A Aposta - Frerard
5 Five
Notas iniciais
IUSHAIUSHIUAHS
mas aqui está, hoje ainda eu volto com outro!
enjoy :D
Eu o esperei no quarto, ainda sentado na cama de Mikey. Passei as mãos no meu rosto, limpando alguns resíduos de lágrimas. Minha cabeça girava com a conversa de poucas palavras que eu tivera com Frank, e com o modo reconfortante que ele me tratou. De certo modo, eu sabia que Frank gostava de mim.
Analisei o quarto entediado durante alguns segundos. Então meus olhos caíram sobre um livro de capa azul com alguns desenhos que estava em cima da cama. O livro que Frank estava lendo. O peguei, com infantil curiosidade.
“Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban”
O garoto era um viciado em Harry Potter ou era impressão minha?
- Você gosta? – Ouvi a voz dele ecoar pelo quarto, vinda do banheiro. Ergui os olhos, Frank estava sorrindo, já completamente arrumado.
- Gosto – Sorri para o livro e o folhei – Mas pelo visto você gosta mais.
Ele riu e pegou a mochila, jogando algumas coisas dentro dela.
- Nada melhor para esquecer os problemas do que ir para Hogwarts.
- É verdade – Concordei e me levantei da cama – Pode me emprestar um livro?
- Claro – Frank se virou para mim e sorriu – Quer o primeiro?
Aquiesci e ele me alcançou um livro com a capa amarelo queimado.
- Vamos? – Convidou ele, guardando o livro que antes estava em minhas mãos na mochila – Não como desde ontem, mais um pouco e eu desmaio.
- Vamos. – Respondi e sai do quarto, partindo para a cozinha, com Frank atrás de mim. A cozinha cheirava deliciosamente a café e... panquecas!
- Panquecas! – Exclamou Frank, passando por mim e entrando de vez da cozinha, seus olhos tomados por um brilho infantil – Puxa tia, são as minhas preferidas!
Minha mãe sorriu docemente para ele e acariciou seus cabelos.
- Que bom que o Gee conseguiu te tirar do quarto Frank! – Falou ela – Eu estava tão preocupada!
Novamente os olhos do menor se encheram de lágrimas, por motivos que eu não entendia.
- Eu vou ficar bem tia – Sussurrou ele – Ainda mais depois dessas panquecas!
Com um sorriso travesso, ele se serviu e se sentou à mesa, devorando as panquecas com gosto.
- Vocês viram o Frank? Ele não tá no... – Mikey entrou na cozinha falando, mas parou ao ver Frank comendo na cozinha.
- Bom dia Miks – Disse o pequeno animado, ainda comendo.
Os olhos de Mikey lampejaram para mim, que já estava sentado na mesa, comendo também, e depois voltaram para Frank, tomados de certa desconfiança.
- Que bom que você saiu do quarto Franks – Mikey falou, servindo-se de panquecas também – Não é nada bom ficar perdendo matéria na escola.
- É – Disse Frank vagamente.
Mikey continuava com os olhos semicerrados, me fazendo ficar apreensivo. O que estaria se passando naquela cabecinha maquiavélica?
Depois de terminarmos o café, cada um apanhou suas respectivas mochilas e nós fomos para o carro. Diferente do dia anterior, Mikey sentou-se ao meu lado, dizendo que Frank ficaria mais confortável atrás. Este foi sem reclamar, sentou-se, enroscou-se junto à porta e começou a ler. Mikey dormia, como sempre.
Ao chegarmos na escola, Mikey acordou e olhou para fora, arregalando momentaneamente os olhos. Segui seu olhar.
Merda.
- Frank, não entra em pânico – Sussurrou Mikey, virando a cabeça para olhar para o menor, que ainda lia. Ele ergueu os olhos, confuso.
- Não entrar em pânico...? – Começou Frank, mas uma voz grossa e baixa o interrompeu.
- Hey bicha, se recuperando? – Bob abriu a porta de trás do carro, que já estava destrancada, pois o carro estava parado.
- B-bob – Arfou Frank, se encolhendo.
- Não é nesse tom que eu quero que você me chame Iero – Sussurrou Bob, fazendo uma voz que talvez ele acreditasse ser sexy.
- Bob, fecha essa porta – Rosnei, puxando Frank pelo braço, fazendo-o ficar na outra extremidade, longe de Bob – Vou estacionar o carro direito.
Bob franziu a testa por um segundo, depois riu maliciosamente e se afastou, batendo a porta do carro.
Animal.
Estacionei o carro com Frank tremendo no banco de trás e Mikey murmurando palavras de consolo. Maldito Bob.
- Hey, não tenha medo ok? – Me virei para o pequeno, que ainda tremia – Lembra do que eu te prometi? – Ele assentiu com a cabeça e eu continuei – Eu não vou deixá-lo chegar perto de você Frank, lembre-se disso.
Mikey saiu do carro e puxou Frank com ele, murmurando coisas que eu não entendia. Observei-os entrar na escola para só depois sair do carro, sendo imediatamente abordado por Ray.
- E ai vampiro! – Ele ergueu a mão durante alguns segundos, e quando viu que eu não ia bater, deixou-a cair na coxa. – O que aconteceu?
- Bob – Comecei, vendo-o erguer as sobrancelhas – Ele espancou Frank ontem.
- Espancou como? – Perguntou Ray, andando ao meu lado no caminho da sala de geografia.
- Espancou, bateu nele, o Frank tá roxo – Resmunguei, jogando-me em uma carteira. A sala estava vazia, ainda era cedo.
- Mas por quê? Era de se esperar que ele deixasse o menino vivo pra quando você... – Ray imediatamente parou de falar ao ver minha expressão. – O quê? Desistiu?
- Não – Murmurei, baixando os olhos – Não quero nem pensar no que vai acontecer se eu não cumprir a aposta. Mas, cara, eu me aproximei do Frank ontem. Ele parece tão...
- Frágil – Completou Ray, suspirando, aparentando me entender – É eu sei.
- Como assim sabe? – Voltei a olhar para ele. Que eu saiba, Ray nunca conversou com Frank. Ele mal falava com Mikey!
- Ah Gee – Começou ele, meio sem jeito – Você sabe que eu nunca apoiei todo o auê que você fazia para cima do Frank. E eu não sou cego, as lágrimas dele estavam à mostra para quem quisesse ver.
Todo o arrependimento tardio voltou a desabar sobre mim, me fazendo engolir em seco.
- Eu fui um idiota não é? – Eu nunca tive vergonha de falar sobre os meus sentimentos, ainda mais com Ray. Ele era meu melhor amigo, sempre me entenderia.
- Bom... É, foi.
Passei as mãos pelos cabelos, mordendo o lábio.
- Eu não posso fazer isso com o Frank – Sussurrei – Não depois de ele ter me perdoado e...
- WAY! – Chamou uma voz grossa vinda da porta – Gostou da minha ajudazinha?
- Como assim ajudazinha? – Perguntei, levantando-me para encarar Bob.
- Acha que eu deixei o Iero naquele estado para quê?
Meus olhos se arregalaram de choque. Eu estava entendendo mal ou...?
- Você... você...? – As palavras não eram bem formuladas.
Bob riu travesso.
- Espero que você tenha aproveitado bem minha ajuda. Eu não vou fazer aquilo de novo.
- Você bateu nele daquele jeito só por causa dessa maldita aposta? – Grunhi sem me preocupar com Matt estralando os dedos atrás de Bob.
- Sim, por que mais seria? – Bob falou sarcástico – Tá com dó dele Way?
Eu estava com muita raiva. Quem ele achava que era para bater no Frank daquela maneira repugnante só por causa de um fetiche idiota?
- Não devia ter feito aquilo Bob – Murmurou Ray – Frank poderia ter se machucado a ponto de ir para o hospital.
- E dai? – Disse Bob, dando de ombros – Até o Way tomar coragem para fazer o que tem que fazer o Iero já vai estar melhor.
Meu estomago se embrulhou e eu baixei os olhos.
- Já tá caindo fora Gerard? – Bob me encarava, eu podia sentir isso. Mas permaneci olhando para baixo – Acabei de pensar em outra coisa para a aposta.
Ergui a cabeça.
- O quê?
- Se você não transar com o Frank, vocês dois vão ser obrigados a passar uma noite comigo.
- Não! – Eu grasnei, completamente irritado – Você não pode mudar a aposta!
- Tente me impedir – Ele riu e saiu da sala. Ray me fitava com certo desespero nos olhos.
- Cara, o Frank... – Comecei, meio entorpecido, sentindo meus olhos meio marejados – Eu não tenho opção...
- Pois é – Disse Ray, encolhendo os ombros – Você acha que consegue?
- Consigo o que? – Levantei os olhos para ele – Machucar ele ainda mais?
Ray mordeu os lábios e passou as mãos nos cabelos cacheados.
- Não é certo mas – Começou ele, falando devagar – É melhor você cumprir logo isso Gee. Ou Frank pode se machucar. De outras maneiras.
- Bob não consegue tê-lo – Murmurei de repente, fazendo Ray levantar as sobrancelhas – Ele já tentou algumas vezes.
Com poucas palavras, expliquei a ele tudo que ouvira entre Mikey e Frank.
- O Bob é doido cara – Disse Ray, estupefato – Ele não era assim antes de viajar era?
- Não sei – Respondi, então acrescentei – Talvez a gente que não tivesse enxergado a tempo.
De repente, a sala começou a se encher de alunos desanimados. Me encolhi um pouco na minha cadeira e esperei pelo tédio. O professor entrou, começou a falar, e, ainda preocupado com a droga de aposta, eu adormeci.
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