A Aposta

54 Varinha das Varinhas


Notas iniciais
Olá meus Caros Leitores :)
Espero não ter demorado.Aqui está um capítulo fresquinho pra vocês ! Tentei fazê-lo com bastante ação , então realmente espero que gostem.
Até lá em baixo !

A noite estava fria o bastante para fazer os garotos se encolherem.

A lua cheia brilhava no céu belamente e a noite estava linda e cheia de estrelas. Porém Draco e Hermione estavam a caminho de um cemitério e em meio a cadáveres dos mais variados Bruxos de todo o mundo, não havia tempo para se perder apreciando a paisagem.

-Eu poderia ser um cavalheiro e te dar a minha jaqueta para que você não passe frio – Disse Draco se encolhendo com o golpe do vento gelado – Mas eu também não trouxe merda de jaqueta nenhuma.

-Eu agüento – Disse Hermione assoprando as mãos congeladas

-Pelo que conheço do caminho, acredito que no final dessa rua será o cemitério onde Snape está enterrado.

-Espero que esteja certo.

Na realidade Hermione esperava muito mais do que isso.Sua mente estava cheia de preces e receios insanos. Ela precisava acreditar no que sua mente se recusava. Por que a varinha das varinhas estaria junto ao cadáver de Snape? Apenas porque os sonhos de Draco informaram isso?

A idéia insana de estar caindo em uma pegadinha não parava de martelar em sua mente. O castelo que eles deixaram para trás ficava longe demais para eles voltarem agora que chegaram tão perto.

Andando na calçada daquela noite fria estavam Hermione e Draco. O próprio uniforme de Hogwarts que consistia em apenas um colete em cima de uma camisa social de botões, gravata e uma capa fina com touca.O conjunto completo era útil em um castelo quente e acolhedor, porém ali naquela rua fria de trincar os lábios, aquela não era exatamente a vestimenta ideal.

Instintivamente Draco colocou um de seus braços ao redor da menina trêmula.

-Vamos ficar bem – Sussurrou

-Se não morrermos congelados.

Ele soltou uma risadinha.

Ela se acomodou naqueles braços sem conseguir lutar contra eles. Afinal naquele frio incessante, o calor do corpo de Draco Malfoy era muito mais atraente pra ela agora.

Ao longe eles podiam visualizar a imagem assustadora do cemitério. As centenas de lápides brilhavam a luz do luar sendo rondadas por uma neblina suave e vacilante.Vapor condensado saía da boca de Draco e Hermione devido ar frio que saia através dos lábios semiabertos.

-Espera – Sussurrou Hermione ágil pegando o braço de Draco com força para ele parar de andar – Olhe a entrada do cemitério. Tem alguém lá.

Os olhos acinzentados conseguiram ver a imagem masculina de um homem sentando despreocupadamente em um banco de cimento em frente ao cemitério. Eles não podiam ter certeza, mas era quase certo de que esse deveria ser uma espécie de vigia noturno.

-Não sabia que cemitérios tinham guardas 24 horas – Disse Draco irritado – Ele não nos deixará entrar.

Hermione suspirou pensativa. A imagem daquele homem sentado deixava sua mente muito mais clara agora.

-Só existem guardas quando há realmente algo a se proteger. – A voz da menina era séria – Ele não deve estar sendo pago para vigiar a segurança dos cadáveres. Ele está ali para vigiar algo muito maior.

-A Varinha das Varinhas. – Draco deduziu

O homem sentado parecia despreocupado, mas de fato ele estava com o uniforme completo. Junto a sua mão direita ele carregava de prontidão uma varinha, enquanto na outra ele tinha uma lampião desligado.

-Ele provavelmente não sabe que está protegendo algo tão valioso. Mas a pessoa que contratou ele para ficar de vigia sabe da existência da Varinha das Varinhas ali.

-Então devemos estar atrasados – Draco bufou – Se o cara que contratou esse vigia sabe sobre a Varinha das Varinhas, ele já deve tê-la pego.

-Talvez – Sussurrou Hermione – Mas estou curiosa para descobrir.

Draco sorriu, gostando da vibração positiva e sentindo a adrenalina no corpo da menina.Feliz pelo vigia distraído ainda não tê-los avistado,Draco pegou sua varinha e apontou para o homem ao longe.

-Cuidado com isso – Sussurrou Hermione – Talvez tenha mais gente com ele. Talvez Voldemort esteja por aqui também...

-Você se preocupa demais. – Ele mirou o Homem com perfeição fechando apenas um de seus olhos.

-Me preocupo com você.- A menina corou ao dizer – E acho que você não deveria...

-ESTUPEFAÇA – Berrou Draco.

O raio azul saiu pela varinha do menino sendo lançada no homem despreparado. O vigia foi arremessado para trás contra as grades do cemitério fechado.

-Rápido – Sussurrou Draco segurando a mão de Hermione puxando-a velozmente para correr–Não temos muito tempo.

Eles apressaram o andar velozmente. Chegando mais perto Hermione pode ver que o vigia estava inconsciente, mas era questão de segundos. Ágil, como sempre, Draco escalou as grades do portão para conseguir invadir o cemitério com grades trancadas.

Hermione que não era boa escaladora se dirigiu até o portão, pegou sua varinha dizendo “Alohomora” e o portão se abriu instantaneamente. Ao passar a menina teve o cuidado de voltar a trancar o portão para não dar vestígios de que tivera entrado.

Draco a observou incrédulo.

-Por que você não destrancou o portão antes de eu tê-lo escalado todo?

A menina mordeu a boca prendendo o riso e dando o máximo de si para permanecer séria.

- Vamos rápido com isso. Ele já vai acordar.

-Espere – Sussurrou Draco pegando a varinha do bolso de sua capa

Ele se aproximou do vigia e atravessou seu braço entre as grades de metal fazendo sua varinha tocar na cabeça dele.

-Sudden Unconsciousness

Hermione conhecia bem aquele feitiço. Ela o usara contra o próprio Draco para fazê-lo ficar inconsciente e seguro trancado a sala precisa para deixá-la lutar ao lado de Rony para proteger Harry na guerra.

O guarda permaneceu parado onde estava, porém agora parecia que ele tinha caído em um muito sono profundo.

-Temos mais tempo agora.Não precisamos ter tanta pressa. – Anunciou Draco

-Ótimo.

Afinal procurar o nome de Severo nas lápides levaria certo tempo já que eram centenas delas ali naquele cemitério. Mesmo que todas estejam organizadas em ordem alfabética, a quantidade de lapides por ali era assustadora.

-Conversou com Gina e Harry?

-Sim – Disse Hermione – Eles irão fazer tudo como pedimos, conforme foi o nosso plano.

-Perfeito.

E a dupla partiu em direção as lapides sem ter a consciência de alguém os observava silenciosamente ao longe.

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-Tem certeza que isso irá dar certo? – Gina perguntou insegura

-Ah tenho – A voz de Harry era travessa acompanhada de um riso – Isso vai deixar Umbridge enlouquecida.

O plano era: Manter Dolores Umbridge ocupada o bastante para que a mesma não notasse a ausência de Draco e Hermione no castelo.E qual a melhor forma de fazer isso além de travessuras?

E ali estavam eles, Harry e Gina dando o pescoço para salvar seus companheiros de Armada.

Mas para Harry aquilo não era nenhuma grande tarefa. Enlouquecer Dolores Umbridge fazia bem a sua alma jovem sabendo que essa mulher fazia tanto mal a todos. Ela deveria ser realmente letal, mas estranhamente,Harry não temia nenhum sermão ou detenção que poderia receber fazendo aquela travessura. Ele fazia de bom grado, sua vida estava entediante demais para ele recusar um pouco de ação acompanhada de adrenalina.

Gina por outro lado estava receosa.Dolores poderia ficar enraivecida o bastante para comunicar aquilo a sua mãe e ela poderia receber uma grave conseqüência e um belo castigo por fazer aquilo. Mas não teria como a mesma voltar atrás. Afinal ela já dera a sua palavra que faria.

-Pronta? – Harry perguntou enquanto a menina tomava ar engolindo em seco

-Sim.

Uma mão agarrou a outra. Gina estava melhor agora.

Harry ergueu a varinha no ar apontando nas exatas cinco bombinhas que ele havia espalhado por todo corredor ativando todas elas com as palavras mágicas.

O estardalhaço barulhento explodiu no ar junto com as faíscas.Metade do castelo com certeza deveria ter escutado aquilo.

Harry gargalhou. Era bom saber que os Gêmeos Weasley tinha o mesmo arsenal de bagunça que eram as famosas Gemialidade s Weasley, e tudo era ainda mais interessante sabendo que Gina tinha acesso a tudo.

Harry apreciou o efeito luminoso. Apesar de terem destruído uma boa parte do piso, era bonito de se ver, como fogos de artifício, mas eles não tinham muito tempo.

-Vamos – Gina puxou a mão dele para ele despertar de seu pequeno transe.

Juntos e ainda de mãos dadas eles começaram a correr. De alguma forma eles sabiam que seriam pegos. De alguma forma eles sabiam que sair correndo da cena do crime era a desculpa perfeita para serem considerados culpados.

Ao correrem passando pela curva do corredor bombardeado logo eles dão de cara com Filch.

O homem ranzinza tinha a mesma carranca de sempre.Com exceção dos olhos. Eles estavam arregalados e apavorados.

Apesar do barulho alto, eles só conseguiram estragar uma parte do piso antigamente impecável. As paredes e o teto só estavam com uma pequena camada de fuligem e muito fumaça ao redor.

Junto a Filch carregada em seus braços estavam a onipresente gata Madame Nora que fitava o casal visivelmente culpado.

-Opps – Disse Harry tentando parecer mais culpado que o óbvio

Gotas de suor faziam-se presente na testa de Gina.

-Acho que peguei vocês em flagra Garotos – Disse Filch com um meio sorriso mostrando seus dentes amarelados.

-MAS QUE BARULHEIRA FOI AQUELA? QUEM FEZ ESSA PALHAÇADA? FILCH? –Ao longe, podia-se distinguir a voz da diretora.

Gina quase teve um infarto. Ar lhe faltava nos pulmões. Mas a mão de Harry ali na dela, a fazia continuar inteira. Por hora.

Ela apareceu ao longe. Com suas rotineiras roupas rosas, seu cabelo curto castanho e os olhos letais.Seu rosto que sempre carregava uma expressão idiota estava realmente nervoso.Dolores Umbridge.

-Achei os porquinhos culpados – Disse Filch com a voz deliciada – Esses dois foram pegos na cena do crime Diretora. São os culpados pelas bombas.

Zangada a diretora caminhou até eles.

Gina foi perdendo o fôlego com cada passada letal da mulher. Parecia insano, mas aquilo era inaceitável para ela.

-Quero que me expliquem agora o que os levou a fazer isso!

Gina e Harry abaixaram a cabeça culpado sem saber o que dizer ou como explicar um ato de rebeldia como àquele que não havia nenhum fator motivador para acontecer.

-Falem! Eu estou esperando!

A risadinha deliciosa de Filch foi abafada por sua própria mão. Era delicioso para o Zelador ver algum aluno entrando em alguma boa enrascada como aquela. Ele sabia que a Diretora não seria piedosa. Madame Nora miou baixinho como se também estivesse rindo com seu dono. Essa gata era realmente malvada.

-Se nenhum dos dois me der uma explicação decente agora mesmo, o castigo de vocês será duplamente pior. E estou me referindo a expulsão! – Relinchou a Diretora.

Gina ergueu a cabeça de imediato. E ao ver que Harry não pensara em nenhuma explicação plausível ela decidiu inventar a sua própria.

- Nós estávamos entediados Diretora – Disse Gina com a voz trêmula – Não pensamos que cinco bombinhas dessas fariam tanto barulho assim. Eu juro que nós dois iríamos limpar tudo depois que explodissem.

-Não pensaram que iriam fazer tanto barulho? – A voz da mulher era irônica – Francamente! Eu estava a dois andares a cima deste quando escutei em alto e bom som! Pensei que a escola toda estava sendo bombardeada e meu coração quase parou!

Deveria ter parado” – Pensou Harry ironicamente controlando todas as forças do seu corpo a não rir ali mesmo.

-Eu deveria saber que o famoso Harry Potter estava envolvido nessa nova aventura. Por que não inventa outra coisa para chamar atenção Sr. Potter?

Harry abriu a boca para dar uma boa resposta.Mas ao contrário dele, Gina tinha noção do perigo e falou antes que ele piorasse as coisas:

-Não fizemos nada para magoá-la, Diretora.

-Vocês querem é me deixar louca! –A mulher rosnou.

-Não precisamos. A Senhora já é. – Disse Harry.

Essa era demais. A risada de Filch preencheu o ar, o homem não conseguiu agüentar ao escutar essa.Porém ele mordeu a sua boca para não dar outra gargalhada. Afinal ele não queria que o próximo alvo da diretora fosse ele.

-Filch? – A Diretora chamou com a voz estranhamente firme e hostil tão diferente de sua voz infantil e zombeteira.

-P-Pode falar Diretora.

-Leve-os a Sala dos Sonhos. Deixe-os lá por um bom tenho e mantenha esse lugar interditado. Se eles sobreviverem aquele lugar, eles poderão limpar esse corredor cheio de fuligem.Esse será o castigo.

A mulher andou até a dobra do corredor fazendo barulho com seu pequeno salto também cor de rosa. Antes de sumir ela virou-se para Harry e Gina.

-Tentem sobreviver.

Gina e Harryinstantaneamente relaxaram. Não só por que a Diretora havia ido embora.Mas por que a Sala dos Sonhos não seria nenhum desafio para eles, uma vez que Draco e Hermione já foram parar lá e contaram o segredo da sala a eles. Consistia apenas em uma sala toda branca aparentemente normal.Porém ali, a mente deles era forçada a “desligar” ao ponto de dormir para a que eles tenham sonhos.O pior sonho de suas vidas.Neles seu pior pesadelo torna-se real, porque você simplesmente acredita nisso.

Porém é só gritar o feitiço “libertar” para se sentir livre de tal sonho macabro.

Porém a dúvida que rondava na mente de Harry e Gina enquanto Filch jogava os meninos na sala era a mesma: Aquilo fora o bastante para fazer Dolores não perceber ausência de Draco e Hermione?

Provavelmente sim. Afinal eram 9 horas da noite e muitos alunos dormiam cedo. Os mesmo deveriam ter se acordado com o barulho das bombinhas e provavelmente procurariam pela Diretora ou pelo Zelador para perguntar a origem de tanto barulho e isso exigiria dela certo tempo fazendo a mulher querer deitar mais cedo aquela noite e não perceber sequer a ausência de qualquer um de seus alunos fora do castelo.

Mas o que Harry e Gina iriam fazer presos àquela sala uma vez que a sala dos sonhos não poderia mais levá-los a seu pior pesadelo possível?

Talvez a inconsciência ruim e irreal fosse melhor que a realidade verdadeira.

Pelo menos para eles.

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A adrenalina dera a Draco e Hermione o calor desejado e agora eles já não estavam mais congelando tanto. Mas à medida que a noite se arrastava eles sabiam que teriam de fazer aquilo logo.

As lápides estavam organizadas em ordem alfabética, então eles apenas procuraram pelo “S”. Segundos depois o peso da realidade atingiu eles. A lapide marmórea de Snape estava lá,intacta e sem nenhuma flor.

-A terra continua a mesma – Disse Draco analisando a grama que começara a nascer – Ninguém tentou cavar esse tumulo.

Hermione estava feliz. Acendeu sua varinha com o “Lumus” para poder ter certeza do que ele dizia. Era verdade. A terra não fora mexida.

-Ótimo.

Se aquilo não fosse uma pegadinha, a Varinha das Varinhas deveria estar ali pois devido a grama crescida, ninguém fora até ali.

Hermione conjurou duas pás do mesmo estilo que os trouxas usam, deu uma delas a Draco e ela guardou sua própria varinha para conseguir pegar sua pá.

-Não sabia que precisaríamos fazer esse trabalho pesado – Resmungou Draco pegando a pá e enfiando na terra com a maior força possível.

-E o que esperava? Não pensou que Snape iria ressurgir das sombras para nos dar a Varinha, pensou? – A menina fez o mesmo que ele e enfiou sua pá fundo da terra.

Eles teriam um trabalho enorme com aquilo.

-Deveríamos ter trazido mais alguém – Disse Hermione depois de dez minutos –Nós cavamos isso e parece que não chegamos a lugar algum.Três pessoas trabalham mais do que duas.

-A quem se refere? Do jeito que Harry é magro a pá deve pesar mais do que ele e ele mal conseguiria nos ajudar.

Hermione revirou os olhos.

-Poderia ser qualquer um – Disse Hermione – Já seria uma ajuda. Cedrico parece ser bom em fazer trabalho como esse, agora que ele é um membro, nós poderíamos tê-lo chamado. Ele seria útil, afinal vamos ficar duas horas cavando isso aqui.

Draco trincou os dentes.

-Cedrico, hun? – Perguntou ele desconfiado enquanto ainda fazia seu trabalho com a pá.

-Qual é o problema? Não confia nele?

-Não confio em você. – Draco foi sincero na resposta, porém ele ainda mantinha seu corpo concentrado em sua tarefa enquanto seus ouvidos estavam concentrados no que ela iria dizer.

-O que quer dizer?

-Eu vi bem o jeito que você tratou ele quando Cedrico entrou pela primeira vezna Sala Precisa. “Seja bem vindo a nossa Armada Cedrico” – Ele imitou Hermione com uma voz esganiçada e tosca.

-E qual é o problema? – Hermione grasnou – Eu não posso ser simpática com ninguém?

-Isso não é nada bonito. Luna não vai gostar nada quando souber que você deu em cima do namoradinho dela.

Hermione abriu a boca completamente incrédula. Ela parara de se movimentar com a pá. Apenas Draco continuara com a tarefa.

-Está insinuando que eu dei em cima do Cedrico? – Rosnou Hermione – Isso não é nenhum um pouco da sua conta , mas pra sua informação Luna e Cedrico não são namorados coisíssima nenhuma! Eu mesma perguntei a ela!

-Muito conveniente. – A voz de Draco era letal à medida que ele também parara seu trabalho com a pá – Você agora está buscando informações sobre ele? Por que você perguntou a Luna se eles estavam juntos? No que isso te interessa? Por que isso afeta a sua vida?

-CALA A BOCA! PARA! – Gritou ela.

-Não faça um escândalo! Alguém pode aparecer ao ouvir os seus gritos!

A menina mordeu o lábio para não gritar. Ele estava afetando seus nervos.

-Pegue a porcaria dessa pá e trabalhe! Agora! – Ela quase gritou.

-Sim Senhora! – Ele pegou a pá e tornou a enfiá-la na terra cavando fundo – Mas você sabe quem está certo aqui.

-Sim, eu sei. – A menina voltou a fazer o serviço, birrenta– Eu estou!

-Não! Eu estou certo!

-Vamos ficar nisso por quanto tempo, Senhor Malfoy? – A voz da menina era irônica.

-Até você admitir que estavadando em cima do Cedrico. Afinal, você estava não é?

-E por que isso te afeta tanto?

Pronto. A pressão chegou até ele e inesperadamente à pele da bochecha de Draco começou a arder como brasas. Ele podia ter certeza que estava muito vermelho naquele momento, mas ficou feliz por estar escuro o suficiente para que ela não pudesse ver.

-Não me afeta. – Ele deu de ombro enquanto ainda capinava na terra – Vamos parar de discutir, né? Isso não faz sentido algum...

-Certo.

Mas foi apenas depois de uma hora aproximadamente que eles conseguiram cavar o bastante para que o caixão de Snape pudesse ser visualizado em meio aquela imensidão de terra.O ex casal estava exausto. Seus músculos protestavam pelo trabalho físico árduo e o cabelo grudava na pele melecada de suor.

Mas lá estava ele. O caixão era amadeirado e provavelmente envernizado devido o brilho.Era complicado distinguir a cor naquela imensa escuridão uma vez que a tonalidade era levada junto com a escuridão da noite, mas era provável que aquilo fosse um marrom muito escuro. Quase preto.

-Não entendo por que gastar dinheiro com um caixão tão bonito como esse – Analisou Draco depressivo vendo como a madeira envernizada tinha um brilho lindo e reluzente – Ele já morreu. Está morto. O caixão será sugado pela terra por toda a eternidade. Então por que investir tanto dinheiro em um caixão tão bonito se ele não será nem ao menos apreciado?

A menina se encolheu com as palavras de Draco. Saber que o corpo morto de Snape estava ali, a poucos centímetros dela...A lembrança da morte dele bateu nela forte como o vento que soprava. Ela não podia deixar de se sentir culpada. Ela poderia tê-lo salvo. Ela poderia ter feito algo, além de ser uma imprestável. Mas ela poderia por seu disfarce em risco...

Mas Hermione ainda era capaz de se lembrar do modo medíocre de como ela se jogou nos pés de Voldemort implorando misericórdia, para que ele poupasse a vida de Snape.

–Não mestre! – implorou Hermione – Não pode matá-lo! – Disse ela se jogando aos pés dele desesperada –Lembre-se que ele é um de nós.

–Cale-se garota! – Rosnou ele chutando Hermione para longe

A morena teve que engolir as lágrimas e a dor.

Fora uma péssima idéia estar ali.Ela resolveu fechar os olhos quando Voldemort proferiu o feitiço que lhe trouxe tanto prazer.

–Avada Kedavra! – Disse em meio aos risos enquanto uma luz verde era inserida sob a pedra.”

Mas não foi o bastante. Ele estava ali a sua frente. Morto.

Draco abriu o caixão enquanto Hermione ainda estava presa nos mesmo pensamentos macabros.

E essa sem dúvida foi a coisa mais feia que Draco e Hermione já viram em sua vida.

Snape estava visivelmente sem vida. Com sua rotineira veste negra que nunca lhe saia do corpo. A pele mais pálida que o usual com um ar translúcido e por mais que Draco e Hermione não o tivessem tocado ainda, sua pele parecia fria.

Mas eles repararam em algo mais. Com os braços curvados em frente ao corpo, suas mãos seguravam uma coisa. Uma varinha pontuda e extremamente chamativa.

O braço de Draco foi automático e rápido. Mas alguém foi mais eficaz

-Accio varinha das varinhas!- Uma voz masculina e desconhecida gritou.

Antes que Draco pudesse tocar na varinha, a mesma voou velozmente no ar se enfiando no meio dos arbustos a uns cinco metros de distancia.

-Merda – Praguejou Draco.

Sem perder mais tempo eles ergueram-se rápido e se enfiaram na floresta em busca do intruso que lhe roubara a varinha com o feitiço convocatório.

Draco e Hermione eram velozes e suas pernas se moviam com agilidade driblando as àrvores que se punham no caminho.Ao longe, eles podiam ver o invasor.

Alto.

Era a única característica que eles podiam analisar momentaneamente, uma vez que o mesmo usava uma veste negra e uma máscara.

O coração de Hermione começou a bater loucamente. Suas pernas por mais que quisessem se mover mais velozes elas estavam fraquejando.Aquele era um comensal da morte.

O disfarce acabara? Draco e Hermione foram pegos? O comensal que lhe roubara a varinha havia visto Draco e Hermione trabalhando sob as costas de Voldemort. Ele distinguiria isso como traição? Contaria ao Lorde das trevas tudo que ouvira? Ou era apenas um idiota fracassado que gostava de se vestir como Comensal para amedrontar quem o visse?

Draco ganhava terreno com sua velocidade. Provavelmente o intruso não era bom em aparatar em alta velocidade, caso contrário já o teria feito.

Hermione aproveitou a oportunidade.

-Estupefaça! – Berrou apontando para o homem que corria a sua frente.

O raio azul atingiu o homem que corria e o feitiço fez seu corpo ser lançado contra uma árvore.

Hermione e Draco queriam descansar, mas não podiam se arriscar.

Cansados pela corrida exaustiva, mas ainda conscientes do que estava em jogo ali, Draco agarrou o corpo do homem antes que o mesmo atingisse o chão arrancando a varinha das varinhas da mão dele e enfiando em seu próprio bolso. Enquanto as mãos de Draco estavam ocupadas demais imobilizando as mãos do rapaz,Draco deixou o capuz da capa negra cair para agarrar os cabelos negros e longos do homem e puxá-los para trás deixando ainda mais aparente seu pescoço onde Hermione lhe apontou a varinha.

Aquele era Walden Macnair.O homem mantinha um trabalho no Ministério da Magia como carrasco e as escuras é Comensal de Voldemort. O homem era definitivamente feio e assustador. Seu rosto letal agora estava franzido devido o modo como Draco puxava seus cabelos negros e compridos até o ombro e o mesmo era tão alto que Hermione tinha que erguer o braço para conseguir manter sua varinha no pescoço do mesmo.

-Fale agora – A voz de Draco era ameaçadora – Voldemort te enviou aqui? Conte tudo que sabe!

Uma risada sarcástica preencheu o ar. Oh, ele era sádico. Ele ria das palavras de Draco enquanto observava Hermione a sua frente com um sentimento indescritível.

- E o que pretende fazer? Me matar? — Ele sorriu mostrando os dentes amarelados.

Hermione observou que a voz dele era rouca, quase sumindo e ele tinha mauhálito nos instantes que abriu a boca para falar. Vê-lo ali, fez Hermione se lembrar automaticamente de Voldemort.

-Não tem medo de morrer Macnair? – Pressionou Draco puxando ainda mais seus cabelos.O homem engoliu a dor soltando mais um riso.

-Então vamos ter que arrumar alguma maneira de fazê-lo temer a morte – Disse Hermione cutucando o pescoço dele com a ponta de sua varinha- Já sentiu a dor do Cruciatus? Dói mais do que se pode suportar...

Os olhos dele entraram em conexão com os dela. A menina estava sendo sincera. Quando o Cruaciatus atinge alguém, tudo o que se deseja é morrer.Era preferível que ele falasse agora, pois ela faria o feitiço se precisasse. Se Macnair fosse solto, ele como comensal fiel, poderia falar com Voldemort sobre a deslealdade de Hermione e Draco e aquilo seria a ultima coisa que ela desejava no momento. Pois se Macnair abrisse a boca, seria Draco e Hermione que sentiriam a verdadeira dor do Cruciatus e seriam eles a implorar pela morte.

-Desembucha – Pressionou Draco enquanto Macnair ainda olhava para Hermione tomando consciência o que menina falara para ele – Quem te mandou aqui?

Hermione cutucou mais uma vez o pescoço dele com a varinha para intimidá-lo. Ele engoliu em seco antes de abrir a boca. Chegava a ser estranho olhar. Ele era um homem alto e amedrontador e vê-lo ali completamente rendido era realmente uma cena para se apreciar.

-Voldemort estava atrás da varinha das varinhas.Ele queria o poder ilimitado que a lenda dizia que a varinha mágica possuía. – Informou Macnair com sua voz rouca – Nós usamos o imperius em um pessoal estranho do Ministério da Magia que sabia um pouco sobre essa Relíquia da Morte em especial. Um deles nos deu uma informação um tanto valiosa. Disse que sabia apenas que a varinha das varinhas estaria no cemitério de Hogsmead.E Voldemort escolheu a mim para vir averiguar e conseguir a Relíquia que ele tanto quer.

Imediatamente Hermione deu uma rápida olhada ao redor. Voldemort mandara apenas Macnair para uma missão como aquela? Será que ele estava mesmo sozinho?

-Vocês dois não foram informados sobre a missão por que estavam dentro do castelo e não ajudariam em nada sendo que a missão era para vir para esse cemitério. Vim para cá assim que Voldemort deu a ordem, eu simplesmente não sabia por onde começar ou onde procurar uma varinha como aquela aqui nesse lugar.Enxerguei vocês ao longe enquanto passavam pelas grades do portão e entendi na hora que eram agentes infiltrados com o mesmo objetivo que o meu: Conseguir a Varinha das Varinhas. Mas invés de matá-los eu decidi esperar. – Ele sorriu para Hermione – É o mais inteligente a se fazer, certo? Uma vez que eu nem sabia onde a varinha das varinhas poderia estar e vocês sabiam de todas as informações precisamente. Vi que vocês se dirigiam ao túmulo de Snape, e era lá que a varinha estava.

-Parece que agora você finalmente está com medo? – Disse Draco deliciado.

Hermione ainda estava astuta e com a guarda alta.

O homem gargalhou debilmente, e o som da risada dele fazia os garotos se lembrarem automaticamente de Bellatriz Lestrange.

-Vocês deveriam estar, não eu.

-E por que diz isso? – Hermione perguntou.

-Por que eu não estou sozinho aqui. – Ele soltou uma risada hilariante enquanto Hermione olhava para os lados, medrosa. – Não procure ao seu redor, menina. O comensal da morte não está aqui agora. Vocês passaram por ele desde o início...

Draco perdia o ar, enquanto ainda lutava com todas as suas forças para manter o homem enorme paralisado.Hermione tinha seus olhos presos no dele, à medida que lentamente seu cérebro captava o que ele estava tentando dizer.

Ele sorriu mostrando seus dentes amarelados para ela.

-Exatamente, garota.Voldemort te elogia muito.O quão inteligente você realmente é?– A voz rouca pronunciou – Ligue os pontos. Nem todos os comensais da morte precisam usar uma capa negra e uma máscara para serem considerados comensais...

-O Homem vestido de guarda... Era um... Comensal?- Deduziu Hermione ficando sem ar.

A risada de Macnair era uma confirmação.

-Fico me perguntando se ele ainda está inconsciente, ou se ele já está acordado correndo na direção de Voldemort para contar tudo o que viu hoje a ele. Ele vai contar sobre a deslealdade de vocês, vai contar tudo o que vocês escondem por meses.

-Hermione – Disse Draco com a voz forte – Ele pode estar blefando e ser apenas uma armadilha para nos distrair e nos fazer ir na direção do guarda para deixá-lo vivo. Pode ser um truque.

-Mas pode ser verdade – Contra atacou Hermione – Voldemort não iria mandar um único comensal para uma missão importante como essa.

-Certo. – Draco pegou sua varinha com velocidade e apontou para as costas de Macnair – Avada Kedavra!

Hermione sentiu choque. Macnair estava olhando para ela, com aqueles olhos grandes e sádicos quando seu coração parou de bater.O homem alto e magro caiu no chão completamente sem vida.

-Por que fez isso? – Grasnou Hermione sem fôlego.

-Não há tempo há perder! – Disse Draco veloz – Se Macnair falava a verdade, temos que silenciar aquele comensal que se fazia de guarda para sempre. Caso contrário, nós iremos morrer.

E eles já estavam em alta velocidade novamente. Seus músculos ardiam, principalmente as pernas pela correria e os braços pelo esforço com a pá. Mas ainda sim, eles estavam ali, pois era melhor ter músculos para sentir dor, do que estar completamente morto. Se Voldemort soubesse sobre sua deslealdade seria morte na certa.

Enquanto eles corriam na direção da entrada do cemitério a mesma dúvida rondava na cabeça deles. O guarda ainda estaria inconsciente?

As palavras de Macnair o assombravam por completo. Será que o homem era realmente comensal? Será que ele não estava nesse exato momento contando a Voldemort que vira Draco e Hermione entrando naquele cemitério, contradizendo sua lealdade?

Mas assim que eles chegaram à entrada daquele lugar macabro que era o cemitério eles relaxaram imediatamente. O homem ainda estava lá, no mesmo lugar que Draco o havia largado, na mesma exata posição. Ele estava claramente dormindo na sua mais profunda inconsciência. O feitiço de Draco fora eficiente.

Hermione se aproximou curiosa se ajoelhando com cuidado ao lado do homem deitado e inconsciente. Ela pegou o braço direito dele e ergueu a manga para observar seu antebraço.

-Macnair não mentiu- Disse Hermione sem ar observando a marca da maldição marcada na pele do antebraço do homem desmaiado.

-Temos que matá-lo. Ele nos conhece, nos viu jogar feitiços nele. Ele é perigoso e pode nos denunciar para Voldemort.

-Por favor, não. – Implorou Hermione levantando-se e olhando Draco intensamente – Não quero mais nenhuma morte.

-É necessário. É a nossa morte, ou a dele.

-Posso apagar a memória dele. Ele nem vai saber quem é quando acordar. Por favor,Draco, não quero deixar minha consciência mais pesada do que ela já está.

O menino tocou no rosto dela com pesar. Ela era tão gentil, tão gentil...

-E se não funcionar? – Ele sussurrou enquanto a menina sem encolhia ao pensar na possibilidade.

-Sou boa em feitiços de memória. Prometo que não irei errar. Você confia em mim?

-Então faça o feitiço.Vou enterrar o corpo de Macnair e jogar a terra que tiramos do caixão de Snape. Precisamos arrumar a bagunça que fizemos. Assim que eu terminar eu venho aqui te ver.

-Tudo bem – Ela sorriu para ele pegando a própria varinha.

Enquanto Draco se afastava ela apontou para o homem inconsciente aliviada. Ele, pelo menos, era uma vida a mais que ela conseguira salvar naquele dia.

-Obliviate. – Ela anunciou enquanto lentamente o homem gemia enquanto todas as suas mais profundas lembranças eram sugadas dele próprio

Dez minutos se passaram e Draco apareceu sentando-se ao lado de Hermione no chão daquele lugar horroroso.

-Arrumou a bagunça? – Perguntou Hermione enquanto olhava em um ponto fixo, pensativa.

-Sim. Tudo está intocado, como se nós nunca tivéssemos entrado aqui.

-Ótimo. – Disse Hermione agora olhando para ele – Você vai conseguir dormir a noite?

- Se refere a meus pesadelos sobre Snape com a varinha das varinhas?

-Não. Me refiro ao Macnair. Você o matou hoje e sei que você se importa com cada vida que você tira.

-Talvez eu não durma perfeitamente. Mas estou cansado demais para ter insônia.

-Qualquer coisa é só gritar. Estarei no quarto ao lado.

O menino sorriu ao ouvi-la dizer.

-Vou me lembrar disso. –Ele revirou o bolso e pegou o motivo deles terem chegado até ali – Olhe só para ela.

Draco entregou a varinha das varinhas nas mãos de Hermione.

Era por causa dela que eles estavam ali. A varinha tinha mesmo aquele poder lendário?

Eles estavam a fim de descobrir. Mas não agora. Eles estavam definitivamente cansados.

E assim, eles saíram do cemitério, satisfeitos, indo em direção ao castelo. Afinal eles tinham a varinha das varinhas em mãos e o apoio de um ao outro.

Notas finais
Reparem três coisas em especiais:
-Gina e Harry ainda estão trancados na sala dos sonhos
-As três Relíquias da Morte foram finalmente adquiridas pela Armada.
- O Comensal permaneceu vivo.

Esperem por um capítulo chocante em breve. Planejei fazê-lo a um bom tempo , mas ele está apenas na minha cabeça.
Espero que tenham gostado desse meus amores. Deixem a opinião de vocês nos reviews que eu respondo. Leitores Fantasma , apareçam eu não mordo.

Beijos de Chocolate
sasu_hina