A Aposta
16 Ferrados
Notas iniciais
Elena
Eu estava na piscina da mansão Salvatore. Sempre adorei aquela parte da casa e também adorava principalmente ficar dentro da água.
Damon estava ali comigo, ele tinha aquele característico sorriso de lado e me olhava da forma mais sedutora possível.
Ele caminhou lentamente na minha direção, seu peito nu brilhando com gotículas de água. Senti-me como se estivesse presa e ele fosse me devorar apenas com os olhos.
Aqueles magníficos olhos azuis.
– O que está fazendo? — consegui perguntar.
Mas ele não me respondeu, continuando a caminhar pela água como um felino cercando seu alimento.
Finalmente ele chegou perto o bastante para que eu sentisse o calor de seu corpo através da água.
Senti suas mãos em minha cintura no segundo seguinte, me puxando para mais perto até que meu corpo se colasse ao dele.
– O que está fazendo? — voltei a perguntar.
Seu sorriso aumentou enquanto ele me encarava mais intensamente.
Normalmente seu silêncio me irritaria, mas naquele momento estava tornando tudo tão quente que eu quase me sentia sufocada com o calor.
Uma de suas mãos saiu de minha cintura, deslizando pelas minhas costas até o laço da parte de cima do meu biquíni. Com um único movimento ele o desatou, e eu não fiz nada para impedi-lo enquanto observava a peça descobrindo meus seios e se perdendo na água.
Seus olhos não se desviaram dos meus por nem um segundo, me mantendo cativada naquelas incríveis e inigualáveis órbitas azuis.
Aquele homem ainda me mataria um dia.
Seus dedos deslizaram novamente pelas minhas costas nuas, tão suaves quanto plumas. Senti meus pelos se eriçando enquanto uma umidade que nada tinha haver com a piscina se acumulava entre minhas pernas.
Sua mão chegou até minhas nádegas enquanto ele se empenhava para se livrar da parte de baixo do meu biquíni.
Sua mão deslizou lentamente até o meio das minhas pernas enquanto ele se inclinava sobre mim até que sua boca chegou ao meu ouvido.
– Atenda o telefone — ele sussurrou.
Abri os olhos, suada, excitada e ofegante. Céus, o que havia sido aquilo? Porque diabos eu estava sonhando com Damon? E daquela forma?
Estendi a mão para parar o som alto e estridente que havia me acordado. Ainda desnorteada com aquele sonho estranho, apertei o botão e coloquei o celular no ouvido.
– Alô? — atendi.
– Bom dia, flor do dia– a inconfundível voz de Stefan ecoou no meu ouvido. — Dormiu bem?
Esfreguei meus olhos com a mão, tentando afastar as imagens indevidas do meu sonho.
Jesus. Eu precisava de um banho... Gelado. Um banho muito gelado.
– Hum hum — murmurei.
– Eu te acordei?– ele perguntou, parecendo realmente preocupado com essa hipótese.
Contive um suspiro.
– Não — menti, me sentando na cama e tentando clarear meus pensamentos sonolentos. — Aconteceu alguma coisa? — perguntei.
– Sim– ele respondeu. — Tem uma garota muito bonita que eu gosto muito, mas ela têm me evitado a semana inteira. Pode me dar algum conselho?
Tampei novamente os olhos, me afundando na cama.
Talvez essa garota esteja confusa tendo sonhos eróticos com o melhor amigo dela, pensei em dizer.
E isso era verdade, desde que Damon havia dispensado Katherine e me beijado eu estava tendo sonhos cada vez mais frequentes com ele. E cada sonho era pior que o outro.
Gemi inconscientemente... Eu estava tão ferrada.
– Talvez ela apenas esteja ocupada com os estudos — eu voltei a mentir. — Você sabe que as provas são semana que vem.
Ouvi Stefan suspirando do outro lado da linha.
– Nem me lembre– disse. — Estou tão ruim em inglês que provavelmente ficarei de recuperação.
Escorei-me na cama enquanto virava para ver a hora. 8h da manhã.
Stefan havia me ligado às 8h da manhã de um sábado.
– Não está cedo demais? — comentei sem conseguir me conter.
– Gosto de acordar cedo – disse, e eu quase conseguia vê-lo dando de ombros. Que tipo de pessoa gostava de acordar cedo? — Mas eu te liguei para perguntar o que vai fazer essa noite, afinal está me devendo um encontro, lembra?
Como não esquecer? Stefan estava me cobrando esse encontro a semana inteira, e eu sempre inventava alguma desculpa, provavelmente me sentindo culpada por não parar de pensar em outro cara.
Porém eu sabia que essa coisa estranha que eu estava sentindo por Damon era apenas uma atração rápida. Afinal ele era realmente atraente, mas eu não estava apaixonada pelo meu melhor amigo. De jeito nenhum.
Afinal eu era apaixonada por Stefan... Não era?
– Não vou fazer nada essa noite — respondi, decidindo deixar Damon e meus sentimentos confusos de lado e focar em Stefan. — Me pega às 21h.
Então desliguei o telefone e me obriguei a sorrir.
Eu estava fazendo a coisa certa.
Damon
Eu detestava acordar cedo.
Quem havia sido o idiota que havia inventado isso? Todos os dias deveriam simplesmente começar tarde e terminar tarde, então sim viveríamos em um paraíso.
Mas como nem tudo são flores, o imbecil do meu irmão tem que bater na minha porta às 8h da manhã em pleno sábado — repetindo, SÁBADO, — me acordando e tornando meu dia um inferno.
– Elena vai sair comigo essa noite! — ele anunciou quando abri a porta, parecendo completamente animado.
Minha raiva e meu inferno pessoal aumentam.
– E onde está escrito que você deve vir me acordar às 8h da manhã para me dizer isso? — resmunguei.
– Estou feliz — disse. — Tinha que dividir isso com alguém.
Bufei alto.
– Bip! — falei — Não me interessa. Tente novamente mais tarde.
Então me mexi para fechar a porta, porém meu querido irmão foi mais rápido e entrou no meu quarto.
Grunhi internamente e me virei para ele, que já sentava em minha cama como se o quarto fosse dele.
– Sim, Stefan. Você pode entrar. Obrigada por perguntar, você é tão educado.
Ele rolou os olhos.
– Precisava falar com alguém — disse simplesmente, então bateu do seu lado, assinalando para que eu sentasse também. Continuei em pé. — Ok — falou, — faça como quiser — então ele deitou na cama, encarando o teto. — Acho que estou apaixonado.
Encarei ele. Meu queixo caindo a ponto de atravessar a terra.
– O que? — perguntei, agindo como se não houvesse entendido direito.
– Acho que estou apaixonado — repetiu. — Pela Elena.
Meu queixo caído retornou ao seu devido lugar e eu travei o maxilar. O nome de Elena trazendo um calor estranho para meu peito e o fato de que meu irmão dizia coisas tão absurdas trazia ódio para minha mente e meus punhos cerrados.
Stefan havia ficado louco.
– Você não está — garanti, irritado.
Ele levantou o rosto, me encarando.
– Claro que sim — insistiu. — Nunca senti isso antes — então ele sentou, como se quisesse explicar melhor. — No começo eu só queria sexo, porque ela é realmente gostosa e aquele strip tease...
Avancei sobre ele, minha visão ficando vermelha de ódio.
– Você o que? — grunhi, quase saltando em cima dele — Eu sabia! — gritei — Desde o começo, sabia que você não queria nada de bom com ela, seu imbecil, eu vou matar você...
Stefan saltou da cama, saindo do meu alcance e estendendo ambas as mãos como se sugerisse paz entre nós.
– Calma, irmão — disse. — Isso mudou. Eu não penso mais assim. Claro que eu ainda quero fazer sexo com ela... Quero muito.
Avancei novamente, me preparando para socá-lo. Ele deu outro passo para trás mantendo distância.
– Mas... — Stefan continuou, me parando. — Agora eu quero a atenção dela também, e eu penso nela o tempo todo. Fico me perguntando o que ela está pensando o tempo inteiro e o que ela faz quando está longe de mim. Ela é tão bonita e misteriosa, além de sexy e inteligente.
– Misteriosa? — repeti, sem entender.
Elena não era misteriosa. Nem um pouco. Ela era um livro aberto.
– Isso — concordou. — Quase me faz querer ter uma relação além de carnal com ela. Isso é paixão, não é?
Suspirei alto, sentando na minha cama.
– Não — respondi calmamente. — Isso é atração. Paixão é quando você não apenas pensa em uma pessoa o tempo todo, mas deseja estar ao lado dela todo esse tempo. Quando liga apenas porque sentiu falta da voz dela ou conta piadas apenas porque ama seu sorriso ou quando a risada dela lhe parece o melhor som do mundo. É quando você mal consegue esperar para ver aqueles grandes olhos brilhantes novamente. Quando nenhuma outra garota parece tão bonita, ou inteligente, ou sexy quanto ela. É quando você a acha perfeita apesar de todos seus defeitos. Quando você ama esses defeitos. É quando você sabe que a conhece tão bem como se fizesse parte do seu corpo também. Você sabe que não pode viver sem ela, mas não se importa, pois pode enfrentar qualquer coisa junto dela. Mas principalmente, irmão, paixão é quando você sabe que está tão apaixonado por uma pessoa que passa a amá-la. É quando você não suporta vê-la com outro homem porque sabe que ela tem que ser sua. É quando você...
Então eu parei, porque enquanto eu dizia todas essas coisas clichês que eu não fazia ideia de onde havia vindo eu havia reparado uma coisa. E não importava o quanto eu tentasse negar, eu pensava em Elena enquanto falava sobre paixão.
Pensava em seus olhos brilhantes, em seu sorriso e no som de sua risada.
Eu sentia falta de beijá-la e não queria beijar nenhuma outra mulher.
Até sonhos eu havia passado a ter com ela.
Fechei os olhos firmemente, me dando conta de um maldito fato: Eu estava apaixonado por Elena Gilbert.
Gemi internamente. Jesus. Eu estava tão ferrado.
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