Notas iniciais
Oi gente. Eu sei que demorei, me perdoem, eu estava sem vontade alguma de escrever, parece que nada fica bom. Mas eu me esforcei, então eu espero que vocês gostem. *Sem música hoje. * Boa leitura.

OLIVER

Amanda andava de um lado para outro, murmurando palavras imperceptíveis. Parecia que a qualquer momento seus nervos explodiriam. Amber tinha tentado acalmá-la minutos atrás, mas não teve êxito. E infelizmente ninguém teria. Quando Amanda tem um ataque de nervos, a melhor coisa é deixá-la em seu mundo. Não é a primeira e nem será a última vez que ela tem um piti como esse.

Sempre que temos uma missão complicada que exige muito dela e dos agentes, ela acaba surtando. Quando uma missão não sai da forma que ela quer, é mais um motivo para ela dar showzinho. Mas, não vejo motivo para sua crise, á missão de ontem foi um sucesso, capturamos Parker e eliminamos Morris e um grupo de terrorista, impedindo a venda de uma bomba de grande poder, era para Amanda estar se vangloriando.

— O que está acontecendo com ela? — Felicity perguntou baixinho no meu ouvido, depois encarou Amanda. — Está parecendo uma maluca.

— Talvez seja porque ela é uma maluca. — cochichei. — Amanda sempre fica assim quando algo dá errado.

Felicity ficou quieta e afastou-se de mim, para uma conversa particular com Sara. Notei o olhar de Damien sondando meus passos e fiquei pensando se ele tem um problema comigo, de forma alguma arranjaria encrenca com o pai de Felicity. Mas ele parecia um leopardo cuidando cada movimento de um cervo.

— Vocês dois. — exclamou Amanda subitamente, apontando o dedo indicador para mim e Amber. — Acompanhem-me. — e saiu pisando duro em direção o escritório dela.

— O que está acontecendo? — questionou Amber, soltando um longo suspiro. — Eu nunca a vi assim.

— Sorte a sua. — entramos na sala de Amanda.

— Feche a porta. — disse ela. Girei e puxei a maçaneta, batendo a porta com cuidado no batente, então voltei encarar Amanda. — Sentem-se.

— O que está acontecendo, Amanda? — indaguei. — A missão foi um sucesso, Parker voltou para a cia e uma bomba foi tirada de circulação. — ela suspirou.

Amanda estava abatida, de uma forma que eu nunca presenciei durante todos os anos que trabalho com ela. As olheiras abaixo dos olhos deixam seu cansaço bem visível, seus ombros encolhidos e os cabelos desgrenhados só reforçam meu palpite.

— Há quantos dias não dorme? — ela me encarou e deixou o corpo cair sobre a cadeira almofadada atrás da sua mesa.

— Três ou quatro dias. — respondeu. — Não tenho muito tempo para dormir. Primeiro tive que localizar Parker, depois aconteceu tudo aquilo na antiga base, perdemos Tália e agora. — ela fez silêncio. — Recebi uma ligação do general, Abraham fugiu da prisão que estava sendo mantido.

— Abraham? — minhas sobrancelhas se juntaram. Amanda assentiu. Agora entendo porque ela parece uma pilha de nervos.

Abraham é um assassino profissional e um dos maiores contrabandista que a cia já prendeu. Amanda liderou a equipe que o prendeu em 2013 em Los Angeles, dois homens morreram naquela noite, os outros dois eram Diggle e eu. Abraham jurou que se vingaria de mim, Dig e Amanda, e agora, ele está livre para cumprir sua promessa.

— O Diggle...

— Já mandei agentes para o hospital, John Diggle está em proteção. — me interrompeu Amanda. — Coloquei a equipe inteira na caça dele. Estão investigando tanto na rua como nas câmeras de tráfego e o satélite.

— Não sei se Diggle está tão protegido assim, é melhor eu ir para o hospital. — afirmei. — Lyla e Sara também correm riscos.

— Eu sei. Por isso mandei três agentes ficarem na cola delas também.

— Não é tão simples assim. Abraham é inteligente, você lembra o que aconteceu em Chicago. E depois em Los Angeles, ele quase acabou com a sua equipe inteira e matou cinco civis.

— Eu lembro muito bem o que aconteceu, Oliver. — respondeu Amanda, sem um pingo de emoção na voz. — É por isso que estou fazendo o que está no meu alcance para encontrar Abraham. — acrescentou. — Mas enquanto não tiver uma localização, não podemos fazer nada.

— Acho que você deve descansar. — disse. — Está cansada demais e como disse não podemos fazer nada enquanto não tivermos a localização dele.

— E você sugere o quê? — indagou. — Que eu vá ao spar ou faça uma sessão de acupuntura?

— Estou sugerindo ao menos três horas de sono. — rebato, ignorando o tom de deboche de Amanda.

— Oliver está certo, Amanda. Você não parece nada bem. — balbuciou Amber, usando com cuidado cada palavra. — Todo mundo precisa de descanso, ao contrario tudo dá errado. Oliver e eu podemos cuidar de tudo aqui.

— Amber tem razão, por mais que eu odeie admitir. Podemos tomar conta daqui. — reforcei. Amanda ponderou e então respirou fundo.

— Tudo bem. Eu vou para minha casa. Descansar. — ela concordou. — Mas qualquer coisa, vocês me ligam. E é importante que isso fique entre nossa equipe, está entendendo Oliver?

— Perfeitamente. — disparei. — Agora vá de uma vez.

Amanda pegou o casaco, sua bolsa e as chaves do carro, depois se dirigiu para fora do escritório. Amber me encarou por alguns segundos.

— Então, o que vamos fazer? — perguntou.

— Esperar. — levantei-me. — Você fica aqui, eu vou para o hospital ver se Diggle está bem.

— Tudo bem.

Os últimos dias foram tão desgastantes que parece que eu não durmo há mais de uma semana, primeiro a viajem para Rússia, toda a missão para capturar Tália. Depois todo o tumulto com a base exposta e Tália escapou, aí a missão com Parker, agora Abraham — não é uma missão qualquer — é muito forte, inteligente e conhecido no meio criminoso nos EUA, capturá-lo pode ser ainda mais difícil que todas as missões anteriores juntas.

Quando o capturamos pela primeira vez, Abraham estava descontrolado, seu irmão havia sido assassinado pouco tempo antes e ele estava investigando quem era o autor do assassinato, a ira e a sede de vingança de Abraham tornou a operação ainda mais difícil e precisávamos de informações dele para podermos derrubar o chefe da máfia da China, foi uma missão extremamente delicada, como pode ser agora.

— Hey. — giro, encontrando Felicity parada atrás de mim, ela tem um sorriso discreto nos lábios e seus olhos brilham e ficam fixos nos meus. — Você está bem? Parece nervoso.

— Estou bem. Apenas problemas com Amanda mesmo. — respondi, omitindo tudo sobre Abraham, ele é um problema meu e eu não quero mais meter minha vida profissional no nosso meio. — Vou até o hospital, quer ir comigo? — ela suspirou.

— Preciso falar com Damien e parece que ele tomou um chá de sumiço. — falou, olhando para os lados. — Você não o viu por aqui por acaso?

— Não. Mas se eu encontra-lo, digo que sua filha... — sussurrei. — barra, meu envolvimento amoroso está o procurando. — Felicity sorriu.

— Tudo bem, eu preciso mesmo ter uma conversa com ele, então vou continuar minha procura. — murmurou. — Bom, nos vemos depois?

— Sim.

***

Quando cheguei ao hospital não sabia uma forma de contar a Dig sobre Abraham, ele surtaria e seria capaz de querer sair andando, o quê é impossível e ocultar a verdade dele seria muito difícil, ele com certeza percebeu os agentes do lado de fora do quarto. É melhor contar com cuidado, pensei. Mas mesmo assim, a minha calma em explicar tudo não mudou nada, a reação de Dig foi :

— Abraham é insano, eu quero minha família sobre proteção de vários agentes e quero uma arma, eu quero muito uma arma, se ele aparecer aqui eu juro que enfio uma bala no meio da testa dele.

— Primeiro se acalme, John. — pedi. — Segundo, Amanda enviou três agentes para sua casa, Lyla e Sara vão ficar bem.

— Você tem certeza disso? Porque eu não tenho. Abraham é perigoso e eu não quero minha família correndo risco. Ele jurou que viria atrás de nós quando saísse da prisão. Eu acredito que ele não se esqueceu dessa promessa! — exclamou. — Oliver, preciso que fique com Lyla e Sara, eu confio em você, porque sei que daria sua vida pelas duas. Por favor, vá para minha casa, não posso deixar minha família correr risco, e eu não posso fazer nada, porque a porra da minha perna está fodida!

Eu entendia o medo de Diggle, Abraham é uma máquina e não poupará esforços. De longe ele foi o cara que mais nos deu problemas, estava envolvido com a máfia chinesa e com o cartel de drogas do México, ele era tipo a puta bem paga de ambos os lados, transportava drogas e armas pela fronteira, era ele quem nutria o crime organizado de Detroit e Flint.

Quando o prendemos em Los Angeles, ele estava atrás de David Baker, um garoto de 23 anos e o maior suspeito da morte do seu irmão. Após uma breve investigação da cia que comprovou que David era inocente Amanda armou uma operação em que David seria nossa isca. Tudo deu errado, David foi capturado por Abraham e seus homens, foi torturado durantes horas, até que a cia interviu e conseguiu prender Abraham. Hoje David vive sob proteção, pois Abraham botou a cabeça do garoto a prêmio.

Eu tenho duvidas se Abraham cumprirá mesmo sua promessa, creio que ele esteja mais interessado em encontrar o assassino do irmão do que vir atrás de nós. Mas, Abraham é imprevisível.

— Tudo bem, eu vou para sua casa. Mas, fique com isso. — tirei minha pistola do coldre e entreguei para Dig. — Só não vá assustar as enfermeiras. Tem dois agentes do lado de fora, qualquer coisa é só falar com eles.

— Okay. — disse, balançando a cabeça. Caminhei até porta. — Oliver. — virei e encarei Dig. — Obrigada, irmão. — dei um aceno com a cabeça e sai do quarto.

— Cuidem de tudo e não deixem ninguém além das enfermeiras e do médico dele entrar. — os agentes assentiram. — Qualquer coisa, não hesite me ligar.

Quando cheguei à casa de John, três agentes enormes bloquearam meu caminho, Amanda deve ter dado ordens claras para eles não deixarem ninguém passar pela porta, Lyla acabou xingando eles e então me deixaram entrar. Sara estava na sala com vários brinquedos prendendo sua atenção. Quando notou minha presença ergueu os bracinhos para cima e fez biquinho, peguei-a no colo e brinquei com ela.

— Então, Diggle obrigou você vir para cá? — questionou Lyla, com uma expressão divertida olhando para Sara que mexia no zíper da minha jaqueta.

— Não tive escolhas, se eu dissesse não ele levantaria daquela cama e esmurraria minha cara. — disse, fazendo Lyla gargalhar.

— Bem provável mesmo. — comentou. — Vou fazer um café para nós. — avisou Lyla, então retirou-se da sala.

Coloquei Sara no chão e me sentei na frente dela, dobrando meus joelhos. A pequena me entregou um urso de pelúcia e começou a brincar com uma boneca. Observei-a, Diggle estava certo em me mandar para cá, eu também ficaria maluco se as pessoas que eu amo corressem qualquer ameaça. Se fosse Connor eu faria de tudo para protegê-lo.

(...)

FELICITY.

Damien deu para tomar um chá de sumiço, eu o procurei na base e liguei para Sara, que disse que ele não estava no apartamento que alugou. Tentei ligar para ele, mas o celular estava fora de área. Preciso conversar com ele, perguntar o que mais Damien sabe sobre aquela noite. Depois do que minha mãe contou, sinto que Darhk esconde algo de mim.

Não iria perguntar para Amanda se ela por acaso sabia onde ele estava se escondendo, ela parecia uma pilha de nervos, e minha relação com ela não é agradável e nem passiva. Perguntei a Oliver se ele sabia, mas claro que a resposta foi não, e Oliver parecia preocupado com algo, não quis questionar, não quero me meter na sua vida profissional. Apesar de trabalharmos juntos para pegar Ra’s, as outras missões dele não são da minha conta.

Senti meu celular vibrar no bolso da jaqueta e o peguei rapidamente. Era uma mensagem de Sara com um endereço, dizia que Darhk queria falar comigo em um lugar seguro, longe dos ouvidos de qualquer agente. Sara deixou claro na mensagem que Oliver estava incluído.

Paguei a conta do sanduíche que tinha acabado de ingerir em uma lanchonete que havia perto da base. Consegui um taxi e passei o endereço ao motorista, não era tão distante.

Preciso arranjar um veículo para me locomover em Washington, ficar andando de taxi está torrando toda minha pouca grana. O motorista estacionou em frente uma casa de classe média. O lugar parece àqueles bairros familiares de filmes, onde as famílias fecham a rua para fazer festas nos feriados, o que é bem estranho já que Darhk prefere lugares quietos. Paguei ao motorista e desembarquei.

A casa tinha um jardim limpo e uma pintura novinha, algumas rosas na sacada da janela e uma varanda pequena. Adentrei o local e bati na porta, Sara abriu e me puxou para dentro com força. Antes mesmo de eu fazer qualquer pergunta, ela me guiou pelos cômodos, até a pequena cozinha. Darhk estava em pé, ao lado de um garoto que estava sentado, checando algo em um notebook.

O rapaz ergueu o rosto e seus olhos verdes encontraram os meus, ele era muito bonito, corpo esguio, lábios finos e cabelos escuros. Ele voltou a olhar para a tela do computador, os dedos correndo rapidamente sobre as teclas do teclado.

— Onde você esteve o dia inteiro? — perguntei a Darhk. — Preciso falar com você.

— Onde estão seus modos, Felicity? — questionou, parecendo um pai que zela pela boa educação do filho. — Quero lhe apresentar uma pessoa. — disse, olhando para o rapaz do notebook. — Felicity, esse Barry Allen. — o rapaz vulgo Barry se levantou e me estendeu a mão. Eu o cumprimentei, não fazia ideia de quem era ele, mas parecia ser da confiança de Damien.

— Acho que preciso de uma explicação sobre quem exatamente é Barry Allen. — falei, olhando para os olhos verdes de Barry e depois para os azuis do meu pai.

— É o meu braço direito. — disse Damien, tirando a mão do bolso da calça e colocando sobre o ombro de Barry.

— Pensei que fosse a Nyssa. — rebati. — E por que nunca falou sobre ele?

— Há razões para eu nunca ter apresentado Barry a qualquer outro membro da hive, inclusive você. — respondeu. — Barry investiga alguns casos para mim. E hoje eu recebi uma ligação dele. — continuou. — Felicity você lembra-se daquela missão em Chicago?

— O que tem ela?

— Aquela foi uma missão falha. Você foi pega e quase morreu.

— Eu o deixei escapar e admito que errei. — argumentei.

— Você colocou sua missão em risco e o pior, colocou sua vida em risco. Por sorte Abraham não descobriu que foi você que matou o irmão dele.

— Okay. Por que está tocando nesse assunto? Abraham foi preso, está apodrecendo em uma prisão de segurança máxima.

— Abraham escapou. — respondeu. Franzi o cenho, deixando meus ombros desabarem. — Ontem á noite. — completou. — Barry o localizou. Ele vai estar em uma boate hoje à noite, vai encontrar um antigo amigo que deve um favor para ele. Vou mandar Barry e outra pessoa para essa boate, eles serão encarregados de matar Abraham. Antes de ele vir atrás de vingança, nós o pegamos.

Assenti e encarei Barry. — Quem vai com ele? Sara? — questionei.

— Não. — respondeu Darhk, a campainha tocou. — Mas ela acabou de chegar.

Sara correu em direção à porta e demorou uns segundos para voltar, até aparecer sorridente na cozinha, olhei sobre seu ombro e Cait estava parada atrás dela.

— Por que a Caitlin? — questionei, encarando Damien. — Você sabe que ela está ocupada em St Louis.

— Preciso de alguém que não levante suspeita. Abraham conhece você e Sara. Nyssa precisa cuidar dos negócios. Restou Caitlin.

— E muitos outros membros da hive! — exclamei. — Cait nunca teve uma missão, ainda mais como essa, é loucura.

— Barry vai estar com ela. — argumentou Damien, certo de que tudo daria certo.

Olhei para Barry sentado na ponta da mesa, ele não faz o tipo de pessoa que demonstra perigo há alguém, muito menos que sabe manusear uma arma.

— Você não pode mandar uma pessoa que nunca esteve em campo para uma missão tão delicada. Ambos sabemos do que Abraham é capaz. Mandar Cait, que é inexperiente é arriscado demais. — argumentei. — E Abraham tem o triplo do tamanho... — olhei para Barry. — dele.

— Eu escutei isso. — resmungou Barry, se ajeitando na cadeira.

— Olha, eu não tenho nada contra você. É só que não estamos falando de uma pessoa normal. Abraham é insano, ele passa por cima de qualquer um que entrar no caminho dele. Não vou deixar Cait se arriscar.

— Barry pode protegê-la, eu o treinei. — bufei.

— Ele quase me matou e adivinha? — fitei os olhos de Damien. — Foi você que me treinou.

— Eu sei, mas dessa vez ninguém vai cometer deslizes. — meu pai encarou todos que estavam presentes. — Além do mais, você e Sara vão estar do lado de fora, dando auxílio. — meu pai acrescentou. — Olhe, eu sei que é arriscado, mas eu não posso mandar a assassina do irmão do Abraham atrás dele. Barry e Cait vão passar como um casal normal numa noite de diversão. Qualquer coisa vocês intervêm.

— E como tudo isso vai ocorrer?

— É simples. — Darhk andou até a mesa, onde tinha uma caixinha de madeira, a abriu e tirou um pequeno frasco. — Dentro desse frasco tem uma dose de cianeto, quantidade capaz de matar um homem do tamanho de Abraham. Cait e Barry vão manter uma distância razoável dele e quando tiverem uma oportunidade vão colocar isso na bebida dele.

— E se Abraham notar? — rebati. Barry levantou-se da cadeira e ficou ao lado do meu pai.

— Ele não vai notar. — disse. — Sou um cara rápido.

— Felicity, tudo vai dar certo. — foi à vez de Cait se defender. — Caso algo aconteça, você e Sara estarão do lado de fora.

— Tudo bem. — suspirei, derrotada. — Mas com uma condição.

— Diga. — falou meu pai.

— Precisamos conversar, a sós.

— Okay. — ele olhou pra os outros três na sala e deu um aceno com a cabeça. Eles se retiraram. — O que é, Felicity?

— Você conhece os homens que invadiram a casa que eu e mamãe morávamos e a atacaram? — Damien franziu o cenho. — Ela disse que enquanto eles a torturavam perguntavam sobre mim e diziam que se não me encontrassem o serviço estaria incompleto. E quando mamãe tocou no seu nome, eles fugiram. Você os conhecia?

— Não. — eu sabia que meu pai estava mentindo. Ele podia mentir para qualquer pessoa, menos pra mim. Darhk me falou sobre os sinais que pessoas dão quando mentem, e apesar dos deles serem bem sutis eu compreendia.

— Você está mentindo. — retruquei. — Tenho certeza que esconde muitas informações sobre aquela noite de mim. Principalmente quem são esses caras. E se você não quer que eu vá atrás do Abraham é melhor me dar os arquivos.

— Já temos um acordo, Felicity. — argumenta. É verdade, eu lembro quando fizemos o primeiro acordo. Mas não esperarei até capturarmos Ra's para ter respostas.

— Estou quebrando o primeiro acordo e oferecendo outro. Vou esperar você ter garantias, mas se não me der uma resposta até as cinco, eu vou encontrar o Abraham, e colocar minha vida em risco.

— Felicity...

— Até às cinco horas da tarde. — falei, tomada de coragem. Então virei às costas e sai da cozinha. Eu queria respostas concretas sobre tudo que aconteceu aquela noite e as teria.

Aproveitei as horas livres para encontrar um apartamento, e claro que é novidade para mim, digamos que desde o dia que resolvi tornar-me membro da hive eu não saio de baixo das asas do meu pai. Procurar esse apartamento torna a minha ideia de ficar ainda mais fixa, Oliver me prende nesse lugar e apesar de eu ter certeza que estou ficando exposta quero arriscar.

Consegui locar um apartamento pequeno, estava bom para um canto só meu e o papel de parede era bonito, depois de uma limpeza e mobiliado ele vai ficar perfeito. Devido toda burocracia, eu só poderia morar nele depois de três dias, primeiro a corretora checaria meus antecedentes, meus documentos falsos ajudariam. Teresa Hill trabalha com publicidade e vive viajando, sem problemas, quero apenas ficar invisível. Além do mais, depois que tudo isso acabar eu voltarei para minha vida cotidiana.

A corretora me apresentou cinco lugares, e isso tomou muitas horas do meu dia, depois que assinei alguns papeis, ela me liberou. Olhei no relógio e era quase cinco horas, não tinha respostas do meu pai. Chequei os arredores do meu novo apartamento e descobri que na esquina tinha uma lanchonete, o que me levou a conhecer o melhor cheesburguer e milk shake que já comi. Oliver precisa conhecer esse lugar.

Liguei para ele e convidei para um jantar simples, ele disse que tinha uma missão, então marcamos para outro dia, notei que ele estava indiferente, mas não quis questionar. Afinal, ele não me deve explicações. Depois da minha ligação frustrada, eu recebi uma mensagem do meu pai exigindo minha presença na "casa" dele.

— Onde ele está? — interrompi a conversa amistosa de Caitlin e Barry. Eles pareciam estar se divertindo.

— No escritório dele. — respondeu Barry, apontando com o queixo para o corredor. Assenti levemente com a cabeça e murmurei um obrigada. Segui para a sala de Damien, ele estava mexendo no computador. Eu bati a porta, chamando a atenção dele.

— Sente-se. — apontou para a cadeira. Fiz a boa filha, puxei a cadeira e me sentei. — Eu ainda fico pasmo com a sua teimosia. — me ajeitei na cadeira e o encarei séria. — Às vezes você é idêntica a sua mãe. — suspirei.

— Você pensou sobre o que eu te falei?

— É claro que eu pensei. — disse. — E cheguei à conclusão de que tenho que esclarecer algumas coisas, principalmente sobre o seu agente. — engoli em seco. Darhk sabe sobre Oliver, mas o que ele tem a ver com essa nossa conversa?

— Não vai me dizer que quer interrogar o meu namoradinho? Seu tempo já passou. — meu pai esboçou um pequeno sorriso e balançou a cabeça. — O que tem ele?

— Quando pedi essa aliança a Amanda não foi porque tinha dificuldades em prender Ra's Al Ghul. — arqueei as sobrancelhas. — Eu precisava de arquivos que só a cia tinha.

— Que arquivos? — ele abriu uma gaveta e retirou uma pasta preta, checou o título e então jogou na minha frente. Na frente tinha uma tarja branca, escrito Slade Wilson. Eu abri e a primeira foto era de um homem barbado, forte e aparenta ter uns 45 anos. Em baixo está escrito o nome dele, Slade Wilson e uma longa fixa de assassinatos.

— Você o conhece? — maneei a cabeça e virei à página.

O rosto da segunda foto, eu lembraria, independente de quanto tempo se passasse e quantas mudanças sofresse. Na foto ele estava mais velho do que o dia em que o vi, mas o olhar era o mesmo que me encarou naquela noite, quando estava chegando à casa de mamãe.

Com as mãos trêmulas eu virei à página, o rosto, eu também lembrava, tinha o mesmo dente de ouro e a tatuagem sobre a têmpora e o inicio de outra no pescoço. Virei à página, a última foto do arquivo. Também era um rosto que eu me lembrava, eu jamais esqueceria. Eu vi os três fugindo depois de terem machucado minha mãe.

— Felicity. — dei um pulo, os arquivos caíram no chão, às fotos ficaram espalhadas pelo piso. Jordan Carter, Peter Johnson e Willian Lopez. As mãos de Darhk apertaram as minhas e ele empurrou minha cadeira. — Você lembre-se de algum deles? — concordei com a cabeça, sentia um nó formar-se em minha garganta, minha voz não saia.

— Dos três. — apontei para cada rosto. — Foram eles

— Está bem. Agora se acalme. — Darhk juntou os papeis e organizou o arquivo. Colocou sobre sua mesa e deu a volta nela. Ajeitou a gravata e se sentou. — Eu comecei a investigar desde o início, mais do que você eu quero acabar com a raça de quem machucou sua mãe. Há dois anos eu cheguei nesse grupo, eles são mercenários e investem no mercado negro, tráfico de pessoas e de órgãos. Slade Wilson, o da primeira foto é o líder. Slade não faz o serviço sujo, apenas ordena seus subordinados.

— E por que você ainda não acabou com eles? — questionei. — Durante dois anos escondeu isso de mim, e mesmo tendo esse triunfo não foi atrás deles.

— Eu tentei. Meu Deus, você não sabe o quanto eu tentei acabar com cada um deles. Mas não é simples, eles são inrrastreáveis. A única vez que consegui uma localização eles estavam no sul da China, em uma aldeia, depois disso eles sumiram. — explicou. — Eu descobri uma possível conexão entre Ra's e Slade, precisava de provas concretas, e as encontrei no computador interno da cia. — ele retirou outra pasta da gaveta e entregou para mim. Tinha várias fotos da equipe de Amanda, incluindo Oliver, Diggle, James e Trenton. E informações sobre entregas de armas. — Slade era o transportador de armas exclusivo de Ra's. Amanda descobriu e armou uma operação para pegar os dois, mas tudo deu errado.

— Acha que Ra's tem um informante dentro da cia?

— Sim. Mas investiguei cada agente incluso nesse arquivo, não tenho nenhuma suspeita. Todos estão limpos. — disse. — Acho que gostaria de ver isso. — jogou outra pasta para mim, peguei-a e a abri, era um arquivo com várias informações de Oliver. — Vou lhe dar um tempo. Lembre-se que Abraham está solto e eu preciso de você essa noite. — assenti.

Meu pai levantou e saiu do seu escritório, me deixando só com um arquivo cheio de informações de Oliver.

Eu não sabia se era certo invadir a vida dele da forma que estava prestes a fazer. Porém, minha curiosidade foi enorme e me fez ler da primeira a última folha. Ele tem uma família, como falou para mim. Vivia uma vida normal, entrou para a faculdade e então seis anos da sua vida foram apagados, era como se ele tivesse vivido todo esse tempo em uma ilha deserta e retornado como um agente da cia.

Oliver parece ter apenas dois únicos objetivos, apesar de acumular alguns grandes casos no currículo, Slade Wilson e Ra's Al Ghul. Ra's eu entendo, mas, e Slade Wilson?

— Felicity, precisamos de você. — Sara irrompeu o escritório.

— Okay, eu já vou.

(...)

OLIVER

— Então, a garota que estava com você no hospital, é a garota? — Lyla perguntou, com um sorriso zombeteiro nos lábios.

— A garota? — franzi o cenho, Lyla soltou uma gargalhada.

— Notei a forma como olha para ela, e o Jhonny me contou toda a história. Até parece enredo de filmes de ação.

— Talvez ela seja a garota. — respondi. — Eu gosto de verdade dela.

— Mamãe. — a voz doce de Sara invadiu a sala. Lyla levantou-se.

— Está na hora de ela comer. — dirigiu-se até o quarto da Sara e voltou com ela no colo. — vou fazer um lanche para a gente.

Meu celular vibrou, tirei do bolso e chequei a mensagem. Amanda me queria na base imediatamente, a folga dela durou poucas horas.

— Na verdade eu tenho que voltar para a base.

— Tudo bem, então. — disse Lyla. — Alguma novidade de Abraham?

— Amanda nunca dá informações detalhadas nas mensagens. Mas presumo, que tenha novidades sim. — respondi. — Tem três muralhas do lado de fora, eles vão proteger você e Sara.

— Eu nunca fui uma donzela Oliver. — eu sorri. Lyla já esteve em combate na faixa de Gaza, já esteve em missões suicidas com o exército. Realmente ela não era uma donzela. Mas Abraham é uma máquina exterminadora e eu não estou fazendo referências ao filme o exterminador do futuro.

— Eu sei. Mas Abraham é perigoso.

— Nós vamos ficar bem. Eu tenho uma arma e sei usá-la.

— E não tenha medo de usá-la se Abraham aparecer. — Lyla assentiu.

Despedi dela e Sara. Segui para a saída. Quando passei pela porta os três armários que Amanda tinha mandado para a casa de Dig me encararam e me cumprimentaram com um aceno de cabeça, retribui.

Notas finais
Bom gente, se ainda acompanham a fic não esqueçam de deixar um comentário. Bjooos de luz
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.