A Assassina e o Agente.

22 O que acontece na Rússia, fica na Rússia.


Notas iniciais
Oi gente. Cara como eu queria usar essa frase do titulo e de forma diferente da série asuahsuas e eu gostei do resultado, espero que vocês também. FanFreak, garota eu amei sua recomendação, muito linda, de verdade eu amei, e lhe agradeço muito por tirar um tempinho para recomendar. Muito obrigada. Dedico esse cap para você, espero que goste. ♥ Musica> https://www.youtube.com/watch?v=YQ-qwOhlwE0 Sem mais delongas boa leitura.

Come a little closer to me

Crave your skin on my skin

You're everything that I shouldn't need

So won't you be my sin

I told you I'm known for running

So you chased after me

You told me that you love a challenge

Think you know where I'll be?

Be my sin — Kathryn Dean

Felicity.

Quando abri meus olhos percebi que estava em um quarto de hospital, as paredes brancas, a forte iluminação e os aparelhos ao lado da cama não deixavam enganar. Lembrei-me do tiro que levei, lembrei que implorei para que Oliver ficasse ao meu lado, e ele ficou.

Eu não queria sentir o que senti quando percebi que ele estava ao meu lado, dormindo debruçado sobre a borda da cama em que eu estava, mas eu senti. Sua mão segurava a minha e eu fui tomada por uma sensação boa de conforto, e carinho, eu senti um calor no peito, algo havia reacendido dentro de mim e ao mesmo tempo em que achei isso bom, me achava fraca também.

Apenas pessoas fracas têm sentimentos bons, e eu não poderia me dar esse luxo e nem acabar me enfraquecendo, ficar vulnerável não é uma boa coisa. Depois de tudo que eu fiz — durante muitos anos —, carinho, paixão, e amor são sentimentos que não podem existir dentro de mim, eu busco vingança pelo que aconteceu com minha mãe e esse tipo de sentimento só vai me atrapalhar.

Eu sei que isso é a minha razão falando mais alto, ela luta para que eu fique o mais longe possível de Oliver, porém, meu coração rema para o lado oposto, meu coração quer sentir essa sensação boa de carinho e conforto, que só acontece quando Oliver está por perto. Sua presença me faz desejar ser aquela menina que sonhava com coisas boas, que tinha metas e queria apenas uma vida pacata. Só que eu não posso mais ser aquela garota, ela não pode mais existir. Ela tem sonhos bons, e eu? Bom, eu quero justiça e ela será feita por minhas mãos, portanto, aquela Felicity deve estar morta, para sempre.

Levantei minha mão em um ato totalmente impulsivo, meus dedos passearam pelos cabelos ralos de Oliver e desceram por sua bochecha, senti sua barba por fazer, sua pele estava quente. Meu toque o fez resmungar algo, mas continuou dormindo, eu sorri. É impossível afasta-lo quando ele faz de tudo para estar por perto.

Estava a ponto de acorda-lo e clamar por seu beijo, porém, fui interrompida pelo barulho da porta. Fechei meus olhos e fingi estar dormindo.

— Acho que vai precisar disso. — era a voz amigável de Helena. Oliver levantou-se e eu senti falta da sua mão na minha. — Está horrível, e não estou me referindo ao café. Nunca lhe vi tão abatido igual agora.

— Dormi em uma cadeira desconfortável e debruçado em uma cama, queria o quê?

Oliver não respondeu em tom ríspido, pelo contrário, foi brincalhão e carinhoso com Helena, e isso me deixou com uma sensação chata. E o pior, eu sabia exatamente o nome do que estava sentindo, e sempre achei ciúmes uma tolice. Sempre pensei que não sentiria e que algumas pessoas exageram, eu sempre achei ciúmes algo superficial, afinal, se a pessoa gosta verdadeiramente de você, tu não precisa sentir isso. Mas agora, é exatamente o que estou sentindo. E queria atingir meu estômago com um soco.

Estou sentindo ciúmes de Oliver, era o que me faltava para completar essa explosão de sentimentos presentes dentro de mim, e poucos eu consigo entender, queria que ao menos esse sentimento ficasse subentendido e eu mantivesse a ilusão de que era apenas coisa da minha imaginação. Alguns são tão chatos, e eu acabo ficando dividida, entre afastar o senhor arrogante que se preocupa comigo ou cair na sua rede.

— Ela é especial.

Uma vez Cait me falou sobre sentir borboletas batendo asas em nosso estômago, eu achei a maior besteira, afinal, isso é completamente ilógico, nós podemos sentir fome, e dor no estômago, mas não existem borboletas dentro dele para baterem assas. Eu comecei a rir enquanto Cait me encarava séria e repetia que um dia eu sentiria as tais borboletas no estômago. E eu disse entre gargalhadas que as minhas estavam todas mortas ou haviam caído em um sono profundo, tão profundo que ninguém era capaz de acorda-las.

Porém, eu senti cada borboleta dentro do meu estômago batendo suas assas coloridas depois que Oliver disse a Helena que eu era especial. E eu me senti flutuando novamente, igual me sinto quando Oliver me beija, me toca, e demonstra seus sentimentos.

Sei que Oliver está me encarando, minha pele esquenta e eu me controlo para não abrir meus olhos e fitar os dele, eles sempre me transmitem uma boa sensação. Seu celular toca e ele rapidamente atende. Era Diggle, eles se falam por alguns minutos e então Oliver desliga a ligação, e volta a conversar com Helena.

Ele pergunta por que Helena estava presa, mas ela desconversa. Apesar de ela não dar nenhuma resposta clara a Oliver, eu sinto que Helena está metida em algo muito grande, maior do que o poder que ela tem por ser uma agente da Cia. Oliver não insiste, os dois se despedem e antes de ela sair diz:

— Lembre-a que eu paguei minha dívida. — diz.

Se eu estou bem agora, depois do tiro que levei, Helena tem suma importância. Tenho certeza que de alguma forma ela ajudou. Ela sai e eu ouço o barulho da porta se fechar. Esta é a hora de eu dar sinal de vida.

— Oliver. — sussurro, e aperto seus dedos com força. Não tento fazer movimento algum, sei que vai doer, então espero o que parece eternidade, ele vira-se para mim e me encara com uma expressão de alívio do rosto.

— Hey, você está bem? — pergunta, olhando profundamente dentro dos meus olhos. Perco-me naqueles lábios que tanto desejo e depois mergulho nas profundezas do olhar que Oliver tem sobre mim.

Droga! Estou deixando transparecer o quanto ele mexe comigo. O quanto quero que ele me toque mais intimamente, e me beije como das últimas vezes. Viro meu rosto e noto uma fita adesiva no meu pulso, está marcado com caneta vermelha o meu tipo sanguíneo.

— Precisei de transfusão de sangue? — Oliver se aproxima ainda mais de mim, e apesar de eu querer sair correndo, para o meu próprio bem, ele consegue me prender com apenas um sorriso.

— Você nos deu um tremendo susto. — diz, ajeitando meu travesseiro. Sinto o corpo dele tão próximo, que é impossível não dividir do seu calor. Seu peito está tão perto do meu rosto, que me sinto tentada a toca-lo, mas me controlo. Isso já está ficando ridículo.

— Oliver, você pode se afastar um pouco? — ele avalia minha expressão. Aos poucos um sorriso ganha vida em seus lábios, ele se curva de modo que sua boca fique tão próxima, que posso sentir o hálito fresco de creme dental de encontro ao meu nariz.

— Isso lhe incomoda, Felicity? — pergunta, em um tom de total provocação. E posso sentir o quanto ele está rindo internamente de mim.

— Não me incomoda de forma alguma, você só está me sufocando. — rebato. Ele abre a boca para argumentar, mas eu o interrompo. — Que horas são?

— Quase oito horas da noite. — responde.

Um homem, que me parece ser o médico entra no quarto.

— Vejo que já está bem. — ergue minhas pálpebras e coloca aquela luz contra meus olhos.

— Eu já posso ir embora? — pergunto, depois da sua breve avaliação.

— Não vejo problemas. Pode sair quando quiser, meu trabalho está feito. — diz, e eu olho para Oliver, que está com os braços cruzados ao meu lado. O medico sai da sala com passos rápidos.

— Onde estamos realmente, Oliver? — ele suspira.

— Em um hospital clandestino. Íamos levantar suspeitas caso levássemos você há um hospital normal, estava tarde e você estava vestindo roupas de prisioneira. Helena disse que conhecia uma pessoa que podia nos ajudar, e eu só queria que você ficasse bem.

— Agora eu entendo. — murmuro, lembrando-me do que Helena disse antes de sair. — Preciso de roupas, quero sair desse lugar, ele fede defunto.

— Eu trouxe suas coisas. — Oliver vai até o canto da sala, onde tem um armário de lata, abre a porta e tira minha mochila de dentro. Volta até onde eu estou. — Me deixa ajudar você se levantar. — eu não argumento, o local onde levei o tiro dói, pouco, mas dói. Então sei que se eu bancar a durona, irei sentir dor. Por isso aceito a ajuda dele.

Ele tira o fino lençol que me cobre do caminho, e eu estou apenas com a roupa hospitalar. Seu braço desliza por debaixo das minhas costas, e o outro braço por de baixo dos meus joelhos. Ele me puxa com leveza. A vontade que tenho de aninhar minha cabeça em seu largo peitoral é tentadora, mas eu me controlo. É só isso que faço quando ele está por perto, me controlar.

— Quer que eu te ajude se vestir também? — sibila, perto demais do meu ouvido, causando um arrepio por todo meu corpo. Depois ele me coloca no chão. Mas eu ainda sinto minha pele ferver por onde ele tocou.

— Sou bem grandinha, posso me vestir sozinha. — retruco. Ele sorri com malicia estampada no rosto.

— Bom, caso mudar de ideia, eu vou estar do lado de fora. — sua mão segura minha cintura e ele beija meu pescoço.

Se eu já sentia calor antes, agora tomou proporções maiores. A parte que ele beijou começa a formigar e essa sensação se alastra por meu corpo inteiro. Eu odeio ser tão fraca quando estou perto dele. Fecho meus olhos e conto mentalmente até dez. Depois tiro a camisola fedida que uso. Procuro por roupas dentro da mochila e as vistos. Depois de sair desse lugar, tudo que vou precisar é de um banho.

— Oliver. — chamo, e em um piscar de olhos ele está dentro do quarto. — Para onde vamos agora? — ele pega minha mochila e me guia para fora do quarto.

— Vamos ficar em Moscou até Dig entrar em contato novamente. Tem uma pousada aqui perto, vamos ver se tem quartos disponíveis e ficar por lá mesmo. — responde.

— Tudo bem. Eu preciso mesmo descansar um pouco mais.

— Tenho certeza disso. — comenta. Colocando sua mão nas minhas costas e descendo até a lombar. Não fico incomodada com seu toque, apesar dele despertar mil e uma sensações no meu corpo. — Doutor. — chama o mesmo homem que entrou no quarto onde estava antes. — Quanto eu lhe devo?

— Nada, Helena deixou tudo pago. Eu chamei um taxi para vocês, já está os esperando.

— Obrigado. — agradece Oliver.

— Então Helena cuidou de tudo. — comento baixinho.

— O que aconteceu entre você e Helena?

— É uma longa história.

— Acho que terá tempo de me contar. — saímos do que identifiquei como uma padaria de fachada e entramos no carro. Eu contei todos os detalhes para Oliver, e ele disse que Helena nunca havia comentado sobre isso para ele. Nosso papo durou o caminho inteiro até a pousada que Oliver havia dito.

Desembarcamos do taxi depois que Oliver pagou a corrida e nos dirigimos para o interior da pousada. Ela tinha um clima agradável, e cheiro de cigarro e perfumes. Uma senhora atendia outros clientes no balcão. Fiquei prestando atenção em uma garotinha sentada numa poltrona no canto da recepção, ela estava brincando com dois bonecos.

Gosto de lembrar-me do meu tempo de criança, onde eu apenas brincava com mamãe e com meu pai, era tão bom aquele tempo, as coisas eram simples e normais, nada de assassinos procurados pela cia, apenas uma família que verdadeiramente se completava. Eu não consigo entender o porquê das coisas estarem desse jeito. Tão perturbadoras.

— Vamos? — acordei dos meus devaneios quando Oliver segurou meu ombro. Balancei minha cabeça e o segui até o elevador. — Você está bem?

— Sim. — respondo rápido. — E você?

— Também. Por que ficou tão diferente de repente?

— Não foi nada. Eu só quero tomar um banho, comer algo e descansar.

— Está bem. — as portas do elevador se abrem. — Tem um problema. — dispara, levanto uma das minhas sobrancelhas. — Só tinha um quarto disponível, vamos ter que dividi-lo.

— Não. — digo. Eu não posso ficar em um lugar tão pequeno junto com Oliver, isso não me fará bem, na verdade me fará perder o controle e ficar vulnerável como sempre fico quando ele está próximo.

— Sim. — ele abre a porta e me puxa para dentro do quarto, depois nos tranca. Eu ainda vou estrangular Oliver e pelo visto, não passa dessa noite.

— Oliver...

— Felicity... — ele segura meu ombro e me encara. — Apenas relaxe. Você está casada, precisa descansar.

Fico em silêncio, sei que não vou sair vitoriosa nisso. Olho ao redor.

Como previ é um lugar pequeno. Com um espaço para uma cama de casal, uma poltrona estofada azul, uma mesa redonda com duas cadeiras, um criado mudo, um armário no canto, o banheiro e dois corpos cheios de desejos reprimidos. As paredes são azuis — tipo o céu—, o chão é revestido com um carpete cheio de poeira. De jeito algum dormirei no chão.

Oliver joga nossas malas na poltrona. Tira a jaqueta e se joga na cama. Fico parada no centro do cômodo, com os braços cruzados e cogitando a ideia de expulsa-lo do quarto.

— O que foi Felicity? — pergunta, sentando-se na ponta do colchão. — Algum problema?

— Nenhum. — digo.

— Okay. Bom assim. — ele se levanta. — Eu vou comprar algo para a gente comer e passar em uma farmácia, comprar ataduras e esparadrapos para o seu ferimento. Está doendo?

— Um pouco, nada demais. — respondo. — Eu vou tomar um banho.

— Você vai ficar bem? — questiona, me analisando de cima a baixo, como seu fosse uma pessoa que ele devesse manter sob suas assas e proteger de tudo.

— Vou ficar bem. — respondi, virando-me e pegando minha mochila. — Não sou uma criancinha, e estou morrendo de fome.

— Tudo bem. — senti sua mão enlaçar o meu pulso e ele me puxou, sua outra mão descansou sobre minha cintura, e ele pressionou os dedos contra minha pele. Sua boca ficou tão perto da minha que eu nem sabia mais se estava respirando ou não.

Pensei que ele fosse dar o seu bote e me beijar, e por isso eu não recuei, eu queria sentir seus lábios e seus toques, quero isso desde a hora que acordei e o vi ao meu lado. Fitei seus olhos na expectativa de sentir seu beijo quente, ele deu um pequeno sorriso, e com a parte de trás dos dedos ele acariciou minha bochecha.

— Eu volto logo. — e então ele beijou minha testa. E eu fiquei petrificada o olhando pegar a carteira e sair do quarto, não sabia se ia atrás dele e o obrigava fazer as coisas certas ou se ficava encantada por seu gesto de carinho. Argh, Oliver está me deixando maluca, e agora vamos dividir o mesmo quarto, a mesma cama, eu não sou forte o suficiente para isso.

Deixei de pensar tanta besteira e abri minha mochila. Para completar minha terrível falta de sorte, minha roupa de dormir seria um suéter cinza e um short de seda. Suspirei e peguei minha frasqueira e as roupas, segui para o banheiro. Um banho irá me ajudar.

Quando sai do banheiro — me sentindo mais leve e menos cansada. —, Oliver ainda não havia chegado. Joguei as coisas que ocupavam a poltrona azul e me sentei nela, cobri minhas pernas com uma manta e fiquei olhando pela janela, o céu parece um amontoado se nuvens escuras que escondem todas as estrelas.

Ainda sinto dores onde levei o tiro, mas nada que eu não consiga aguentar. Encosto minha cabeça no encosto do sofá e fico absorvendo os últimos acontecimentos, desde o dia que invadi a base secreta da cia para capturar Malcom Merlyn, tudo era mais fácil antes de conhecer Oliver, mas pensando bem, eu nunca gostei do que é fácil, na verdade eu prefiro tudo que é mais complexo, difícil de resolver.

Sou tirada dos meus pensamentos — que ultimamente são todos direcionados a Oliver—, quando escuto o ranger da porta, me viro e o vejo entrar cheio de sacolas que logo são todas colocadas sobre a mesa.

— O vendedor disse que o nome disso é pelmeni, tem um cheiro bom, e a cara também é boa, comprei chocolates também. — diz, retirando tudo de dentro da sacola. — Preciso trocar o seu curativo. — levanta a mão e balança a embalagem de ataduras no ar.

— Isso é uma desculpa para tirar minha roupa? — questiono, erguendo uma das sobrancelhas. Oliver sorri, pega um pacote de papel e anda até mim sem tirar seu olhar do meu. Quando está perto da poltrona ele se agacha, segura o meu suéter e ergue o olhar para mim.

— Não preciso usar uma desculpa para tirar sua roupa. — minha cabeça não encontra nenhuma resposta pra devolver, então fico em silêncio, observando Oliver tirar o meu suéter, colocar em seu colo e começar a trocar meu curativo.

— Obrigada, por estar cuidando de mim. — digo, depois que ele termina de arrumar os esparadrapos sobre meu ferimento. Mais um motivo para eu estar me encantando por ele, Oliver parece meu anjo da guarda.

— Eu me importo com você, Felicity. — dispara, levanta-se e me entrega o meu suéter. — Você deve estar com fome.

— E estou. — digo, coloco minha blusa e levanto. Ignoro o olhar lascivo de Oliver sobre minhas pernas, e passo por ele. Puxo a cadeira e me sento. — Você não está?

— Claro. — se junta a mim, sentando-se a minha frente.

A comida estava realmente muito boa e nós jantamos em silêncio. Depois o deixei sozinho e fui até o banheiro, escovei meus dentes e voltei para o quarto, me deparei com Oliver sem camisa — minha nossa é impossível não olhar para o seu belo abdômen definido.

— O que foi? — pergunta, me encarando. Eu balanço a cabeça em negativa e me jogo na poltrona azul. — Eu vou tomar um banho.

— Tudo bem. — ele abre sua mala e retira uma calça de moletom, joga sobre o ombro e segue para o banheiro. Ouço a porta se fechar e logo depois os ruídos do encanamento.

Arrumo minhas coisas dentro da minha mochila, coloco-a sobre a poltrona e ando até a cama, puxo as cobertas e me deito, quero estar dormindo profundamente quando Oliver sair do banho. Apago a luz do abajur e me cubro até as orelhas.

Fecho meus olhos o mais forte possível, mas não adianta de nada. Arrumo os travesseiros de forma mais confortável, sem êxito também, não existe um vestígio de sono em mim, estou mais alerta do que nunca. Desisto e fito o teto, talvez assim o sono chegue.

Minutos se passam e eu escuto o barulho da porta, como pensei, Oliver sai do banheiro apenas com a calça de moletom escura, algumas gotas de água se acumulam sobre seus ombros e seus bíceps. Ele anda de forma impecável enquanto chacoalha os cabelos com a mão, termina de se secar, vai até o interruptor de luz e a apaga. Eu me aninho na cama, mas tenho certeza que ele me pegou no flagra, ou seja, babando por ele.

Escuto seus passos rápidos até a cama, ele puxa as cobertas e eu sinto um pouco de frio nas costas, não por muito tempo, pois logo sinto o calor do seu corpo me envolver como um convite para que eu me vire, gesto que eu não faço.

— Felicity. — ele murmura, eu fecho meus olhos e não respondo. — Sei que está acordada, eu percebi que você estava me olhando. — suspirei, ele sabe encher o meu saco como ninguém.

— Sério, tinha apenas um quarto livre? — Bufei e escutei seu sorrisinho debochado.

— Não. — dispara, o que me faz virar subitamente para o lado dele. Oliver está olhando para mim, os cantos dos lábios curvados em um sorriso presunçoso. — Tinha vários quartos vagos, Felicity.

— Eu não acredito que você fez isso. — sento-me na cama. — Eu vou arrumar outro quarto para mim. — levanto e ando com passos largos até a poltrona, pego minha mochila e sigo para a porta, quando estou a alcançando, Oliver para na minha frente como uma montanha rochosa.

— Você pode ficar aqui, não vou te agarrar. — argumenta. — Aluguei apenas um quarto porque queria cuidar de você. Fica aqui Felicity, não vou tentar nada com você.

Esse não era o problema, a verdade é que eu não confio em mim quando ele está por perto, ele me deixa tão fraca e tão dependente dele, e dos seus beijos e toques. Essa é a verdade, posso confiar nele, mas em mim — que sempre tive controle das minhas ações. —eu não confio.

— Fica? — ergo meu rosto e meus olhos encontram os dele, Oliver parece uma criança pedindo um doce e é impossível resistir.

— Tudo bem. — suspiro, totalmente derrotada, e o pior, derrotada por ele. — Mas deixe suas mãos longe de mim. — sigo até a cama e me deito.

Oliver se deita ao meu lado, virado para mim, fica me encarando, e toda minha pose de durona se desfaz, incrível a capacidade que ele tem de me desarmar.

— Por que você resiste tanto? — sibila, olhando dentro nos meus olhos.

— E por que você insiste tanto? — rebato. Oliver suspira, estica a mão e acaricia minha bochecha.

— Porque você vale a pena. — diz, quebrando toda a redoma que eu ergui em volta de mim para mantê-lo longe. — Boa noite, Felicity. — e ele fecha os olhos.

— Oliver? — murmuro, ele abre os olhos novamente. — Eu... É, eu... — não vou conseguir falar o que estou sentindo, isso é difícil demais, então, eu coloco minha mão atrás do seu pescoço e me aproximo dele, o puxo para mais perto, meus lábios tocam os dele e uma sensação maravilhosa se espalha por meu corpo e me faz desejar mais do que um beijo.

— E aquele papo de sermos apenas aliados? — provoca, com os lábios ainda sobre os meus.

— O que acontece na Rússia, fica na Rússia. — digo. Ele sorri e coloca seu corpo sobre o meu.

— É por isso que eu amo a Rússia. — e então seus lábios, que eu tanto desejo cobriram os meus, senti uma explosão em meu peito e meu coração batia muito rápido, minha respiração acelerou e minha reação foi colar meu corpo ainda mais ao dele.

Sua língua explorou minha boca em movimentos lentos, e eu queria mais, meu corpo pedia por mais, estava tomada por luxúria e tudo que desejava era que Oliver me tocasse e deixasse minha pele marcada por suas mordidas. Ele aprofundou o beijo, tornando-o mais avido e urgente. Suas mãos procuraram por meu corpo, e ele apertou minha coxa, e a ergueu, deixando-a presa no seu quadril. Eu gemi contra seus lábios e meus dedos apertaram com força seus ombros largos.

— Oliver.. — sibilei seu nome contra seu ouvido, e como se ele entendesse o que eu queria, seus lábios passearam por meu pescoço, fazendo meu corpo inteiro se arrepiar. Com a mão livre ele procurou pela barra do meu suéter e puxou para cima, eu lhe dei auxilio, porque tudo que eu desejava era livrar-nos daquele monte de tecido que apenas nos atrapalhava.

— Eu disse que não precisava de desculpas para tirar suas roupas. — murmurou, eu sorri. Realmente ele estava certo, pois apenas um toque dele fazia meu corpo reagir e eu parecer uma louca por sexo.

— Cala boca, Oliver. — sua mão desceu por minhas costas e ele abriu o sutiã, depois suas enormes mãos envolveram meus ombros e ele abaixou as alças da peça íntima, se livrou dela e fitou-me, seus olhos tinham um brilho intenso de desejo.

— Eu preciso te ver. — ele esticou a mão e acendeu a luz do abajur, seu olhar não saiu do meu corpo, e eu me sentia a mulher mais sortuda do mundo por tê-lo me desejando. — Você é maravilhosa.

Foi tudo o que ele disse antes de seus lábios encontrarem os meus novamente e sua língua se entrelaçar na minha em um beijo urgente, quente e lascivo. Minhas mãos desceram pelas laterais da sua barriga e eu segurei o cós da sua calça, mas ele segurou minhas duas mãos e ergueu, deixando-as presa acima da minha cabeça. Eu quase soltei um grunhido de frustração, mas Oliver começou a movimentar sua língua ao redor do meu mamilo, me fazendo gemer.

— Oliver. — resmunguei. — Isso é uma espécie de castigo?

— Talvez. — disse apenas. Começou a passear com a língua por minha pele, trilhando um caminho do vale entre meus seios até minha orelha.

Eu me sentia tão excitada que estava a ponto de clamar para senti-lo dentro de mim. Então, Oliver segurou meu short e abaixou, se livrou totalmente dele, me deixando apenas com a calcinha. Seus olhos me fitaram por inteira e eu já não tinha certeza se o que sentia por Oliver era apenas uma atração passageira.

Ele estava ajoelhado a minha frente, e eu rastejei até ele, fiquei de joelhos também e segurei seus ombros, olhei dentro dos seus olhos. Ele ergueu a mão e afastou meus cabelos do rosto, prendendo sua mão na minha nuca.

— As coisas vão voltar a ser como antes, depois que a gente ir embora da Rússia? — perguntou, ele me olhava com tanta expectativa e eu não tinha nenhuma resposta para lhe dar.

— Eu não sei. — murmurei. — Na verdade eu não faço a mínima ideia, mas Oliver... — aproximei meus lábios dos dele e senti seu braço enlaçar a minha cintura e me puxar para perto dele, sua pele quente roçou na minha e eu senti o quanto ele me desejava quando sua ereção pressionou contra a minha barriga. — Essa noite eu quero ficar com você.

— Você, Felicity Smoak, sabe me enrolar direitinho. — caímos na cama e ele ficou sobre mim, sua mão desceu até a fenda da minha calcinha e ele abaixou. Depois tirou sua calça e a cueca, lambi meus lábios quando seu membro saltou para fora da roupa. E meu corpo se encheu de expectativa.

Oliver ficou de joelhos entre minhas pernas. Suas mãos seguraram minhas coxas e ele as afastou. Segurei com força o lençol, e mantive meu olhar fixo nos olhos azuis de Oliver, e então senti seu membro deslizar para dentro de mim. Sua boca encontrou a minha e enquanto ele me beijava, seu membro fazia pressão dentro de mim, em moimentos ágeis e intensos.

A sensação que eu sentia era maravilhosa, não apenas pelo sexo ser gostoso, mas ainda mais por ser com ele. Oliver desperta milhões de sensações em mim, e me faz sentir uma mulher desejada e aceita, é isso, ele me aceita do jeito que eu sou e eu acho que isso me faz sentir coisas por ele. Talvez eu esteja apaixonada, e talvez eu possa dar uma chance para nós.

Oliver aumentou seus movimentos, sua mão agarrou minha coxa e eu soltei um gemido rouco contra sua boca. Segurei seus ombros e cravei minhas unhas em sua pele, isso o fez emitir um grunhido e aumentar o ritmo. Senti seus beijos pelo meu pescoço, ele mordeu o lóbulo da minha orelha e murmurou palavras indecentes e quentes que me fizeram ficar ainda mais excitada. Arqueei meu quadril e o senti penetrar mais fundo.

Gotas de suor começaram a se formar em nossos corpos. E nossa sincronia só aumentou. Nós precisávamos do sexo, não só pelo desejo que ambos sentíamos, mas porque na verdade o lugar onde nos entendíamos completamente era na cama.

Eu estava prestes a chegar ao meu orgasmo e tudo que queria era prolongar o momento. Oliver parou seus movimentos e eu o olhei frustrada, não sabia o que estava querendo. Gozar ou prolongar?

— O que está fazendo? — questionei.

— Nada, apenas isso. — ele me puxou e se sentou na cama, eu fiquei sobre ele, com as pernas ao redor do seu quadril. Ele jogou meus cabelos bagunçados para trás do meu rosto, seu polegar contornou meus lábios e ele me deu um beijo casto, depois me abraçou e seu rosto ficou afundado na volta do meu pescoço. — Porra, eu realmente gosto de você.

Segurei o rosto de Oliver e o fiz olhar dentro dos meus olhos. Eu nunca me declarei para ninguém, e não sabia se era a hora de falar, eu ainda sinto medo de abrir meu coração e falar coisas que sempre disse que não sentiria por ninguém.

— Gosto de você também. — declarei. Empurrei o corpo de Oliver contra o colchão. Suas mãos seguraram minha cintura e eu me movimentei sobre ele.

Quando senti que estava a ponto de gozar, curvei meu corpo e beijei Oliver, ele segurou meus cabelos e sua língua se movimentou dentro da minha boca com maestria. Ele virou-se e novamente estava sobre mim, com movimentos rápidos e fundos.

Eu cheguei ao ápice, e Oliver continuou seus movimentos, até cair ao meu lado ofegante. Me virei para ele, e ele para mim, ficou me olhando com um sorriso bobo nos lábios.

— A gente tem faíscas. — eu sorri.

— Não sei se esse é o comentário mais apropriado para depois do sexo. — comentei. Ele ergueu a mão e seus dedos acariciaram meu rosto.

— Você não vai fugir hoje?

O encarei por alguns segundos. E então deitei sobre seu peito confortável e quente. Dei mais um beijo em seus lábios e puxei a coberta sobre nossos corpos.

— Isso responde sua pergunta?

— Sim. — ele me abraçou e beijou o topo da minha cabeça. Fechei meus olhos e deixei meu corpo relaxar junto ao dele. Dormi escutando seu coração. E desejei o ter sempre por perto.

Notas finais
Gente, espero mesmo que tenham gostado do cap. Estou aguardando os comentários. Bjooos e até o próximo.