A Assassina e o Agente.
15 O que eu quero?
Notas iniciais
OLIVER.
Amanda só podia estar ficando louca. Completamente louca em aceitar a proposta de Damien Darhk. Eu não sei o que a faz pensar que o general vá aceitar essa maluquice. A cia se associar com uma organização de assassinos, ela só pode estar com merda na cabeça.
— O que te faz pensar que o general vai aceitar essa ideia estúpida? — Diggle tira as palavras da minha boca.
— O fato de que por anos Darhk enganou a cia? Tornando-se um fantasma? Não temos chances contra Ra's al Ghul. E agora ele quer a Tália, não vai medir esforços. Vai fazer de tudo para conseguir o que quer, nem que para isso Washington vire um cenário de guerra.
— Justo. — digo. — Mas, você não acha que se ele conseguisse mesmo encontrar Ra's Al Ghul já não teria acabado com a vida do rival? — questiono.
— Justo. — diz ela. — Darhk falou-me que Ra's quer o lugar que lhe foi tirado. Ele quer a liga novamente, e as filhas. Quer retomar o império dele e reconquistar o respeito de todos. Para isso o desejo dele é acabar com a cia e depois matar Damien. Não acredito que Darhk não tenha um plano elaborado.
— Você parece conhecê-lo tanto. Como a palma da sua mão. — digo, e Waller parece engolir um sapo. Isso é curioso. Posso afirmar que Amanda o conhece. — De onde conhece Damien?
— Não seja louco Oliver, está completamente fora de si. — diz. — Agora, se me dão licença. Vou ter uma conversinha com o general. — se afasta a passos largos.
— Isso foi interessante. — murmuro.
— De mais. —concorda Dig.
— Agente? — viro-me e encontro James parado atrás de mim. — Tenho o que me pediu. — lembro-me das imagens de Felicity que Amanda conseguiu
— Acompanhe-me, por favor. — ele assente e me segue rumo à sala secreta. Entramos e eu fecho a porta. — O que tem nesse relatório?
— Não muita coisa. O nome dela é Felicity Smoak, encontrei apenas o seu anuário do ultimo ano do colegial. Todas as informações sobre ela foram apagadas da escola. Existem essas poucas fotos, e também encontrei o nome da faculdade que ela passou no vestibular.
— Amanda sabe disso? — pergunto.
— Não, você entrou na sala como um maluco e, eu acabei não dando essa informação a ela. — assinto.
— E nem vai dar, estamos entendidos? — lhe lanço um olhar assassino e ele se encolhe.
— Tudo bem, senhor. — diz. Eu sorrio
— Muito bem James, fez um ótimo trabalho. — aperto seu ombro. Pego a pasta com informações de Felicity e me retiro.
— Hey. — chama John. — Lyla fez carne assada, quer jantar conosco? — convida.
Lyla é uma ótima cozinheira. Gosto de estar com a família do Diggle, é uma forma de eu me sentir perto da minha família. Nunca consegui entender como ele consegue conciliar sua vida de agente, com a de esposo e pai. Na nossa profissão, formar uma família é raro. E eu admiro muito John por isso.
— Tudo bem. — digo. — Carne assada é ótima. — acrescento e Diggle sorri.
(...)
Estaciono a moto ao lado do carro do Diggle, ele chegou ates de mim, porque passei em casa e troquei de roupa antes de vir para a casa dele. Seguro o capacete numa mão e com a outra aperto a campainha. Uma mulher morena e sorridente abre a porta. Ela é linda.
— Olá. — digo.
— Ah... Olá. Você deve ser o Oliver. — diz.
— Ele mesmo. — disparo.
— Entra, por favor. — abre passagem e eu entro na casa acolhedora da família Diggle. Coloco o capacete no cantinho da sala. — Meu nome é Susanna. — diz, me estendendo a mão. — Sou colega de trabalho da Lyla.
— Sargento? Comandante? — arqueio minhas sobrancelhas tentando inutilmente acertar seu posto no exercito.
— Comandante. — diz.
— Hey. — a Lyla entra de supetão na sala e me abraça. — Como você está?
— Estou bem e você?
— Também. — responde sorrindo. — Vejo que já conheceu a Susanna.
— Ah sim. Sua colega de trabalho.
— Ótima profissional. — diz Lyla.
Por que não imaginei que Diggle estava me persuadindo quando falou carne assada? Não é a primeira fez que ele e Lyla fazem isso. Tentam encontrar "alguém" para mim. Uma pessoa legal e bacana como Susanna. Eu admiro o esforço deles, mas não é num encontro desses que vou encontrar minha alma gêmea. Nem existe minha alma gêmea para começo de conversa.
— Muito bonito em, senhor John Diggle. Como não desconfiei? — murmuro e ele sorri triunfante.
— Susanna é uma ótima mulher, por que não tenta conhecê-la?
— Dig já lhe falei sobre isso. Susanna não merece alguém como eu. Não existe ninguém para mim. — rebato.
— E se um dia aparecer? Afinal, toda panela tem sua tampa. — indaga.
— Não vai. — digo.
— E se aparecer? — repete. Eu fico em silêncio. — Responda Oliver.
— Vou agarrar com todas as minhas forças e nunca vou deixa-la ir. — digo, com sinceridade. John contenta-se.
— Vem, está passando um jogo da liga de basquete na tevê. Vamos assistir. — ele liga a tevê e senta-se em uma poltrona, eu me sento no sofá.
O jogo está agitado, mas minha cabeça está em modo repetitivo, tudo que falei segundos atrás tilinta em minha cabeça. Tudo que falei é verdade. Se existe mesmo alguém e se caso encontra-la, não vou deixa-la escapar.
Susanna era mesmo uma mulher interessante. Linda, jovial e muito atraente. Mas não podia me envolver com ela, não seria nenhum pouco duradouro. Então, era melhor eu acabar com essa ponte de uma vez. Foi melhor assim. Despedi-me de todos e agradeci o jantar.
Quando cheguei a meu apartamento, tudo estava escuro como sempre. Apertei o interruptor e as luzes se acenderam. Arrastei-me pelo assoalho gelado e me joguei no sofá. O relatório sobre o passado de Felicity estava sobre a mesa de centro, peguei a pasta e abri.
Eram apenas três fotos tiradas do seu anuário escolar. Mas em todas Felicity tinha um enorme e contagiante sorriso nos lábios. Tão distante da Felicity que conheci. A misteriosa e atraente Felicity Darhk.
Ainda não consigo acreditar que ela é filha dele. Então esse é o motivo pelo qual pertence a esse mundo, está seguindo os passos do pai. Pego as informações sobre a tal faculdade, busco pelo numero e encontro. Ainda é cedo, deve ter alguém por lá. Pego meu celular e disco o numero.
— Alô. — a voz é suave.
— Olá. Universidade de nevada?
— Sim. O que deseja?
— Informações sobre una antiga aluna. — digo.
— Posso saber o nome?
— Felicity Smoak?
•••
FELICITY...
Vê-la dormindo tão tranquila é o único motivo que me mantem em pé, eu podia desabar agora mesmo, na verdade eu virei uma ruína por dentro, está tudo destruído. Mas, manter minha máscara é necessário, devo permanecer forte pela minha mãe.
Ela entrou em colapso novamente depois que contamos tudo a ela. Eu sabia que ela reviveria tudo aquilo novamente. Cait disse que pode ser uma crise passageira ou o colapso pode durar dias, semanas, meses e até anos. Anos e mais anos. Ela lutará tudo novamente.
Deus, um ato de misericórdia, por favor. Não por mim, mas por ela. Pela minha mãe. Isso não é justo com ela. Minha mãe sempre foi boa demais e passou por tudo isso. Não é justo.
— Você está bem? — Cait coloca a mão sobre meu ombro e dá um leve apertão. — Ela vai ficar bem. — diz.
— Você viu como ela ficou, como reagiu. Não sei se vai mesmo ficar bem. — murmuro.
— Não posso lhe garantir nada. Eu já te expliquei o estado da saúde mental dela. — diz. — Mas, a sua saúde mental merece um descanso também. Você precisa descansar Felicity. Livrar uma parcela da culpa que você sente. Não pode mudar o passado e a culpa não é sua. Tira todo esse peso dos seus ombros. — olho para Cait e esboço um sorriso sem vida.
— Obrigada. Mas não vou descansar enquanto não encontra-lo. Eu posso ter esquecido vários rostos que já passaram na minha vida, menos o dele. Eu lembro-me muito bem, e eu vou encontra-lo.
— Eu seu que vai. — murmura. — Mas, prometa uma coisa para sua amiga. — Arqueio minhas sobrancelhas e fito seus olhos. — Prometa que depois que conseguir sua vingança você irá sair dessa vida. Tirar férias de tudo isso, e voltar a ser aquela Felicity. Promete para mim?
— Okay. Eu prometo. Voltarei a ser aquela Felicity, e tirarei férias. Longas férias. — ela sorri contente. Satisfeita com minha promessa.
— Ótimo. Agora vá descansar que eu cuido da sua mãe, assim que ela acordar eu lhe chamo. — cochicha.
— Tudo bem. — digo. — Obrigada Cait. — dou um abraço carinhoso nela e depois sigo para o meu quarto.
Vou até o meu closet e escolho roupas confortáveis. Cait está certa, preciso de descanso e algumas horas de sono não me farão mal. Depois de tomar um banho quente deito-me em minha cama. Mas assim que coloco minha cabeça no travesseiro lembro-me de tudo pelo que passei no dia de hoje.
Lágrimas encharcam meus olhos deixando minha visão turva, permito-me chorar, não preciso me dar ao luxo de sempre ser forte, tenho meus momentos de fraqueza e esse é um deles. Escuto batidas na porta e sento-me rapidamente na cama, limpo meu rosto, escondendo os rastros do meu choro. Levanto-me e abro a porta.
— O que faz aqui? — pergunto. — Quero ficar sozinha.
— Eu sei. — diz meu pai. — Como está se sentindo?
— Não muito bem. Não deu para perceber? — ironizo.
— Sim. Percebi assim que abriu a porta. Mas precisava ter certeza. — argumenta. — Não gosto de lhe ver assim.
— Tenho meus momentos de fraqueza. — digo. — Mas, como você está se sentindo?
— Quebrado por dentro. E não tem mais concerto. — responde, com os lábios curvados em um sorriso amargo. — Vim até aqui porque tenho que lhe comunicar uma coisa.
— O que aconteceu? — questiono curiosa.
— Vou fazer uma pequena viagem. Ficarei fora, dois dias no máximo. Pedi a Nyssa que fique a frente dos negócios, porque sei que você não aceitaria de forma alguma.
— Que bom que já sabe. — disparo.
— Tenho dois serviços para você. Não sei se é a hora certa. Entenderei se caso renunciar.
— Não. — digo. — É melhor assim. Posso esquecer tudo que aconteceu.
— Okay. Aqui estão os nomes, informações e o contrato de morte dos dois. — me entrega um envelope intitulado com meu nome. — Preciso ir agora. — assinto e ele se retira.
Fecho a porta e volto para a minha cama. Abro o envelope e retiro os dois contratos de morte, e as fichas de informações. O nome que aparece na primeira ficha e de uma mulher. Chama-se Riley Hale, 29 anos e chefe de uma rede de prostituição de menores. Não acredito que ainda existe isso. O outro nome é de um homem, divorciado e sem filhos, traficante de droga, chama-se Edward Singer, 35 anos.
Talvez esses dois trabalhos me ajudem a espairecer.
Coloco tudo dentro do envelope novamente e guardo dentro da gaveta da cômoda. Meu celular começa tocar e eu o pego, olho no visor, número desconhecido. O que será agora? Atendo:
— Alô. — digo.
— Felicity é a Elisa. — diz, com o tom de voz baixo e tenso.
— Elisa!? Aquela Elisa?! — questiono. — A reitora da faculdade?
— Sim. Ouça-me... — começa. — Você me deu esse número, disse que se alguém procurasse por você era para eu entrar em contato. Deus, e realmente você sumiu completamente do mapa. Mas, hoje, estiveram lhe procurando.
— Quem Elisa? — pergunto.
— Ele não se identificou. Disse que era um colega de turma e que queria muito falar com você. — responde.
— E o que disse a ele?
— Nada. Disse que nunca tivemos uma aluna chamada Felicity Smoak. E então ele desligou.
— Okay. Fique calma. — digo, amenizando a tensão instalada em sua voz. — Qual a companhia de telefone que vocês usam?
— City.com. Mais alguma coisa?
— Não isso já basta. Preciso desligar agora. Obrigada Elisa. E por favor, se ele voltar a ligar me avise.
— Okay. — diz, e eu desligo o telefone. Preciso descobrir quem é que esteve me procurando e como descobriu meu nome e a universidade que estudei.
Narrador.
Amanda Waller chegou ao seu apartamento depois de um exaustivo dia de trabalho. O maldito Ra's havia escolhido ela para atingir e agora queria algo que lhe foi tirado.
Tália Al Ghul, sua filha mais velha. Uma mulher com um coração frio e pensamento irracional. Mas, se o Diabo estava pensando que iria ganhar, estava muito enganado.
Depois de uma tentativa falha de coagir o general a fazer uma aliança com Darhk, Amanda optou por dar um tempo para seu chefe pensar. Tudo conspirava a seu favor, a ligação do presidente para o general ordenando que ele limpasse toda a bagunça que haviam feito na cidade. O general acabaria cedendo.
Jogou a bolsa e o casaco no sofá e chutou os sapatos no canto da sala. Dirigiu-se com passos largos até a cozinha e abriu a geladeira, pegou uma garrafa de água mineral e bebeu. Estava exausta e a banheira seria seu melhor divã por essa noite.
Seu quarto estava escuro e ela logo acendeu as luzes, dando um pulo ao encontrar um homem com vestimentas pretas, olhos profundamente azuis e uma carranca séria no rosto.
— Jesus! — gritou Waller, levando a mão ao peito. Não podia acreditar no que seus olhos viam. O urso enfim tinha saído da toca, depois de meses hibernando, nesse caso anos.
— Surpresa em me ver, Amanda? — perguntou o homem, com seus olhos cravados no rosto incrivelmente surpreso e assustado de Waller.
— O que faz aqui, Darhk? — olhou sobre seu ombro. Entre as diversas armas escondidas na casa a que estava mais perto, era aquela escondida atrás do espelho, o mesmo que refletia as costas de Damien. — O que lhe fez sair da toca?
— Recebi noticias sobre a situação de Washington. Um mar de sangue feito por nosso amigo em comum. — respondeu. — E você não conseguiu detê-lo. Está ficando fraca.
— Não tanto quanto você que se esconde há anos. — retrucou.
— Continua a mesma. — ele dá alguns passos até Amanda. — Mas, existe algo em você que sempre te denúncia. — gira e anda até o espelho, contornando as bordas maciças de prata e retirando o metal duro e pesado de trás dele. — Tem que aprender não olhar para o local que esconde uma arma. Ela pode ser a única coisa capaz de lhe salvar. — entrega-lhe a arma.
— O que quer Darhk ou devo dizer Andrew?
Um sorriso torto e malicioso desenha seus lábios — O que eu quero?
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