A Assassina e o Agente.
21 Fique comigo.
Notas iniciais
You're in all my thoughts of passion
And the dreams of my delight
Whatever stirs my mortal frame
Will you keep it warm at night
I don't know where you come from
No I haven't got a clue
All I know is I'm in love
With someone who loves me too
She is Love — Oasis.
FELICITY
Seu rosto estava coberto de ferimentos — alguns mais profundos e outros já formavam cascas. —, os cabelos estavam à altura dos ombros, mas continuavam negros, e seus olhos se destacavam como o céu. Pude enxergar todo seu rosto, apesar da pouca iluminação da cela. Ela mudará pouco desde a última vez que nos vimos, mas ainda tinha aquele olhar debochado.
Helena Bertinelli, uma agente que já me causou muitos problemas. Há dois anos sua missão era a mesma que a minha, caçar Diogo Gonzalez, um mexicano líder de uma gangue americana muito perigosa que atuava em Los Angeles. Nossa missão por coincidência era quase a mesma, a minha era matar Diogo, a de Helena era prendê-lo. E ela se enfiou no meu caminho como uma rocha enorme e pesada, que apenas serviu para dificultar minha missão.
Foi por causa dela que Diogo conseguiu escapar, Helena acabou levando um tiro e eu tive que ajuda-la, depois disso acabamos indo atrás de Gonzalez juntas e devido as circunstância, Helena enfiou uma bala no meio da testa dele. Depois disso ela seguiu o rumo dela e eu o meu e nunca mais nos encontramos, até hoje.
— Pensei que nunca mais lhe veria. — resmungou. — Lembra o que disse da última vez?
— Sim. — devolvi, sentei-me no chão gelado da cela, e a encarei. — Não queria mais lhe ver no meu caminho, ou você seria o contrato. — ela faz uma careta e assente, com um sorriso provocativo nos lábios.
— Continua durona. Incrível como não mudou nada. — dispara. — O que está fazendo aqui?
— Me envolvi em uma confusão com Sasha. — Sua expressão muda completamente, é puro repudio.
— Aquela vadia de merda! — exclama. — Mas perguntei por que está nesse lugar? Quem é o seu contrato dessa vez?
— Não existe contrato. Estou procurando alguém.
— Deve ser muito importante, porque para estar nesse lugar precisa de coragem ou algo muito encorajador. Isso parece o inferno.
— Tália Al Ghul. — Helena levanta o rosto, parece confusa.
— A cia fez um acordo com o governo Russo, se Tália sumir a cia terá que arcar com as consequências. Depois disso ela cairá matando em cima da hive. Tália é como um troféu para a cia e uma medalha de boa ação para Amanda, ela vai ficar furiosa, e Amanda é o tipo de pessoa que ninguém deseja ter como inimigo.
— Meu trabalho é tira-la daqui. — murmuro. E antes de Helena fazer qualquer outra pergunta a porta se abre e o guarda que vai me ajudar faz sinal para que eu levante. — Posso lhe ajudar. Sei onde Tália está. Assim você me ajuda sair daqui.
— E por que eu lhe ajudaria? — pergunto.
— Em nome da nossa velha amizade. — Um riso totalmente sarcástico escapa da minha boca, nós não temos uma velha amizade, e apenas dividimos uma missão no passado, não existe amizade entre nós, apenas na cabecinha dela.
— Nunca fomos amigas, Helena.
— Temos que andar depressa. — resmungou o guarda.
Pondero. Talvez Helena me ajude, caso algo se meta no meu caminho e eu não possa resolver sozinha. Não sou mesquinha, sei que essa missão é arriscada. Helena seria uma boa mão na roda, ela é ótima em combate corpo a corpo, já lutei com ela, posso garantir isso.
— Okay. Mas vamos logo, temos pouco tempo.
— Tenho que voltar para meu posto. — comenta o guarda. Eu assinto e ela se retira.
— Sabe mesmo onde Tália está?
— Sim, é só me seguir. — responde Helena, tomando a frente. Eu a sigo, por um corredor escuro, longo e estreito.
[...]
Parecia que estávamos em um labirinto, já tínhamos cruzado vários corredores e eu estava começando achar que Helena não sabia nada. Estava a ponto de confronta-la e dizer que apenas cogitou que sabia onde Tália estava, quando dois guardas cruzaram nosso caminho.
Não tivemos tempo de pensar em nos livrar deles, em um movimento rápido estavam em cima de nós, nos deferindo golpes. Segurei o rosto de um deles e lancei contra meu joelho, depois prendi seu braço nas suas costas e bati sua cabeça na parede. Olhei para o lado, e Helena estava apertando o pescoço do seu oponente. Ele caiu inconsciente. Pegamos as armas deles e continuamos nosso caminho.
— Por que tem interesse em Tália Al Ghul? — questiona.
— É uma longa história, e duvido que acredite em mim.
— Por que não tenta?
— Damien Darhk se uniu a cia para capturar Ra's Al Ghul. — Helena me encara, ergue uma das sobrancelhas. — Amanda Waller achou o melhor a se fazer depois que Ra’s atacou Washington e deixou 25 mortos. Depois disso ele pediu Tália em troca da libertação da cidade, ou haverá outros ataques e mais mortes. Como um meio de capturar Ra’s, meu pai enviou a mim e dois agentes da cia para resgatar Tália.
— Acredito, é bem típico da Amanda se aliar a uma organização de assassinos. — resmunga. Continuamos o trajeto em silêncio, até Helena parar e virar-se para mim. — É ali. — apontou para uma porta de ferro.
— Tem certeza? — assentiu.
Peguei a arma que havia guardado depois do nosso confronto com os dois guardas, a destravei e disparei contra a fechadura. Abri a porta sem dificuldade e entrei na pequena sala escura.
— Cuidado. — resmungou Helena, e no mesmo instante escutei um estrondo e Tália pulou sobre mim e começou a deferir socos contra meu rosto. — Ela é louca. — segurei os braços dela e a joguei com força para o lado. — Tália, vamos lhe ajudar.
— Não conheço vocês. Foi meu pai quem as mandou?
— Sim. — respondeu Helena, trocando um olhar cumplice comigo.
— Aquele bastardo! — vocifera, realmente furiosa com o pai. — Pensei que ia me deixar apodrecendo aqui dentro. Eu juro que Amanda Waller vai pagar por me colocar... — foi interrompida por uma sirene.
— Droga! — exclamei. — Temos que sair daqui.
— E como vamos sair daqui? — perguntou Helena.
— Logo. Agora temos que nos mexer. — saímos da cela.
(....)
— Afinal, para onde estamos indo? — questiona Tália.
Um estouro, a base do chão sob meus pés tremeu. E o pó do concreto se dispersou pelo ar, estávamos no lugar certo.
— Hey. — Oliver surgiu a nossa frente, quando seu olhar bateu em mim, sua expressão se suavizou por inteira. E então ele olhou para Tália, depois Helena, ergueu as sobrancelhas, enquanto ela sorria para ele. — Helena? O que faz aqui? — os dois se encararam, ambos surpresos.
— Oliver. — Helena sorriu, correu ate ele e o abraçou. Ignorei o desconforto que senti ao ver aquilo e segurei o braço de Tália com força.
— Temos que sair daqui. — murmurei, passando pelos dois, puxando Tália com força.
— Como vocês se conheceram? — estava quase mandando Helena calar a boca quando um grupo de guardas surgiu a nossa frente. Senti alguém segurar meu braço com força e fui jogada para o canto. Era Oliver, e estava parado a minha frente como uma muralha enorme e indestrutível.
Os guardas vieram em nossa direção e Helena e Oliver acabaram com eles em um piscar de olhos. Uau, devo admitir, os dois juntos são ótimos.
— Vamos. — berrou Oliver.
Fui à frente deles, levando Tália junto. Logo os tiros começaram, peguei a arma e revidei, atingindo um dos guardas na barriga, outro na perna e no ombro e outro bem no meio da cabeça. Ignorei completamente a dor que senti na barriga e continuei. Já estávamos do lado de fora da prisão e o carro blindado estava bem perto. Mais dois guardas apareceram e eu me livrei deles.
Entramos no furgão e Diggle pisou fundo no acelerador, dirigiu em alta velocidade, ignorando todos os bloqueios e sinais vermelhos. Encostei minhas costas na lataria sólida do carro e respirei aliviada, e então senti uma pontada forte na minha barriga e uma dor descomunal.
Minha roupa estava molhada e com uma enorme mancha vermelha no centro. Ainda bem que dentro do furgão estava escuro e ninguém veria, quando eu chegar ao hotel, resolverei isso. Levei um tiro e não percebi na hora por causa da adrenalina que corria em minhas veias, mas agora está doendo muito. Coloco a mão sobre o ferimento e reprimo a vontade de fazer uma carranca de dor.
— Estão todos bem? — perguntou Diggle, apenas assenti. Olhei para Helena, ela sorria para Oliver que retribuía o sorriso, virei meu rosto e senti outra fisgada na barriga, meu rosto se retorceu. Droga!
— Alguém pode me explicar o que está acontecendo aqui? — resmungou Tália.
— Sim. — disse Oliver. — Vamos lhe levar Para Washington. — levantou-se, segurando uma algema e a algemou. — Amanda está sentindo sua falta.
— Quem são vocês? — começou a se debater.
— Somos da cia. — disse Oliver.
— Sou uma mercenária da hive. — disse baixinho.
— Agora eu acredito. — disse Helena, olhando para mim.
— Por acaso vocês se conhecem? — questiona Oliver.
— Sim. — virei meu rosto para encara-lo. — E você, a conhece?
— Dormíamos juntos. — disparou Helena, e eu senti uma fisgada ainda mais forte no ferimento. Fiz uma careta e Oliver levantou-se abruptamente.
— Está ferida. — disse ele, olhando para o sangue em minhas mãos.
— Eu estou bem. — rebato.
— Deixe-me ver isso. — segurou meu pulso e eu puxei com força.
— Eu estou bem. — insisti.
— Diggle, vamos para o hospital. — ordenou. — Deixe-me ver isso, Felicity. — murmurou, fitando meu rosto. Encontrei segurança dentro do azul dos olhos dele. Deixei que ele afastasse minha mão do ferimento e erguesse minha blusa. — Está perdendo muito sangue. Procure um hospital Diggle, e rápido. — me sentia zonza e a dor aumentava. Oliver sentou ao meu lado e abraçou meus ombros. Segurei sua mão e fitei seus olhos.
— Fique comigo. — sussurrei. — Por favor. — ele segurou meu rosto, ignorando Helena, Tália e Diggle, que olhavam para nós.
— Não vou há lugar algum. — E beijou minha testa, mantendo seus lábios em minha pele por longos minutos. Minhas pálpebras começaram a fechar e fui levada a inconsciência.
(...)
Oliver.
— Ir a um hospital é arriscado, Oliver. Ela foi baleada e esta roupa do presidio vai levantar suspeitas. — alerta John. — A ordem é ir direto para o aeroporto.
— Mas ela precisa de cuidados. Está perdendo muito sangue. — resmungo.
Olho para Felicity, ela está pálida e sua pele está quente. Droga, eu devia ter a protegido e não deixado isso acontecer, sabia que era uma terrível ideia ela se infiltrar sozinha, e mesmo assim eu a deixei arriscar a própria vida. Idiota, eu sou muito burro. Tiro a jaqueta que uso e tento estancar o sangue que continua fluindo do ferimento.
— Acho que posso ajudar. — comenta Helena. — Sei de um consultório clandestino, apesar do local ficar em um bairro perigoso, o cara é um bom médico e não vai chamar a policia. Ele é americano, tenho certeza que vai nos ajudar.
— Tem certeza disso? — pergunto.
— É a sua única chance, Oliver, ou prefere coloca-la em um avião nesse estado? Felicity está perdendo muito sangue, precisa de cuidados de um profissional, senão vai morrer.
— Okay. Siga as coordenadas da Helena, Diggle. Depois vai para o aeroporto e leve Tália para Washington.
— Vocês acham mesmo que são mais espertos que meu pai?! — diz ela, algemada no canto da van. — Vão pagar caro por isso.
— Cala sua boca. — diz Helena. Pulando no banco da frente ao lado do Dig. Permaneço ao lado de Felicity e deixo sua cabeça aninhada em meu peito. Seus batimentos cardíacos estão fracos e a respiração lenta.
Eu juro que não queria sentir algo por ela, se eu pudesse escolher nunca teríamos nos trombado, eu soube desde o inicio que Felicity é tentadora, e que qualquer homem que se interesse por ela, não terá tanta sorte, apesar de saber todas essas coisas, eu falhei comigo mesmo e estou alimentando sentimentos fortes. Eu não sei explicar o que sinto, mas o medo de perdê-la me dilacera por dentro.
Seguro sua mão gelada entre as minhas e assopro, como se esse gesto fosse levar calor para todo o seu corpo. Dig faz o trajeto até o local clandestino em alta velocidade, estaciona e eu pego Felicity em meus braços, desembarco do carro com Helena logo atrás de mim.
— Vá para o aeroporto, Dig. — ordeno. — Volto para Washington quando Felicity estiver bem.
— E o que eu vou dizer para Darhk e Amanda? — questiona, parecendo agoniado. Nem pensei em Darhk, apenas eu sei que Felicity é sua filha, talvez Amanda também saiba, ela e esperta, e viu a foto do anuário, mas Felicity mudou muito. Argh, Darhk deve gostar da filha e com certeza vai ficar preocupado.
— Diga a eles que eu levei um tiro e Felicity ficou comigo. — confio em Dig para dizer o nome verdadeiro dela e Helena parece saber de muita coisa sobre ela também. Então não me importo em dizer seu nome. — Helena, pode ir com o John.
— Não, vou ficar. Felicity já salvou minha vida uma vez, vou pagar minha divida e depois vou atrás do cretino que me mandou para aquela prisão.
— Tudo bem, agora vamos. Tome cuidado com Tália, Dig. — ele assente e sai. — Que lugar é esse afinal?
— Uma padaria. — diz Helena. — Vamos, a senhorinha me conhece.
Está escuro no lado de dentro, mas Helena toca a campainha e uma mulher com cabelos grisalhos abre a porta. Helena explica a ela tudo que aconteceu, a velha olha ao redor, desconfiada. Então nos deixa entrar.
— Vamos para os fundos, Oliver. — sigo as instruções de Helena. Entramos em uma cozinha e percorremos um corredor estreito e bem iluminado, ela abre uma porta para mim, parece aqueles quartos de hospitais, todo completinho. Coloco Felicity sobre a cama e fico ao lado dela.
— O que ela tem? — um homem de uns 35 anos entra na sala, vestido com jaleco e luvas hospitalar.
— Levou um tiro. — responde Helena e ele começa a verificar o ferimento no abdômen da Felicity, depois coloca aquelas luzes nos olhos dela. Pega uma tesoura e com cuidado abre toda a camisa.
— Ela precisa de uma transfusão de sangue, tenho um banco com todos os tipos sanguíneos, mas qual é o dela?
Olho para Helena e ela para mim, ela não sabe e eu também, o medico percebe e suspira.
— Vou analisar o sangue dela. — diz.
— Ela corre riscos? — pergunto.
— O estado dela é delicado, mas vai ficar bem depois da transfusão. Vou fazer uma cirurgia para retirar a bala. — assinto.
— Oliver. — Helena toca meu braço e eu olho para ela. — Quando ela acordar vai precisar de roupas e objetos pessoais, vá buscar isso, eu fico aqui.
— Não quero sair de perto dela.
— Eu sei, mas ela vai ficar bem. — diz. — E eu vou ficar aqui.
— Está bem. Eu vou, mas volto logo. — digo, notando que se eu ficar por perto o tempo vai passar ainda mais de vagar.
— Tome cuidado. — murmura Helena.
Saio da padaria e olho ao redor, tem um carro estacionado mais a frente, ando até ele e quebro o vidro da janela com o meu cotovelo — sem alarmes, graças a Deus. — depois faço ligação direta e o carro liga.
Dirijo até o hotel onde nos hospedamos. Tomo cuidado, já que estou vestido igual um policial. Entro em meu quarto e só minhas coisas estão sobre a cama, Diggle já passou por aqui. Troco de roupa rapidamente e jogo minha mala sobre meu ombro. Sigo para o quarto de Felicity e as coisas dela estão em uma pequena mochila, pego tudo e saio rápido do hotel.
Volto para a padaria e bato na porta. A mesma senhorinha de antes abre e gesticula para que eu entre. Já sei onde Felicity está, então sigo para lá. Helena está sentada em uma cadeira do lado de fora da sala de cirurgia.
— Alguma notícia sobre o estado dela? — pergunto.
— Ainda não, o médico está retirando a bala agora. — passo as mãos por meus cabelos e me sento.
— Esse Médico é mesmo confiável?
— Sim. — responde ela. — Oliver, eu preciso sair um pouco, tenho um lugar onde me escondo aqui por perto, vou trocar essa roupa e depois eu volto.
— Tudo bem Helena. Eu fico agora. Obrigado por ajudar.
— Como disse, Felicity já salvou minha vida, estou apenas retribuindo. — se levanta e sai.
Depois que Helena saiu eu continuei sentado do lado de fora da sala onde Felicity estava. Os minutos pareciam horas, o tempo parecia ter parado, eu me sentia cada vez mais angustiado. Toda agitação estava correndo em minhas veias e me deixava alerta. Quando a porta do quarto se abriu e o medico saiu eu me levantei.
— Como ela está? — perguntei, ele parecia cansado, e balançou a cabeça em positivo.
— Ela está bem, algumas horas de sono e vai estar inteira.
— Posso vê-la? — antes que ele diga algo eu já estou dentro do quarto.
— Eu vou descansar um pouco, qualquer coisa você avisa. — assinto.
Olho para Felicity e ela dorme tranquilamente, ainda está muito pálida, mas parece melhor. Aproximo-me da cama e coloco minha mão sobre a dela, ela está gelada, queria poder esquenta-la, mas a cama é tão pequena. Arrasto uma cadeira e me sento ao lado dela, consigo relaxar sabendo que ela está bem, porém, ainda preciso ver o brilho nos seus olhos, ou um sorriso em seus lábios.
(...)
Acordei sentindo um leve aperto no meu ombro, levantei meu rosto e Helena estava parada ao meu lado, sorria gentilmente e segurava um copo descartável.
— Acho que vai precisar disso. — murmura ela, me entregando o copo. — Está horrível, e não estou me referindo ao café. Nunca lhe vi tão abatido igual agora.
— Dormi em uma cadeira desconfortável e debruçado em uma cama, queria o que? — argumentei. Helena sorriu e cruzou os braços, me fitou séria por algum tempo até dizer:
— Nós fomos parceiros por quase 10 meses e eu nunca lhe vi tão preocupado com alguém como vi ontem e estou vendo agora. Você gosta dela? — pergunta.
10 meses trabalhando ao lado de Helena me asseguram de uma coisa, eu posso confiar nela. Eu a conheço, sei alguns de seus segredos, sei o porquê de ela ser uma agente da cia. E responder essa pergunta não é tão fácil, nem eu sei explicar o que sinto, só sei dizer que Felicity entrou na minha vida igual a um furacão, bagunçou tudo, eu só espero que nada esteja destruído.
Eu sei que ela é uma catástrofe, e que mudou tudo, me deixou confuso, me faz odiá-la e ao mesmo tempo querer ficar perto. São várias coisas, todas de uma vez só e que me deixam confuso a ponto de não ter uma resposta na ponta da língua, porém, eu sei de uma coisa:
— Ela é especial. — digo, e olho para ela que permanece dormindo.
Felicity é especial, nunca ninguém mexeu comigo da forma que ela mexe, dizem que poucas pessoas são especiais para um ser humano. Tenho certeza de uma coisa, Felicity é especial, e o que sinto por ela ainda não tem uma resposta certa. Mas com certeza eu pretendo descobrir.
Helena sorri e antes que fale alguma coisa é interrompida pelo barulho do meu celular, tiro do bolso e vejo que é John que está ligando. Atendo:
— Dig, aconteceu algo? — pergunto.
— Não. Apenas liguei para saber como Felicity está?
— Passou por uma transfusão de sangue, mas o quadro dela é bom. Está dormindo agora. — respondo. — Já chegou a Washington?
— Não. O voo acabou atrasando. Mas daqui a duas horas estaremos pousando.
— Tudo bem. Apenas tome cuidado.
— Geralmente sou eu quem fala isso. — rebate. — Fique tranquilo, sou um adulto com uma arma e sei usa-la. Não é assim que você diz?
— É, é assim mesmo. — respondo. — Vou desligar agora.
— Está bem.
Encerro a ligação e guardo meu celular.
— John Diggle já chegou ao aeroporto?
— Ainda não. Disse que chegará daqui a duas horas. — ela assente.
— Bom. Eu preciso ir, vou terminar minha missão aqui.
— Por que estava presa, Helena? — pergunto, com toda essa confusão das últimas horas eu acabei me esquecendo desse grande detalhe.
— Estava coletando informações. O governo russo me encontrou e me jogou naquela cela imunda.
— Que missão vai finalizar?
— É uma missa sigilosa, Oliver. — dispara. — Eu tenho mesmo que ir. Adeus.
— Adeus. — Helena anda até a porta, mas antes de sair vira-se e encara Felicity.
— Lembre-a de que eu paguei minha dívida. — finaliza, e então sai.
Não entendi direito esse lance de divida, sei apenas que Helena foi salva por Felicity, mas não sei como isso aconteceu, Felicity terá que me contar essa história quando acordar.
— Oliver. — sua voz sai um sussurro, e sua mão aperta meus dedos. Sinto meu coração batendo forte e giro rapidamente. É bom ver seus olhos novamente, eles têm um brilho diferente, eles me transmitem paz.
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