A Aposta
15 Bye, Bitch
Damon
Eu precisava de distração.
Passar a noite perto de Elena depois de... Bem, de tê-la beijado, foi um inferno.
Estávamos lado a lado, comendo pizza e eu só conseguia pensar em como seria tocá-la por debaixo da mesa, estender minha mão sem que ninguém visse e pegar em sua mão, alisar sua perna, acariciar seus dedos, levar sua mão até meus lábios, me inclinar e beijar seu pescoço, sussurrar coisas terrivelmente maliciosas em seu ouvido, roubar seus lábios para mim...
Céus, eu estava ficando louco.
Nós não voltamos a jogar videogame depois disso. E eu nem poderia, de repente a ideia de estar novamente no mesmo quarto que ela estava me fazendo hiperventilar e fazendo minha imaginação criar vida.
Acho que eu estava realmente carente para ter esse tipo de pensamento com Elena. Deus, ela era minha melhor amiga. A pessoa que eu mais confiava no mundo inteiro e que eu nunca deixaria ninguém se aproveitar. Ela era pura, inocente e tão boa que enchia meu coração.
Então porque a ideia de eu me aproveitar dela parecia tão boa?
– Olá docinho– alguém ronronou em meu ouvido.
A voz era forte, sexy e decidida, porém não causou qualquer efeito em mim.
Forcei um sorriso e me virei para encarar aquela que Elena insistia em chamar de vadia.
– Como vai, Katherine? — perguntei formalmente.
E fui tão formal que ela franziu levemente o cenho para mim. Porém rapidamente ela se recuperou e me lançou seu sorriso sedutor.
– Não estou bem — ela disse, com uma voz que antes eu consideraria sexy, porém que agora me soava incrivelmente irritante. — Você me largou plantada e desejosa. Por mensagem! Então vim aqui para deixá-lo reparar esse pequeno erro.
E se roçou em mim.
Sério. Ela simplesmente se aproximou e roçou seus seios grandes em mim.
Quase suspirei ao constatar que Elena tinha toda razão em chamá-la de vadia.
– O que acha? — ela continuou, ainda se insinuando e aproximando o rosto perigosamente do meu — Sua casa é apenas a alguns passos daqui. E eu adoraria conhecer seu quarto.
Ela era alta, então apenas precisou se inclinar um pouco e mordiscou levemente meu lábio inferior.
Permaneci perfeitamente parado e contive uma estranha vontade de rolar os olhos.
Ouvi o barulho da porta da casa de Elena, do qual eu havia acabado de sair, se abrindo.
Virei apenas o suficiente para que pudesse ver quem havia aberto a porta.
O meu mais novo objeto de frustração e desejo — também conhecido por Elena — nos encarava com o maxilar travado.
– Hey Damon — ela chamou friamente, ironia forçando sua voz, então virou para Kath, que mantinha seus seios desnecessariamente pressionados em mim. — Hey, vagabunda. Está uma linda noite, não acham?
Katherine se afastou, seu rosto se fechando e ela encarou Elena com ódio. Tanto ódio que por um segundo achei que fosse caminhar até ela e estapeá-la.
– Não me chame de vagabunda, sua... — Kath começou, porém Elena a cortou.
– Oh, por favor — ela disse, saindo de sua porta e vindo em nossa direção. — Não gaste seus insultos comigo. Gaste com alguém que não vá arrancar seu rosto fora ao ouvir.
Então meu queixo caiu.
Elena estava ameaçando Katherine.
Elena estava ameaçando alguém que não era eu e realmente parecia querer fazer o que dizia.
– Eu não tenho medo de você, sua coisinha sem graça — Kath respondeu.
Minha melhor amiga riu.
– Deus, que medo. Ela me chamou de “coisinha sem graça” — então ela se aproximou mais da loira ao meu lado. — Prefiro ser “sem graça” a ter mais de quinze doenças sexualmente transmissíveis armazenadas no meu corpo.
Eu estava congelado, incapaz de emitir qualquer som ou movimento.
Céus, o que diabos estava acontecendo?
– Eu não tenho nenhuma doença! — Kath se defendeu — Sua lombriga esquelética!
Elena revirou os olhos e a encarou como se estivesse entediada.
– Deveria melhorar seus insultos, Katherine — disse. — Expandir seu vocabulário, esse tipo de coisa.
– E você deveria voltar para o buraco de onde veio e parar de cuidar da minha vida, boneca de posto — a loira retrucou.
Dessa vez eu bufei junto com Elena.
“Boneca de posto”? Sério?
– Realmente. Você deveria comprar um dicionário ao invés de gastar todo seu dinheiro com silicone — Elena disse.
Katherine saiu do meu lado, estourando e saltando para cima dela.
– Olha aqui sua vadia! — a loira falou — Lave bem a sua boca antes de falar de mim!
– Disse a garota que dorme com pelo menos 3 por dia — Elena disse ironicamente.
– Pelo menos eu não matei meus pais! — Katherine berrou.
Elena cambaleou, as palavras a atingindo como um soco.
Meu maxilar travou, raiva insana finalmente me atingindo.
– Katherine — chamei. Minha voz baixa, porém tão fria que ela se assustou. — Vá embora. — mandei.
Seu queixo caiu e ela o mexeu como um peixe por alguns segundos, tentando encontrar palavras.
– Mas...
– Vá embora — repeti, com o mesmo tom, lutando para me manter controlado. — Ou eu juro por deus que mato você.
Ela ofegou.
– Você está escolhendo ela?
– Não — respondi. — Estou escolhendo não ir para a cadeia por te amarrar na minha moto e arrastar você por dezenas de ruas até que sua pele fique esfolada, que seu maldito silicone exploda e que você morra.
Não sei o que Katherine viu nos meus olhos, mas de repente ela estava correndo para longe de mim. E ela parecia realmente assustada enquanto se afastava.
Esperei até que ela sumisse ao fim da rua para me virar para Elena.
E ela parecia muito abalada, como se estivesse pronta para desmoronar a qualquer segundo.
Aproximei-me rapidamente e a puxei para um abraço.
A minha raiva se esvaindo junto com a sua pele quente pressionada contra a minha.
– Hey — sussurrei perto de seu ouvido. — Está tudo bem. Ela não sabia do que estava falando.
Elena riu com rancor e tentou me empurrar.
Mantive meus braços firmemente cerrados em volta dela.
– Acho que ela sabia perfeitamente do que estava falando — ela retrucou.
– Não — falei firmemente. — Ela não sabia. E é uma vadia por dizer uma coisa tão horrível — então a abracei mais forte. — Foi um acidente, hermosa.
Elena suspirou, então se deixou ser abraçada.
Ela rodeou os braços ao meu redor e me segurou como se eu fosse a única coisa que pudesse mantê-la de pé.
– Gostei de vê-lo ameaçando ela — disse, mudando de assunto.
– E eu gostei de você a acusando de ter quinze doenças sexualmente transmissíveis — retruquei.
Elena bufou.
– Falo sério — falou. — Você acabou de arruinar suas chances com ela por minha causa. Porque eu perdi o controle e a insultei.
– Não foi uma grande perda — eu disse, dando de ombros.
– Mas a aposta... — insistiu.
A afastei apenas o suficiente para olhá-la nos olhos.
– Há pouca coisa nesse mundo que eu não faria por você, hermosa.
Fale com o autor