sorriso dela. — Meu Deus, que bom te ver. — correu até mim e me abraçou. — Como você está?

— Bem e você? E pode me explicar essas manchas de tinta? — indaguei.

Cait pegou em minhas mãos e me fez sentar na cama de frente para ela. Não estava entendendo nada. De fato Cait foi sempre a mais polvorosa das minhas amigas, ela sempre entregava o jogo quando sorria.

— O que foi?

— Eu estou bem. — disse. — E essas manchas? Bom, é uma longa historia.

— Okay, então me conte.

— Está bem. — ponderou. — Há alguns dias percebi que esse lugar fazia um bem danado para sua mãe. — arqueei as sobrancelhas.

Não entendia. Esse lugar sempre foi meu inferno pessoal, quando entrei para a h.i.v.e meu pai fez questão de me batizar, okay, isso pode parecer normal, mas não é, não quando o tal batismo consiste em matar alguém. Era um homem, ele era traficante de drogas e líder do cartel mexicano, meu pai disse que era só eu atirar e foi o que eu fiz. Depois disso, o lugar virou uma escola, Darhk chama de centro de treinamento, onde aprendemos a manusear armas e lutar. Foi nesse maldito lugar que eu virei uma assassina.

— Esse lugar é horrível. — rebati. — Você lembra tudo que aprendemos aqui?

— Sim. E realmente, não é o paraíso. Mas se você prestar atenção no exterior, o bosque, a cachoeira e os animais, ele não é tão ruim. Sua mãe adora esse lugar.

— Quando ela souber tudo que acontece nesse lugar. — balbuciei. Caitlin fez uma careta me reprovando.

— Por isso que eu a afastei um pouco.

— Como assim?

— Você lembra do orfanato?

— Claro. A gente gostava de ir lá, mas estava abandonado. —falei. Cait assentiu sorrindo.

— Estava. — gesticulou com as mãos. — Reabriram há dois dias. E eu levei Donna lá. Ela adorou as crianças. E as madres fizeram um mutirão para reformar, nós estávamos ajudando e viramos voluntárias. — disse, empolgada. Se mamãe sente a mesma alegria que via nos olhos de Cait, eu vou ficar muito contente pelas duas. — Você precisa ver sua mãe no meio daquelas crianças.

— Ela está feliz?

— Muito. — eu sorri e abracei Cait.

— Você é uma pessoa incrível. — murmurei.

Se Cait soubesse a culpa que sinto por ela escolher uma vida bem diferente da que ela sonhava. Eu tirei a vida dela assim como tirei a vida de muitas pessoas e eu fui ainda mais cruel com minha amiga, e a culpa que sinto me corrói.

— Não precisa me dizer o que eu já sei.

— Eu quero ver minha mãe. Pensei que encontraria outro cenário aqui.

— Ohh, sim. Sinto muito, eu fui muito dramática. É que realmente, Donna teve uma crise e repetia que você estava em perigo, eu liguei imediatamente, e depois ela tomou o calmante e dormiu, hoje tudo que ela queria era ir ao orfanato.

— Ela esqueceu tudo? — perguntei.

— Não, ela parecia um pouco aflita hoje e perguntou de você, eu disse que você logo estaria aqui e que não está em perigo. Donna se contentou.

— E onde ela está agora?

— Ela chegou cansada e suja de tinta, foi direto para o quarto dela, tomar um banho. — respondeu. — Eu também preciso de um banho, o dia foi longo e cansativo e amanhã tem mais.

— Tudo bem. — falei. — Ela perguntou algo sobre Damien ou Andrew?

— Nada. Donna não tocou no nome dele. E até parece que ela evita falar qualquer assunto que envolva ele.

Claro que ela evitaria, talvez por ele ter sido o amor da vida dela e por ter lhe dado uma família e depois ter tirado tudo dela. Ou ela o culpa por tudo que aconteceu. Não gosto de pensar no quanto ela sofreu por meu pai, ele foi tão cruel com ela, mas agora eu entendo, Andrew estava apenas protegendo a mim e ela.

(...)

Eu preciso tanto falar com Oliver, apenas escutar a voz dele antes de dormir. Por que eu sinto tanta falta dele? Talvez seja porque tudo que queria agora era estar nos braços dele, sentir seus lábios no topo da minha cabeça. Mas estou aqui por alguém mais importante que Oliver e qualquer outra pessoa. Só vou esquecer essa falta que sinto dele e focar no mais importante.

— Como ela está? — pergunto para Cait que acaba de sair do quarto de mamãe.

— Bem, muito bem. Você pode entrar e matar sua saudade. — eu sorri e Cait afastou-se da porta, segurei a maçaneta e girei. Cait ficou parada no corredor.

Mamãe estava sentada em uma cadeira, em frente à penteadeira, escovando com cuidado os cabelos. Notei sua expressão distante, seu sorriso contido, tão diferente da minha mãe, daquela que vivia intensamente. Seus olhos fixaram nos meus pelo meu reflexo no espelho, ela depositou a escova na estante e girou bruscamente.

— Meu amor. — mamãe me olha e começa a chorar, ela se levanta e corre até mim, segura meu rosto e cola a testa na minha. — Querida, por onde você esteve? Eu fiquei tão preocupada.

— Mãe... — segurei suas mãos. Eu sei que algo assombra e preocupa minha mãe e eu preciso saber o que é. — Do que você lembrou?

— Deles. Daqueles homens. Eles pediram por você, eles queriam te machucar e eu não podia deixa-los encostarem um dedo em você. Eu não podia. Não podia, Felicity . — ela me abraça e começa chorar desesperadamente. Eu a abraço apertado e beijo o topo da sua cabeça. Ela está tão desesperada que eu já não sei se pressiona-la é o certo.

— Quem eram eles, mamãe?

— Pessoas horríveis que queriam nos machucar. Eles queriam machucar você e eu não podia deixar. — suas lágrimas começam encharcar minha blusa. Ela não pode ficar nesse estado, olho desesperada para Caitlin, não sei o que fazer, não sei como agir. É minha mãe e eu queria poder arrancar essa lembrança ruim dela.

— Donna, tome esse remédio. — Caitlin diz, e se aproxima com um copo d'agua e um frasco de comprimidos. — Vai se sentir melhor.

Minha mãe faz o que Caitlin diz e então me abraça novamente e fica resmungando coisas sem sentido.

— Ela vai dormir agora. — murmura Cait. Eu assinto.

Ando com mamãe até a cama, e igual quando eu era pequena, ela se deita ao meu lado. Mas agora é diferente. Ela é frágil e eu sou quem a conforta, começo a mexer em seus cabelos e canto baixinho uma canção que ela cantava para mim. Logo ela se acalma e o sono a consome gradativamente. Eu deixo que minhas lágrimas caíam, estou sozinha e a única que queria que me apoiasse agora, é quem mais precisa do meu apoio.

Depois de um longo tempo pensando em tudo que mamãe falou e procurando uma resposta, eu não tinha nada formulado, só tinha dúvidas e mais dúvidas, que apenas mamãe pode me responder, mas se eu voltar nesse assunto só a farei sofrer mais. Cutucar a ferida apenas vai gerar ainda mais sofrimento e agora ela parece tão bem com tudo que Cait disse que estão fazendo.

— Felicity... — estava tão inerte em meus pensamentos que nem notei quando Cait entrou no quarto. — Como você está?

— Nada bem. — Apoiei-me em meus cotovelos e fiz um esforço enorme para me sentar na cama, encostei minhas costas na cabeceira, para ficar mais confortável. — Não sabia que ela ia reagir assim.

— A saúde mental da sua mãe ainda é estável e isso a torna imprevisível. Ela pode estar bem em um momento e no outro ela pode ter uma crise como essa. — explicou. — Donna está melhorando, mas é um processo lento.

— Eu entendo, você já me explicou muitas vezes, mas é difícil vê-la assim. — murmurei. — Quando ela teve essa crise e falou sobre eu estar em perigo, em algum momento ela citou nomes?

— Não. Eu até tentei perguntar quem eram as pessoas horríveis que ela tanto falou, mas sua mãe estava um pouco transtornada.

— Tudo bem. — digo. — Tenho medo de voltar nesse assunto e ela ter outra reação como essa

— Há riscos, Felicity. Mas se não fizer isso, Donna pode nutrir esse sentimento de achar que você está em perigo e isso pode fazer mal a ela. — suspirei. — Mas agora você precisa de descanso também. Trouxe um calmante para você, vai precisar depois de tudo isso.

— Preciso mesmo.

(....)

Cait tinha razão, eu precisava de um descanso, não só dos acontecimentos com mamãe, mas também da Rússia e de Washington, as coisas estavam andando rápido demais e eu não tive muito tempo para pensar, dormir longas horas me fizeram acordar disposta e contente, como há muito tempo não acontecia. Mas ainda tinha enormes preocupações do o estado de mamãe. Ela não estava comigo na cama, então me levantei e a procurei no banheiro, mas não a encontrei. Sai do quarto dela e segui para o meu.

O problema com meu celular não teria uma solução repentina, nem por mágica um carregador apareceria na minha frente. E as horas que passaram só aumentaram a falta de Oliver, e eu não faço a mínima ideia de como vou lidar com esse sentimento. Nos últimos meses a única coisa que sentia falta, era de sair por aí cortando gargantas e agora sinto falta de um agente da cia. Preciso fazer algo que ocupe minha cabeça e deixe meus pensamentos longe dele.

— Hey. — Encontro Cait no corredor, queria ter metade da animação dela. — Como passou a noite?

— Por incrível que pareça, muito bem. O calmante foi uma mão na roda. — respondi. — Por onde anda minha mãe?

— Bom, ela prometeu as crianças do orfanato que levaria tortas de maça, então levantou cedo e como ela gosta de dizer, colocou a mão na massa.

A empolgação de Cait e o pensamento de ver mamãe feliz, logo tomaram conta de mim, eu senti algo nostálgico, lembro do cheiro da torta da minha mãe, o sabor era delicioso. Mamãe adorava servir torta de maçã para as visitas, ou apenas para Cait e eu depois de um cansativo dia de escola. Era incrível passar horas em companhia das duas.

— Felicity. — Cait estalava os dedos na frente do meu rosto. — Aconteceu alguma coisa?

— Não. Estou bem.

— Então, o que você acha de ir com a gente ao orfanato? — perguntou, os olhos castanhos de Caitlin brilharam, talvez ela sinta falta daquele tempo também.

Cait sempre dizia que nós éramos a família dela, apesar de ser criada pela avó, que nunca lhe deu carinho necessário, ela sempre foi apegada a mim e mamãe, passava mais tempo com a gente do que na casa da avó, que ela sempre se referiu como velha rabugenta. E nos três criamos um laço forte.

— Seria incrível.

— Está bem, só tente não voltar ao assunto de ontem com Donna, pelo menos enquanto estivermos lá. — assenti. — ela precisa de um pouco de espaço.

...

O orfanato mudou muito, as pessoas levaram a reforma a sério, a construção antiga agora parecia nova, a parede da casa pitada em um azul intenso reluzia, o parquinho feito no quintal não estava mais coberto de grama, ela havia sido aparada. O jardim feito pelas crianças estava ganhando vida. Assim como o sorriso da minha mãe, eu não consigo lembrar-me da última vez que a vi sorrindo como agora.

As crianças adoraram a torta, claro que sim, são deliciosas. E eu sei que é errado, mas eu sinto um pouco de inveja delas, eu queria tanto sentir o carinho dela novamente, sem preocupações, apenas eu e ela. Queria compartilhar um sorriso, ou falar sobre minha vida, o quanto ela é conturbada e no fim ouvir mamãe dizer que tudo ficará bem. Mas eu entendo que ela precisa de um tempo.

— Hey moça. — abaixei meu olhar e uma garotinha me encarava com curiosidade. Ela usava uma roupa de cigana, cheia de joias e brilho, que destacavam seus olhos negros. Ela inclinou o rosto e segurou minha mão. — Você quer ajudar o orfanato com dois dólares? — ela ergueu um pote de plástico, dentro tinha algumas moedas e notas de pequenos valores. — Em troca eu posso ler a sua mão.

Procurei nos bolsos do meu jeans algum sinal de dinheiro ou moedas, nada. Cait com cuidado colocou uma nota de cinco dólares na minha mão, deu uma piscadela para mim e se afastou.

— Claro. — coloquei o dinheiro no pote, a menina sorriu.

— Vamos. — segurou minha mão e me puxou até uma mesa com duas cadeiras, uma de cada lado. — Sente-se, por favor.

Fiz o que ela pediu. A mesa era minúscula, assim como as cadeiras pequenininhas, eu estava extremamente desconfortável, mas a menina sorria tão docemente que eu não me importei.

— Então? — perguntei.

— Por favor, me dê a sua mão. — obedeci. Ela encarou minha mão e delineou as linhas com a ponta dos dedos, levantou o rosto e sorriu. — Você é uma garota de sorte, vai encontrar o grande amor, vai se casar com ele e ter filhos. — disse, abrindo ainda mais o sorriso. — Ah, e diz aqui que vocês terão um cachorro, vão chamá-lo de Axl.

— Oun, parece que sou mesmo uma garota de sorte. — comentei, fingindo estar muito impressionada e feliz. — Parece que sou uma princesa. E você vê mais alguma coisa aí?

— Não. Mas talvez vocês adotem um gato também. — eu sorri. — Bom, agora eu preciso ir. Obrigada por ajudar.

— Obrigada por ler minha mão.

Observei a garotinha sair à procura de outra garota, e dizer as mesmas palavras que disse para mim, afinal, é o sonho de qualquer garota escutar essas palavrinhas mágicas. Quando ela finalmente encontrou outra mulher, eu tirei minha atenção dela e procurei por mamãe.

— Podemos conversar. — disse ela, parada atrás de mim.

— Claro.

Nós andamos pelo imenso quintal onde crianças se divertiam correndo de um lado para o outro, logo mais a frente tinha duas árvores enormes, lembro-me de uma nota do jornal local dizendo que ambas haviam sido plantadas no mesmo ano e que já eram centenárias.

Elas projetavam uma enorme sombra e tinham grossos galhos, são perfeitas para construir uma casa na árvore, na casa em que morava com mamãe e Andrew quando era pequena tinha uma árvore e os dois construíram uma pequena casinha com madeiras velhas, eu brinquei durante dois anos nela, mas como as madeiras eram restos de construções, os cupins e a chuva foram a grande causa da interdição da casa da árvore.

Mas eu me diverti bastante nela, era meu pequeno refúgio quando tinha 7 anos.

— Elas não são lindas? — indagou mamãe, olhando para o alto. — Parecemos duas Formiguinhas.

— São lindas mesmo. — concordei.

Ficamos em silêncio. O grito das crianças parecia longe e eu sabia que mamãe não queria apenas falar sobre o quanto as árvores são lindas.

— Ontem, por que falou que eu corria riscos? Por que eles queriam me machucar? — questionei, ignorando o que Cait disse mais cedo. Minha mãe colocou as mãos no bolso do colete que vestia e respirou fundo.

— Naquela noite, aqueles homens não queriam só a mim, não era apenas uma forma deles brincarem, eles não me violentaram só por diversão. Eles estavam naquele bar e me seguiram porque alguém mandou.

— O quê?

— Felicity, eles queriam você também, eu lembro da conversa que eles tiveram depois que. — ela ficou em silêncio e fechou os olhos, apertando com força as pálpebras. — me violentaram. Um deles perguntava muito sobre você, ele dizia que o serviço estava incompleto, que faltava a filha.

— Ó meu Deus, então era tudo parte de um serviço? E por que eles não vieram atrás de mim?

— Quando falei que se algo acontecesse a você, Damien Darhk ia atrás deles até o inferno se fosse possível eles recuaram, ficaram nervosos e com medo, e foram embora deixando o serviço incompleto, como eles mesmos falaram.

Mamãe manteve-se firme até a última palavra e então seus olhos se encheram de lágrimas. Eu me aproximei dela e a abracei. Não queria vê-la tão frágil, mas quando ela ergueu o rosto e me encarou, notei que ela havia se livrado de um grande fardo.

— Eu não podia deixa-los machucarem você e seu pai era a única arma que eu tinha.

Durante anos eu pensei que o que fizeram com mamãe foi um ato de tamanha crueldade. Nunca passou pela minha cabeça que seria um serviço, algo encomendado por alguém extremamente cruel. Alguém que eu conheço.

É claro que foi Ra’s Al Ghul, ele usou a mim para atingir meu pai, eu, uma criança de oito anos, não teria pudor algum em usar minha mãe, para novamente atingir Damien Darhk. Ele conhece meu pai e sabe como usar sua falta de humanidade para atingir os pontos mais fracos de Darhk. E o que o impediria de usar mais uma vez? Ra's não pode encontrar minha mãe.

E agora, mais do que nunca, a fortaleza criada pelo meu pai é o lugar mais seguro, não só por ela estar fora dos radares de qualquer agência de investigação e também de Ra's, mas por estar rodeada de assassinos treinados por Darhk.

— Eu entendo. — sussurrei. — mas do que nunca eu entendo. — repeti. Pressionei meus lábios sobre a cabeça de mamãe e ficamos por um tempo abraçadas.

— Eu prometo que eu vou ficar bem. — balbuciou mamãe. — Cait disse que eu vou melhorar, eu confio nela.

— Eu também.

— Você sabe onde seu pai está? Preciso falar com ele.

— Por quê? Pensei que depois de lembrar tudo que aconteceu ia querê-lo longe. — argumentei.

— Seu pai cometeu muitos erros, erros irreversíveis. Mas durante anos ele nos protegeu.

— E do que adiantou? — rebati.

Eu não queria que a pergunta saísse, eu não fazia ideia de como mamãe reagiria, mas a pergunta retórica escapou. E ela tinha sentido, certo, Andrew ou Damien cometeu muitos erros. Certo, ele nos protegeu, mas do que adiantou? Olha para minha mãe, vai viver para sempre com cicatrizes de tudo que aconteceu de ruim e eu de certa forma também, aliás, por consequência disso, eu me tornei uma assassina.

— Eu sei, eu sei. Muita coisa ruim aconteceu, mesmo sob a proteção do seu pai. Mas o que aconteceu não foi culpa dele, e se ele soubesse não teria deixado acontecer. Eu não estou defendendo-o, mas não foi culpa dele. Seu pai deu o melhor, ele se sacrificou pela pessoa que mais ama, você.

— Eu sei. Você tem razão. — concluí. Mamãe sorriu e vê-la sorrindo era incrível.

— Eu adorei seu cabelo, você fica ainda mais linda loira e se parece muito comigo. — resmungou. Eu abri um enorme sorriso.

(...)

Depois da conversa que tive com mamãe me deparei com uma enorme incógnita na minha frente. Pode ter sido Ra's Al Ghul o mandante, mas e se não foi ele? Há razoes para eu acreditar que tenha sido, assim com há razões para eu acreditar o contrário.

Por que ele faria isso se já tinha meu pai na liga? Óbvio que ele tinha um motivo quando me atacou para atingir meu pai, mas qual seria o motivo dessa vez?

— Felicity, o jantar está pronto, você não vai descer? — Cait irrompeu o quarto.

— Não estou com fome. — balbuciei. — Eu comi muito doce hoje à tarde.

— Também estou cheia. — comentou. Cait sentou-se ao meu lado na cama. — Então...

— Então?

— A gente só conversou sobre sua mãe, queria saber como está sendo esses últimos dias para você, sabe, um papo de amigas. — encarou-me franzindo o cenho. — Notei algo diferente em você.

— Algo diferente? Tipo o que?

— Um brilho radiante nos olhos. — respondeu.

— É, isso é sim um papo de amigas. — concluí. Cait esboçou um enorme sorriso e concordou. — Bom, lembra-se daquela vez que comentei com você sobre um agente da cia?

— Sim. Você disse que sentiu uma forte atração por ele. — dei um leve aceno com a cabeça. — O que tem ele?

— É uma história muito longa.

— Okay, eu tenho tempo e adoro histórias longas.

Contei tudo desde o inicio para Cait, desde Vegas a Moscou, cada detalhe. Contei como me sinto quando estou perto de Oliver e como me sinto quando estou longe. Falei das nossas noites, das nossas conversa, não escondi nada, se eu precisava de concelhos, Cait tinha muitos.

— Uau! — ela exclamou. — Não acredito que você abriu o seu coração com um cara que conhece há pouco tempo. — acrescentou.

— Aí é que está meu enorme problema. — disse. — Isso nunca aconteceu comigo.

— Nunca. — sussurrou.

— Eu me sinto afetada quando estou perto dele, não consigo resistir. É mais forte. — murmurei. — Às vezes não sei como lidar com o avalanche de emoções que ele me proporciona.

— Não lide. — disse dando de ombros. — Felicity isso tudo que você está sentindo é muito bom, só prova o quanto você é humana.

— Eu sei, e isso tudo está me deixando fraca.

— Não fale isso. Sentimentos não tornam uma pessoa fraca. Acredite. — ponderou. — Veja bem, isso pode ser um sinal. A recuperação de Donna é incrível, ela está evoluindo com o passar do tempo. Isso é ótimo. E agora você encontrou um cara especial, que desperta em você novas e ótimas sensações e pelo que você disse ele é bom de cama. Então, não o deixe escapar por causa dessas suas mesmices de sempre.

— Ótimo concelho, apesar do tom indiferente no final. — ela riu.

— Só estou dizendo que está na hora de esquecer um pouco do passado. Eu sei quê é difícil, não tem como apagar tudo que aconteceu da mente. Mas tem como conviver. E Oliver pode te ajudar.

— É fácil para você? — Cait levantou uma sobrancelha. — Você largou tudo, seu noivado e a faculdade, para se juntar a mim.

— Bom, eu não larguei tudo. Terminei a faculdade um tempo depois. E meu noivado? Ronnie não era o cara certo, eu sempre senti que não teria um futuro longo ao lado dele e eu não podia deixar minha amiga. — disse. — Eu sei que você se culpa. Mas não faça isso. Foi escolha minha. Não fui amarrada por você e obrigada a me tornar membro de uma organização que mata pessoas para se manter.

Ficamos em silêncio, eu senti alento em cada palavra de Cait. Há vários fatores que fazem de uma pessoa sua melhor amiga e Cait tinha todos, era indiscutível.

— Quero ligar para ele, mas meu celular está descarregado e eu acho que deixei meu carregador em Moscou.

— Não acredito que você deixou o carregador em Moscou. O sexo deixou você com amnésia, foi? — ela levantou-se e caminhou em direção à porta.

— É bem fácil esquecer as coisas quando estou com Oliver, então a resposta é talvez. — ela sorriu e se retirou.

E então minha mente relaxou um pouco e eu consegui pensar em apenas uma coisa, uma pessoa na verdade, Oliver. Seria bom ao menos escutar a voz dele, bom, se eu não tivesse perdido meu carregador.

— Olha só quem é a melhor amiga do mundo. — Cait retornou com uma caixa de papelão, depositou em cima da cama. — Algum desses deve funcionar. A sua obsessão por me fazer trocar de celular a cada cinco mês veio a calhar.

Testei cada um e quando um dos plugs encaixou no meu celular eu quase dancei pelo meu quarto. E quando liguei o celular e me deparei com várias ligações e mensagens de Oliver eu me senti um pouco assustada. Mas quando escutei a voz dele no recado que ele deixou na caixa postal a única coisa que desejava era arrancar cada peça de roupa do corpo dele.

Porém tudo, exatamente toda a minha empolgação foi embora quando liguei para ele e uma tal de Amber atendeu, a voz dela acabou com a minha excitação. Quem Diabos é Amber e por que ela está com o telefone do Oliver?

— Bom, eu vou jantar, não sei por que, mas bateu uma fome.

Nem sempre sua melhor amiga vai ceder o ombro para você lamentar. Mas acho que foi melhor assim, a cama no momento era a minha melhor amiga. E as cobertas me entendiam perfeitamente. Estava aninhada em baixo das cobertas quando mamãe veio ao meu quarto, me desejou boa noite e deu um beijo na minha bochecha.

Eu queria ter conseguindo dormir, mas fiquei virando de um lado para o outro e matutando quem seria Amber, Oliver disse que estava em uma missão. Será que Amber foi a diversão dele depois do trabalho cansativo? Por que estou pensando desse jeito e com tanto ódio de uma pessoa que apenas escutei a voz?

Odeio questões que eu não consigo responder.

Afundei minha cabeça no travesseiro e fechei meus olhos, mais uma tentativa falha. Soltei um rugido de frustração e me sentei na cama, passei a mão por meus cabelos embaraçados, não é nem meia noite, talvez com mais algumas horas eu consiga dormir, ou vou pedir a Cait um calmante.

Meu celular tocou assim que decidi pedir o calmante. Quando vi a foto de Oliver na tela senti uma raiva repentina por ele tomar conta de mim. Mas atendi.

...

Eu me senti uma tola quando disse a Oliver que não me importava e confiava nele, quem eu estou enganado? Que estupidez, homens nunca foram confiáveis. Mas mesmo assim eu sentia que podia confiar nele, então resolvi esquecer, pelo menos por essa noite, e ele teria que me explicar a tal longa historia que envolve a tal da Amber.

A noite foi longa, meus pensamentos deixavam minha cabeça a mil e com no máximo duas horas se descanso em que fechei os olhos e repeti a mim mesma que não devia me preocupar, eu levantei e arrumei minhas coisas.

Eu queria ficar com mamãe e ajudar Cait na recuperação dela, mas precisava ter uma conversa com meu pai e, apesar de alimentar um pouco de raiva do Oliver eu precisava voltar, eu prometi. E talvez haja esperança, talvez ele falou a verdade, colocar uma louca como parceira dele é bem coisa da Amanda.

— Hey, você já está indo? — perguntou Nyssa, ela cruzou os braços e se encostou no batente da porta. — Pensei que ficaria mais tempo.

— Não tivemos muito tempo para conversar. — falei.

A verdade é que não devia mesmo falar sobre Washington, Nyssa ficaria louca e faria de tudo para fazer Sara voltar, o que ocasionaria numa eventual briga das duas, e não queria esse peso sobre meus ombros.

— Tudo bem. — disse ela. — Sara está bem?

— Sabe como é a Sara. Não se preocupe, ela está bem.

— Acho que temos que pagar um preço quando amamos de verdade e se preocupar há todo momento é o preço que eu pago. Mas eu confio nela.

— Não vou demorar a voltar, quero passar mais tempo perto da minha mãe. Prometo que dá próxima vez trago Sara junto.

— Sabe que vou cobrar, não é?

— Eu sei. — Nyssa sorriu e com seu jeito meio reservado sumiu. Terminei de arrumar minhas coisas e desci, tinha que me despedir de algumas pessoas.

(...)

Cheguei em Washington por volta das oito da manhã, tudo corrido. Peguei um taxi, depois de uns dez minutos fazendo sinal. Por mais que eu quisesse ter a conversa séria com Darhk, não foi o endereço do apartamento dele que eu passei e sim o de Oliver.

Anos arrombado portas me tornaram profissional no assunto, e quando abri a porta me deparei com um Oliver de bruços, dormindo no sofá. Mordi o lábio, suas costas e braços fizeram um pouco da minha raiva evaporar.

E o que restou dela me impediu de correr para seus braços e arrancar suas roupas. Corri meu olhar por seu corpo, gastando logos e deliciosos segundos observando sua bunda. Suspirei, estava no paraíso, mas precisei voltar para a realidade. E ao invés de acordá-lo eu fiz café. Não é o melhor exercício para a mente e muito menos ajuda afastar pensamentos sujos, mas no momento foi a única coisa que me manteve longe dele.

Estava colocando café em uma xícara quando escutei o grunhido dele, caminhei até o sofá e parei bruscamente quando o vi esticar os braços e me dar uma visão maravilhosa. Eu teria que ser muito forte. Logo seus olhos encontraram os meus e uma sensação boa me atingiu em cheio, já não restava raiva alguma por ele.

— Eu fiz café para você. — resmunguei, ainda com meus olhos fixos nos dele. Oliver sorriu encantadoramente e em um movimento ágil e surpreendente passou os braços ao redor da minha cintura e me puxou, fazendo meu corpo cair em cima do dele. Seus lábios encontraram os meus em um beijo suave e intenso.

E por um momento eu esqueci tudo e me deixei levar por seus toques e seus lábios quentes que me lembravam um sentimento incrível, que há muito tempo eu não sinto. Não conseguia formular nenhum pensamento racional, eu só queria que tudo parasse. Mas eu lembrei, que por mais que eu não estivesse mais com tanta raiva dele, Oliver tinha uma longa história para me contar.

— Espera. — resmunguei e juntei forças para me afastar dele. Oliver me fitou com uma expressão confusa. — Você tem uma longa história para me contar. — disse. Ele franziu o cenho, apoiou o peso do corpo nos cotovelos dobrados e as veias do seu pescoço ficaram visíveis, mais uma vez eu tive que ser forte. — Amber.

— Amber? — juro, que tive vontade de dar um soco no estômago dele.

— Okay, pode continuar fingindo que não está entendendo nada. — levantei, pronta para sair do apartamento dele, mas sua mão envolveu meu pulso.

— Está bem. Vou te contar toda a história. — cruzei meus braços sobre meu peito e fiquei encarando Oliver sentado no sofá.

— Estou esperando.

...

— Amanda é louca. — grunhi, depois de escutar toda a história de Oliver. — E você... Tem essa mania de se envolver com todas suas parceiras? — um sorriso brincou nos lábios de Oliver e eu queria acabar com ele.

— Eu tinha. — disse. Eu bufei. — Isso é ciúme?

Levantei rapidamente. — Claro que não. — respondi. — Só acho que você colheu o que plantou.

Ele ergueu as mãos para o alto e fez uma carranca. Então eu me derreti toda quando ele segurou minha mão e brincou com meus dedos.

— Okay, podemos mudar de assunto? — suspirei e concordei. — Bom, porque eu nem quero falar mesmo. — Oliver me puxou para junto de si, fazendo-me sentar em seu colo, de costas para ele. Começou a distribuir beijos em cada parte do meu pescoço, provocando uma explosão de sensações no meu corpo.

Eu levantei, e me virei na direção dele. Segurei seus ombros e o deitei vagarosamente no sofá, e no mesmo ritmo deitei meu corpo sobre o dele. Ele agarrou minha cintura e eu senti sua ereção pressionar contra minha barriga.

Uma corrente elétrica percorreu meu corpo, deixando bem claro o quanto eu o desejava e o queria dentro de mim. Seus dedos se entrelaçaram em meus cabelos e Oliver puxou minha cabeça para perto dele, seus lábios pressionaram contra os meus e sua língua invadiu minha boca, enquanto ele me beijava com luxúria, suas mãos corriam pelas minhas costas, ele agarrou minha bunda e eu gemi dentro da sua boca.

Pronto, qualquer pensamento racional e raiva espontânea sumiram, e tudo que eu fiz foi beija-lo, soltar gemidos e arrancar sua camisa. Admirei seu abdômen e bíceps bem definidos, corri a ponto dos dedos pela barriga, parei no cós da calça e levantei meu olhar.

Os olhos de Oliver brilharam e ele enlaçou minha cintura, me puxou para perto e começou a beijar meu pescoço. Suas mãos ágeis apertavam e tocavam cada parte minha, deixando rastros de fogo.

— Felicity. — ele sussurrou perto da minha orelha e beijou minha bochecha.

— O que é? — balbuciei. Ele não respondeu e continuou distribuindo beijos em meu pescoço.

Estava inerte em espasmos de prazer quando o celular dele tocou. Fazendo-o soltar um grunhido.

— Atenda.

— Não.

— Pode ser a Amanda. — ele grunhiu novamente. Segurei seu rosto e encarei seus olhos. — Podemos terminar isso depois.

Ele encarou a situação como se fosse à decisão mais difícil da sua vida.

— Está bem. — disse bufando. Ele levantou-se do sofá e pegou o celular sobre a mesa de centro, checou o visor e então mostrou para mim. Era mesmo a Amanda. Acho que ela nos persegue.

— O que foi? — atendeu Oliver, com um tom áspero e indiferente. Pude imaginar os olhos cuidadosos de Amanda se revirando. — Tudo bem, eu estou indo para aí.

Oliver desligou o celular e veio até mim, segurou meu queixo e seus lábios cobriram os meus em um toque suave, quase imperceptível.

— Vamos terminar isso ainda hoje. — resmungou e me beijou. Eu concordei, ainda desconcertada.

Notas finais
Bom, não esqueçam de comentar, eu não sou de reclamar pelo número de comentários, mas ele vem abaixando muito nesses últimos caps, então se for porque a fic está sem graça ou qualquer outro problema, me digam, que eu tentarei encontrar uma solução. Espero que tenham gostado. Bjooos, até o proximo.