A Aposta
8 Céu... Ou Inferno? Parte 2
Notas iniciais
– Eco! — Elena berrou com a voz arrastada, olhando para meus pés recém-vomitados — Deveria usar sapatos limpos.
Travei minha mandíbula e respirei fundo algumas vezes para não matá-la.
– Vamos embora — ordenei a ela com os dentes rangendo em fúria contida.
Elena parou de olhar para meus sapatos e levantou os olhos até fitar meu rosto. Seus olhos se fecharam em fendas enquanto ela me analisava.
De repente, ela soltou uma exclamação surpresa e esticou a mão para tocar meu rosto.
– Você é bonito — ela disse baixinho, quase que para si mesma. — Muito bonito — repetiu. — E absurdamente sexy!
Sua voz estava menos arrastada, porém o cheiro forte de álcool que saia de sua boca me lembrava do quão bêbada ela estava.
Bêbada demais, para estar me elogiando daquela forma.
– Elena — falei com a calma forçada que poderia ser dirigida a uma criança. — Vamos embora. Agora.
Ela bufou alto, jogando mais de seu bafo alcoólico em meu rosto.
– Não quero ir embora — reclamou. — Estou me divertindo — disse, então olhou ao redor, como se procurasse alguém que estivesse ouvindo nossa conversa e sussurrou para mim: — Acho que Stefan quer me beijar... Stefan é tão gato! — então ela colocou um dedo na boca e fez “shhh” — Não conta pra ele — pediu.
Olhei para meu irmão, que estava parado ao meu lado, rindo de tudo o que ela falava.
– Não vou contar — prometi. — Agora, vamos?
Ela fez biquinho e cruzou os braços com aparente dificuldade.
– Foi porque falei que o Stefan é gato? — quis saber — Eu disse que você é sexy... Sexy ganha, certo? — então ela riu alto — Ok! Você é gostoso! Melhorou?
Meu queixo caiu. A crise de risos de Stefan pareceu aumentar.
Elena aproveitou esse momento para voltar a seu showzinho em cima da mesa.
– Ok! — gritou para os convidados — Vamos voltar para a parte boa da festa!
Então seus dedos voltaram para a barra de seu vestido, olhei ao redor e percebi que vários adolescentes haviam levantado as câmeras dos celulares, prontos para filmar Elena tirando a roupa.
Quando seu vestido havia passado de sua cintura, revelando sua calcinha rendada...
E uma barriga lisa e linda, sem nenhuma gordurinha sobrando, arruinando todas as vezes em que a chamei de gorda.
Elena era gostosa como o inferno.
Mais gostosa que Katherine, se é que aquilo era possível.
Voltei a mim quando o vestido estava passando por suas costelas, nos dando uma bela visão do começo da curvatura de seus seios.
Que estavam nus, lembrei. Sem sutiã.
Estiquei os braços, sem pensar, e segurei os tornozelos de Elena, puxando ela em minha direção, fazendo com que ela se desequilibrasse e caísse para trás.
Usei meus braços para evitar que a queda a machucasse, firmando-a na minha frente.
Quando ela estava firme no chão, peguei o amontoado de vestido em suas costelas e puxei-o para baixo, tapando a visão maravilhosa da curvatura de sua cintura e seus quadris.
Sem falar naquela pequena calcinha branca de rendas que, de repente, eu estava com muita vontade de tirar.
“Pirou, Damon?” perguntou a parte racional de meu cérebro “Ela é Elena, lembra? Sua melhor amiga”.
Diga isso para minha maldita ereção!
Mais da metade dos convidados, a parte masculina, gritou em sinal de descontentamento. Contrariados com o fato de que eu havia estragado a diversão deles.
Elena, por sua vez, apenas olhou para mim uma última vez antes de apagar em meus braços.
Dirigi meus olhos a Stefan, passando a ele toda a fúria que eu sentia.
– Isso é culpa sua — grunhi.
Os convidados, percebendo que sua fonte de diversão estava desacordada, tiraram a atenção de nós, voltando a dançar e beber.
Stefan tentou se defender:
– Minha culpa, por quê? Ela bebeu porque quis.
Fechei meus punhos para não socá-lo.
Ajeitei Elena em meu colo, de forma que ela parecia uma noiva sendo carregada para seu quarto na noite de núpcias.
– Me dê a chave de seu carro — pedi para Stefan.
Ele me analisou com uma sobrancelha arqueada.
– Porque?
Mexi-me de forma impaciente.
– Será que é porque Elena está inconsciente? — perguntei com ironia — E não tem como eu carrega-la em uma moto sem que ela caia ou, pior, morra?
Ele bufou contrariado, mas enfiou a mão no bolso e me entregou a chave de seu carro.
Joguei a chave de minha moto para ele, apenas para que ele tivesse uma forma de voltar para casa depois.
– Se devolver a Harley com um mísero arranhão... — avisei.
Stefan levantou as duas mãos.
– Prometo que ela vai voltar inteira — disse com um sorriso malicioso em seu rosto.
Cretino!
Mas antes que eu pudesse mudar de ideia e pegar minha chave de volta, Elena grunhiu em meus braços, me lembrando que eu deveria cuidar dela.
– Nosso pai está em casa? — perguntei para Stefan.
Ele balançou a cabeça negativamente antes que eu desse meia volta e saísse dali.
Eu não podia, de maneira alguma, levar Elena para a casa dela daquela forma. O que Jenna iria pensar ao ver a sobrinha bêbada, sendo carregada em meu colo em um semi-coma alcoólico?
No mínimo eu seria proibido de chegar perto de minha melhor amiga, ou coisa pior.
O melhor seria levá-la para minha casa.
******
– Elena — chamei novamente.
Estávamos em meu quarto, e eu tentava desesperadamente acordá-la fazia alguns minutos.
Como eu faria para tirar os indícios de álcool dela, se ela não colaborava?
Ergui uma mão e bati de leve no rosto dela.
– Elena! — chamei mais alto, dando graças aos céus pela minha casa estar completamente vazia.
Ela grunhiu, então virou para o lado.
Segurei ambos os ombros dela e sacudi com uma força que seria desnecessária se o momento não pedisse.
– Acorda! — gritei.
Ela abriu os olhos lentamente, e me encarou como se não me visse realmente.
– Damon? — perguntou.
Quase respirei aliviado.
Talvez a nuvem de álcool houvesse sido dissipada com o sono, talvez...
Elena riu alto, de forma escandalosa.
– Você é tão gostoso! — disse.
Bufei irritado.
Claro, porque nunca podia ser fácil para mim, não é?
Ajudei ela a se sentar na cama e lhe entreguei uma xícara de café que eu havia colocado em meu criado-mudo havia poucos minutos.
– Bebe isso — pedi, levando a xícara até a boca dela.
Ela bebeu alguns goles antes de gemer abaixo de mim e tirar a xícara da boca.
– É amargo — reclamou, fazendo biquinho para mim.
Sorri por causa de sua birra e voltei a oferecer o café para ela.
– Eu sei, hermosa — falei. — Mas você tem que beber.
Elena me encarou, seus olhos castanhos brilhando com algo que eu desconhecia.
– Amo quando me chama de hermosa — sussurrou de forma estranhamente lúcida. — Me deixa arrepiada toda vez que eu escuto isso na sua voz.
Encarei ela também, esquecendo-me totalmente da xícara em minhas mãos.
– O que? — perguntei como se não houvesse escutado direito.
Ela esticou uma mão e tocou meu rosto de forma delicada.
– Muito gostoso — falou. — E meu melhor amigo... Sabe quantas vezes quis agarrar Damon Salvatore? Ele tem uma boca tão lindaaaaaa! — me confidenciou de maneira animada. Então olhou ao redor assustada e se aproximou de mim — Não conta pra ele — pediu em um sussurro. — Ele sabe que eu amo o irmão dele... Mas eu amo ele também! — ela saltou na cama com os olhos arregalados — Meu deus! — berrou — Eu sou uma vadia!
Meu queixo caiu no chão diante daquela confissão de Elena.
– Mas Damon nunca me viu como algo mais que a melhor amiga dele — disse com tristeza, — não que eu tivesse notado algo nele antes de hoje... — ela riu alto — Sou tão cega! E vadia! Uma vadia cega!
Então ela caiu para trás na cama enquanto ria.
– Elena — chamei, um pouco chocado, — acho melhor terminar esse café.
Ela saltou sentada novamente.
– I LOVE ROCK N’ ROLL — gritou com todo o folego a musica mais conhecida de Joan Jett — SO PUT ANOTHER DIME IN THE JUKEBOX, BABY! I LOVE ROCK N’ ROLL! SO COME…
– Elena! — interrompi de forma desesperada, meus ouvidos ameaçando doer por conta de sua voz desafinada — Por favor, não cante.
Ela fez bico.
– Mas eu gosto de cantar — reclamou.
– Se beber todo esse café te deixo cantar — prometi, — pode ser?
Seu bico cresceu.
– Mas é amargo.
– É isso ou nada, você que sabe — barganhei.
Ela bufou, mas chegou o rosto mais perto, exigindo sem usar palavras que eu lhe desse café em sua boca.
Suspirei aliviado e levei novamente a xícara até seus lábios.
Desta vez ela bebeu tudo sem reclamar.
– Viu? — perguntei — Não foi tão ruim.
Ela sorriu para mim, seus olhos levemente turvos por conta do álcool.
– Possocantar? — pediu.
Dei de ombros, previamente lamentando por meus ouvidos.
– Buddy you’re a boy make a big noise, playin’in the street gonna be a big man some day — cantou alegremente, — you got mud on your face, you big disgrace, kicking your can all over the place…
– Queen? — perguntei, aprovando sua escolha musical.
Seu sorriso se alargou enquanto ela passava a berrar:
– SINGING! WE WILL, WE WILL ROCK YOU!
– Ok! — falei — Já cantou. Posso te colocar no banheiro agora?
Ela me encarou desconfiada.
– Porque o banheiro?
Eu sorri para ela.
– Porque você precisa de um banho frio para dissipar o efeito do álcool — expliquei.
Ela se aproximou mais de mim.
– Não estou bêbada! — se defendeu, seu hálito de café e vodka pura atingindo meu rosto.
Afastei ela um pouco.
– Talvez precise escovar os dentes também.
Ela se jogou no encosto da cama, cruzando os braços e projetando outro bico em sua boca.
– Não quero — disse.
– Elena... — chamei com paciência forçada.
Ela então saltou da cama, ficando em pé a pouca distancia de mim.
– Só se você me der banho — pediu, transformando, de alguma forma, seu bico em um sorriso estranhamente sexy.
– Elena... — chamei novamente, prendendo minha respiração.
Ela riu e deu curtos pulinhos enquanto segurava firmemente a barra de seu vestido.
– Posso fazer um strip pra você — anunciou, animada com a ideia. — Como o que você interrompeu na festa! Posso até cantar! Que musica você quer?
– Elena...
– Tá na hora, tá na hora! — cantou, continuando seus pulos curtos — Tá na hora de brincar! Pula-pula, bole-bole, se embolando sem parar!
– Xuxa? — questionei, segurando o princípio de uma risada.
Ela parou e me encarou de maneira pensativa.
– Não é muito sexy, né? — concordou — Vou tentar outra...
– Não precisa... — comecei, mas ela não me deixou terminar, voltando com sua cantoria.
– Super fantástico! No balão mágico, o mundo fica bem mais divertido!!! — ela pausou novamente, seu bico voltando com força total — Também não é sexy! — reclamou.
Ri de sua histeria, começando a andar em sua direção, mas Elena me parou com uma mão.
– E se eu cantar Rouge? — perguntou.
Não pude conter uma gargalhada.
– Acho melhor você não...
– ASEDERE RA DE RE! DE HEBE TU DE HEBERE SEIBIUNOUBA MAHABI AN DE BUGUI DE GUIDIDIPI!
E ela cantou e fez aquela dançinha ridícula. Acho que nem preciso dizer que ri até minhas tripas naquele momento, ou preciso?
– Já sei! — ela anunciou enquanto eu tentava me recuperar. — A Bela e a Fera!
Engasguei, me esforçando em parar as risadas.
– Vá em frente — desisti, achando aquilo tudo divertido demais para terminar agora.
– Senta — mandou.
Obedeci de pronto, encarando ela e esperando seu próximo movimento.
Realmente esperava que Elena não se lembrasse de nada disso amanhã.
Ela limpou a garganta e começou a mexer os quadris devagar.
– Sentimentos são... — cantou baixinho, sua voz estando mil vezes melhor — Fáceis de mudar, mesmo entre quem, não vê que alguém, pode ser seu par... — seus dedos voltaram a barra de seu vestido e ela alisou suavemente aquele ponto, sem levantar nem um centímetro o mesmo — Basta um olhar, que o outro não espera... Para assustar e até perturbar, mesmo a Bela e a Fera... — seus quadris continuavam balançando, seus dedos se engancharam na barra de seu vestido, enquanto ela passou a levantá-lo. Milímetro por milímetro — Sentimento assim, sempre é uma surpresa. Quando ele vem, nada o detém, é uma chama acesa...
Eu não podia respirar. Não importava o quanto a música era infantil ou o quanto Elena era desafinada. Sua voz rouca, somada com seus quadris e seu vestido sendo erguido era uma coisa malditamente sexy.
Inferno! Meu membro estava quase rasgando minha calça, de tão duro que estava ficando.
– Sentimentos vêm... — ela continuou, levantando mais o vestido, mostrando perfeitas e bem desenhadas coxas — Para nos trazer, novas sensações, doces emoções... E um novo prazer...
A barra do vestido passou suas coxas, chegando até a renda de sua pequena calcinha branca.
Meu membro pulsou.
– Numa estação... Como a primavera... — continuou cantando, agora com todo o quadril descoberto, e mostrando boa parte de sua bela barriga — Sentimentos são, como uma canção... Para a Bela e a Fera.
Elena finalizou, erguendo completamente o vestido e o jogando em qualquer canto.
– Foi sexy? — perguntou.
Mordi fortemente meus lábios enquanto encarava sua pele alva.
Elena era perfeita. Linda. Gostosa...
Como eu nunca havia percebido aquilo antes?
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