A Aposta
25 A Marca Negra
Notas iniciais
Como passaram o natal ?
Espero que bem ! Ganharam presentinhos , ou
nada como eu ? SHAUSAUSHA'
Enfim espero que vocês gostem desse capítulo !
Esse foi feito pela Rynui *-*
Então...até lá em baixo !
Ele estava nervoso, muito. Ele, um grifinório, estava indo encontrar uma sonserina no meio da noite, sem mais nem menos. Harry não sabia se era bom ou ruim que esse corredor perto daquele banheiro de mais cedo fosse afastado, afinal, tudo aquilo podia ser uma armadilha.
-Potter? – a voz feminina o chamou.
-Estou aqui Parkinson. – respondeu.
A figura feminina, coberta por uma capa negra, com as bordas detalhadas em verde e prata, surgiu em meio às sombras. Os cabelos de Pansy brilhavam sob a luz fraca que se infiltrava pelas amplas janelas do corredor, um dos poucos que não continha os quadros resmungões.
-Então, — ele começou. – o que quer?
-Não posso chamar um colega para uma conversa? – ela sorriu irônica.
-Não. – ele rosnou. – O que ia me falar sobre a Hermione? – ela limitou-se a sorrir. – Diga!
Uma gargalhada estranha escapou por entre os lábios femininos, seus olhos se encontraram com as esmeraldas que brilhavam de raiva. E ela disse:
-Você realmente acreditou naquilo? – o desdenho pontuou sua voz.
Harry fechou os olhos e respirou profundamente, não se deixaria levar pelas provocações da sonserina. Fitou-a com a maior indiferença possível, então, girou os calcanhares e disse por sobre o ombro:
-Se não tem nada a me contar, estou indo. – mas antes que desse o primeiro passo, as mãos femininas se fecharam em um de seus pulsos.
-Quem disse que não tenho algo para lhe falar? – ela questinou.
Pansy mirou os olhos esmeraldinos, e corou. De alguma forma, os olhos brilhantes da sonserina, aquele rubor que era iluminado pelo fraco luar, tudo isso o atraia de algum jeito.
...oOo...
Hermione tremia, e muito, ela mal conseguia por o xampu nas mãos e ensaboar o cabelo, depois de alguns minutos, uma coruja chegou para Draco. Era negra e tinha um aspecto assustador, olhos marrom-avermelhados, semicerrados e brilhantes, no bico, havia um pequeno trinco, além que as plumas estavam todas arrepiadas.
A garota olhou pra cima e deixou com que a água quente caísse em seu rosto, tirando o excesso de sabão. Passou as duas mãos sob as pálpebras, para retirar a água acumulada ali, e os acontecimentos de poucos minutos lhe voltaram à mente:
Draco calmamente fazia um curativo sobre os cortes em seu antebraço, a mágica só adiantou para parar o sangramento, uma vez que era magia negra, feitiços comuns de nada adiantariam, segundo o que ele lhe explicara.
-Mas você não sabe nenhum? – questionei.
Ele me fitou com aqueles olhos de dias nublados, toda vez que ele se exaltava, estes se tornavam tempestuosos, o verde e o azul clareavam, enquanto o cinza virava a cor predominante.
-Não. – os lábios crisparam. – Só aprendi feitiços de ofensiva, nenhum curativo, fora que é importante ele ver as marcas hoje.
-Hn... – fiz quando não havia mais nada a ser dito.
Depois que ele me ajudara com os ferimentos, e eu não sentia mais dor, Draco se distanciou, como se o muro tivesse voltado. O olhar dele estava voltado para a janela do meu quarto, o vidro estava levantado para que o cheiro forte das ervas, que ele pusera sobre os cortes, dissipasse-se.
-Dr... Er... Malfoy?
O olhar dele caiu sobre mim, mas nada disse, Draco se dignou a levantar uma sobrancelha loira, questionando-me. Antes mesmo que eu abrisse a boca para inventar algo para dizer (sim, eu o tinha chamado por um mero impulso), uma coruja passou pela janela como uma louca, parecia sem controle algum, julgando sua velocidade, mas para a minha surpresa, ela virou no último instante, antes de se chocar contra a parede, e pousou graciosamente na minha cabeceira.
O loiro estendeu o braço e pegou a carta, ele suspirou profundamente, lambeu os lábios, e olhou para mim, por cima da carta.
-Granger, — ele iniciou. – a iniciação foi adiantada, vai ser hoje à meia noite na floresta proibida.
Senti meus olhos se arregalando, então usei toda a minha força de vontade para que isso não acontecesse, não queria demonstrar fraqueza perto dele, mas também estava nervosa com a notícia da iniciação.
-Vou me trocar. – ele anunciou. – Vista roupas negras e cubra a face. — Draco floreou a varinha. – Pegue isto. – e lhe estendeu uma máscara branca.
E agora ali estava ela. Resolveu que não podia enrolar demais, já que era bom chegar um pouco antes, portanto passou a última enxaguada no corpo, e fechou o registro. O vapor da água quente impedia que ela sentisse frio, pegou uma toalha branca e felpuda, para logo enxugar-se.
Hermione pegou logo a varinha e murmurou um feitiço para que seu cabelo secasse, não era prudente ir a uma iniciação de uma comensal, de cabelo molhado logo no fim do outono.
Vestiu-se rapidamente, uma calça esportiva negra e um suéter de lã da mesma cor, agora só faltava a máscara, colocou a varinha no cós da calça, passando por seu quarto pegou a máscara que repousava sobre a cama, e foi para o salão comunal.
-Ande logo Granger. – a voz masculina estava impaciente.
as ainda não são onze horas. – respondeu.
-Mas temos que achá-los. – Draco respondeu como se falasse com uma criança.
-Achá-los? – franziu as sobrancelhas.
-Sim, ou espera que eles sinalizem para nós e toda Hogwarts? – perguntou com sarcasmo.
Hermione permaneceu em silêncio, tinha se esquecido que por enquanto, ela era uma seguidora do Lord das Trevas, e uma apoiadora do extermínio de nascidos trouxas. Até aquele instante, a ficha ainda não tinha caído.
Na quietude noturna, Hermione não ousou proferir nenhum som, apenas seguiu Draco pela escuridão. Ela conseguia distinguir o garoto da escuridão, por causa da cabeleira platinada, já que, de roupas negras, ele se misturava quase que perfeitamente.
-Hermione... – ela ouviu seu nome ser sussurrado e olhou para o garoto. – Por aqui. – ele disse pegando grifinória no colo e seguiu andando por entre raízes altas e grossas.
Ela não enxergava muito bem, por isso agradecia ao fato de Draco tê-la pego nos braços, mas a proximidade era perigosa, ela conseguia sentir o coração do loiro bater contra seu ombro, ela via a respiração ofegante pelo esforço físico e sentia o calor e o cheiro masculino a envolverem.
-Chegamos... – o sussurro foi baixo o bastante para que ela quase nem o ouvisse.
O sonserino largou gentil e lentamente as pernas da menina, para que ela não caísse, e deu apoio o bastante para que ela ficasse de pé. Logo que ela ganhou o próprio equilíbrio, Draco tirou as mãos dela e pegou a própria máscara, sabe-se lá de onde.
-Bem vindos! – a voz rouca de Voldemort preencheu a noite, era como se os ruídos noturnos nunca existissem, apenas a voz dele.
Em meio à penumbra, sua imagem se formou, assim como atrás dele, várias formas, os comensais, surgiram. Tochas flutuantes os seguiam, mas a claridade era pouca.
-My Lord. – disse Draco fazendo uma reverência com uma das mãos em punho no peito.
A grifinória ficou parada por um segundo, mas logo repetiu o gesto de Draco, ela queria mostrar o quão devotada ela poderia vir a ser.
-Hermione Granger. – o Lorde Das Trevas disse. – Hoje você se juntará a nós nessa santa causa, para que possamos livrar a mágica desses sangues sujos.
-Mas ela é como eles! – um dos comensais gritou.
Por um segundo, grande parte das pessoas pensou que o Lorde exigiria a morte de quem o contrariara, mas o homem, meramente balançou a cabeça em acordo, e sorriu com pesar.
-Sim, sim, de fato ela tem o sangue sujo, mas sabia que há como torná-la sangue puro? – ouviram-se arfares de surpresa. – Oh meus queridos, não se assustem, é natural que eu o tenha descoberto. – ele voltou-se para Hermione. – Antes da sua iniciação, faremos a purificação de seu sangue.
Hermione julgou seguro falar, tomou fôlego e perguntou:
-E o que devo fazer, My Lord?
-Quero que entre nesta bacia. – ele apontou para uma espécie de bacia de madeira, julgando pelo aspecto, feita de carvalho. – E meus comensais, como seu padrinho farão o resto.
“Padrinho?”- ela se viu perguntando, mas quando Draco deu um passo à frente, tudo se encaixou, ele era seu padrinho. Hermione também viu Bellatrix, Lúcio e os irmãos Carrow, Amico e Aleto, darem alguns passos à frente, seu padrinho se postou ao lado dela, só que do lado de fora do recipiente.
Os demais comensais ficaram em uma posição que formava um quadrado em volta deles, Draco estendeu um punho, Hermione viu um filete de sangue escorrendo pelo braço do loiro, enquanto uma certa quantia pingava em si mesma.
-Mas o que infernos...? – ela sussurrou.
Ele olhou em seus olhos, e fez com que ela visse que não havia nada a temer. A castanha não sabia como, mas ela viu nos olhos tempestuosos que nada aconteceria a ela, não enquanto ele estivesse ali.
Hermione olhou ao redor de si, logo atrás de Draco, estava Amico, convocando uma magia estranha, tudo o que ela via ao redor do loiro mais velho era uma serpente feita de água. À esquerda de Amico, estava Aleto, mas esta controlava uma enorme serpente feita do que parecia terra. Do outro lado da comensal, estava Bellatrix, a mais temida comensal, via-se uma serpente de fogo crepitante se enrolando no corpo da morena, mas sem queimá-la e por fim, Lúcio controlando uma serpente quase transparente, feita de ar.
“Os quatro elementos!”- pensou maravilhada e assombrada. – “Mas se ali tem quatro elementos, Draco...” – uma lembrança de um pentagrama wicca lhe veio à mente. — “Draco é o espírito.” – arregalou os olhos, aquela magia envolvia cinco elementos, o quão poderosa ela podia ser?
-Tudo pronto. – a voz de Draco estava diferente, não era nem arrogante, nem suave, nem brincalhona, o tom dele demonstrava poder, como se todos ali tivessem de obedecê-lo.
O loiro murmurou alguma coisa em uma língua, provavelmente um encanto de magia negra. O sangue de Draco tinha passado do rubro para o negro, e se levantava, uma linha que subia, quando na altura do rosto da garota, a ponta da “linha” se abriu, com a face de uma naja, que mostrava as presas para ela.
E de repente se viu cercada por trevas, o mais profundo negro como se todas as tochas tivessem se apagado, mas ela sabia que não, sabia que o verdadeiro problema era com ela.
Sentiu uma corrente de ar frio lhe envolver, o único calor além do seu próprio era a naja feita de sangue, que havia lhe envolvido o pescoço, como um colar, encostado nas clavículas, perfeitamente ajustado. A grifinória se sentia flutuando, tentou tatear ao redor de si mesma para ver se achava a bacia de madeira, mas sua mão batia contra o corpo escamoso que com pouca resistência, deixava a mão dela passar por si.
Respirou com força, ela não podia se deixar derrotar assim tão fácil, os comensais e o próprio Voldemort a viam. Puxou os braços contra si, voltando para dentro da serpente, encolheu-se numa bola e abandonou-se aos ares gélidos que faziam pequenos cortes na sua pele.
No seu pescoço, Hermione sentia a respiração da serpente, então, veio a mordida. Ela sentiu os dentes da cobra penetrando sua carne e nada mais. Logo veio um calor exagerado, ela sentia todos os seus membros pegarem fogo, a cobra de fogo.
A principal sensação dela era que lava lhe corroia o corpo. Tinha vontade de chorar, quando no mesmo lugar que a outra, a serpente de fogo lhe picou.
O cheiro de grama recém cortada preencheu seus sentidos, ela podia ouvir o som do mar, logo sentia terra molhada em si. Os irmãos combinaram as serpentes. A terra raspava contra a sua pele com força, mas sem machucar, a suavidade e maciez a tinha surpreendido. Mas a mordida desta não foi no mesmo local das outras, e sim no exato canto oposto, a grifinória apostava que se traçasse uma reta de uma à outra, a precisão seria perfeita.
Hermione olhou para o céu, sua visão estava turva, mas agora ela conseguia ver pequenos pontos brancos e borrados no céu. E a luz da lua estava parcialmente visível. Sentiu-se cair, estava totalmente exausta, mas antes de atingir o chão, braços fortes a pegaram, era Draco.
-Mais um pouco. Aguente mais um pouco. – ele sussurrou.
A pequena naja de sangue se dividiu em duas, ela podia sentir a “pele” escamosa se dividindo. Dois sibilares eram ouvidos, ela sentiu que cada uma ia para cada lado de seu pescoço.
Tentou gritar quando cada uma das serpentes entrou em si. Aquele sangue não era o seu, mas sentia ele se expandir, como um intruso, ela podia distinguir o sangue de Draco do próprio, que se mesclava com o “sangue puro” do loiro.
Descansou a cabeça no peito do seu “padrinho”, a exaustão a consumia.
-Está encerrado! – a voz de Voldemort tinha uma alegria quase doentia, um deleite sádico.
A castanha levantou brevemente os olhos, sentia que sua máscara tinha caído, mas não tinha forças o bastante para fazer mais nada além de fitar ao redor. Logo percebeu que os quatro comensais também haviam caído desmaiados, provavelmente sem magia restando pela noite. Fechou os olhos.
-Draco, meu querido? – ouviu uma voz melodiosa e feminina, provavelmente Narcisa.
-Sim, mamãe?
-Dê-lhe este tônico, ainda tem a iniciação.
-Hermione? – ela não tinha forças para responder. – Droga... – ele praguejou baixinho.
A grifinória nada via, apenas sentiu os lábios quentes de Draco contra os seus e um líquido gelado desceu-lhe a garganta, o que foi bom. Ela sentia seu rosto queimar, suas forças voltarem e a vida voltar a si.
-Já pode ficar de pé? – Draco perguntou.
-Sim. – sua voz falhou um pouco, mas ela conseguia se levantar. Fitou Draco e perguntou: — Que tônico é esse?
-Um que foi passado de geração em geração na família Black. – disse com simplicidade.
Ouviram um pigarro, e viram o Lord das Trevas sorrindo, e com sua voz gutural ele disse:
-Agora, Hermione, tem o sangue puro, como qualquer um de meus comensais. – respirou fundo de forma teatral, e prosseguiu: — A partir de agora, começaremos sua iniciação! – sorriu.
Hermione sentiu as pernas amolecerem, se apenas sua “purificação” fora algo horrível, imagine o que viria depois?
-Minha cara, — o homem ofídico sorriu. – Yaxley! Lestrange! – eles apareceram em meio aos diversos comensais.
-Sim, meu lorde? – disseram em uníssono.
-Quero que leve a nossa novata, Draco e mais 10 novatos para um condado no interior da Inglaterra, aquele que lhes disse. – seu sorriso era macabro. – Logo me juntarei a vocês. Ah sim, antes que me esqueça, matem aquela pessoa, apenas se nossa linda Hermione não concordar com os termos de se tornar minha comensal.
Lestrange pensou em perguntar se não seria melhor Draco ficar e descansar, mas ele era padrinho da novata, normalmente o padrinho a levaria, e aos novatos, para a matança, porém, aquele caso era um tanto quanto especial.
-Sim, meu senhor. – disse curvando-se em uma reverência. – Vocês dois! – ele chamou suas atenções, misturem-se a massa, — indicou um grupo de oito adolescentes, sendo que nenhum deles podia ter mais de 20 anos. – agora vamos!
Ele e Yaxley florearam a varinha, e uma quantidade enorme de poder os cercou. A magia era tão poderosa que era praticamente palpável.
Dentro de segundos, a castanha se sentiu zonza, quase bêbada, e quanto chegaram ao seu destino, ela cambaleou um pouco, mas o loiro passou um braço em sua cintura para ampará-la.
-Novatos! – Yaxley bradou. – Estamos em um condado trouxa! Como vocês pirralhos tem o péssimo hábito de hesitar quando há crianças, nós nos certificamos de que não há nenhuma aqui. – ele rosnou. – E se tiver, tragam-nas para cá, e nos lhes mostraremos como um verdadeiro comensal deve agir!
Como um passe de mágica, todos os oito novatos desapareceram, Hermione estava lívida, mas tinha de fazê-lo, sentiu que o braço do loiro a tinha soltado, ia se virar para cumprir o ordenado.
Seus membros pareciam não se mover, travados e frios, seu sangue não parecia correr em suas veias, mas sim água gelada. A castanha sentia o olhar de Draco sobre si, ela sentia que ele dizia para que ela relaxasse, mas ela simplesmente estava travada, o que não passou batido à nem um dos comensais mais velhos:
-Granger! – disse Yaxley. – Relaxe, é comum com muitos dos novatos isso acontecer. – o sorriu, um sorriso venenoso, cheio de raiva e sarcasmo. – Principalmente os que até agora eram nascidos trouxas.
Um arrepio subiu da base de sua espinha até o pescoço, ela sentia que exalava medo e angústia.
-Não se preocupe pirralha, — disse o outro. – não matará ninguém até que o Lorde chegue. – como se aquilo fosse muito tranqüilizante.
Assentiu, mas ainda tinha o pescoço duro e tenso. O sangue, seu e de Draco, corriamam com força pelas veias, um punhado de adrenalina também a fazia tremer, como se seu corpo estivesse recebendo uma descarga elétrica.
-Os outros já se foram, — a voz rouca e poderosa de Voldemort lhes preencheu os ouvidos. – Agora, Granger, queira me acompanhar, que faremos sua marca negra.
A grifinória ficou ainda mais lívida, mas conseguiu engolir seco, e assentir enquanto murmurava um “Sim, My Lord.”. Tudo o que Hermione sentia era a expectativa, ela percebera que Draco torcera os lábios com aquela frase, e todos os outros novatos a fitaram com pena logo antes de serem liberados.
Ela seguia Lorde Voldemort com cerca de 5 metros os separando, não ia mais longe por conta de Yaxley e Rudolf que estavam praticamente jogando-a para frente, ao seu lado, Draco caminhava silenciosamente.
“Ele sabe o que vai acontecer?” – ela pensou. A expressão sombria no rosto do loiro era o suficiente para que sua dúvida fosse confirmada, com certeza ele sabia, Draco sempre tinha um jeito peculiar de saber das coisas, era um rapaz esperto, afinal.
-Senhorita Granger? – o homem ofídico a chamou gentilmente, uma gentileza exagerada.
-Sim... Meu Lorde? – por pouco ela se esquecera do tratamento dele.
-Dentro desta casa há uma mulher, ela é quem você deve matar. E caso recuse, sabe que ainda há nossa segunda opção. – o sorriso irônico marcou-lhe a face.
Hermione olhou de esguelha para Draco, os olhos tempestuosos dele estavam cravados nela, de certo que ela não tinha escolha, mas a presença do ex-namorado a confortava, por pior que ele tivesse sido para ela.
Ela forçou-se a olhar naqueles olhos cor de sangue, engoliu o que parecia uma bola de golfe em sua garganta e disse:
-Claro meu lorde, seu desejo é uma ordem. – a frase clássica surtiu um bom efeito, afinal, aquele homem parecia gostar que lhe aprumassem o ego.
-Faça-o então! – ao vê-la indecisa, ele acrescentou. – Não tenha piedade dessa escória, sabia que ela participava do tráfico de pobres criancinhas? Ela cooperou com o trabalho infantil durante toda sua vida.
Sem mais hesitar, por mais nervosa que estivesse, a castanha caminhou para dentro do pequeno chalé, que por algum milagre não tinha nenhum tipo de sinal de arrombamento, apenas o desgaste pelo passar dos anos.
Ela tremia um pouco, a adrenalina pulsava por seu corpo. Mas havia, desde o pequeno discurso sobre sua vítima, um novo sentimento, era raiva, uma ira palpável, ela queria tirar a vida de uma mulher como esta.
Então ouviu um grito feminino apavorado. Hermione voltou-se para um corredor escuro e sombrio, onde a chama de uma vela bruxuleava em meio à escuridão, relevando uma mulher de meia idade, pálida, com uma camisola de inverno para dormir, um olhar assustado e cabelos claros desgrenhados, mas nada muito específico.
Mal teve um segundo para agir, ela ia correr, quando o feitiço pulou de sua boca:
-Estupefaça!
A mulher voou alguns metros e se chocou contra uma parede, pelo som. Ela podia ouvir que aquela mulher não tinha morrido, respirava com dificuldade e o barulho dos destroços mostrava que ela tentava fugir.
-Quero ver a face de uma mulher que realmente merece a morte. Lumus! — A grifinória sentia ódio, não estava em si, gritou outro feitiço: — Crucio! – no mesmo instante aquela mulher começou a se retorcer de dor.
Na mente da castanha, as imagens de pobres criancinhas desaparecidas, entrevistas com os pais, e ainda também, quando os cadáveres eram achados alguns anos depois, quando ainda crianças, os seqüestrados eram abusados e postos para trabalhos pesados.
A visão da grifinória estava turva de tanto ódio, a raça humana conseguia ser tão cruel! Ela apertou a varinha, tanto que seus dedos protestaram. A mulher, castanha clara, gritou mais alto.
Atrás de si ela podia ouvir passos e as gargalhadas dos homens.
-Isso! Isso! – o Lorde das Trevas gritava em pura alegria, tal como uma criancinha quando vai ao circo. – Agora o “Gran Finalle”!
-Avada Kedrava! – ela gritou com todas as forças que tinha.
Um raio de luz verde saiu da ponta de sua varinha e atingiu a mulher que tanto gritava. No mesmo milésimo de segundo a mulher parou de gritar, o silêncio sepulcral, só se ouviam as riasadas sádicas do líder.
-Perfeito! – sua voz estava em puro deleite. – Agora, menina, vá até ela e faça um pequeno corte, depois coloque sobre seu antebraço.
Mesmo que com certa hesitação, Hermione o fez, afinal, aquela mulher jamais sentiria dor, infelizmente, mas quando se aproximou do cadáver, ela sentiu-se paralisada por alguns segundos, os olhos que a encaravam não eram de uma pessoa qualquer, ela tinha os mesmos olhos cor de mogno dela, os mesmos olhos castanhos herdados de seu pai. Os mesmo olhos que um dia pertenceram à sua avó. Aquela mulher era uma Granger.
Sacudiu a cabeça com força, fazer conexões malucas naquele momento não era nada sensato. Abaixou-se e fez um pequeno corte com uma magia cortante. Simples, mas útil. Espremeu o braço da mulher, arregaçou as mangas e pressionou seu antebraço esquerdo contra o sangue que escorria. Ainda estava quente.
-Ótimo, agora venha até aqui! – a voz dele ainda estava com uma satisfação cruel.
Agora que a parte suja estava feita, Hermione andou com passos certos e incertos na direção de seu novo mestre. Ela sabia que aquilo provavelmente doeria, e muito, mas não estava preparada para que quando ela estendesse o antebraço nu, todos os quatro, incluindo Draco, apontassem a varinha para a mancha de sangue e esta começasse a borbulhar, como se estivesse fervendo.
A mancha também queimava, tal como se tivesse posto fogo em contato com sua pele. A ardência chegava a lhe dar tonturas. Ela conseguia ver Draco mexendo a varinha de um lado para o outro, dando o formato para a mancha de sangue, enquanto os outros a faziam ferver.
Hermione notou que Voldemort meramente apontava a varinha para a mancha, sem de fato realizar nenhuma magia. Até que a marca negra ficou em seu mais perfeito formato e o sangue já começava a ficar inexistente sobre a pele alva da garota. Via-se uma fina camada de sangue e uma marca vermelha marcada em carne viva.
Ela mordeu a língua. “Não posso gritar. Não posso gritar. Não posso gritar.” – ela repetia isso para si mesma, como um mantra, a grifinória não podia gritar, pelo simples motivo que isso a faria ser tomada por fraca.
-Agora, dêem-me espaço! – O Lorde exigiu. Nos olhos vermelhos podiam-se ver que as pupilas tomavam um formato curioso. Hermione arregalou os olhos quando reconheceu o símbolo da marca negra.
Com força, Voldemort chacoalhou a varinha, fazendo com que um raio branco partisse da ponta de sua varinha. E assim que a luz branca atingiu sua pele, todo o esforço para não gritar mostrou-se vão.
Ela conseguia sentir todo o ódio, a raiva, e a crueldade que emanava de seu novo “chefe”, assim como todas as últimas sensações das vítimas daquele homem passavam por seu cérebro, como uma onda de desastre.
Cada lágrima, cada arrepio, medo, aflição, ódio, dor. Cada mínimo detalhe de diversas pessoas antes da morte eram sentidos por ela. Hermione tremia e gritava, o ar estava quase lhe faltando, mas sempre tivera ótimos pulmões.
Durante alguns segundos respirou de forma ofegante, mas tudo recomeçou. Ela podia novamente sentir o medo das vítimas, ela tinha praticamente se tornado uma das pessoas quem ele torturara, ela sentia suas dores.
Ela via aqueles olhos com a marca negra dançarem de alegria, um deleite naquela dor que lhe contorcia o rosto. A castanha sentia que sua garganta ardia e seus pulmões estavam prestes a explodir quando a dor repentinamente cessou.
— Pronto minha cara, agora você é uma das minhas comensais! – ele disse ainda com um tom de alegria, como se aquela fosse a melhor de todas as brincadeiras.
Ela não sabia que tinha perdido a força das pernas até que a dor em seu antebraço e o pânico impostos em sua mente começassem a se dissipar. Logo que isso aconteceu, Hermione podia sentir-se pressionada contra um peitoral duro, mas macio o suficiente para ser aconchegante, o calor emanava dele. Ela sabia quem era que a impedira de cair, não pelo óbvio, não pelo tão conhecido calor humano, mas pelo cheiro, era algo especial que só Draco tinha. Era aconchegante.
Ela se sentia inquieta, por mais fraca que estivesse. Tentou com toda sua força restante abrir as pálpebras, mas nada.
-Shhh... – a voz de Draco ronronou em seus ouvidos. – Não se esforce mais, tudo o que você sofreu esta noite corresponde à pelo menos um dia de cama e o resto da semana sem esforços.
Depois das palavras do sonserino, ela deixou de resistir. A última coisa que ela se lembrava, era de pensar: “Lorde Voldemort. O lorde das Trevas. O homem que matara os pais de Harry. O homem que matara seu próprio pai. O homem que movia milhares contra a minha família. Lorde Voldemort, meu chefe, meu líder.” – o destino certamente fora iônico, depois disso, só sabia que ia para algum lugar desconhecido.
...oOo...
Harry abriu os olhos. Ainda era cedo, mas mesmo assim ele acordara. Felizmente tivera um sonho limpo, o que podia ser tão preocupante quanto bom para ele, significava que Voldemort não tinha tentado penetrar em sua mente, assim como significava que sua amiga podia estar em perigo.
Mas balançou a cabeça com força, ele sabia que Hermione estava bem, quem de fato lhe preocupava era a loira do dia anterior...
-Pois bem, diga-me. – eu disse cruzando os braços frente ao peito.
-Eu queria apenas dizer que sinto muito. – ela ruborizou ainda mais. – Por tudo, sério, eu percebi o quão estúpido foi tudo o que eu fiz a vocês durante todos esses anos.
Levantei uma sobrancelha, aquela sonserina provavelmente estava curtindo com a minha cara.
— Que bom, é uma pena que eu não confio nem um pouco em você.
Ela arregalou os olhos, e falou algo baixinho, parecido com uma praga, mas não alto o bastante para que eu confirmasse.
-Escute! Estou pedindo desculpas, entendeu? – o tom dela, mudara por completo, antes era algo melodioso e doce, e agora estava irritadiço. – Mas se não pretende me perdoar, vou embora!
Ela tinha se virado para ir, mas por algum impulso sobrenatural, eu a impedi, estendendo meu braço e segurando seu pulso, ela acabou levando um tranco, mas olhou para mim, aqueles olhos brilhantes, obscurecidos pela pouca claridade.
-Desculpe-me, — disse com a maior cordialidade possível. – não quis te magoar.
Pansy fungou algumas vezes, fitou-me nos olhos e disse:
-Tudo bem, eu entendo que você nunca cogitaria em confiar no que uma sonserina te diz.
-Bem, eu posso tentar. – disse um pouco mais suave.
A loira sorriu e abraçou-me com força.
-Obrigada! – ela fechou os olhos, inclinou-se para frente e deu-me um selinho, antes de rapidamente se desgrudar de mim e sair correndo...
Harry olhou-se no espelho do banheiro, abriu a torneira e jogou água com força no rosto, aquele era um novo dia, por que não começá-lo com a cabeça fresca?
Notas finais
Acharam forte a iniciação ?
Eu não sei vocês mais achei tão mágico o momento em que o Draco espremi seus lábios nos de Hermione para dar a ela a bebida ! Ai ai esse casal , me faz suspirar demais !HSAUHSAU'
Fico feliz que Rynui não tenha escrito partes Luna-Blás pq assim eu posso escrever uma cena que tenho na cabeça ! Ta ai outro casal que eu amo demais !♥
Então gente espero que todos vocês tenham uma virada de ano , incrível , e um próspero ano novo *-*
Desculpem a tagarelice , não sei como Rynui me aguenta HSUHSA'
Beeijos e espero ver a opinião de vocês nos reviews ;**
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