A Aposta
18 Sim. O Pior Encontro
Notas iniciais
Elena
Quanto mais tempo esse encontro durava, mais eu me arrependia de não ter fugido quando Stefan levou aquelas malditas flores na minha porta.
Já falei que odeio Country? E Karaokê Country? Sim, consegue ser dez mil vezes pior.
Mas sabe o que é pior? O fato de que o cara que te levou naquele inferno, ainda escrever os dois para cantar.
Isso mesmo. Stefan ia me fazer cantar em um karaokê Country.
Tinham apenas três pessoas na nossa frente, e eu só tinha alguns minutos para me livrar dessa óbvia humilhação pública.
– Posso anotar seu pedido? — uma garçonete vestida de cowgirl perguntou. Ela olhava com bastante interesse para Stefan e não pude deixar de notar o quanto ela retorcia o corpo para expor seu enorme decote para ele.
– O que vai querer, Elena? — Stefan me perguntou. Abri a boca para responder, mas ele me cortou na mesma hora. — Ela vai querer salada — então ele piscou para mim como se tivesse tudo sob controle. — E nada de maionese porque precisa perder uns quilinhos.
Meu queixo caiu.
Ele estava insinuando que eu estava gorda??
Levantei irritada.
– Com licença — pedi, ácido ameaçando derreter pelos meus lábios, — vou ao banheiro.
E então corri dali.
Meu Deus, que inferno era aquele?
Quando estava a salvo em um banheiro com aparência completamente repulsiva, peguei o celular em minha bolsa e comecei a revirar minha lista de contatos, procurando alguém que pudesse me salvar daquele encontro horroroso.
A primeira pessoa que veio à minha cabeça foi Damon, mas eu não podia ligar para ele. Não apenas porque eu estava em um encontro com seu irmão, mas porque eu estava em um encontro com seu irmão porque eu não conseguia tirá-lo da cabeça.
Sim. Eu realmente havia me perdido no meio do inferno.
Engoli meu orgulho e meus problemas e liguei para Damon, mesmo me arrependendo disso no instante em que ouvi sua voz.
– Elena? — ele atendeu no segundo toque. Sua voz puro veludo.
Calor percorreu meu corpo e me perguntei qual diabos era o meu problema.
– Seu irmão está me deixando louca — reclamei.
– Espero que não seja “louca” no sentido malicioso da palavra — Damon comentou, no seu usual tom sarcástico.
Bufei.
– Está mais para “louca” no sentido de “se você não me tirar daqui agora eu mato você, ele e ainda explodo mystic falls no processo”.
Ouvi Damon abafando uma risada do outro lado da linha.
– O que o idiota do meu irmão fez? — quis saber.
– Por onde eu começo? — caçoei — Pela parte em que ele me levou flores e depois me fez sentar rodeada delas, ou pela parte em que ele me carregou para um restaurante karaokê country e vai me fazer cantar? Ah! Eu também falei que ele me chamou de gorda? Ou que eu sinto dedos estranhos passando pela minha coxa a cada cinco minutos? Porque ele fez isso tudo e eu não vejo como pode piorar.
Agora Damon estava rindo muito alto do outro lado da linha.
– Salvatore! — chamei — Me tira daqui!
Esperei ele se recompor e me responder, porém quando ele finalmente o fez, apenas aumentou meu desespero.
– Bem, acho que não posso fazer nada, Elena — disse. — Como vai aprender a se virar sozinha se eu sempre te salvo no ultimo minuto igual o SuperMan?
Encarei o telefone.
– Você está se divertindo com isso não está? — acusei.
Damon soltou outra risadinha.
– Me divertindo? — perguntou retoricamente — Como poderia? Agora vai lá e encara essa, minha Lois Lane.
E desligou o telefone.
Grunhi de ódio.
Desse jeito, eu seria a responsável por extinguir a família Salvatore, porque eu ia matar os dois.
Virei e respirei algumas vezes antes de voltar para encarar o encontro desastroso com Stefan.
Quando eu cheguei, ele parecia muito feliz observando o decote da garçonete-vadia.
Quase chorei de desespero. Onde estava o cara contido e perfeito que eu gostava desde que eu me entendia por gente?
Porque Stefan estava agindo como o pior crápula da face da Terra?
– Olha quem voltou! — ele anunciou, olhando para mim e se levantando — Elena, esta é Kelly. Ela estava me contando como é fácil arranjar um emprego aqui. O que você acha?
Encarei-o como se tivesse nascido asas em suas têmporas.
– O que? — perguntei.
Seu sorriso aumentou.
– Olha como ela ficou surpresa! — comentou para Kelly, a garçonete-vadia, então se virou para mim novamente — Você pode tentar arranjar um emprego aqui, Elena! — anunciou — Não é ótimo?
As asas em suas têmporas aumentaram e se tornaram dragões inteiros.
– Você bebeu? — perguntei estupidamente.
Ele não podia estar falando sério.
– Só um pouquinho — se defendeu. — Mas é ótimo, não é? — então ele virou novamente para Kelly — Ela tem problemas financeiros, tadinha. Quase não consegue o que comer, e a tia que a sustenta ganha uma miséria — então ele se aproximou dela e sussurrou alto o bastante para eu ouvir. — Os pais morreram. É órfã, coitada.
Agora ele tinha passado dos limites.
– Chega — falei, esticando meu braço e pegando minha bolsa. — Vou embora.
Foi a vez de Stefan me olhar catatônico.
– O que? — perguntou.
Mas eu já tinha me virado e estava saindo.
Deus, o que eu fiz para merecer essa noite terrível?
Eu já havia atravessado metade do estacionamento do restaurante e estava tentando descobrir uma forma de fugir daquele lugar quando senti alguém me segurando pelo braço.
Virei a tempo de ver os olhos claros de Stefan.
Arranquei meu braço de seus dedos.
– O que eu fiz? — ele quis saber, parecendo realmente deslocado.
Encarei ele com ódio.
– Esse foi o pior encontro da minha vida — desabafei. — Foi isso o que você fez.
Ele piscou mais vezes.
– Mas... — murmurou — O que saiu errado?
Quase bufei.
– Vamos ver — retruquei. Então levantei a mão. — Em primeiro lugar me levou flores. Detesto flores — abaixei um dedo. — Me levou para um restaurante Country — outro dedo. — Karaokê — outro dedo. — Ficou a noite toda olhando para os peitos da garçonete. Me chamou de gorda — os outros últimos dois dedos. — Sem falar que bebeu, tentou passar a mão em mim e ainda mentiu sobre eu precisar de dinheiro. O que eu não preciso porque minha tia tem um ótimo emprego.
Seu queixo caiu e ele ficou um tempo igual um peixe morto. Sua boca abrindo e fechando, porém peguei algumas palavras que pareciam algo em torno de “forasteiro” ou “mas o Damon...”.
Encarei ele.
– O que o Damon fez? — perguntei, me interessando em suas palavras.
Porque ele falou do Damon agora? E o que diabos seu irmão tinha haver com esse fracasso de encontro?
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