Notas iniciais
o último por hoje.
Não existia exatamente desse jeito da outra vez, mudei várias coisas.
espero que gostem!
enjoy.

O barulho da chuva me acordou. Engraçado como, no verão você acorda com o sol queimando seus olhos, e no inverno com a chuva batendo com força contra a sua janela.

Levantei-me de cama e fui direto para o banho, querendo me esquentar com um delicioso banho quente, vesti novamente o mesmo agasalho, escovei os dentes e desci para o primeiro andar.

- Bom dia Gerard – Cumprimentou Ray, que estava na cozinha, tomando café com Mikey e minha mãe.

- Bom dia Ray, Miks, mãe – Murmurei, jogando-me em uma cadeira em seguida. Servi café em uma xicara e peguei um pedaço de bolo.

- Planos para hoje? – Perguntou minha mãe, que arrumava compulsivamente seu blazer.

- Nada por enquanto – Falei, revirando a cozinha com os olhos. Por que será que o baixinho ainda não descera?

Ficamos conversando sobre coisas aleatórias na cozinha, até minha mãe se levantar da cadeira num pulo, dizendo estar muito atrasada.

- Tenho uma reunião importante hoje – Disse ela – Volto tarde, por que vou aproveitar para passar na loja de bebidas e reabastecer o bar, já que Donald volta na semana que vem.

Seus olhos brilharam quando ela falou que meu pai estava voltando. Ele era um empresário de sucesso, e vivia viajando pelo mundo para conseguir novos investimentos. Apesar disso, sempre fora um pai muito presente.

- Quer uma carona querido? – Mamãe, que já estava quase na porta, voltou-se para Ray – Ou pretende ficar mais um pouco?

- Acho que vou aproveitar a carona Donna – Falou ele, levantando-se rapidamente – Minha mãe pediu para que eu voltasse cedo.

Ray e mamãe se despediram de mim e de Mikey e logo saíram, nos deixando sozinhos.

- O que você vai fazer a respeito daquela prova Gee? – Perguntou Mikey – Vai conseguir fazer outro dia?

- Não sei – Respondi – Vou falar com o professor, e pedir para fazer a prova.

- Mas vai justificar com o que?

- Sei lá, com uma doença. – Dei de ombros, sem ideias – Ou talvez com o trânsito lento.

- Bom dia – Ouvi uma voz vinda da porta e girei o corpo, me deparando com um Frank de cabelos bagunçados, cara de sono e um pijama de estrelinhas.

- Hey Franks – Cumprimentou Mikey – Quer café?

- Não – Frank bocejou e se espreguiçou – Acordei meio enjoado hoje.

- Sério? – Mikey riu e se levantou da mesa – Acho que você está grávido Frank.

Frank riu e deu a língua para Mikey. Depois bagunçou seus próprios cabelos com os dedos e murmurou algo sobre ir assistir televisão. Meu irmão o seguiu, e eu fiquei sozinho na mesa.

Será que ele estava bravo comigo por ontem? Bom, eu só ia saber se conversasse com ele, certo? Decidi então ir até a sala com os dois. E me arrependi no ato.

Por que eles tinham que ficar sempre tão juntos? Não podiam agir como pessoas normais e se sentarem um do lado do outro? Não! Frank tinha que ficar entre as pernas de Mikey, que tinha que colocar os braços em volta dele.

Qual é! Isso não pode ser normal!

Meio constrangido, sentei-me ao lado deles no sofá.

- O que vocês estão assistindo? – Perguntei, tentando manter uma conversa.

- House – Respondeu Frank, animado – Esse episódio é sensacional!

Eu gostava da série. Era realmente interessante, e o Dr. House encantava todo mundo, isso era fato.

Ficamos no sofá assistindo TV durante umas duas horas, até Mikey dormir. Frank cutucou-o até ele acordar e ir para o quarto. Decidimos ir até a cozinha procurar outros doces. Estávamos só nos dois.

- Hey Frank, tudo bem? – Comecei, meio nervoso.

- Tudo sim, por quê? – Ele sorriu, parecendo confuso.

- Digo, depois de ontem, você ficou bravo comigo...?

- Claro que não, por que eu ficaria?

- Sei lá – Desviei os olhos dos dele e os fixei no fogão – Achei que poderia ficar ofendido.

- Não fiquei – Falou Frank – Entendi o que você quis dizer. Bom, pelo menos em partes.

- O que você não entendeu? – Indaguei imediatamente.

- Ah – Começou ele, parecendo sem jeito. Voltei a olhá-lo – É estranho sabe. Desde que eu fiquei amigo do Mikey você me trata como se eu fosse um lixo, e do nada diz que me quer por perto. Você entende por que eu estou confuso?

- Sim – Falei, sorrindo pra ele – Desculpe por tudo o que eu te fiz antes, foi burrice minha. E bom, sobre agora... Eu sei que é de deixar qualquer um confuso e ressabiado, mas as coisas aconteceram muito rápidas pra mim também. Eu só... to revendo meus valores.

- Isso é bom – Aprovou ele – Homofobia não ia te levar a nada.

- É – Falei meio sem jeito – Frank quando você decidiu que era...?

Frank arqueou as sobrancelhas e riu.

- Eu não decidi que era gay Gerard – Falou ele, ainda em um tom risonho – Simplesmente aconteceu.

Mordi os lábios, enquanto tinha lapsos da conversa que a gente tinha tido ontem. Eu tinha sido absurdamente sincero com ele, mas no fundo, só tinha falado aquilo por causa da maldita aposta. Bob estava me pressionando, eu precisava fazer alguma coisa logo.

- Quando você ficou com outro menino pela primeira vez? – Perguntei curioso. Frank arregalou os olhos e enrubesceu.

- Por que você quer saber disso?

- Curiosidade – Respondi, sorrindo torto.

- Num jogo de verdade ou consequência.

- E você já soube que era gay só por ter beijado ele?

- Não – Agora foi a vez dele sorrir torto – Eu tinha gostado, muito, mas pensava que era só coisa de momento. Mas ai fiquei com outro garoto e percebi que era isso que eu queria.

- Quantos anos você tinha?

- Treze – Ele riu e mordiscou levemente o piercing que tinha na boca.

- E seus pais?

- Eles não sabiam de nada, até você espalhar. – Respondeu Frank, com certa amargura na voz.

- Eu realmente me arrependo de ter feito aquilo. – Falei sinceramente.

- Eu sei – Frank sorriu – Já acabou o interrogatório ou...?

- Ah, já acabou sim – Disse eu. Ok, como continuar? Como explicar para ele o que eu queria? Eu só precisava de um beijo, e o próximo passo seria mais fácil. Deveria ser mais fácil.

- E por que você queria tanto saber sobre a minha triste história em sair do armário? – Perguntou ele – Tem certeza que era só curiosidade?

Ótimo, obrigado pela oportunidade Frank.

- Na verdade – Comecei, sem jeito – Eu queria...

- Queria o que? – Cortou-me ele, parecendo confuso.

Olhei para baixo, sentindo que estava corando.

- Queria – Me aproximei dele e coloquei uma mão em cada lado da sua cintura fina – Experimentar.

- Ex-Experimentar o que? – Gaguejou ele, mas não se afastou de mim.

Por favor, que isso não seja ruim, nem nojento.

- Isso – Sussurrei, então inclinei a cabeça para frente, fechando os olhos e colando meus lábios aos dele. Frank recuou quase que imediatamente.

- Gerard o que você tá fazendo? – Perguntou ele assustado.

- Frankie, por favor – Sussurrei novamente, sem abrir os olhos e segurando seu rosto com uma das mãos, enquanto a outra permanecia em sua cintura – É só um beijo.

Voltei a encostar meus lábios nos dele, pressionando-os delicadamente. Dessa vez, Frank não se afastou. Apenas colocou uma mão na minha cintura e com a outra segurou minha nuca, arfando um pouco. Pedi passagem com a língua, percebendo que queria senti-lo o mais rápido possível. Frank abriu a boca, deixando-me explorá-la sem nenhuma barreira. O que Ray tinha dito sobre beijar meninos? Igual a beijar uma menina? Não. Era muito melhor. Apertei mais Frank entre meus braços, beijando-o sofregamente, e sendo correspondido. Talvez fossem os melhores lábios que eu já provara.

Quando o ar começou a faltar, nós nos separamos. Demorei um pouco para abrir os olhos, querendo permanecer com aquela sensação gostosa de estar fazendo algo muito bom e proibido.

- Gerard? – Chamou Frank baixinho. Pude sentir sua respiração bater no meu rosto, denunciando nossa proximidade.

- Só Gee – Murmurei, aproveitando que minha mão ainda estava em seu rosto para acariciá-lo.

- Hm, Gee, tudo bem? – Abri os olhos ao notar seu tom cauteloso. Ele parecia com medo. Com medo de eu não ter gostado.

- Sim – Respondi, ainda acariciando seu rosto – Obrigado.

Ele sorriu.

- Não foi nenhum sacrifício.

Eu ri baixinho.

- Será que você pode me soltar agora? – Pediu ele, se encolhendo um pouco.

- Por quê? – Encostei minha cabeça no seu ombro e beijei delicadamente seu pescoço, gostando de finalmente poder fazer aquilo – Você não gostou?

- Uh, gostei – Sussurrou ele, quase em um gemido, quando mordi a pele macia que antes eu beijava – Muito.

- É? – Perguntei, sorrindo ao vê-lo quase entregue.

- É. – Murmurou ele, estremecendo. – Mas acho melhor eu ir. Você precisa de um tempo pra... hã, colocar seus pensamentos em ordem.

Me afastei dele e franzi o cenho.

- Como assim?

Frank sorriu timidamente.

- Bom, essa foi a primeira vez que você ficou com um garoto né? Então, é melhor você pensar bem sobre como se sentiu e se você quer de novo.

- E se eu quiser? – Perguntei, sorrindo torto.

- Você sabe onde eu durmo – Frank deu uma piscadinha e afastou-se, indo para a sala.

Tinha sido realmente muito bom beijá-lo e senti-lo daquele jeito. Eu não havia me arrependido de nada. Apesar de estar um pouco confuso. Afinal, era para ter sido ruim não é? Eu gostava de garotas, não de garotos. Mas, é claro, Frank não era qualquer garoto. Era Frank, e ele seria meu, com ou sem aposta.

Notas finais
até outro dia!
xoxo