A Aposta - Frerard
4 Four
Notas iniciais
enjoy.
Acabei adormecendo no sofá, perdido em um trilhão de pensamentos. Isso era umas 4:00 horas da tarde. E eu só acordei realmente quando senti uma mão acariciar meu cabelo delicadamente. Abri os olhos.
- Hm, já chegou mãe – Murmurei meio zonzo. Percebi que estava deitado no sofá, e sozinho.
- Sim filho – Disse minha mãe – Onde está o Frank?
- No meu quarto – Respondi, ignorando sua expressão de surpresa. Me levantei do sofá, meio cambaleante e segui em direção das escadas, com minha mãe nos meus calcanhares.
- Que horas são? – Perguntei, me arrastando ao subir os degraus. Eu ainda estava muito sonolento.
- Onze e meia da noite – Sussurrou ela, ao abrir a porta do meu quarto.
Frank dormia tranquilamente, com a boca meio entreaberta, os cabelos estavam assanhados, o que dizia que ele se mexera muito. Minha mãe acariciou seu rosto, então puxou delicadamente o edredom. Seus olhos se arregalaram e ela soltou uma audível exclamação de horror.
- Ai meu Deus, o que fizeram com ele! – Disse ela, chorando e voltando a tapá-lo. – Como alguém pode fazer uma crueldade dessas com ele? Justo com ele! Um garoto tão bom, tão meigo...
Ela começou a soluçar e eu a abracei, acariciando suas costas, para acalmá-la.
- Shh, mãe, ele já tá bem agora – Sussurrei, beijando sua testa.
Frank se remexeu na cama e abriu os olhos tremulamente. Então os arregalou.
- Tia, a senhora já chegou! – Ele foi se sentar, mas parou no ato, fazendo cara de dor.
- Oh pequeno! – Minha mãe se sentou na cama e o abraçou, tomando cuidado para não machuca-lo. – Não acredito que fizeram isso com você Frank!
- Tudo bem – Ele murmurou, seus olhos repentinamente se enchendo de lágrimas – Eu vou ficar bem, tia.
Minha mãe ainda chorava, abraçada à ele. Delicadamente, toquei suas costas.
- Mãe, vamos deixar ele dormir – Sussurrei. Minha mãe aquiesceu e se levantou, beijou Frank na testa e lhe deu um sorriso triste, retribuído pelo mesmo.
- Boa noite meus anjos – Ela me beijou também, e então saiu do quarto, fungando baixo.
Nós dois ficamos em silêncio durantes alguns segundos, ouvindo os passos dela se afastarem.
- Gerard, você pode me ajudar aqui? Meus músculos parecem feitos de chumbo – Frank finalmente falou, suspirando pesadamente ao terminar.
- Precisa ir ao banheiro? – Perguntei, sem me mexer.
- Não, preciso ir para o quarto do Mikey – Disse ele, sorrindo fraco.
- Dorme ai – Murmurei, sem olhá-lo nos olhos. – Vou ir lá para a sala, tava lá até agora mesmo.
- Não Gerard – Retrucou ele teimosamente – É o seu quarto, você é quem deve dormir aqui.
Ergui os olhos para ele e suspirei.
- Então tá. – Contornei a cama e me joguei ao seu lado, tomando cuidado para não machuca-lo. Me cobri também e olhei para ele ao notar sua confusão.
- O que? – Perguntei, sentindo as ondas de calor vindas do corpo dele – A cama é grande para nós dois.
Ele franziu a testa por um momento. Depois relaxou e deu de ombros.
- Ainda tá doendo muito? – Perguntei depois de um tempo, me ajeitando melhor na cama para olhá-lo.
- Um pouco – Respondeu Frank, suspirando pesadamente e se encolhendo.
- Tá tentando ficar menor do que já é? – O meu tom era divertido. Tratei de deixar isso claro para ele não se ofender.
- Quase isso – Ele riu – Mas é que eu to com frio mesmo.
Frio, calor, nós dois, mesma cama. Respire Gerard.
- Hum – Foi só o que eu consegui pensar em dizer. Então nós ficamos em silêncio, ouvindo os ruídos distintos que a casa fazia à noite.
- Por que você está fazendo isso Gerard? – Frank sussurrou, aproximando um pouco mais seu rosto do meu. Meu coração pulou algumas batidas.
- Isso o que? – Sussurrei de volta, percebendo então que sua aproximação não era uma coisa desconfortável. Isso me assustou um pouco.
- Me ajudando. – Começou ele, e, depois de uma breve hesitação, continuou – Não me leve a mal, mas você nunca... Entende, conversou comigo sem tentar me humilhar.
- Você preferia do outro jeito? – Perguntei, fitando seus olhos amendoados enquanto falava.
- Não, é claro que não. – Apressou-se a responder, corando sob a fraca luz da lua que entrava pela janela. – Eu só queria entender.
- Fiquei revoltado com Bob – Murmurei – Eu pensei que ele fosse gente boa. Pensei que ele fosse meu amigo. Mas não quero ter amigos que fazem isso com outras pessoas.
Quando eu terminei de falar, Frank sorriu e balançou levemente a cabeça de um lado para o outro.
- Que bom que você pensa assim.
- Assim como? – Questionei, sem entender.
- Que bom que você sabe que o que ele fez foi errado. Pra ser sincero, eu pensei que você o apoiaria.
- Por que eu faria isso? – Olhei-o chocado. Frank apenas riu.
- Olha tudo o que você já fez comigo Gerard. Todas as humilhações, todas as piadinhas, as fotos que tu tirou... Por sua causa eu não posso mais pisar em minha própria casa.
Encolhi ligeiramente os ombros ao notar seu tom magoado.
- Eu não pensei que fosse dar tanto problema.
- É, talvez você devesse pensar mais antes de fazer as coisas – Sugeriu, arqueando as sobrancelhas.
Suspirei.
- Me desculpe – Falei, desviando meus olhos dos dele.
- Não – Respondeu, suavemente, me levando a encará-lo incrédulo.
- Por que não? – Perguntei, irritado. Porra, eu tinha pedido desculpas, custava me perdoar?
- Por que não vai fazer diferença nenhuma – Explicou Frank, fitando meu rosto tão intensamente que me fez corar – Não vai me fazer esquecer de tudo.
- Você podia me dar uma chance – Retruquei sarcasticamente.
- É isso que você quer? – Perguntou ele, inclinando-se para perto de mim. Corei novamente com a proximidade.
- É – Respondi, firme – Quero te mostrar que eu não sou esse monstro que você pensa.
- Por quê?
- Como assim por quê? – A conversa estava me irritando novamente. Será que ele tinha alguma deficiência e não conseguia me entender?
- Por que você quer mudar agora? Achei que estava tudo certo pra ti do jeito que era.
- Pois não estava – Retruquei – Eu não sou daquele jeito. Eu posso ser legal quando eu quero.
Frank riu mais uma vez.
- Tudo bem então – Disse, puxando o edredom até cobrir seu queixo – Eu estou aqui pra quando você quiser ser legal. Boa noite.
- Boa noite – Murmurei, então acrescentei, para irritá-lo – E nada de me agarrar.
Sua risada soou fraca por causa do sono, mas eu percebi que ele não ficara magoado.
Talvez, só talvez, eu pudesse ser amigo daquele toco de gente, afinal.
Minha mente despertou subitamente quando senti um delicado suspiro perto da minha orelha. Abri os olhos.
Frank e eu estávamos próximos. Quero dizer, muito próximos. Ele estava deitado de bruços com os olhos bem fechados e a boca ligeiramente entreaberta. Pela primeira vez, reparei em seus lábios. Finos e avermelhados, delicados. Foi com um leve sobressalto que eu percebi que queria prová-los. Inclinei a cabeça, pressionando meus próprios lábios nos dele. Lambi-os delicadamente, pedindo passagem, que me foi concedida. Depois de um beijo calmo, afastei nossos lábios e beijei seu queixo, dando uma leve mordida ao terminar. Ele arfou, e eu pude ver que estava sorrindo. Desci com mais beijos, até chegar ao seu pescoço, onde lambi antes de morder com vontade, deixando uma pequena marca ali. Pude sentir suas mãos me apalpando deliciosamente, passando pelas minhas costas, até repousarem na minha bunda, onde um ele apertou. Gemi no seu ouvido, sentindo-o se arrepiar.
- Eu quero você Gerard – Sussurrou ele, com a voz tensa e sensual – Gerard, Gerard, GERARD!
Ofeguei ao abrir os olhos, piscando desordenado. Frank tentava me empurrar pelos ombros, enquanto eu olhava meio alucinado para ele. Tinha sido um sonho, apenas um maldito sonho.
- Desculpe – Murmurei ao perceber que tinha um dos braços em volta dele. Céus, como ele era quente e cheiroso.
EU NÃO SOU GAY, DROGA!
- Tudo bem – Disse, completamente sem graça. Se levantou da cama, fazendo algumas caretas de dor, então olhou para baixo e corou fortemente.
- Vou te deixar sozinho, para tomar um banho ou ér, se aliviar – Ele corou ainda mais e se afastou, pegando a camiseta que Mikey tinha trago para ele – Obrigado por tudo Gerard.
Mais do que de pressa ele saiu do quarto, fechando a porta ao passar.
Olhei para baixo e as palavras dele fizeram sentido.
Eu estava desperto. Bem desperto. Apenas por que tinha sonhado com Frank Iero.
Suspirei ao entrar em um banho gelado. Eu não queria me aliviar, por que eu pensaria nele, e seria a coisa mais estranha que eu faria na vida.
Tomei um banho, me recompus, escovei os dentes e sequei meu cabelo no secador. Depois fui para o quarto e comecei a me vestir, de um jeito distraído. Já estava me maquiando quando ouvi uma batida baixa do outro lado da porta.
- Entra – Eu disse, me virando para receber quem quer que fosse. Era Miks. Estava meio corado e ajeitava os óculos com frequência.
- Gee, posso falar com você?
- Claro maninho – Terminei de delinear os olhos e me sentei na cama, batendo no colchão, convidando-o a me imitar – Pode falar.
- É que... – Ele começou, tímido, ainda ajeitando os óculos – Eu queria te agradecer, entende, por ontem.
Abri um pequeno sorriso, tentando me lembrar da última vez que conversara tranquilamente com meu irmão. Ao deixar meus preconceitos falarem mais alto, perdi grande parte, senão todo, o contato que eu mantinha com ele.
- Não tem nada pra agradecer Miks – Eu disse, passando as mãos pelos seus cabelos sedosos – Eu estou tentando... uh, me tornar uma pessoa melhor.
Mikey sorriu.
- Que bom mano – Ele apoiou a cabeça no meu ombro e suspirou – Eu tava sentindo sua falta.
Continuei acariciando seus cabelos, sorrindo comigo mesmo. Eu também sentira muito a falta dele.
- MENINOS, TÁ NA HORA! – Pude ouvir minha mãe gritar do andar de baixo. Mikey e eu sorrimos um para o outro e nos levantamos.
- O Frank não vai na aula – Comentou ele, enquanto esperava eu pegar minha mochila.
Parei o que estava fazendo e me virei para ele.
- Por quê?
Mikey me encarou desconfortável, e começou a ajeitar os óculos.
- Ele tá com medo – Disse, sem me olhar — Pode não assumir isso, mas eu sei que está.
Mordi o lábio, sem saber o que fazer. Ganhar a confiança dele deveria ser o primeiro passo, certo?
- Vou lá falar com ele – Murmurei para Mikey, que ergueu as sobrancelhas para mim. — Talvez eu possa ajudar.
- Boa sorte – Ele falou, dando de ombros e abrindo a porta – Ele tá no meu quarto.
Sorri para o meu irmão e coloquei a mochila no ombro antes de partir para seu quarto. Hesitei, mas decidi bater na porta antes de entrar.
- Mikey? – Pude ouvir a voz de Frank. Ele parecia confuso.
Abri uma fresta na porta.
- Sou eu Frank – Murmurei, deixando-o ver meu rosto – Posso falar com você?
Frank estava sentado na cama de Mikey, com um livro no colo. Ele assentiu com a cabeça e se ajeitou, dando-me espaço para sentar ao seu lado.
- Como você está? – Perguntei fitando seus olhos amendoados.
- Bem – Ele sorriu, e não pareceu desconfortável com a minha presença – E você?
Dei de ombros, como se não importasse. O fazendo rir.
- Por que você não vai pra escola Frank? – Sua expressão mudou ao me ouvir. Seus olhos ficaram tristes imediatamente, e ele soltou um suspiro pesado.
- Não quero ver o Bob – Sussurrou – Tenho medo do que ele possa fazer.
Frank se encolheu, estremecendo. Eu me lembrei da conversa dele com o Mikey, e percebi que ele não estava com medo de apanhar, mas de outras coisas.
- Você não pode ficar em casa para sempre Frank – Eu disse, tentando escolher as palavras certas para convencê-lo – Não pode viver com medo.
- É eu sei – Ele encarou o chão – Mas eu já passei por tanta coisa, e já me reergui tantas vezes que... fico me perguntando se é mesmo necessário voltar a viver.
Meus olhos se arregalaram, tanto de surpresa quanto de culpa. Eu infernizei a vida dele por anos, e nunca me importei com seus sentimentos. E agora eu os via ali, refletidos nas lágrimas que ele se controlava para não deixar escapar. Lembrei-me da nossa conversa ontem, do seu tom magoado. Repassando tudo o que acontecera, eu não achava nenhuma razão para tê-lo maltratado tanto desde que nos conhecemos. Ele nunca me fizera nada.
Eu era um monstro.
- Me desculpe – Repeti o que dissera ontem, percebendo que o perdão dele era essencial pra mim nesse momento. Meus olhos marejaram-se e antes que eu pudesse impedir, algumas lágrimas já rolavam pelo meu rosto – Eu fui um idiota com você. Você nunca me fez nada e eu agia daquele jeito. Eu te machuquei e...
Interrompi minhas palavras quando senti seus braços me envolvendo delicadamente, como se tivesse segurando algo extremamente frágil. Demorei alguns segundos para retribuir o abraço, mas seu cheiro delicioso era irresistível, até pra mim. Deixei que minha cabeça pendesse no seu ombro e passei meus braços em volta dele também.
- Frank, eu... – Tentei, sentindo minha voz embriagada pelas lágrimas – Eu sinto muito, por tudo.
- Tudo bem – Sussurrou ele perto do meu ouvido, fazendo um arrepio involuntário percorrer meu corpo. Frank levou uma de suas mãos até os meus cabelos, acariciando-os lentamente – Eu te perdoo, já passou.
Suas palavras me fizeram chorar mais ainda. Frank era sempre tão doce, estava sempre disposto a perdoar qualquer coisa, por mais desprezível e dolorosa que ela tenha sido para ele. Como eu pudera magoar alguém como ele?
- Eu... não quero mais ser daquele jeito – Murmurei, fungando baixinho, ainda abraçado a ele – Me ajude, por favor Frank.
- Eu estou aqui – Disse ele, ainda acariciando meus cabelos – Vou estar aqui para o que você precisar Gerard, você sabe que sim.
No fundo, eu percebi, realmente sabia que ele me apoiaria, por mais horrível que eu fosse. Ele nunca retrucava minhas ofensas, sempre amenizava as brigas entre eu e meu irmão e fazia de tudo para me deixar a vontade com ele. Mas, como idiota que eu sou, o repelia de todas as formas possíveis. Eu não merecia nem um olhar sincero dele, quanto menos um abraço.
- Obrigado – Eu disse, me afastando dele contrariado. – Por tudo. Por me perdoar e tudo mais. Eu sei que isso não vai te fazer esquecer, mas eu vou melhorar, eu prometo.
Ele sorriu.
- Por nada Gerard.
Estiquei a mão para tocar seu rosto com a ponta dos dedos. A surpresa estava em seus olhos, mas ele não reclamou, nem se afastou.
- Vamos pra aula – Sussurrei, ainda fazendo carinho naquela pele tão macia e... GERARD! – Ninguém vai te fazer mal nenhum, eu juro.
Ele abriu o sorriso mais lindo e mais sincero que eu já tinha visto.
- Obrigado – Então se inclinou para mim, tão rapidamente que, por segundos, pude jurar que ele ia me beijar. Mas seus lábios quentes tocaram a minha bochecha, antes dele se levantar e ir ao banheiro, murmurando algo como ter que se arrumar.
Notas finais
obrigada por tudo,
xoxo
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