A Aposta

7 Uma Traição Forjada


Notas iniciais
Olá pessoal !
Ta aqui mais um cap *-*
Esse foi feito pela Rynui Uchiha [ ainda bem se não ela ia me matar por eu não ter deixado ela escrever HSUAHSA']
Apreciem esse cap e até lá em baixo !

...oOo...

A castanha levantou as sobrancelhas e fitou os orbes tempestuosos com curiosidade. Uma descarga elétrica passou pelo contato visual, e fez com que a garota estremecesse. Sem qualquer vestígio que a eletricidade também o tivesse atingido, Draco apertou os braços de Hermione com mais força.

-Então, não vai me dizer? – vociferou no pé do ouvido da castanha.

-Não, mesmo por que eu não tenho nada com você. – disse simplesmente.

Aquela declaração fez Malfoy rugir baixinho, de fundo da garganta. Na fraca luz, que a porta aberta a permitia enxergar, ela via um brilho psicótico nos olhos do loiro, como se um monstro tivesse acordado.

-É aí que você se engana. – a voz era possessiva.

A grifinória não agüentou e soltou uma sonora risada fria, e sem se importar com os braços presos na altura da cabeça ela continuou rindo, por fim foi se acalmando aos poucos e tomando fôlego para dizer:

-Eu me engano onde? Nós só nos beijamos por algum efeito colateral da poção ou algo do tipo. Não pense que vai me enganar só com desculpas.

O sonserino mirou a garota, os olhos de tempestade estavam analisando a menina que dormia com apenas uma fina camisola branca quase transparente, deixando-o ver todas as sinuosas curvas e detalhes do corpo da garota.

Draco fechou os olhos por alguns instantes, e a garota suspirou aliviada, — “Acho que ele não fará mais nada.” – pensou.

Antes que houvesse qualquer reposta à ação, o loiro soltou seu peso sobre a garota, e mal fazendo um contato mais extenso, ele capturou os lábios femininos, que estavam entreabertos.

Os quentes lábios masculinos pressionavam os seus, mas não tinham a delicadeza doce de Harry. Este era Draco Malfoy. O beijo do loiro era selvagem. A língua intrusa saboreava todos os cantos da boca feminina, enquanto os corpos invertiam posições, e ela ficava por cima dele. Os braços fortes que antes a aprisionavam estavam agora percorrendo suas costas, afagando e instigando o desejo.

O toque era pesado e suave ao mesmo tempo. Selvagem e desejoso eram as palavras que vinham à cabeça da garota na hora. O loiro exalava um cheiro delicioso, misturado com a sua própria fragrância a deixava entorpecida.

A língua se entrelaçava na sua com agressividade, a saliva melava os lábios de ambos, e o ar parecia se condensar. Cada contato das mãos do loiro no seu corpo parecia deixar tudo em chamas. Os rostos estavam vermelhos e quentes, e as bocas continuavam unidas com um desejo ardente.

Draco explorava cada canto de sua boca, mordiscava o lábio inferior de Hermione, lambia os lábios da menina, enquanto esta, inconscientemente, procurava a língua dele com a sua em busca de mais um sabor.

Mais alguns segundos, o ar faltou. Separaram-se por milímetros de distância, olhos nos olhos. Os olhos cor de tempestade entraram em choque com os olhos mogno, deixando o desejo fluir quase que líquido, e se aprofundando no castanho escurecido pelo ambiente.

Logo o ar frio bateu contra o rosto de Hermione e como se a tirasse do transe, ela espalmou as mãos no peito rígido para se erguer. Antes que Malfoy pudesse reagir, a castanha pisou no chão e saiu correndo em direção ao banheiro, onde entrou rapidamente e com um baque fechou a porta.

Sem mais ninguém para presenciar a cena, Hermione se encostou à porta e escorregou até o chão, permitindo lágrimas salgadas traçarem um caminho úmido até a mandíbulas, onde os rastros se perdiam e algumas gotas caíam sobre a clavícula.

A grifinória se sentia podre. Como ela podia ter feito algo assim ao seu melhor amigo? Como ela podia ter sido tão baixa a ponto de se sucumbir aos braços do loiro? Por mais que fosse só um beijo! Aquilo era lastimável! Era um insulto à sua amizade.

Soluços dolorosos irrompiam por sua garganta a fora, extravasando toda a dor que se acumulava no peito da castanha, a vontade de gritar parecia sufocá-la, os soluços eram altos, e as lágrimas caíam livremente, molhando todo o rosto feminino.

Chorou e chorou. – “Eu o traí, eu traí meu melhor amigo...” – os olhos da grifinória se arregalaram em surpresa, como ela podia ser tão estúpida? Ela a sabe-tudo de Hogwarts? Como ela pode sequer por um segundo se deixar cair na ilusão de que poderia ter algo entre ela e Harry?

Melhor amigo.

Amigo. Esta simples palavra ecoava na sua mente causando um grande transtorno. A surpresa que na verdade ela sempre soube. Nunca esteve confusa com isso antes. Mas ela não queria trair Harry com aquela maldita doninha, nunca.

Harry com seus olhos verdes e gentis despertava carinho e certo amor nela, mesmo antes do namoro, já Malfoy exalava sexo, como se ele respirasse isso, os olhos cinza azulados refletiam desejo e paixão.

Desejo e Paixão. “Estes não são sentimentos, são sensações.” – ela pensou. – “Nunca vou dizer nada ao Harry, isso iria quebrá-lo... Mas não consigo continuar com ele por mais tempo... Não sabendo que ele gosta de mim, e tudo o que sinto por ele é um carinho fraterno. Tenho que acabar com isso.”

O pensamento de acabar quebrando o coração do amigo fez as lágrimas tornarem a escorrer em maior volume sobre a face macia. Hermione não queria terminar com Harry, mas também não queria continuar com ele. O que fazer?

E sem qualquer vestígio de solução dentro de sua cabeça, a castanha adormeceu com a face manchada de lágrimas.

...oOo...

Enquanto a castanha chorava, no salão comunal da Grifinória, Harry e Ronny eram os únicos ainda acordados, e conversavam sobre o namoro do moreno:

-Você é idiota Harry? – perguntou o ruivo. – Se isso não der certo, vocês podem até perder esse carinho que nós demoramos anos para construir.

-Mas eu a amo! – exclamou o moreno se defendendo.

-Tem certeza? – por um segundo os olhos azuis brilharam de uma maneira impossível, lembrando Harry de que o amigo só queria o bem dos três.

-Tenho.

-E ela te ama do mesmo jeito?

O silêncio foi à resposta. O ruivo suspirou e fitou o fogo. – “Quando o meu amigo bobão perdeu toda a ingenuidade?” – o moreno se perguntava.

-Você sabe o que faz. – disse e deu um sorriso relaxado. – Mas meu amigo ou não, a magoe e eu te quebro.

O moreno soltou uma gargalhada junto a Ronny, que tinha um brilho misto no olhar, uma mistura de sentimentos, mas logo fechou as pálpebras, escondendo as duas safiras, e um silêncio gostoso se instalou no lugar. Ficaram os dois assim por alguns instantes.

-Te vejo depois, eu quero dormir. – o ruivo rompeu o silêncio, levantou-se e deu um sorriso ao amigo.

-Boa noite, Ronny.

-Boa noite. – o ruivo soltou um bocejo e foi andando até o dormitório.

Harry olhou o amigo desaparecer pela escada em espiral, logo que o ruivo desapareceu, o moreno fechou os olhos e respirou profundamente. “E ela te ama?”, as palavras insistiam em permanecer nos pensamentos dele. – “E se perdermos a amizade?” – ele pensou assustado com a idéia. O romance que ele mal descobrira valia tudo isso? Valia arriscar esse amor fraterno entre eles? – “Não” – a palavra lhe veio à mente com rapidez, nada nunca valeria o bastante para arriscar a amizade deles, nunca.

E com esses pensamentos, Harry se levantou e foi ao dormitório. Com as luzes apagadas, e roncos suaves, todos os garotos dormiam tranquilamente, sem qualquer preocupação. O moreno andou até sua cama, e levantou as cobertas, rapidamente deslizou para baixo destas e fechou os olhos.

“Eu não posso por nós três em risco.” – foi a última coisa que pensou antes de adormecer.

...oOo...

Acordou com as costas doloridas e os músculos da face meio imobilizados por causa das lágrimas secas. Abriu os olhos e voltou a fechá-los, estava muito claro. Piscou diversas vezes antes de abrir os olhos por completo.

Sentou-se endireitando a coluna que protestava pela má posição, esticando os braços para frente e retesando as pernas para se levantar, Hermione sentiu cada vértebra estralar. – “Nunca mais vou dormir no chão.“ – pensou.

Olhou-se no espelho que estava em cima da pia, quase teve um infarto ao ver seu reflexo. Olhos vermelhos, cabelos armados, rastros de lágrimas secas. Entreabriu os lábios e permitiu um suspiro escapar por entre eles, inclinou-se em direção a pia e lavou o rosto.

...oOo...

“Eu tenho que acabar com essa palhaçada.”- foi o primeiro pensamento do loiro ao abrir os olhos.

Rapidamente se levantou e separou o uniforme, pretendia tomar banho assim que a castanha saísse. Ele supôs isso ao ouvir o barulho do chuveiro ligado. Mais alguns minutos e o ranger suave da torneira fechando anunciou que logo ele poderia tomar banho, esperou mais cerca de 3 minutos e saiu.

Malfoy andou calmamente, só com uma calça de moletom, até o banheiro, mas não pode conter a cara de decepção ao constatar que a garota já saíra, ele não poderia pegá-la em nenhuma situação embaraçosa.

Despiu-se calmamente, afinal, ainda eram seis e quarenta da manhã, havia tempo de sobra. A luz do sol se infiltrava pela janela, deixando o ambiente agradável, e quente. Ligou o chuveiro e permitiu que água morna caísse por seu corpo, molhando os cabelos platinados, escorrendo pelo rosto, e chegando ao abdômen definido. O cheiro do shampoo que a garota usara ainda infestava o banheiro.

Fez uma conchinha com as mãos e pegou água, levou a quantia armazenada na direção do rosto e esfregou-a como se limpasse todas as impurezas. Em seguida ensaboou as mãos e repetiu a esfregação facial.

Depois de fazê-lo, elevou o rosto na direção do chuveiro, permitindo que a água batesse contra a face, limpando os vestígios de sabão. Passou as mãos pelo rosto para garantir que não havia mais nada ali, e abriu a boca, a água limpa e fresca entrou, Draco fez um bochecho com o conteúdo e o cuspiu no ralo.

Passou um shampoo dois em um nos cabelos claros, e se ensaboou. Tranquilamente ele deixava a água cair em seu corpo, lavando os vestígios de suor da noite. Fechando o registro, o sonserino pegou a felpuda toalha e esfregou na pele, o tecido rapidamente absorvia as gotículas de água espalhadas sobre a pele.

Jogou a toalha dentro de um cesto que automaticamente a levaria para a lavanderia e se vestiu lá mesmo. Ajeitou o uniforme de modo que este ficasse razoavelmente justo e moldasse os músculos masculinos. Passou um desodorante e uma colônia fraca, que adere facilmente à pele. Ajeitou os fios de cabelo e se olhou no espelho antes de abrir a porta para sair.

-E aqui vou eu. – murmurou pra si mesmo quando viu o Potter na sala comunal do lugar. – O que faz aqui cicatriz? – perguntou alto.

O moreno se assustou com a voz repentina, mas logo recuperou a frieza no olhar e retrucou:

-Estou esperando a minha namorada. – ele frisou a palavra.

Draco revirou os olhos e pegou sua pasta em cima da mesa de centro, olhou dentro dos olhos do outro garoto e disse com escárnio:

-Boa sorte com a sua namorada. – e saiu.

...oOo...

A garota estava acabando de se trocar, passou um perfume leve e delicado, ajeitou os cabelos encaracolados, saiu do quarto, se virou e trancou a porta, não quer isso parasse alguém que quisesse revirar seu quarto, mas só por garantia.

Virou-se para Harry, que de algum modo estava ali no salão comunal dos monitores. O moreno, com as mãos nos bolsos, fitou a castanha e sorriu de leve:

-Como dormiu?

-Bem. – mentiu e se aproximou do grifinório.

-Mentira. – falou suavemente, enquanto a puxava para um abraço.

-Como você sabe?

-Eu não preciso saber, eu sinto. – sussurrou. – Vamos?

Hermione assentiu e seguiu de mãos dadas com o garoto. De repente uma coisa lhe ocorreu:

-Como você entrou no nosso salão?

-Digamos que eu subornei a Medusa. – a castanha ergueu as sobrancelhas. – Sabia que ela gosta de maçãs?

Hermione o olhou e soltou uma sonora gargalhada, mas faltava algo, a vontade de rir parecia não existir na garota.

-Harry... – disse ela balançando a cabeça.

O moreno sorriu de leve, mas logo ficou sério. Parou de andar e segurou o pulso da namorada que prontamente o olhou.

-Te amo. – sussurrou antes de beijá-la com paixão.

As línguas se enroscavam, o calor era eletrizante. Um dos braços de Harry a puxou pela cintura, enquanto o outro lhe envolvia o tronco, a mão masculina segurava sua nuca, puxando-a mais para si.

Havia calor, desejo, eletricidade, química, e apesar de não ser o amor romântico, Hermione amava o moreno de algum modo, então por que ela sentia que algo não se encaixava? Por que ela sentia que algo estava errado? Por que ela queria que os fios negros fossem loiros?

...oOo...

-Você tem certeza, Malfoy? – a morena perguntou.

-Mas é claro Cho! – exclamou fingindo indignação.

-Então eu faço isso. – suspirou. – Mas só porque você me garantiu que ele ainda me ama. Espero que não esteja mentindo.

-Não estou. – ele garantiu.

-Mas por que você o ajudaria? – ela questionou.

-Quem disse que estou ajudando-o?

-Touché. – a garota finalizou e foi se encontrar com as amigas na mesa de sua própria casa.

Draco olhou a garota se afastar, e sorriu de canto, nada poderia ser mais perfeito. Deu as costas e caminhou tranquilamente até Zabine que olhava Hermione muito próxima a Harry, na mesa da Grifinória.

-É amigo, acho que alguém perdeu uma aposta. – zombou sem desviar o olhar.

-Vai à merda. – o loiro rosnou. – Só se foi pouco tempo, espere um pouco e verá. – gargalhou, Blaise levantou uma sobrancelha, mas nada disse.

-Ai, Draquinho! Qual é a graça? – perguntou a voz melosa e aguda de Pansy.

Malfoy teve ímpetos de responder um “não é da sua conta”, mas sorriu de lado e puxou Pansy para si, de modo que a garota sentasse no seu colo e o ouvido dela colasse na sua boca, sensualmente sussurrou:

-Adivinha quem é o novo casal da escola? — A menina engoliu seco e olhou-o erguendo as sobrancelhas. – Vamos, Pansy, uma garota tão inteligente como você deve saber... – o olhar cinzento passeou pela mesa da Grifinória, mais precisamente sobre o trio de ouro.

-A Granger e o Weasley? – Draco a olhou cético. – O Weasley e o Potter? – o loiro a empurrou de si e esperou. – A Granger e o Potter? – disse manhosa.

-Na mosca. – sorriu.

Parkinson arregalou os olhos e foi correndo até as amigas contar sobre a novidade. — “Ótimo, agora só me falta a Chang fazer o Potter “trair” a Hermione. E eu terei ganhado uma aposta.” – o loiro sorriu com maldade ao imaginar tudo se desenrolar.

...oOo...

Corria pelos corredores apressado, Snape o fizera ficar mais tempo na aula dele, e a agora Harry estava atrasado para o almoço. Virou uma esquina, que logo daria para o refeitório. Parou bruscamente antes de trombar com uma garota parada bem ali na dobra do corredor.

-Aaah, desculpe, eu não te vi. – falou apressado.

-Não se preocupe Harry, eu estava te esperando. – a garota asiática respondeu.

-Como...? – ele pensou ter ouvido errado.

Mas Cho ignorou essa pergunta, enlaçou o pescoço do grifinório com os braços, inclinou-se para frente e o beijou.

-MAS QUE DROGA É ESSA?! – a voz irritada de Ronny invadiu os ouvidos dos dois, além dos burburinhos que encheram o recinto.

Notas finais
Gostaran ??????
Merecemos Reviews ?? E recomendações ???
Faram ambas as autoras felizes se fizerem isso !

Beeijinhos e obrigada por lerem ;**