A Aposta
10 Escola - Parte 2
Notas iniciais
Elena
Eu estava na aula de biologia quando Stefan falou comigo.
Ele aproveitou o fato de que a aula sequer havia começado e que Bonnie, minha parceira de laboratório, ainda não havia chegado e se sentou do meu lado.
– Oi.
Foi o que ele disse.
Apenas “oi” e eu já sentia vontade de saltar em cima dele.
– O-oi — gaguejei.
Ah, céus, eu podia ser mais patética?
Eu havia passado a noite passada bebendo com ele, e mesmo assim, eu me sentia como se conversasse com ele pela primeira vez.
– Você está bem? — ele quis saber.
Assenti com a cabeça.
O que não foi legal, já que minha cabeça ainda doía por causa da ressaca.
Eu devo ter feito alguma careta de dor, porque Stefan aproximou o rosto do meu, preocupado.
– Você não parece muito bem — comentou. — Tomou algum remédio para a dor de cabeça? Sei como ninguém o quanto é ruim amanhecer de ressaca.
Então meu queixo caiu.
Stefan estava tentando manter uma conversa comigo.
Na escola.
O que diabos estava acontecendo?
– Tomei remédio — respondi baixo. — Mas não me lembro muito da noite passada — então fiquei completamente vermelha ao admitir isso, é claro, mas eu tinha que perguntar: — O que eu fiz?
Porque eu não confiava muito em Damon, e sabia que havia mais alguma coisa.
Stefan riu.
– Não fez nada demais — respondeu, me lançando um de seus brilhantes sorrisos perfeitos.
Logo em seguida nosso professor de biologia entrou na sala. E eu esperei Stefan sair do meu lado e ir se sentar com seu parceiro, mas ele não fez isso.
Ele apenas continuou lá, com aquele sorriso maravilhoso.
Olhei ao redor da sala, caçando por Bonnie, e a encontrei. Sentada ao lado de Tyler Lockwood.
O parceiro de biologia de Stefan.
– Acho que você está no lugar errado — sussurrei para ele.
Seu sorriso apenas aumentou.
– Gosto daqui — falou.
Pisquei algumas vezes, confusa.
– Mas a Bonnie...
– Troquei com ela — ele me cortou, então aproximou seu rosto do meu. — Serei seu parceiro agora, Elena.
E eu não discuti mais.
Porque eu não era louca...
E aquilo era perfeito.
Deus, eu não sei o que fiz noite passada, mas deve ter sido algo muito bom...
*****
– Ele o que? — Damon perguntou um pouco alto demais, fazendo com que algumas pessoas no refeitório nos encarassem.
– Ele virou meu parceiro de biologia — repeti. — E estava flertando comigo durante a aula!
Damon suspirou e balançou a cabeça, como se isso fosse algo ruim.
– Elena — ele começou, — não acho que você devia ficar com o Stefan, você podia escolher outra pess...
– Você só está com raiva porque tenho mais chances de ganhar a aposta — retruquei, o cortando. — Mas saiba que não vou desistir agora.
Então ele travou a mandíbula, contrariado.
– Isso não é verdade — disse. — Tenho muito mais chances que você. Olha — então gesticulou minimamente para a esquerda.
Segui seu olhar e vi Katherine olhando fixamente para nossa mesa.
Ela realmente nos encarava.
Chegava a ser assustador.
– Acho que estou com medo — comentei baixo.
Damon riu e aproximou o rosto do meu.
– Ela já está na minha mão — disse.
Arqueei uma sobrancelha para ele.
– Como sabe?
Ele riu e se reencostou na cadeira.
– Apenas espere — falou. — E conte até dez.
– Vai fazer mágica agora? — brinquei.
– Apenas conte — mandou de forma descontraída.
Dei de ombros e comecei a contar.
10...
– Viu? — eu ri — Nada acont...
– Damon — uma voz chata e fina soou na minha lateral.
A piranha estava parada ao lado da nossa mesa.
Damon era macumbeiro. Só podia.
Ele levantou os olhos devagar e sorriu para Katherine.
– Hey — cumprimentou, — Caroline, certo?
Até eu fiquei confusa com isso, mas confesso que quase ri da cara que ela fez.
– Não — a biscate disse. — Katherine.
Então ele assentiu devagar, como se estivesse mesmo tentando lembrar o nome.
– Desculpe — falou, — sempre troco os nomes.
Que falso!
Katherine deu de ombros também, como se aquele fato não tivesse importância.
Mas tinha, eu podia ver nos olhos dela.
– Eu vim apenas te cumprimentar — ela disse educadamente. — E te chamar para uma festa que darei neste sábado.
Damon me olhou. E então olhou novamente para ela.
– Desculpe — disse. — Neste sábado estarei ocupado. Talvez na próxima semana?
Ela deu de ombros novamente, mas eu podia ver o fogo de raiva em seus olhos e seu maxilar firmemente travado.
– Claro — ela respondeu.
Então me lançou um olhar mortal antes de voltar ao seu lugar.
O que foi aquilo?
– Ela vai te odiar agora — comentei para Damon. — Como isso te deixa mais perto de ganhar a aposta?
Ele me lançou um meio sorriso e escorregou na cadeira, achando uma posição mais confortável.
– Katherine está acostumada a ter tudo o que quer — explicou. — E no momento ela acha que não pode me ter, porque eu estou me esquivando de suas investidas. Ou seja: Ela vai investir mais. Em mim. E isso, hermosa, é um tipo de sedução. Estou jogando pra ganhar.
Encarei ele. Sua lógica custando entrar em minha cabeça.
Mas quando entrou, percebi, eu estava encrencada.
Damon era bom.
Mas eu tinha que ser melhor.
****
Pouco antes do sinal da próxima aula tocar, resolvi ir até a biblioteca da escola devolver um livro que havia pegado na última semana.
Damon insistiu para ir comigo, mas eu disse que seriam somente alguns minutos, e fui sozinha.
A melhor decisão que eu tomei.
– Elena?
Eu estava escondida entre algumas das estantes de livros, quando ouvi a inconfundível voz do Salvatore mais novo chegar em meus ouvidos.
Virei e me forcei a sorrir para ele, apesar de estar tremendo dos pés a cabeça.
– Olá — o cumprimentei.
Ele retribuiu o sorriso de forma radiante.
– Eu estava te procurando — disse. — Queria acompanhar você até a aula de inglês.
Meu queixo quase caiu, mas de alguma forma meu cérebro conseguiu mantê-lo no lugar... Porém ele não conseguiu me impedir de fazer uma estúpida pergunta:
– Por quê?
Stefan riu e se aproximou mais.
– Você é tão fofa — comentou. — Porque eu quero conhecê-la melhor, Elena.
– Por quê? — repeti.
Meu cérebro se negando a colaborar.
Stefan riu mais.
– Porque você é uma mulher encantadora — respondeu, — atraente, inteligente e engraçada. E ontem eu finalmente notei tudo isso — Stefan se aproximou o máximo que pode, ficando a quinze centímetros de meu rosto. — Quero ver mais.
Céus. O que eu fiz noite passada?
Minha respiração parou na garganta.
Deus, acho que vou desmaiar.
– Hmm — falei. — Ok.
Ele arqueou uma sobrancelha.
– Ok? — repetiu.
– Ok. Pode me acompanhar até a aula de inglês.
O sorriso que ele deu foi tão grande, que fiquei surpresa por não ter partido seu rosto ao meio.
Stefan insistiu em carregar minha mochila, mas eu não deixei, caminhando normalmente ao seu lado.
Enquanto caminhava, aproveitei nosso silêncio para revirar minha mente em busca de vestígios da noite passada. Afinal eu tinha que me lembrar de alguma coisa, certo?
Então eu congelei no corredor.
Minha cabeça latejou um pouco, mas eu conseguia me lembrar claramente de estar sobre uma mesa, com pessoas gritando para mim, e eu... Tirando a roupa?
– Ah, meu Deus! — exclamei.
Meu rosto ficou completamente vermelho de vergonha e eu o tapei para que Stefan não visse.
– Elena? — ele chamou preocupado — O que foi?
– Eu... — tentei perguntar, porém a vergonha pressionou minha garganta, impedindo que a voz saísse. Respirei fundo. — Eu fiz strip tease na noite passada?
Então cerrei firmemente a mandíbula e os olhos, temendo a resposta.
– Quase — respondeu.
Tirei a mão dos olhos e encarei ele.
– Como assim “quase”?
Ele suspirou, então me olhou de forma estranha.
– Você bebeu um pouco, e estava fora de si — explicou. — Então resolveu subir em uma mesa e tirar a roupa na frente de todo mundo. Eu tentei te tirar de lá, eu juro, mas foi Damon que conseguiu, logo depois você vomitou nos sapatos dele.
Meu queixo caiu.
Ah. Meu. Deus. Que. Merda.
– Que vergonha — falei, voltando a tampar meus olhos.
Stefan riu e retirou minhas mãos dali.
– Está tudo bem, Elena — disse. — Ninguém nem mesmo lembra disso. Todos estavam bêbados demais.
Eu ri com sarcasmo.
– Isso não faz eu me sentir melhor.
Ele continuou sorrindo radiantemente para mim.
– Mas teve uma coisa boa nisso tudo — falou.
– O que? — perguntei, mesmo estando muito envergonhada.
Stefan aproximou mais o rosto do meu.
– Antes de subir na mesa — disse, — e de gritar a Deus e aos ventos o quanto Damon era sexy — então ele fez uma breve careta, que eu imitei, — você me disse uma coisa muito legal.
“Eu falei que Damon era sexy? MEU DEUS! CREDO! Acho que vou me benzer!” eu quis gritar, mas ao invés disso, perguntei:
– O que?
– Que sempre gostou de mim — respondeu.
Meu queixo caiu e eu instantaneamente quis abrir um buraco no chão.
– Eu tinha bebido — tentei me defender. — Eu não...
– Que pena — me interrompeu. — Porque eu acho que gosto de você.
E ele me beijou.
Fale com o autor