Elena

Senti-me como se estivesse sendo eletrocutada, como se milhares de volts percorressem todo o meu corpo, da cabeça aos pés. Eu me sentia incrivelmente quente e fria ao mesmo tempo e minha boca formigava de uma forma excepcional.

Eu estava tão dormente a ponto de não me importar mais com aquilo que Damon pressionava contra minha barriga.

No início ele apenas pressionou os lábios contra os meus, me testando. O choque fez com que eu reagisse de forma inusitada, e quando eu vi, eu estava retribuindo.

Ele soltou um de meus braços e levou sua mão até a minha nuca, trazendo meu rosto para mais perto dele.

Céus. Damon Salvatore estava me beijando e eu não estava fazendo nada para pará-lo. Qual era o meu problema?

Mas eu tinha que admitir, ele beijava muito bem — muito melhor que o nosso primeiro beijo desastroso de muitos anos atrás.

Acho que dormir com tantas mulheres acaba te dando certa experiência.

Com a mão livre, inconscientemente, larguei o controle do vídeo game e enrosquei meus dedos em seus cabelos. Os cabelos dele sempre foram tão macios? Eu não conseguia me lembrar.

Damon passou sua língua quente lentamente entre meus lábios, me instigando a aprofundar beijo. Ele afrouxou o aperto sobre minhas pernas, permitindo que eu me movimentasse. Sua outra mão indo até minha cintura e brincando lentamente com a barra de minha camiseta.

Abri meus lábios e deslizei minha língua até a sua. Suspirei ao sentir seu gosto. Não era nem doce, nem salgado, na verdade era perfeito, como eu imaginava que o céu fosse.

Quando Stefan havia me beijado mais cedo, não havia sido tão bom assim...

Então eu congelei. A consciência finalmente me alcançando.

Stefan! Ah, não... Droga, droga, droga...

Damon percebeu que eu havia parado e também parou.

Ficamos assim por alguns segundos, como estátuas, talvez temendo nos encararmos.

Finalmente ele saiu um pouco de cima de mim, desencostando aquilo da minha barriga e me olhou com seus olhos completamente nublados de algo que a princípio eu não reconheci.

Eu respirei fundo algumas vezes, buscando acalmar as batidas errôneas do meu coração.

– Eu não... — ele começou, claramente sem saber o que dizer. Sua voz estava tão rouca que meu rosto corou furiosamente — Me desculpe — disse por fim. — Eu não sei o que deu em mim.

Damon saiu completamente de cima de mim, se sentando em meu carpete e me olhando de forma culpada.

– Eu sei o que aconteceu — eu disse.

Inferno. A minha voz estava tão rouca quanto a dele.

– E o que foi? — ele me instigou.

Eu sorri e tentei fazer uma piada para quebrar aquele clima desconfortável.

– Eu sou incrivelmente irresistível — falei. — Você não conseguiu aguentar e me atacou. Acontece.

Ele riu também.

– Na verdade isso foi uma distração — ele disse.

Sentei-me no carpete, e o encarei.

– Distração? — repeti.

Ele sorriu malicioso.

– Claro, eu só queria isso — e levantou o controle de videogame que eu havia soltado.

Meu queixo caiu.

– Não acredito! — reclamei, saltando para cima dele, tentando pegar o controle de volta — Devolve! Isso foi golpe baixo, Damon!

Ele riu, conseguindo me manter afastada usando apenas com uma mão.

Narcisista exibido!

– Achei que tivesse aprendido, hermosa — ele disse, baixo o suficiente para que eu parasse apenas para escutá-lo. — Eu jogo para ganhar.

E de repente eu não sabia se ele estava falando apenas dessa pequena e estúpida disputa pelo controle.

Não parecia que ele estava dizendo aquilo apenas para mim, mas a si mesmo também.

Como se ele tentasse se lembrar de que havia uma aposta que devia ganhar.

Eu não tinha certeza do que o estava distraindo de sua meta. Não podia ser eu... Ou podia?

Não. Claro que não. Aquele beijo de agora pouco não foi nada.

De repente, não sabia por que, mas eu queria chorar por isso.

E Damon me encarando de forma tão intensa não ajudava em nada.

– Elena!

Saltei para trás. A voz de Jeremy quebrando o silêncio constrangedor que havia se arrastado entre nós.

A cabeça do meu meio irmão apareceu na minha porta.

– Elena! — ele chamou de novo, dessa vez parecendo frustrado — Faz um tempão que Jenna e eu estamos chamando você. Ficou surda?

Desviei o olhar dos incríveis olhos azuis de Damon e encarei meu irmão.

– O que foi? — perguntei.

Porque minha voz continua tão rouca?

– A pizza chegou — ele diz, como se não houvesse coisa mais importante no mundo. — E Jenna não vai me deixar comer até que vocês dois desçam. Entende a emergência?

Então eu ri, me deixando levar pelas gracinhas de meu irmão e esquecendo-me do que fiz com Damon nos últimos minutos.

– Okay — falei. — Já vamos descer.

Ele me lançou um olhar que mais parecia um aviso e sumiu.

Virei para Damon, que continuava me encarando.

– Está com fome? — perguntei.

Ele me lançou um sorriso malicioso.

– Estou faminto, hermosa.

E novamente, não sei por que, mas o ar me faltou.

Notas finais
Êhhh!! O que acharam? Gostaram? Hj teremos cap duplo, então aqui vai o próximo...