A Aposta - Frerard

8 Eight - Frank's P.O.V


Notas iniciais
mais um pra vocês!
ainda não tem muitas mudanças "radicais" mas um dos próximos capítulos não existia antes okay?
espero que dê pra entender!
enjoy (y)

- Frank? Terra chamando Frank! – Mikey chamava, mas eu não tinha vontade de voltar meus olhos para ele, por que sabia que ele notaria que eu estava estranho.

- Hm? – Fiz, olhando para o chão.

- O que você tem cara? – Perguntou ele, parecendo confuso. Me virei para encará-lo e dei de ombros.

- Nada.

- Tá, sério, e o que aconteceu?

- Já disse, não foi nada Mikey – Falei rispidamente – Para de encher.

- Foi o Gee né?

- Não – Respondi rápido demais. Mikey, que estava deitado com a cabeça no meu colo, se levantou em um pulo.

- O que ele fez?

- Não fez nada – Falei, usando meu melhor tom de voz entediado. Não queria dividir minhas dúvidas com Mikey.

- Ele te ofendeu? – Perguntou Mikey, me olhando firmemente – Brigou com você?

- Não – Eu disse, olhando-o irritado – Não aconteceu nada Mikey, que droga!

- Por que você não me fala? – Mikey falou, com seu tom de voz arrastado e manhoso – Não confia em mim?

Cara, chantagem emocional era jogo baixo.

- O Gerard só tá um pouco diferente comigo – Respondi finalmente o que ele tanto queria saber. É claro que o “um pouco diferente” foi bondade minha.

- Diferente como? – Perguntou Mikey, curioso, já voltando ao tom de voz normal.

Dei de ombros.

- Sei lá, hoje ele pediu pra eu ficar na cama com ele e... – Comecei a falar, decidido a contar tudo, quando Mikey soltou uma exclamação audível.

- Como assim?

- O Gerard tava deitado na cama, e quando eu já tava quase fora do quarto, ele pediu pra eu ficar com ele. Ai me deitei e a gente se abraçou. – Expliquei, desconfortável diante dos olhos arregalados de Mikey.

- Não acredito – Meu melhor amigo falou depois de um tempo – Sempre pensei que ele te odiasse.

Ergui o polegar para ele, sorrindo ironicamente.

- Aconteceu mais alguma coisa? – Perguntou Mikey.

- Depois que ele dormiu eu desci para a cozinha e quando ele acordou... – Deixei a frase no ar, tentando entender o que tinha se passado – O Gerard me abraçou pela cintura, tipo, por trás.

Mikey arregalou novamente os olhos e soltou uma sonora gargalhada.

- Quê? Ele tentou de agarrar Frank?

- Não sei – Falei, rindo também, percebendo o quão idiota aquilo soara. – Mas ele tá agindo estranho comigo.

Mikey parou de rir e voltou a se deitar no meu colo, pegando a revista em quadrinhos que ele tinha largado momentos antes.

- O Gee sempre foi meio estranho – Disse ele – Muda de uma hora pra outra.

Mordi os lábios, sem jeito para continuar a falar.

- Lembra aquela noite que eu apanhei e a gente dormiu na mesma cama? – Eu comecei a dizer, ainda sem jeito – No outro dia ele acordou... sabe...

Eu comecei a rir, não conseguindo terminar a frase. É claro que Gerard Way não tinha acordado excitado por minha causa. Ele deve ter sonhado com... garotas.

- Acordou como? – Perguntou Mikey, que ainda não tinha entendido.

- Daquele jeito que as pessoas acordam quando tem sonhos eróticos – Falei de uma vez, olhando para o teto.

Mikey fez um barulho esquisito com a boca e logo começou a rir.

- Uh, Gerard cedendo aos seus encantos. – Seu tom sarcástico me fez estreitar os olhos.

- Não estou dizendo isso, mas é que foi estranho.

- E você gostou né? Do abraço e do...

- Quê? – Cortei-o, sentindo que estava ruborizando. – Para de falar besteira Miks.

- Gostou sim que eu sei – Continuou Mikey, rindo maliciosamente – Você arrastava um bonde por ele antigamente.

- Cala a boca. – Mandei, começando a me irritar. Não era legal me lembrar da época em que eu era apaixonado pelo garoto que me odiava. Era menos legal ainda perceber que eu não posso mais usar o verbo no passado.

- Tá bom então – Miks falou, deixando bem claro que tinha certeza que eu havia realmente gostado – Vamos falar de outro assunto.

Rolei os olhos para a teimosia dele.

- Que filmes a gente vai assistir? – Perguntou Mikey depois de um tempo em silêncio.

- O Massacre da Serra Elétrica! – Meus olhos brilharam enquanto eu falava o nome do meu filme preferido.

- De novo? – Miks fez careta – Você vê esse filme sempre. Nunca enjoa?

- Não – Dei de ombros – Não se enjoa do que é bom.

Miks rolou os olhos.

- Vamos assistir um que a gente ainda não tenha assistido – Disse ele, me fazendo olhá-lo com minha melhor carinha de cachorro sem dono. – E essa carinha de anjo não funciona comigo Franks!

- Não? – Falei manhoso, me inclinando sobre a cabeça dele e piscando os olhos lentamente – Não funciona nem um pouquinho?

- Você vai mesmo me seduzir Mr. Iero? – Mikey disse, levantando novamente do meu colo e se sentando defronte a mim.

- Só se você quiser – Dei de ombros, sorrindo de lado.

Mikey e eu nos encaramos por alguns segundos, até ele se jogar em cima de mim, rindo alto e apertando a minha cintura, enquanto eu segurava sua nuca com as mãos.

- Você sabe que eu te seduzo – Brinquei, aproximando nossos rostos.

- Prova – Disse Mikey, parando de rir para fazer sua melhor expressão maliciosa.

Tendo a deixa, aproximei meu rosto do seu e rocei nossos narizes, o fazendo sorrir. Então lentamente colei meus lábios aos seus, em um simples selinho. Por que Mikey e eu não éramos um casal, a gente não se gostava nem nada. Era só amizade, e nós tínhamos um jeito próprio de demonstrá-la. Além do mais, Mikey é o cara mais hétero que eu conheço.

- Que porra é essa? – Reconheci a voz chocada de Ray, que tinha chego alguns momentos antes e logo subido para falar com o Gerard.

Mikey saiu de cima de mim, enquanto eu me ajeitava no sofá, muito corado. Ergui os olhos para a escada e corei mais ainda ao perceber o choque estampado no rosto de Gerard, que parecia petrificado.

- Ahhn – Fez Mikey, que também estava sem jeito – A gente só tava... ahn...

- Se beijando – Gerard falou, e sua expressão mudou de choque para desdém – Sempre soube que vocês se pegavam de vez em quando.

Ele terminou de descer as escadas e foi para a cozinha, com Ray atrás dele.

- Droga – Sussurrei, escondendo a cabeça entre as mãos – Foi mal Miks.

- Tudo bem – Disse ele, sentando-se ao meu lado e se apoiando em mim – Não foi nada demais, daqui a pouco ele esquece.

Soltei um suspiro e mirei a TV, sem qualquer interesse. Quando finalmente minha relação com Gerard parece melhorar, acontece isso. Definitivamente eu não tenho sorte para nada.

O resto da tarde se passou rapidamente, a tia Donna chegou do trabalho, mas logo saiu, dizendo que ia a um happy hour com umas amigas. Assim que a porta bateu, Gerard e Ray se juntaram a nós no sofá da sala.

- Vamos assistir um filme agora? – Perguntou Gerard, que não olhava para mim de jeito nenhum.

- Pode ser – Disse Mikey, que estava conversando com Ray sobre alguma coisa que eu não tinha a menor ideia – Vou preparar umas pipocas, você pode ir na locadora Gee e o Frank pega os cobertores e os colchões.

- E eu? – Perguntou Ray.

- Vá com o Gee – Mikey sorriu e foi para a cozinha – E passem no mercado, o refrigerante acabou!

Depois de mais ou menos meia hora, os colchões estavam arrumados, o refri e os filmes em casa e a pipoca pronta.

- E o chocolate? – Pedi, fazendo biquinho para Mikey, que riu.

- O Gee vai trazer lá da cozinha.

Assenti e coloquei o primeiro CD no aparelho de DVD. Qual era? O Massacre da Serra Elétrica, óbvio!

Gerard veio da cozinha com o chocolate e a bacia de pipoca e Ray deu play no filme. Sentamos assim: Gerard, eu, Mikey e Ray.

Eu estava um pouco nervoso por estar sentado entre os dois Way’s, ainda mais pelo que tinha acontecido mais cedo. Mas enfim, o filme começou e eu olhava hipnotizado para as cenas já tão conhecidas. Nós assistimos em silêncio, e quando acabou, Ray e Mikey já dormiam.

- Quer ver outro filme? – Perguntou Gerard, se espreguiçando.

- Acho que não, o Ray e o Mikey já dormiram – Falei, notando com certo desconforto que realmente só estávamos eu e ele acordados.

- Ah, ok – Disse Gerard, que ainda não olhara para mim, o que estava me deixando irritado – Mas não estou com sono.

- Nem eu.

Meus olhos estavam cravados nele, aproveitando a penumbra da sala, para que ele não percebesse. Por que a mudança tão repentina dele comigo? O que tinha acontecido para ele de repente decidir que queria ser meu amigo?

- Quer ir lá na cozinha? – Perguntei.

- Pode ser – Disse ele, dando de ombros.

Nos levantamos e fomos até a cozinha. Enquanto eu ligava a luz, ele pegava algo para beber na geladeira.

- Quer? – Ofereceu, esticando o braço, que trazia uma latinha de coca cola.

Neguei com a cabeça e olhei em volta, vasculhando os armários abertos com os olhos.

- Onde estão os doces? – Perguntei, sentindo o meu corpo implorar por glicose.

- Lá em cima – Gerard apontou para os armários – Mamãe guardou eles ali ontem. Mas acho que você não alcança.

Mordi os lábios, odiando eternamente minha falta de altura, e me coloquei na ponta dos pés, erguendo as mãos ao máximo. Ainda assim não consegui abrir a porta do armário.

Já estava preparado para admitir a derrota e pedir para Gerard pegar os doces para mim, quando senti novamente sua mão na minha cintura, seu corpo colado ao meu enquanto ele facilmente abria o armário e puxava de lá de dentro um pacote de ursinhos de gelatina.

Ainda me prensando contra a bancada da pia, Gerard jogou o pacote na mesa e apoiou a cabeça no meu ombro.

- Pronto baixinho – Disse, enviando arrepios ao meu corpo por causa da nossa assustadora proximidade. O que ele queria, afinal?

- Obrigado – Murmurei, tentando, sem muito empenho, me soltar do seu abraço.

- Posso te perguntar uma coisa? – Pediu ele, sem demonstrar nenhuma vontade de se soltar de mim.

- Pode – Respondi, desistindo de tentar me soltar e me apoiando na bancada.

- O que você tem com meu irmão? – Perguntou ele, arfando um pouco quando terminou de pronunciar.

- Nada – Falei, firme – Somos só amigos.

- Amigos que se beijam? – Disse ele, com ironia.

- Foi só um selinho – Disse eu, começando a me irritar – Por que você se importa?

Gerard ficou em silêncio por alguns instantes.

- Por que não quero ter um irmão gay – Respondeu enfim.

Rolei os olhos.

- Você não parece tão homofóbico me segurando desse jeito – Falei sarcasticamente, ressaltando a ideia de que estávamos extremamente colados.

Novamente ele ficou em silêncio durante alguns segundos, então senti sua respiração bater na minha orelha.

- E você gosta né? – Sussurrou ele, fazendo um arrepio percorrer pelo meu corpo.

Que porra era aquela que ele estava fazendo?

- Me solta – Pedi, voltando a me remexer. – Agora Gerard.

Suas mãos afrouxaram o aperto, mas não me soltaram.

- Desculpe por isso, eu... – Começou a falar, mas eu o interrompi.

- Tudo bem, é da sua natureza.

Com um movimento rápido, ele me virou para si, nos afastando um pouco, mas ainda com ambas as mãos na minha cintura.

- Você prometeu me ajudar a mudar – Murmurou ele – Não tá se saindo muito bem beijando o meu irmão.

Rolei novamente os olhos e inclinei a cabeça para trás me afastado dele.

- Você tem que querer mudar, para depois pedir a ajuda de alguém – Disse eu.

- Eu estou tentando! — Protestou ele.

- Tem certeza?

Ele olhou para baixo, corando.

- Por que essa vontade de mudar logo agora Gerard? – Perguntei, querendo saciar minha curiosidade.

- Por que me cansei de estar tão afastado do meu irmão e... – Ele hesitou e ergueu novamente os olhos para mim – E de você.

- De mim? – O choque transpareceu na minha voz.

- Frankie, eu estou um pouco confuso, não sei mais o que pensar...

- Frankie? – Repeti, franzindo a testa. Nunca ninguém me chamara daquele apelido antes.

Gerard riu.

- Frankie combina com você – Explicou ele – Simplesmente combina.

Um sorriso brincou nos meus lábios, mas logo sumiu.

- E a parte sobre mim e sobre estar confuso?

- Eu... eu não sei. Quando eu olho para você, me sinto estranho. Acredita em mim, não sei o que tá acontecendo comigo, só não quero ficar... longe de você.

Pisquei, ficando ainda mais confuso.

- Você tá dizendo que... gosta de mim?

- Não. – Respondeu ele – Eu gosto de garotas entende? O que eu sinto por você é como um sentimento de irmão. Eu só... preciso de você perto de mim.

Se eu estava decepcionado? Sim, eu estava. Por que tinha me dado conta que gostava dele. Que o sentimento que eu tolamente havia considerado enterrado no meu passado estava mais vivo do que nunca. Eu ainda estava apaixonado por Gerard Way.

- Eu vou ficar perto de você Gerard – Falei, acariciando seu rosto levemente, e me esforçando para não demonstrar a dor de ter levado aquele fora – Moro aqui, lembra?

Gerard sorriu para mim e se aproximou, colando os lábios demoradamente na minha bochecha. Meu corpo esquentou ao senti-lo daquele jeito, com nossos corpos colados e seus lábios em mim.

Por que eu sempre tenho que gostar de gente que não tem a menor possibilidade de gostar de mim? Gerard nunca se interessaria por um garoto. Talvez os abraços e tudo mais fosse o modo dele de lidar com a confusão de me querer por perto. Nunca existiria um Gerard e eu.

- Vamos dormir? – Convidou ele, finalmente tirando as mãos da minha cintura e dando alguns passos para trás.

- Vamos – Murmurei – Vou só aproveitar os ursinhos.

Ele sorriu e saiu da cozinha. Pude ouvir seus passos pelas escadas e voltei a me apoiar na bancada da cozinha. Tomei o resto da coca cola e abri o tão sonhado pacote de doces.

Desde que eu conheci Gerard, senti algo especial por ele. Mas não foi nada recíproco. Logo vieram as humilhações, as torturas emocionais, o desdém, tudo o que não poderia ser considerado amigável.

Tudo bem, disse para mim mesmo, ele é irmão de Mikey, é só não levar a sério, tudo vai dar certo.

E agora isso, eu simplesmente não sabia o que pensar quando ele me abraçou e pediu para que eu não me afastasse dele, por que ele precisava de mim. Gerard Way precisava de mim.

Com os pensamentos confusos, joguei o pacote vazio no lixo da cozinha, passei pela sala cobrindo Mikey e Ray, e me arrastei escada a cima, entrando no quarto de Mikey e logo me jogando na cama. A inconsciência me abraçou, levando-me a sonhos estranhos com o garoto que por anos foi motivo dos meus pesadelos.