Notas iniciais
aqui tá o terceiro, por enquanto continua tudo como era... mas mais pra frente a história terá algumas guinadas diferentes das da última vez :D
enjooy (:

- Cara, você tá MUITO ferrado! – Gemeu Ray, que andava ao meu lado, a caminho da sala de álgebra.

- Por quê? Não deve ser tão difícil assim. – Murmurei, entrando na sala e me jogando em uma das mesas – O Gee aqui é irresistível para qualquer um meu bem, garoto ou garota.

Ray riu, mas não pareceu se convencer.

- Mas você sabe que com o Frank não é só sexo, ele tem que se apaixonar.

- É, eu sei. – Respondi, mordendo o lábio e tentando pensar – Na verdade eu não sei de nada. Puta merda eu não acredito que vou ter que beijar um garoto! Que nojo!

- Não tem diferença nenhuma – Disse Ray.

Me virei para ele, pasmo. Bob eu até entendo, mas RAY?

- Já pegou algum menino Ray? – Perguntei.

Ele riu, mas parou ao ver minha expressão.

- Não peguei desse jeito, só beijei uma vez, num jogo de verdade ou consequência.

Franzi a testa.

- Não foi nojento?

- No começo eu estranhei muito, mas depois deixei rolar. É a mesma coisa que beijar uma menina.

Voltei a olhar para frente, tentando me imaginar pegando um garoto. Não era uma boa visão.

O professor entrou na sala, e logo começou a escrever, sem nem dar bom dia. Pro inferno álgebra e seus professores.

Bem lentamente, comecei a copiar, completamente entediado. Minha mente viajava pelo que eu teria que fazer. Ah, fala sério, era o Iero-bicha! E eu teria que beijá-lo. E o pior de tudo é que eu teria que transar com ele. Transar. Como seria... comer um cara?

- Será que ele não podia ter escolhido outro? Tinha que ser o Frank? – Virei-me novamente para Ray, que babava escorado em um dos braços. Ele levantou subitamente a cabeça e passou as costas da mão pela boca.

- Cara, antes o Frank do que o Bob.

Eu odiava admitir, mas ele estava completamente certo.

O resto das aulas se passou muito rápido e finalmente o último sinal bateu. Eu e Ray fomos para o estacionamento, ele se despediu de mim e me desejou boa sorte. É, talvez eu realmente precisaria de sorte.

Não demorou muito para que Mikey e Frank se aproximassem do carro, como eu já estava sentado lá dentro, só percebi o olho roxo quando Frank se sentou ao meu lado, como novamente Mikey pedira.

- O que foi isso? – Perguntei por impulso, olhando meio horrorizado para o seu olho, agora inchado e meio deformado.

- Seu amiguinho, quem mais poderia ser? – Mikey disse irônico.

- Bob?

- E mais um outro cara que a gente não conhece. – Confirmou meu irmão, suspirando – Surpreenderam o Frank depois da aula de filosofia, eu tinha ido ao banheiro e...

Iero riu baixinho, mas parou e fez careta, como se sentisse dor.

- Não é sua culpa Miks – Sussurrou ele, parecendo fazer um enorme esforço. Desviei os olhos de seu rosto e percebi que suas mãos também estavam roxas e cortadas.

- Eu devia ter chegado antes – Culpou-se Mikey, olhando triste para os machucados do outro.

- Não ia fazer diferença nenhuma – Reconfortou-o Frank, escondendo as mãos nos bolsos, como se não quisesse ver Mikey pior – Você só ia apanhar também.

Mikey finalmente sorriu, então olhou para mim, parecendo lembrar-se apenas agora que eu continuava no carro.

- Nós não vamos para casa? – Perguntou ele, meio sarcástico.

- Ah, sim vamos – Me toquei então que ainda nem tinha ligado o motor do carro. Assim que eu comecei a dirigir, Mikey se aconchegou mais no banco de trás e fechou os olhos. Caramba, o balanço do carro dopa aquele garoto.

Em um sinal vermelho, meus olhos caíram novamente em Frank, que estava encolhido do jeito que podia, com as mãos ainda nos bolsos do moletom. Percebi então que não era só seu olho que estava roxo, mas seu pescoço e suas bochechas também. Eu posso zoar ele sempre, falar o que eu posso e o que eu não posso, mas nunca tinha levantado a mão, não daquele jeito.

- Você está bem? – Perguntei, um tanto sem jeito. Ele levantou os olhos para mim e um pequeno sorriso brincou em seus lábios.

- Estou ótimo – E então tossiu, ofegando de leve – Pode dizer para o seu amigo que já estou pronto para a próxima.

Levantou o pulso, como se bradasse. A manga do moletom que ele usava escorregou, mostrando hematomas roxos enormes e sensíveis.

- Não sou mais amigo dele – Retruquei, resolvendo começar logo com aquela baboseira de aposta. Antes dar uns pegas no Frank do que ser estuprado pelo Bob.

- Bem que você faz – Murmurou ele, pendendo a cabeça no banco e fechando os olhos.

Eu o fitei preocupado, enquanto voltava a dirigir. Ele parecia prestes a desmaiar, estava branco cera.

- Não me olhe assim – Sussurrou ele, ainda de olhos fechados – Você já fez pior que isso.

Meus olhos se arregalaram com a mentira. Nunca, em toda a minha vida, tinha batido nele.

- O quê?

Diante da minha raiva, Frank abriu os olhos.

- Nem sempre a dor que a gente demonstra é a mais forte Gerard. – Murmurou, me encarando sem expressão – No meu caso, nunca foi.

Eu pisquei, sem saber o que falar.

Passamos o resto da viajem em silêncio. Assim que eu estacionei o carro na garagem, Mikey acordou, parecendo desorientado. Ele olhou para Frank e soltou uma exclamação de horror.

- FRANK! – Gritou, segurando o rosto dele entre as mãos. Frank não respondeu.

- Droga, Gee, ele desmaiou! – Mikey saiu do carro e abriu a porta do carona, puxando Frank para cima. – Me ajuda, inferno!

Saí do carro e o contornei, afastei Mikey para o lado e peguei Frank no colo, ele era surpreendentemente leve para um garoto de dezesseis anos. Mikey ia a frente, abrindo as portas, para eu passar com um Frank ainda desacordado no colo. Subi as escadas e entrei no meu quarto, meio sem pensar. Deitei-o na cama, afastando com as mãos todos os papéis de bala e desenhos rabiscados.

- Frank? – Chamei baixinho, ficando sem resposta.

- Ele acordou? – Gemeu Mikey, ainda na porta, parecendo petrificado.

- Não – Murmurei – Mikey, me alcança o meu perfume.

Se ele estranhou meu pedido, não disse nada. Apenas me alcançou o pequeno frasco de vidro. Espirrei um pouco no meu pulso e coloquei na frente de Frank, deixando-o sentir o cheiro forte. Alguns segundos depois, ele arfou e abriu os olhos.

- Oh, Frank! – Disse Mikey, sentando-se na cama ao lado dele. Frank piscou desordenado e gemeu longamente.

- Preciso de um remédio – Pediu ele, levando as mãos à barriga e suspirando, como se aquilo o acalmasse.

- Primeiro um banho – Eu disse firme, olhando para seus machucados.

- Quê? Eu não tenho condições de levantar. – Protestou ele, me olhando emburrado. Então piscou e olhou ao redor – Onde eu to?

- No meu quarto – Respondi – E você tem que tomar um banho para fazer uns curativos nesses machucados.

Mikey se virou para mim com a testa franzida.

- Gee, o que você está fazendo? – Perguntou ele.

- Como assim o que eu estou fazendo? Tentando cuidar dele, oras! – Respondi, começando a me irritar – Vamos Frank, toma um banho aqui no meu quarto, e depois eu arrumo uns analgésicos pra você.

Mikey, sem comentar mais nada, ajudou Frank a se levantar e o levou até o banheiro. Depois saiu do quarto, murmurando algo sobre pegar roupas limpas.

Eu estava preocupado com Frank, de verdade. Mas a aposta ainda não tinha saído da minha cabeça, e de repente eu bolava planos para me aproveitar da situação. O que eu podia fazer para ele ficar logo comigo? Tudo o que eu sabia era que quanto mais cedo eu começasse, mas cedo ficaria livre de ter que me passar por gay.

- Miks? – Ouvi um murmúrio baixo, vindo do banheiro. Entrei sem hesitar, e vi Frank praticamente nu, apenas com uma toalha enrolada na cintura.

Ele tinha mais tatuagens do que eu tinha imaginado, seu tronco estava parcialmente coberto por elas. Os músculos eram definidos para um garoto de dezesseis anos, e a pele pálida parecia sedosa e macia. Bob tinha razão. Ele realmente era muito gostoso e... Gerard! Você não é gay, você não acha outros corpos masculinos gostosos. E você odeia o Frank, lembra? Não é por que você tem que pegar ele que pode começar a reparar nas... nas... curvas dele.

- Gerard, pode pedir pro Mikey vir aqui? – Pediu ele, ficando vermelho sob o meu olhar.

- Ele foi buscar roupas limpas. – Murmurei, então dei um passo à frente. Ao contrário do que eu imaginava, ele não se encolheu, apenas continuou me fitando, com aqueles enormes orbes amendoados.

- Ainda tá doendo muito? – Perguntei, olhando para seus machucados. Agora, que ele estava sem camisa, era perfeitamente visível os hematomas. Eu me sentia meio nauseado só de olhar.

- Não – Mentiu ele, fazendo uma careta em seguida.

- Quer ajuda pra ir lá para o quarto? Acho que a gente precisa passar aquele spray nessas marcas ai. Só a pomada não ajuda.

- Não precisa, eu posso ir sozinho – Ele sorriu trêmulo, e se arrastou alguns passos. Eu não conseguia entender como ele apanhara daquele jeito tão desumano.

- Como eles pegaram você? – A pergunta saiu sem querer, enquanto eu observava ele se sentar com dificuldade na cama.

- Eu tinha acabado de sair da sala, e o Bob veio com aquele papo de que eu ia pagar pelo que fiz a ele na hora do intervalo – Começou ele, estremecendo ao lembrar da história – Então ele pareceu... tentar me agarrar.

Arregalei os olhos para Frank, que riu baixinho e deu de ombros.

- É, eu sei que é estranho. Mas não acredito que o Bob estava tentando me ferir quando me prensou na parede e enterrou a cabeça no meu pescoço.

Assim que ele terminou de falar, meus olhos caíram sob seu pescoço, que tinha marca de chupões e mordidas.

- E depois? – Perguntei curioso, me sentando ao seu lado.

- Eu disse que tinha nojo dele e acho que cuspi, não lembro direito – Disse, parecendo confuso – E então veio o primeiro soco, e depois outro, e outro, e outro. Lembro que cai no chão, a dor estava insuportável demais, e ele e aquele outro menino começaram a me chutar. E só pararam quando o Mikey chegou.

- Tarde demais – Resmungou Mikey da porta. Olhei para ele surpreso, não sabia que ele já tinha voltado.

- Já disse que não foi sua culpa Miks! – Exclamou Frank, parecendo, pela primeira vez, irritado.

Mikey apenas balançou a cabeça, como quem decide deixar para lá, e atirou umas roupas no colo do amigo.

- Trouxe pra você.

- Obrigado – Murmurou ele, sorrindo para Mikey com tanto afeto que parecia que ele tinha acabado de salvá-lo de um incêndio ou algo do tipo.

- Você não existe Franks – Mikey riu – Vai precisar de ajuda com as roupas?

- Acho que sim – Disse Frank, que ainda sorria.

- Ah, espera ai – Eu falei, me levantando rapidamente – Vou buscar aquele spray que alivia a dor nos músculos. É melhor você deixar os machucados destampados, pelo menos por enquanto.

- Mas tá frio – Protestou ele, seus olhos tomados de um brilho infantil absurdamente... fofo.

Eu estava enlouquecendo, decididamente.

- Pode se tampar enquanto eu não volto – Apontei para o edredom.

- Obrigado – Ele sorriu do mesmo modo que tinha sorrido para Mikey.

Dei de ombros e sai do quarto, descendo as escadas até o banheiro social. Abri o pequeno armário branco e procurei a caixa de primeiros socorros que minha mãe preparara em caso de emergências. Depois de acha-la, peguei o tal spray. E aproveitei também para pegar uns analgésicos. Estava quase subindo o primeiro degrau quando o telefone tocou.

- Alô? – Falei, assim que atendi.

- Gerard? É a mamãe – A voz do outro lado falou – Que bom que já estão em casa. Tudo certo por ai?

- Não, mãe – Comecei, escolhendo as palavras com cuidado – O Frank apanhou na escola.

Afastei o telefone da orelha assim que ela gritou.

- Não foi você, foi? – Perguntou ela.

- Não, nem cheguei perto dele.

- Mas ele está bem? – A preocupação na sua voz era evidente.

- Agora acho que tá melhor. Mas ele desmaiou.

- Ai meu Deus, onde esse mundo vai parar! – Pude ouvi-la fungar baixinho – Ele está roxo?

- S-sim – Gaguejei, lembrando-me dos arranhões e dos hematomas.

Minha mãe suspirou, e eu tive sérias desconfianças de que ela estava chorando.

- Eu não posso sair daqui agora filho – Disse ela depois de um tempo – Mas cuide dele ok? O Frank agora é nossa responsabilidade. Se ele tiver muita dor, de aspirina, e se não passar, leve-o para o hospital. Ele pode ter fraturado alguma coisa interna.

- Tudo bem. – Murmurei, conferindo se o remédio na minha mão era mesmo aspirina.

- Tem almoço pronto na geladeira, é só esquentar. – Continuou ela, depois de uma breve hesitação – Vou para casa assim que puder, me ligue se acontecer algum problema. Algum outro problema.

- Pode deixar mãe, eu tomo conta das coisas por aqui.

- Isso, obrigado querido. Beijos, eu amo vocês.

Antes que eu pudesse responder, o telefone tinha ficado mudo.

Voltei a subir as escadas, mas parei um pouco antes de chegar ao meu quarto, ouvindo Mikey e Frank sussurrarem.

- Tem certeza que ele não tentou nada? – Perguntou meu irmão, parecendo preocupado.

- Não Mikey, hoje não – Frank suspirou pesadamente – Ele bem que tentou, mas eu estava mais preparado do que da última vez.

- Última vez? – Mikey quase gritou, ofegando em seguida. – O que aconteceu na última vez?

- Nada demais – O tom de Frank era superficialmente tranquilo.

- Frank! – Exigiu Mikey.

- É sério Miks, não aconteceu nada. – Disse Frank, mas depois de uma breve hesitação, continuou – Ele tentou, mas não teve tempo.

Mikey suspirou pesadamente.

- O que ele tentou?

- O de sempre Mikey! – Frank respondeu, meio grosseiro – Veio com aquele papinho que ia me ensinar a ser homem e... Bem, ele me prensou e tentou tirar minha camisa – Frank suspirou – Então arrancou meu cinto e... – De repente ele parou, e eu ouvi um lamento baixo. Me movi até conseguir vê-los por uma fresta na porta, eles estavam abraçados. – Mas um carro virou a rua e ele se assustou e me largou.

Assim que Frank terminou de falar, Mikey desfez o abraço, parecendo furioso.

- Ah, se um dia eu pego aquele maldito Bob!

- Voltei – Eu disse alto, entrando no quarto abruptamente. Frank e Mikey se viraram juntos para me olhar. O menor, que estava apenas de boxer, tinha as pernas enroladas no meu edredom.

- Miks, a mamãe ligou – Continuei falando ao entrar de vez no quarto e me sentar na beirada da cama – O almoço já está pronto, vocês querem comer agora?

- Acho que prefiro primeiro o remédio – Respondeu Frank, passando as mãos pelos machucados.

- Ah sim – Murmurei – Você pode se sentar reto, por favor?

Ao ver seu olhar confuso, agitei o spray em resposta.

Frank se sentou como eu pedira, e fez careta quando eu espirrei pela primeira vez.

- Dói? – Perguntou Mikey.

Frank balançou a cabeça negativamente, mas fez careta novamente quando eu passei o spray em suas costas cobertas de roxos.

- É gelado – Ele riu da própria criancice – E tá frio.

Mikey riu e um pequeno sorriso despontou dos meus lábios, e eu logo tratei de sumir com ele. Enquanto passava o spray, lembrei-me da conversa que eu tinha ouvido entre os dois. Pelo pouco que eu entendera, Bob tentara molestar Frank, ou até algo pior. Era isso que eu não entendia. Se Bob queria tanto ter Frank, por que apostara que justo eu pegaria ele? Era algum tipo de fetiche?

- Pronto Frank – Murmurei ao acabar de tratar os machucados dele. Sempre tomando cuidado para não tocá-lo. Em primeiro lugar por que eu não queria ir rápido demais, poderia assustá-lo. E também por que de certo modo eu não me sentia pronto para assumir um papel de gay. Frank tinha sentimentos, e ele se machucava fácil.

- Muito obrigado Gerard. – Ele ergueu os olhos amendoados e sorriu. – Posso tomar um remédio agora?

- Yeah – Respondi, alcançando um dos comprimidos para ele – Miks, pega água ali no frigobar, por favor.

Mikey serviu um pouco de água num copo e Frank tomou o remédio, fazendo careta novamente.

- Odeio tomar remédio.

- Prefere ficar com dor? – Perguntei meio sarcástico ao me sentar na cama novamente.

Frank riu.

- Não é isso, mas é que sempre parece que entala na minha garganta e tem um gosto amargo.

- Você parece um bebê Frank! – Eu exclamei, meio sem pensar. E recebi dois olhares confusos em troca.

- É o que as pessoas dizem – Disse Frank, dando de ombros.

Mikey continuava a me olhar confuso, com a testa franzida.

- Vamos almoçar? – Convidei, desconfortável.

- Vamos, to morrendo de fome – Mikey se levantou prontamente, mas Frank nem se mexeu.

- Acho que vou dormir agora, eu comi na hora do intervalo. – Disse o menor, enquanto lentamente jogava suas pernas para fora da cama. Eu o olhei sem entender.

- Você não ia dormir? – Perguntei confuso.

- Ainda vou – Ele riu, sentando-se – To tentando ir para o quarto do Mikey pra...

- Nada disso – Eu disse imediatamente – Dorme ai, quando você tiver melhor você vai.

Ele me olhou confuso, mas eu apenas o empurrei delicadamente pelos ombros, até que ele estivesse novamente deitado. Depois estendi o edredom, cobrindo-o.

- Vou apagar a luz – Avisei, enquanto me afastava da cama – Vamos Miks.

Mikey me seguiu para fora do quarto, e eu encostei a porta, deixando o pequeno em paz para descansar. Eu e meu irmão descemos para a cozinha e esquentamos nosso almoço, que estava uma delícia, por sinal. Minha mãe sempre teve uma ótima mão para cozinhar.

Depois de colocarmos as louças na máquina, nos jogamos no sofá da sala. Mikey ligou a TV e colocou em um filme de comédia. Eu não estava prestando muita atenção, só o que eu via era o Jim Carrey e ouvia as gargalhadas de Mikey.

Sim, meus pensamentos estavam em Frank. Eu sempre o odiei, e o repudiei, e achava que ele era forte para aguentar as humilhações constantes. Mas hoje, ao vê-lo daquela maneira tão frágil, percebi um certo sentimento protetor em relação à ele. E ainda tinha aquela maldita aposta, que eu teria que cumprir. Acredite, eu não sou nenhum sem caráter, nem nada do tipo, e não achava certo usar Frank, mas era isso ou ser estuprado por um cara que um dia eu considerei ser meu amigo.

As coisas realmente mudam em um dia.