A Aposta
9 Escola
Notas iniciais
Elena
Alguém estava esfaqueando meu cérebro.
Só podia ser isso. Era a única explicação viável para a dor insuportável que estava forçando minha cabeça a saltar para fora.
Tentei me mexer, ver se o movimento espantava quem estivesse apertando minha cabeça com tanta força, mas não havia ninguém e o movimento só fez com que minha cabeça doesse mais.
Filha da p...
– Você está bem? — alguém perguntou ao meu lado. Sua voz ecoou em meu cérebro dolorido e fez com que uma pontada mais forte me atingisse.
– Silêncio — pedi para a pessoa, — minha cabeça dói.
A pessoa riu do meu lado.
– Deveria pensar nisso antes de beber tanto.
Fiz uma careta.
– Se eu conseguisse me mexer — ameacei, — eu bateria em você.
– Se me bater — ele avisou em um tom divertido, — eu não conto o que você fez ontem.
Abri os olhos rapidamente, a claridade aumentando em 50% as pontadas na minha cabeça.
Noite passada... O que eu havia feito noite passada?
A última coisa que eu me lembrava...
– Você estava transando com a Katherine na piscina — falei.
Damon arregalou os olhos, levemente surpreso.
– Eu o que? — perguntou.
Cerrei os olhos, tentando bloquear a claridade que incomodava meus olhos.
– Estava fazendo coisas inapropriadas com uma vadia seminua na piscina da festa noite passada.
Seu sorriso malicioso sumiu completamente.
– Eu não transei com a Katherine — ele se defendeu.
– Se não transaram — retruquei, — chegaram muito perto disso.
Damon soltou um longo suspiro.
– Foi por isso que você começou a beber? — quis saber.
Bufei alto e voltei a fechar os olhos, incomodada com o excesso de claridade.
– Nem tudo é por sua causa, Damon — retruquei. — Eu bebi porque quis.
– E aposto que nunca mais vai beber — falou.
Cerrei minha mandíbula, sabendo que se eu abrisse a boca, provavelmente concordaria com ele.
Mas foi impossível eu ficar calada quando Damon jogou algo liquido em meu rosto.
– Ficou maluco?!?! — berrei, saltando da cama. Que agora estava encharcada com a água de uma das flores que tia Jenna espalhava pela casa.
Damon me lançou um sorriso malicioso, dando de ombros.
– Só achei que você não iria querer faltar à escola hoje — disse.
Então quase me soquei ao lembrar que ainda era terça-feira. E eu tinha aula.
– Quantas horas são? — perguntei.
Damon olhou para seu relógio de pulso.
– 07h40min — constatou. — Você tem dez minutos. Se apresse.
Então saiu do quarto.
Grunhi de raiva (e de dor), então corri na direção do banheiro.
*****
– Deveria ter me acordado mais cedo — reclamei para Damon, enquanto tomava uma aspirina. Sempre tenha remédios em sua mochila. É muito útil.
Já estávamos a caminho da escola.
Damon estava com o carro do Stefan — não me pergunte por que, eu também não sei, — o que era melhor que a moto, e ainda chegaríamos a tempo para a escola.
– E você deveria me agradecer — ele retrucou, — porque não é minha obrigação te acordar.
Virei meu rosto para ele e lhe mostrei minha língua.
Em seguida voltei a fitar a estrada.
– O que aconteceu ontem? — tomei coragem e perguntei — Não me lembro de nada depois do seu “não sexo” na piscina.
Damon franziu os lábios, parecendo pensativo.
– Nada demais — constatou.
– Tem certeza? — insisti — Não fiz nada que eu deveria me envergonhar?
Ele franziu os lábios novamente.
– Depende — falou.
Virei completamente no banco e o encarei.
– “Depende” do que, exatamente?
Ele deu de ombros e virou na rua da escola.
– Não sei — disse. — Tentar tirar a roupa em publico, vomitar e falar pro cara que você gosta que acha ele bonito é algo que você deve se envergonhar?
Meu queixo caiu e meu rosto ficou completamente vermelho.
– Eu fiz... O que?
Ele então estacionou na frente da escola e saiu do carro.
– Vamos, Elena — chamou. — Estamos atrasados.
Porém, eu fiquei congelada no mesmo lugar.
Balancei a cabeça negativamente.
– Não — falei. — Vou me jogar em algum lago.
Ele riu e rodeou o carro, abrindo a porta do meu lado.
– Ande — mandou. — Não seja dramática. Eu já fiz coisa pior.
Apertei mais a mochila contra meu peito.
– Eu estraguei tudo com Stefan — reclamei. — E agora vou passar vergonha na escola. Isso é sua culpa.
– Minha? — Damon repetiu — Porque é minha culpa?
– Porque você me convenceu a ir naquela festa — expliquei. — Então você ficou com a Katherine Vadia na piscina e fez lavagem cerebral via mental em mim para que eu bebesse muito e estragasse todas as minhas chances com Stefan, e agora você vai poder ganhar a aposta. Viu? Tudo isso foi um plano macabro feito por sua mente diabólica e manipuladora.
Damon me encarou por um momento, assimilando o que eu disse.
– Você ficou maluca — constatou. — Todo aquele álcool matou alguns de seus neurônios.
Coloquei a mochila em meu ombro, firmando minhas palavras.
– Mas não vai funcionar — garanti. — Porque eu vou ganhar essa aposta, nem que eu tenha que fazer macumba para isso.
Damon sacudiu a cabeça, um sorriso ameaçando saltar de seus lábios.
– Então arranje uma galinha preta, hermosa — retrucou, — mas nem assim você vai ganhar. Na verdade — continuou, — acho que o Stefan não vai nem querer conversar com você depois da noite passada.
Lutei contra o bico que meus lábios insistiam em projetar e saltei para fora do carro.
Eu não era nenhuma covarde e era orgulhosa demais para desistir assim.
O Stefan podia até não querer nada comigo, mas eu ia fazê-lo querer.
Eu só não sabia que seria tão fácil...
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