Notas iniciais
pequenininho, era pra eu ter postado junto com o six, mas me esqueci, então :S:S
volto amanhã com mais!
enjoy

Quando eu acordei, estava sozinho na cama. Minha garganta ardia desconfortavelmente, e minha cabeça girava. Levantei-me cambaleando um pouco, demorando para conseguir focalizar a visão. Então fui tomar um banho, rezando por um analgésico e um café forte. Aproveitei a água quente e relaxei meu corpo, que parecia doer também.

Eu decididamente tenho que parar de ir a festas em dias de semana.

Sai do box, me sequei e pus um agasalho. Não tinha a menor ideia de que horas eram, mas não iria sair de casa de jeito nenhum. Me sentei na cama para colocar um par de meias, já que estava realmente muito frio. Depois desci para a cozinha.

Encontrei Frank lá. Ele estava cozinhando, e um cheiro delicioso de café preenchia o ambiente. Mordi o lábio, ele ainda não tinha me visto, pois estava de costas para mim.

Que se dane, hora de fazer o que eu tenho vontade.

Aproximei-me sorrateiramente, para que ele não me visse, e segurei sua cintura com as duas mãos, apoiando meu queixo em seu ombro.

Ah, esse maldito perfume!

- O que está fazendo? – Perguntei, fingindo não perceber como ele estremeceu ao meu toque. Ok, talvez isso não fosse normal.

- Ca-café – Gaguejou Frank, então respirou fundo e continuou – Me deu fome e não tinha nada pronto para comer, então... vim co-cozinhar.

Se eu estava satisfeito por ele ter gaguejado por minha causa? Sim, eu estava muito satisfeito.

- Hm – Fiz, observando-o se arrepiar quando minha respiração quente bateu em seu pescoço – Vai demorar para ficar pronto?

- N-não – Disse ele, gaguejando novamente.

- Vou lá na sala, quando tiver pronto você me chama? – Pressionei meus dedos com mais força na pele sensível da cintura dele, sorrindo ao vê-lo arfar de leve.

- Chamo sim. – Frank respondeu baixo, com a voz um pouco trêmula, me fazendo sorrir.

Me afastei dele e fui para a sala, ainda com um sorriso meio idiota no rosto. Pelo visto eu não era o único a sentir coisas estranhas quando estávamos juntos.

Joguei-me no sofá e zarpei pelos canais, desinteressado. Até decidir colocar em um programa de música, não muito bom por sinal.

- Gerard? – Depois de certo tempo, ouvi a voz tímida de Frank vindo da porta da cozinha, virei-me para ele.

- Hm?

- Tá pronto o café. – Disse ele, sorrindo de canto.

- Ah, que bom, to morrendo de fome – Levantei do sofá e fui para a cozinha, puxei uma cadeira e me servi de café.

- Tem muffins – Frank me estendeu uma bandeja – Fui eu quem fiz.

Olhei-o surpreso.

- Sério? – Curioso, peguei um muffin e provei. Estava delicioso – Tá uma delicia, cara.

- Valeu – Ele ruborizou e se sentou ao meu lado, com uma caneca de café e um muffin também. Quase sem querer, segui os movimentos dele com os olhos. O jeito delicado que ele pegava o doce e o levava a boca, lambendo primeiramente a cobertura, para depois morder a massa e então passando a língua pelos lábios, de um jeito quase provocante.

Pigarrei baixo e desviei os olhos de Frank, concentrando-me na minha própria comida.

- Você e o Mikey vão sair hoje? – Perguntei casualmente.

- Acho que não – Respondeu-me ele – Tá muito frio.

- Sem planos então?

- O Mikey tava falando de assistir uns filmes e pedir pizza. – Disse ele vagamente, levando a caneca à boca, parecendo pensativo. – E você? Vai sair?

- Não – Fiz careta – Saí ontem e estou muito arrependido. – Coloquei a mão na cabeça, que ainda doía.

- Ah, tinha me esquecido – Frank se levantou da cadeira e pegou uma embalagem que estava em cima da pia. Analgésicos. – Mikey ligou e pediu para eu te dar isso, se você acordasse com muita dor.

Peguei o remédio agradecido e o tomei, com café mesmo.

- Por que Mikey ainda não chegou? – Perguntei, percebendo que já eram duas da tarde.

- Ele ficou na escola, para fazer um trabalho extra curricular – Falou Frank – Nerd.

- Sério? – Perguntei incrédulo – Hoje é sexta feira!

- É, mas Mikey é doido – Frank balançou a cabeça e riu – Não pode ver um livro que tem que ir correndo atrás.

Eu ri também, apenas para acompanhá-lo e ele ergueu os olhos, encontrando o meu olhar. Mordi meu lábio, vendo-o fazer o mesmo, enquanto nos encarávamos e o silêncio perdurava na cozinha. Percebi que minha respiração tinha falhado um pouco e desviei os olhos, sorrindo de canto ao vê-lo baixar a cabeça.

Eu queria entender, só um pouquinho, tudo o que eu sinto por ele. Não sei se é bom ou se é ruim, nem se me faz bem. Sei que me deixa confuso e é diferente. O sentimento desabou sobre mim tão de repente que eu nem tive tempo de pensar sobre ele. Nunca demonstrei interesse por garotos, e sempre odiei os gays. Por que então eu estava sentindo isso justo agora?

Meus pensamentos perturbados foram interrompidos pelo toque do meu celular.

- Alô? – Falei assim que atendi.

- Vampiro, por que não foi na aula? – Ouvi a voz de Ray, parecia brincalhona – Perdeu a prova mané.

- Eu sei – Suspirei – Culpa sua Ray, por me arrastar para aquela festa ontem. Não consegui acordar e tava com uma puta ressaca.

Ray riu escandalosamente.

- Ah, coitadinho, não conseguiu acordar foi? – Ele riu mais um pouco, me deixando meio irritado. – Não te obriguei a beber.

Rolei os olhos, decidido a não deixá-lo me irritar mais, como ele sempre faz.

- Como foi a prova? – Perguntei.

- Cheia de números — Respondeu ele entediado. – Uma chatice, mas não tava difícil.

- Menos mal.

- E o que nós vamos fazer hoje?

- Eu não quero sair – Falei firme.

- Ah, é sexta feira! Não vou ficar em casa sozinho.

- Então vem pra cá traste – Eu disse, rindo – Mikey e Frank pretendem locar uns filmes, vamos assistir com eles.

Levantei uma sobrancelha para Frank enquanto falava e ele abriu um pequeno sorriso, indicando que concordava.

- Hey, com Frank? – O tom de voz de Ray mudou e ele pareceu cauteloso – Você tá naquela onda da aposta e pretende...

- A gente se fala mais tarde – Cortei-o imediatamente, temendo que Frank ouvisse alguma coisa – Aparece lá pelas cinco.

- Ah, ok. Até. – Ray pareceu entender que eu não podia falar naquela hora.

- Até.

Desliguei o celular depois de me despedir e voltei meus olhos para Frank, que ainda comia.

- Hey Frank – Comecei, escolhendo as palavras – Obrigado por hoje.

Ele sorriu e deu de ombros.

- Não foi nada.

Deixei que meus olhos se perdessem nele, até ficar constrangido e decidir me levantar.

- Vou subir para dormir mais um pouco. – Avisei-o – Quando o Ray chegar diz pra ele subir.

- Ok – Ele se levantou também e sorriu mais uma vez. Talvez soubesse que tinha um sorriso perfeito.

Estiquei a mão e baguncei seus cabelos, o fazendo rir, então sai da cozinha e fui direto para o meu quarto, caindo na cama e suspirando.

Será que eu ainda vou conseguir entender o que sinto por aquele pequeno ser?