A Assassina e o Agente.
2 Os dois lados da moeda.
Notas iniciais
Quando você sentir o meu calor
Olhe nos meus olhos
É onde meus demônios se escondem
É onde meus demônios se escondem
Não se aproxime muito
É escuro aqui dentro
É onde meus demônios se escondem
É onde meus demônios se escondem
FELICITY
Meu pai me ensinou como matar um homem. Duas opções. Deixa-lo morrer lentamente, para que ele sofra bastante. Ou, mata-lo rapidamente, sem deixa-lo sofrer. Darhk gosta da primeira opção. Já eu, prefiro à segunda. Para que prolongar o iminente? A morte já é o pior castigo, e o inferno é o se lugar.
Não me orgulho do que eu faço. Apenas faço para tentar esquecer o passado que foi cruel. E Janete Hill merece que o estuprador e assassino da sua filha tenha um lugar fixo no inferno.
— Onde estamos? — pergunta James, depois que eu retiro o saco preto da sua cabeça.
Olho bem dentro dos seus olhos azuis cinzentos. Pergunto-me se ele fez isso com Malanie a sua ultima vítima, ou com Sabrina, Anna, Sally e Joanna. Algumas vítimas suas. Será que ele viu o medo estampado naqueles rostos tão frágeis? Ou o pedido de socorro mudo visível em seus olhos. O pânico, medo, a dor e diversos outros sentimentos que antecedem a morte?
James McAllister é um porco imundo, e não pode continuar fazendo mal há pessoas inocentes. Ele não merece continuar na terra, esse não é mais o seu lugar.
— Pensei que se lembraria desse lugar. — digo, sentada em uma cadeira a sua frente. — Talvez isso refresque sua memória. — Jogo as fotos feitas pela autópsia, do corpo desfigurado de Melanie sobre a mesa a sua frente.
— Quem é você? E por que estou aqui? — grita desesperado. — Não faça nada comigo. Minhas filhas precisam de mim.
— Assim como Melanie precisava da sua piedade! — exclamo. — E o que você fez? — Seguro sua nuca e lanço seu rosto com força contra a superfície plana da mesa. Seu sangue mancha as fotos. — Você a matou.
— Eu não devia ter feito aquilo. Foi doentio.
— Eu sei... E concordo. É por isso que está aqui. Por ser um doente depravado. Capaz de fazer mal a inocentes. Você não pensou em suas filhas quando torturou, estuprou e matou Melanie e as outras garotas. Se não teria feito o contrario. Deixado Melanie viva e sem marcas suas. — Contorno a mesa e a cadeira que ele está sentado. Tirando uma pequena faca de corte da minha bota. — Por isso deve morrer.
— Você acha que é diferente de mim? Não é... É igualzinha a mim! — Bato seu rosto contra a mesa novamente. Escuto o barulho de o seu maxilar partir-se.
— Não sou doente como você. Eu apenas faço justiça com minhas próprias mãos. — Fico imóvel atrás dele. Seguro seus cabelos curtos puxando sua cabeça para cima. — Isso é por Melanie, Janete e suas outras vítimas. — Passo a lâmina por seu pescoço, fazendo um corte orelha a orelha.
O sangue jorra da sua garganta, sua cabeça tomba sobre a mesa. Limpo minhas digitais da arma do crime e a cravo na madeira, ao lado da poça de sangue. Sem vestígios, a primeira regra que Darhk me ensinou.
Paro em uma floricultura e compro dois buques de flores, um de rosas brancas e outro de rosas vermelhas. Coloco com cuidado no bagageiro do meu carro e sigo para o meu primeiro destino. O cemitério. Onde o corpo de Melanie esta enterrado.
Melanie foi mais uma vítima de pessoas cruéis. Ela era uma garota linda, considerada a garota sorriso da faculdade. Cursava o ultimo ano de psicologia. Tinha um futuro brilhante pela frente. Porém, todo o seu palácio desabou. Sua história é semelhante a minha. Procuro por seu túmulo. Até ver a foto sua, seu sorriso era mesmo lindo. Assim como seus olhos azuis, imensos como o céu.
Agacho-me e coloco as rosas brancas ao lado do túmulo, deixando seu nome e foto visíveis. Leio seu epitáfio, escrito com letras miúdas, desenhadas no concreto, "Amada por todos. Jamais esquecida". Tenho certeza que quem mais a amava, jamais a esquecerá.
Não sei se Melanie aprovaria o que faço. Se nada disso tivesse acontecido e ela soubesse o que faço, creio que me chamaria de assassina e teria nojo de mim. Ninguém gostaria de mim. Eu sou podre por dentro.
Volto para o meu carro e sigo meu rumo. A próxima parada é no hospital psiquiátrico. O único local que visito mensalmente e ás vezes semanalmente. Pego as rosas vermelhas no bagageiro e entro no hospital.
— Dakota?! — Giro sobre meus calcanhares, quando escuto meu nome falso. Encontro-o como sempre, com um enorme sorriso nos lábios.
— Olá Ray. — digo, retribuindo seu sorriso.
— Pensei que não apareceria aqui tão cedo.
— Prometi que vinha antes das flores murcharem. Como ela está?
— Caitlin pode lhe dar informações mais concretas do que eu. Vou te acompanhar.
— Claro. — digo, o seguindo.
Ray Palmer, o homem mais bonito que eu já vi em toda minha vida. Um médico generoso, disposto a ajudar todos. Com um sorriso cheio de luz. Uma postura arrogante que lhe serve como fachada. Na minha vida perfeita, ele é o meu namorado sarado e bom de cama.
Mas eu jamais me dei ao luxo de me aproximar de Palmer, ele não merece uma mulher como eu. O que ele merece é uma Caitlin. Viva por dentro e disposta a ama-lo. Não posso amar uma pessoa, quando não amo a mim mesma.
— Dakota, que surpresa. É muito bom lhe ver. — Caitlin dá a volta em sua mesa e me abraça, com cuidado para não amassar as flores. — Como você está?
— Bem. — Um detalhe sobre mim, eu nunca estou bem. — E você?
— Também. Pensei que teria uma viagem para fazer.
— Ela foi remarcada. Então vou aproveitar o dia para ficar ao lado de Sidney.
— Ah, claro. Ela vai ficar feliz em te ver. — sorrio.
— Como está o quadro dela?
— Sidney não progrediu e nem regrediu. Continua do mesmo jeito. Calada. Sempre pensando em algo longe. O que aconteceu com vocês foi grave e diferente de você, ela ficou com graves traumas psicológicos.
— Eu entendo. — A diferença entre nossos traumas é que eu busco esquecer o que aconteceu e ela revive em sua cabeça tudo que aconteceu. — Posso ir vê-la?
— Claro. Vou te acompanhar. — Caitlin me acompanha até o quarto que eu visito ao menos três vezes por mês. O quarto 9, com uma paciente muito especial. — Ela ainda não foi para o jardim. Importa-se de leva-la?
— Não, claro que não. — Caitlin sorri e acena para que eu entre.
Ela está sentada, seus cabelos longos e loiros caídos sobre seus ombros e costa. Aproximo-me e paro a sua frente, seguro seu queixo, fazendo-a olhar em meus olhos.
— Vou mandar os enfermeiros lhe ajudarem. — Assinto sem fugir dos olhos dela. Caitlin se retira.
— Oi. — murmuro, mas como sempre não há respostas. — Disse que viria antes das flores murcharem. — Tiro os lírios do vaso e jogo na lata de lixo, substituindo pelo buque de rosas vermelhas. — É a sua cor favorita.
Tiro uma pequena pétala e coloco sobre a palma de sua mão, seus olhos seguem o meu movimento e ficam fixos na pétala vermelha em sua mão.
— Que bom que acertei. — comento, pegando a escova de cabelos sobre o criado mudo. — Senti saudades. — Começo a pentear seus cabelos. São macios e cheios de brilho, como sempre foram. Sidney é linda. — Vamos passear pelo jardim?
Faço uma trança em seus cabelos até que os enfermeiros venham me ajudar. Depois que eles entram no quarto a colocam sobre a cadeira de rodas. Eu a levo para o jardim, sento-me em um banco ao seu lado e seguro sua mão.
Se eu pudesse voltar no tempo e mudar alguma coisa em minha vida, seria isso. Jamais deixaria Sidney passar por tudo aquilo e por isso. Nunca!
Meu celular começa tocar e eu retiro rapidamente do bolso. O numero é decodificado. Só pode ser Darhk.
— Já concluiu o serviço? — pergunta, assim que atendo a ligação.
— Sim.
— E está aonde?
— Isso não importa para você! O que quer?
— Merlyn foi capturado pela c.i.a. Preciso que venha aqui.
— Por que não o deixa lá?
— Merlyn sabe muitas coisas. Irão espremê-lo até que ele solte tudo. E preciso do seu talento com computadores.
— Okay. Estou indo para aí. — encerro a ligação. — Preciso ir agora. Mas eu volto, como sempre. — Dou um beijo em sua mão e me retiro.
Oliver.
O sentimento de culpa me assombra todas as manhãs quando acordo, eu poderia ter feito algo, evitado aquilo, ela era apenas uma garota, perseguida por homens cruéis. Que fariam de tudo com ela. Mas, eu fugi.
Não há um dia que eu não sinta remorso. Um único dia que a culpa não me torture. Posso escutar os seus gritos, o seu choro. Posso sentir seus batimentos cardíacos como uma bomba em minha cabeça, pronta para explodir.
Abro meus olhos, a ressaca cria um zunido intragável em minha cabeça, a luz forte do quarto branco é um crime contra meus olhos. Pisco algumas vezes, até me acostumar. Então olho ao redor. Duas mulheres estão deitadas ao meu lado e duas sobre meus pés, todas nuas, diferente de mim, que estou com um smoking. Presumo que não aconteceu nada entre elas e eu. Levanto-me e retiro o celular do meu bolso, checando as horas, e também as 5 ligações perdidas de John Diggle, meu capitão.
Retiro as embalagens de camisinha de dentro dos meus sapatos e calço o par. Saio do quarto, desço as escadas da mansão que não faço a mínima ideia de quem pertence, ou apenas não me lembro. Abro a porta da entrada e luzes vermelhas caem sobre mim.
— Calma! Calma! Não atirem. É apenas o Oliver. — grita John Diggle. Depois sobe as escadas e aproxima-se de mim. — O que estava fazendo? Sua missão era prender Hugo e seus capangas e então você bebeu e passou a noite com prostitutas?
Calma! — exclamo, tentando raciocinar. — Eu os prendi.
— E onde eles estão? — Meu celular vibra no bolso da calça social, Eu o pego e checo a mensagem. Enviada por mim mesmo?
— Estão amarrados na despensa.
— Preparem-se, vamos invadir a casa. — grita para a equipe de homens da SWAT. — E você... Amanda disse que quer conversar.
— O que ela quer?
— Confidencial. Mas, pelas informações que recebi tem algo a ver com a H.I.V.E.
Tiro a chave da moto do bolso do meu paletó e embarco nela, que está estacionada em frente à mansão.
H.I.V.E, há cinco anos Amanda tenta achar vestígios dessa organização, trata-se de uma liga onde eles criam assassinos, muita similaridade com A liga dos assassinos onde o chefão de tudo chamava-se Ra’s Al Ghul. Mas, há 2 anos ele desapareceu sem deixar rastros, ninguém acredita que ele morreu, Amanda colocou na cabeça que ele está tramando algo grandioso demais, “devemos ficar alerta” é o que ela repete todos os dias.
Amanda disse que para encontrarmos Ras Al Ghul, devemos encontrar a H.I.V.E. Mais especificamente, Damien Darhk, um dos homens mais procurados do mundo, ele o chefão da h.i.v.e. E sabemos que ele foi pupilo de Al Ghul. Achando Darhk, achamos Ra's. Porém, eu tenho duvidas do seu envolvimento com Ra’s.
Entro na garagem da empresa que serve de fachada para o nosso esconderijo. Uma base secreta equipada com ultima geração de computadores, armas, bombas, dispositivos, entre essas coisas. Amanda está de pé, virada de costas para mim. Mas, quando meu pé faz um ruído de encontro ao chão, rapidamente ela vira-se.
— Como está bela adormecida? — questiona, em seu tom arrogante e debochado.
— Sem piadas, Diggle disse que tem algo confidencial sobre a H.I.V.E. — Ela cruza os braços e assente.
— Siga-me. — Entramos em um túnel secreto onde apenas Amanda, Dig e eu temos acesso. Ali fica um conjuntos de celas, onde os bandidos mais perigosos que prendemos aguardam a transferência para uma prisão de segurança máxima.
Ela aperta o botão e as portas da prisão B se abrem. Revelando um homem acorrentado pelos tornozelos, pulsos e pescoço. Ele parece indefeso.
— Não se deixe enganar. Os membros da H.I.V.E parecem inofensivos, mas são letais. Sabem muito bem o que fazem. — comenta.
— E quem é esse?
— Malcom Merlyn. Um dos assassinos de Damien. Um dos melhores.
— O que quer que eu faça?
— Arranque informações. Você é bom nisso.
— Okay.
— Vou mandar preparar o abatedouro. — Dá as costas e sai pelo corredor.
— Não está achando que vai arrancar informações minhas? Porque não vai.
— Você já sentiu dor?
— Diversas vezes. — Dá de ombros.
— Vai experimentar outro estagio de dor. E no final vai dizer tudo. — Ele solta uma gargalhada irônica.
— Divirta-se menino.
(...)
Pego uma lâmina pequena, pontiaguda e bem afiada. Merlyn está preso em cabos elétricos, a qualquer momento posso eletrocuta-lo. Seus pés estão sobre uma chapa grossa de aço, que em poucos minutos vai fazer a carne dos seus pés derreterem. Mas vou começar com uma pequena dose.
Aproximo-me dele. Em nenhum momento ele demonstrou medo. Parece que Darhk treinou muito bem seus assassinos. Mas a dor vai mexer com seu psicológico, até ele responder todas as minhas perguntas.
— Não precisa passar por isso. É só falar o que sabe.
— Ah garoto, eu me lembro de quando apenas torturava as pessoas para conseguir respostas, muitas delas morreram levando todas as respostas para minhas perguntas. Eu sou esse tipo de pessoa, não vai conseguir nada de mim.
— Veremos. — Enfio a faca bem ao lado do seu umbigo.
— É só isso que sabe fazer?
— Não. — respondo, arrancando a faca da sua carne. Ele solta um pequeno e baixo grunhido. — Sabia que uma faca dói muito mais para sair do que para entrar? — Cravo a lamina na lateral de sua barriga e puxo com força. — Existem partes muito sensíveis no corpo humano.
— Bela tática, mas não vai funcionar comigo. — Enfio a faca em sua costela.
— Está certo, isso é muito fraco. — Vou até a mesa com utensílios usados para tortura. Puxo a alavanca e um choque de 20 miliampères percorre por seu corpo. — Dói não é? Você não consegue sentir seus músculos? Imagina uma carga maior que essa? — Puxo mais uma vez a alavanca e Merlyn solta um grito alto de dor. — Posso aumentar a voltagem, ou não. Depende de você.
(...)
— Chega Oliver, o coitado não consegue nem respirar, imagina emitir algum som. — diz Diggle, entrando no abatedouro.
— É a única chance que tenho de pegar Ra’s Al Ghul. Não vou perder essa oportunidade.
— Okay. Você continua com isso amanhã. Está aqui faz duas horas. — Dá algumas palmadas em minhas costas. — Sei que quer pegar Ra’s e sei o motivo. Mas, não é se desgastando desse jeito que vai conseguir.
— Você está certo. — concordo.
— Vá para casa, tome um banho e descanse. Lyla está fazendo um jantar para os amigos próximos. Esteja lá. E leve uma garrafa de vinho. — Dig olha para Merlyn. — Levo-o de volta para a sala B.
— Tudo bem. Vou fazer o que disse.
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